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Juiz de Fora, Minas Gerais, Brazil
Apesar de ser mestre em Linguística e ter toda a minha vida acadêmica voltada para o ensino de línguas, sempre fui amante da literatura, devoradora de livros, filmes e séries. Sempre tive um sonho: escrever. Durante muito tempo, o medo de fracassar me impediu de realizar esse sonho, mas uma grande amiga me incentivou e me deu a coragem de enfrentar meus fantasmas e graças a ela eu hoje posso dizer que me sinto uma pessoa melhor, mais confiante e absolutamente ciente do meu potencial.

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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Capítulo 41 - Tempo


Narrado por Edward

É estranho como o tempo passa rápido. Parece que foi ontem que eu vi o rosto de Bella pela primeira vez. Ainda me lembro das sensações que tive naquele momento: incredulidade, medo, raiva e, finalmente, dor. Lembro-me de tentar evitá-la no começo por não conseguir olhar para ela sem sofrer com a saudade que sentia de Isa. Naquela época, Bella era como um fantasma que tinha surgido em minha vida para me assombrar e me fazer enlouquecer. Depois de Isa, eu nunca mais quis me envolver com ninguém. Vivia, ou melhor, sobrevivia apenas para o meu filho e para o meu trabalho.
No entanto, eu me sentia em dívida com Bella, afinal ela tinha salvado a vida de Brian. Eu não podia ser ingrato ao ponto de ignorá-la para sempre. Além disso, meu filho estava completamente encantado com a “tia Bella” e eu não tinha o direito de afastá-lo dela. É engraçado pensar que ele a chamava de tia sem nem mesmo se dar conta de que aquilo era verdade. No início, ainda era doloroso olhar para o rosto de Bella, mas acho que Deus tinha seus próprios planos para nós e tenho certeza de que Ele usou Emmett como instrumento para nos aproximar. Tenho que agradecer ao meu irmão por nos ter colocado para trabalhar juntos durante a construção do anexo. Foi ali que eu pude conhecer a pessoa doce e meiga por quem comecei a sentir um carinho enorme.
De certa forma, também tenho que agradecer a Mike Newton por ter despertado em mim um instinto de proteção em relação a Bella. Ao vê-la sair correndo do anexo aos prantos e assustada, o desespero e a preocupação que eu senti e o ódio que me atingiu ao ver que Mike Newton vinha logo atrás me fizeram perceber que Bella significava muito mais do que uma colega de trabalho ou uma amiga. Eu queria passar o tempo todo com ela, protegê-la do mundo e fazê-la sorrir. Naquele dia, eu soube que estava apaixonado por ela, mas tinha medo de que ela não sentisse o mesmo por mim. Meu coração quase parou quando demos nosso primeiro beijo. Ali, naquele estacionamento escuro, depois de ter tido o prazer de socar a cara de Mike Newton, meu mundo perdeu o tom de cinza e retomou todas as cores quando senti os lábios macios de Bella colados aos meus. Saber que os meus sentimentos eram correspondidos me devolveu a vontade de viver e eu soube que aquela mulher jamais sairia da minha vida. Eu não permitiria, Bella seria minha para sempre.
O mais incrível na nossa relação era que quanto mais obstáculos apareciam, mais unidos e apaixonados nós ficávamos. Nosso amor era tão intenso que qualquer pessoa, mesmo que não nos conhecesse, podia perceber o quanto nós nos amávamos. E como se minha felicidade já não fosse completa, Bella me deu o melhor presente de aniversário que um homem apaixonado pode ganhar: nossa filha, Sofia. Eu assistia encantado e abobalhado cada detalhe novo que surgia nela: o primeiro sorriso que ela me deu, como ela gostava quando Brian contava historinhas pra ela dormir, a primeira vez que ela ficou sentadinha sozinha, o primeiro dentinho que nasceu, como ela ficava linda engatinhando pela casa, os primeiros passos e a primeira palavra que ela disse.
Bella e eu estávamos com ela sentadinha em nossa cama e insistíamos para que ela falasse:
_ Bonequinha, fala “papai”! – eu pedia enquanto ela sorria pra mim e agitava os bracinhos gorduchos achando tudo divertido.
_ Amorzinho, fala “mamãe”! – Bella insistia enquanto Sofia virava a cabeça em sua direção.
Estávamos competindo para ver quem ela chamaria primeiro. Sofia alternava o olhar entre Bella e eu enquanto disputávamos a sua atenção, ela apenas sorria sem dizer nada que fizesse sentido. Já estávamos quase desistindo quando Sofia olhou na direção da porta do quarto e disse:
_ Baia!
Olhamos para trás e demos de cara com Brian parado na porta e sorrindo feito bobo para a irmã. Bella e eu nos entreolhamos e a gargalhada que se seguiu foi tão estrondosa que chamou a atenção da família toda. Em pouquíssimo tempo, todos entravam em nosso quarto para ver o que estava acontecendo. É claro que a gozação foi generalizada, principalmente por parte de Emmett.
Por falar em Emmett, Melinda e Nicole nasceram em 25 de dezembro de 2011. Rose conseguiu levar a gravidez até o nono mês e teve um parto tranquilo. Bella, meu pai e eu estávamos presentes na sala de parto. Emmett estava tão nervoso que pediu para que todos nós ficássemos com eles. Ele até estava fazendo direitinho o seu papel de marido e pai, apoiando a Rose durante o parto, mas para a surpresa de todos, o grandão desmaiou ao ver Melinda pela primeira vez, toda sujinha e chorando. Quando ele acordou, Nicole já tinha nascido. Eu nunca tinha visto meu irmão tremer e chorar tanto como quando pegou as meninas no colo pela primeira vez. Elas eram tão pequeninas e pareciam tão frágeis nos braços de Emmett que dava até medo de vê-lo segurá-las. De repente, eu vi meu irmão que eu ainda via como um meninão virar um verdadeiro paizão. O momento mais engraçado foi quando ele apareceu com um formulário maluco que deveria ser preenchido pelos futuros pretendentes de Mel e de Nikki. Eu chorava de rir com aquilo. Meu irmão era completamente maluco. É claro que Rose surtou quando leu aquele absurdo e com o apoio da mulherada cortou as asinhas do meu irmão. Ele ainda tentou argumentar, mas como era minoria deu-se por vencido, eu acho. Alice e Jasper foram padrinhos de Nikki e Bella e eu fomos padrinhos de Mel.
Eles se casaram um mês depois do nascimento das meninas. Na verdade, foi um casamento duplo. Alice e Jasper também se casaram naquele dia em uma cerimônia simples, mas emocionante. Eu vi orgulhoso o meu filho entrar na igreja como pajem das noivas enquanto Bella ria de Sofia que se agitava no colo de Tânia que estava sentada ao lado de Marcus logo na primeira fila. Rose e Alice estavam lindas e choravam como duas crianças. Que elas não me ouçam, mas Bella estava mil vezes mais linda do que as duas. Emmett e Jasper sorriam como dois bobos. Bem, eu não posso criticá-los porque eu tenho certeza de que a minha cara de bobo era muito maior do que a dos dois juntos quando me casei com Bella. Onze meses depois do casamento, Alice deu a luz à pequena Ashley. Ela parecia uma fadinha de tão linda. Aliás, é assim que a família toda a chama: fadinha. Dessa vez, meus pais foram os padrinhos.
Jake e Leah se casaram um ano e meio depois em uma cerimônia na praia de La Push muito parecida com a do meu casamento com Bella. Leah estava linda exibindo orgulhosa o seu barrigão de cinco meses de gestação que mais parecia de oito meses por causa dos gêmeos. Poucos meses depois, demos as boas vindas ao pequeno Jacob e à pequena Sarah. Leah quis que a menina tivesse o nome da mãe de Jake o que deixou Billy muito emocionado. Ele e Rachel foram os padrinhos de Sarah e Bella e eu batizamos o pequeno Jacob.
Mas, infelizmente, nem tudo na vida são flores. Duas semanas depois da prisão de Michael, Jéssica não resistiu aos ferimentos e teve morte cerebral declarada. Com isso, Michael teve mais uma acusação de homicídio acrescentada ao seu processo. Graças à escuta que Tânia tinha colada ao corpo no dia da emboscada, Michael responderia processo por homicídio triplo qualificado por ter matado sua família, homicídio doloso pela morte de Jéssica e pela tentativa de seqüestro de Sofia. Durante o julgamento, a promotoria o acusava de forma implacável sem deixar furos para que a defesa pudesse achar um modo de inocentá-lo.
O depoimento de Tânia sobre como Michael tinha convencido Jéssica de que Sofia era dele para que ela a raptasse e a levasse até ele foi fundamental para a promotoria. Bella não foi ao julgamento. Ela estava bem, mas eu pedi ao terapeuta que nós consultávamos que escrevesse um laudo dizendo que ela estava traumatizada demais para ficar frente a frente com Michael e que isso poderia atrapalhar o tratamento dela e o juiz aceitou que somente eu testemunhasse. Eu tive que me conter para não fazer a dancinha da vitória diante dos jurados quando Michael simplesmente surtou durante o meu depoimento. Bastou que eu mencionasse o nome de Bella e falasse da minha família para que ele perdesse completamente o controle. O advogado de defesa tentava controlá-lo enquanto ele gritava a plenos pulmões todas as atrocidades que havia cometido, inclusive que tinha matado intencionalmente o primeiro filho de Bella. Diante daquela confissão, o juiz mandou que os jurados se reunissem para deliberar. Menos de quinze minutos depois, o veredicto foi pronunciado: culpado de todas as acusações. Michael foi condenado à pena de morte por injeção letal. Eu particularmente preferia vê-lo fritando em uma cadeira elétrica, mas o estado de Washington havia abolido o uso da cadeira elétrica por considerá-la um ato desumano. E aí eu me pergunto: Por acaso Michael agiu como um ser humano quando matou tantas pessoas?
De qualquer forma, eu sabia que em breve estaria livre definitivamente daquele monstro. Ele amargou durante dois anos no corredor da morte até ser finalmente executado no mês passado. Como último pedido, ele quis ver e falar com Bella, mas ela não quis e mesmo que ela quisesse, eu não teria permitido. Emmett, Jake e eu fizemos questão de assistir a execução de Michael. Eu queria que o meu rosto vitorioso fosse a última coisa que ele visse antes de morrer sabendo que Bella era minha e que nós seriamos felizes para sempre.
Eu finalmente pude respirar aliviado ao vê-lo fechar definitivamente os olhos. Três dias depois da execução, uma correspondência enviada da prisão chegou para Bella. A sorte era que os seguranças estavam autorizados a abrir qualquer correspondência suspeita ou Bella teria sabido toda a verdade sobre a morte de seu primeiro filho. Mesmo depois de morto, Michael ainda tentou feri-la, mas a carta nunca chegou ao conhecimento de Bella. A partir daquele dia, eu tive a certeza de que minha família estava novamente em plena segurança.
Durante todo esse tempo eu tenho escrito sobre tudo o que aconteceu desde que conheci Isa. Eu sentia muita dificuldade em me abrir com o terapeuta e ele me aconselhou a passar para o papel tudo aquilo que eu não conseguia dizer. No início, eu achei aquela ideia meio maluca, mas com o tempo e o incentivo constante de Bella eu resolvi tentar. O mais estranho foi que ao escrever, eu pude refletir sobre tudo o que aconteceu em minha vida nos últimos treze anos e eu percebi que, apesar de tudo, eu fui e sou feliz porque eu tenho uma mulher maravilhosa que eu amo mais do que a minha própria vida, pais dedicados e carinhosos que sempre me apoiaram em todos os meus momentos, irmãos sempre presentes que sabem a hora exata de me dar um puxão de orelhas, amigos verdadeiros e fieis e os meus maiores tesouros: meus filhos.
Brian hoje está com onze anos e é o terror das meninas no colégio. Bella fica louca com tantas garotas ligando pra nossa casa perguntando por ele. Sofia acabou de completar cinco anos e a cada dia fica mais linda e meiga. Como eu suspeitava, virei massinha de modelar nas mãos daquela bonequinha que faz de mim o que quiser. Basta ela me olhar com aqueles enormes olhos azuis e fazer a carinha do gatinho do Shrek, que ela aprendeu a fazer com a mãe, que ela consegue tudo o que quer de mim. Bella às vezes briga comigo dizendo que eu a mimo demais e que ela vai acabar ficando uma criança estragada, mas quem liga? Eu a amo do jeitinho que ela é. Estragada ou não, ela vai ser sempre a minha bonequinha.
Agora que a família vai aumentar ainda mais, Bella e eu decidimos nos mudar para a sua antiga casa. Tivemos que mexer em pouca coisa, já que a casa tem vários quartos. Além dos quartos de Brian e Sofia, tivemos que projetar mais um quarto para os gêmeos. Linda e Gabriel vão nascer em setembro e eu mal vejo a hora de conhecê-los. Nem preciso mencionar a cara de tacho de Emmett quando soube dos gêmeos. Ele até tentou retrucar dizendo que eu também tinha virado fornecedor porque teria duas filhas, mas a diferença é que eu teria dois meninos para me ajudarem a tomar conta delas.
Rose e Emmett acabaram de se mudar também. Eles compraram a casa da falecida Sra. Stewart. Os filhos não quiseram manter a casa por causa das lembranças que segundo eles seriam dolorosas demais e a venderam para meu irmão que agora é nosso vizinho. Alice e Jasper bem que pensaram em ter a própria casa também, mas dona Esme fez beicinho alegando que estava sendo abandonada por todos e eles acabaram ficando com meus pais. No fundo, eu acho que Alice até gostou de ficar e como Jasper é uma cara tranquilo e faz tudo o que Alice pede, tudo acabou bem.
Bella me surpreende mais a cada dia. A forma como ela cuida dos nossos filhos e de mim só me deixa mais apaixonado por ela. Depois que eu acabei de escrever a nossa história ela me pediu para ler. No início, eu fiquei meio intimidado ou constrangido, sei lá. Mas depois eu pensei: Caramba, Bella é minha mulher! Que mal tem ela saber o que se passa na minha cabeça? Então deixei de bobagens e lhe entreguei o manuscrito. Ela gostou tanto que leu de uma só vez as mais de trezentas páginas que eu havia escrito. E não foi só isso o que ela fez. Sem me dizer nada, ela mandou uma cópia do manuscrito para uma editora que acabou se interessando em publicá-lo e um belo dia eu recebi uma encomenda em meu nome. Quando abri a caixa eu quase caí para trás ao ver o conteúdo: o exemplar de um livro intitulado “Voltar a Viver” por Edward Cullen.
A princípio eu achei aquilo uma loucura, mas para a minha total surpresa o livro foi um sucesso de vendas e acabou se tornando um Best Seller e virou febre mundial sendo traduzido para diversas línguas. Já se ouvia falar até que algumas empresas cinematográficas estariam interessadas em comprar os direitos autorais para transformá-lo em um filme. Que gente maluca! Bem, o fato é que amanhã, Bella, eu e as crianças iremos viajar para Nova Iorque para mais uma tarde de autógrafos em uma das maiores livrarias da cidade. Depois de tantos anos, eu voltarei a visitar o túmulo de Isa. Bella e Brian pediram para ir comigo e eu não podia negar isso a eles. Desta vez, Isa irá receber três rosas vermelhas ao invés da rosa solitária que durante cinco longos e torturantes anos eu depositei diariamente em sua sepultura. Eu devia muito a ela e precisava agradecer: por Brian, por Bella e por tudo.

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