A manhã do dia vinte e quatro de dezembro chegou trazendo aquela sensação gostosa de comemoração em família. Desde cedo, a casa dos Cullens já estava agitada com os preparativos para a ceia de Natal. De banho tomado e de roupa trocada, Brian entrou no quarto ao lado tomando todo o cuidado para não acordar Bella e o pai que ainda dormiam abraçados. Como fazia todas as manhãs, subiu silenciosamente na cama do casal, e acariciou suavemente a barriga de Bella.
_ Bom dia, Sofia! – disse ele para o bebê.
Como se tivesse compreendido que o irmão falava com ela, Sofia mexeu-se no ventre da mãe. Bella sorriu ainda de olhos fechados.
_ Bom dia, mamãe! – Brian deu-lhe um beijo na bochecha.
Bella abriu vagarosamente os olhos e fitou os orbes verdes e brilhantes do menino que sorria para ela.
_ Bom dia, meu anjinho! Dormiu bem? – Brian, ainda sorrindo, assentiu com a cabeça.
_Posso acordar o papai? – ele pediu com um sorriso sapeca nos lábios.
Bella afastou-se um pouco de Edward e assentiu com a cabeça segurando o riso, mas antes que Brian pulasse na barriga do pai como fazia todas as manhãs, Edward ergueu-se de repente e o agarrou, deitando-o na cama e encheu sua barriga de cócegas. A risada gostosa de Brian preencheu todo o quarto quando Bella se juntou a Edward na brincadeira. O menino gargalhava e se remexia tentando escapar da cama, mas o pai o puxava de volta e recomeçava a tortura. Bella havia se afastado um pouco para proteger o bebê quando Brian começou a agitar as pernas sobre a cama. Deixou pai e filho ainda brincando no quarto e decidiu tomar um banho antes do café da manhã. Sob o chuveiro, assustou-se quando Edward a abraçou por trás pousando suas mãos macias sobre sua barriga e Sofia imediatamente reagiu ao toque do pai.
_ Edward! O que você está fazendo? Brian... – ela tentou dizer.
_ Ele já desceu, amor! Não se preocupe, eu tranquei a porta do quarto. – Ele disse enquanto tocava os seios de Bella e distribuía beijos quentes em seu pescoço.
Bella imediatamente sentiu-se quente. Não conseguia resistir a Edward quando ele a tocava daquela maneira. Trocaram beijos e carícias ousadas debaixo do chuveiro. Edward envolveu o corpo de Bella em uma toalha macia e a levou nos braços para a cama sem quebrar o contato com seus olhos. Deitou-a com delicadeza sobre o colchão macio e fez amor com ela sentindo cada pedacinho daquele corpo quente que o recebia e o abrigava. Com o avanço da gravidez e o aparecimento da barriga de Bella que crescia a olhos vistos, juntos começaram a procurar diferentes formas de sentir e dar prazer um ao outro. Não pretendiam deixar de se amar até o nascimento de Sofia, mas não poderiam abusar das posições e correrem o risco de prejudicar o bebê.
Sentada à mesa do café da manhã, Bella observava a alegria da família que conversava animadamente. Brian, que comia um pedaço de bolo, lançou-lhe um beijo no ar e apenas movendo os delicados lábios rosados disse um “eu te amo, mamãe” silencioso. Bella sorriu largamente. Não conseguiria descrever a emoção que sentia toda vez que ele a chamava assim. Desde a primeira vez, quando contaram ao menino sobre o casamento e sobre o bebê, Bella experimentava uma sensação mágica ao ouvi-lo referir-se a ela como sua mãe. A voz rouca e suave de Edward a trouxe de volta à realidade.
_ Bella, você está bem? – ele perguntou ao perceber seus olhos marejados.
_ Estou mais do que bem, amor! – ela respondeu com um sorriso sereno. Edward sorriu-lhe de volta acariciando sua mão sobre a mesa.
Apesar do frio, o sol havia saído e Edward decidiu passar a manhã com a família no parque Yost. Recostado em uma árvore, Edward tinha Bella sentada entre suas pernas com as costas apoiadas em seu peito e a cabeça repousada em seu ombro enquanto a abraçava. Ambos estavam envoltos em uma manta grossa e assistiam encantados à brincadeira de Brian e Oz. O menino, devidamente agasalhado, corria do cachorro que o perseguia a cada vez que ele lhe jogava uma bola de neve. Brian gargalhava com gosto quando seu amiguinho peludo o derrubava na neve e logo depois corria para longe do dono, como se brincasse de pega-pega.
Ao chegarem em casa, Bella fez com que o menino tirasse as roupas molhadas pela neve e tomasse um banho bem quente antes do almoço. Reunidos à mesa, comeram em meio à conversa animada de Emmett que dizia que tinha uma novidade pra toda a família, mas que só anunciaria à noite, durante o jantar.
Bella e Brian dormiram abraçados durante boa parte da tarde. O menino tinha ficado exausto por causa da correria no parque e Bella sentia-se sonolenta por causa da gravidez. Por volta das seis da tarde, Edward entrou no quarto e encontrou o filho acordado. Em silêncio, o menino velava o sono de Bella enquanto acariciava sua barriga. Edward se juntou a ele, mas como sempre acontecia, Sofia reagiu assim que o pai tocou a barriga de Bella e ela abriu os olhos.
_ Desculpe, amor! Eu não queria acordar você! – Edward se desculpou constrangido.
_ Está tudo bem, Edward! Eu já dormi o suficiente. Que horas são? – ela perguntou sonolenta.
_ Ainda é cedo. São seis horas. Descanse mais um pouco, Bella! – Edward sugeriu acariciando o rosto da mulher.
Bella já se sentia descansada. Ficou mais alguns minutos na cama conversando com Edward enquanto Esme levava Brian para se arrumar para a festa. Levantou-se, tomou um banho e se arrumou para juntar-se à família no andar inferior. Rosalie e Jasper já haviam chegado quando Bella e Edward desceram as escadas de mãos dadas. Brian corria pela casa com Emmett em seu encalço. Pareciam dois meninos sapecas, na verdade, era difícil saber quem não era a criança ali.
Durante o jantar Bella, Edward e Rosalie trocavam olhares cúmplices. Alice falava sem parar sobre a importância de se saber o sexo do bebê para que a decoração do quarto fosse feita com calma e cobrava até mesmo de Rosalie que marcassem logo o exame de ultrassonografia. Todos à mesa ficaram ansiosos quando Bella comunicou que o exame já havia sido feito e que eles já sabiam o sexo da criança. O silêncio que se fez na expectativa da revelação foi quebrado pela voz de Brian que havia se levantado e corrido em direção a Bella dando-lhe um abraço.
_ Eu vou ganhar uma irmãzinha e o nome dela é Sofia! – ele anunciou sorridente acariciando a barriga de Bella.
Toda a família reagiu empolgada com a notícia. Esme tinha os olhos marejados pela emoção. Sempre quis ter uma neta e agora seu sonho se tornaria realidade. Alice sorria e quicava em sua cadeira imaginando todas as roupinhas, sapatinhos, lacinhos e outros acessórios que compraria para a sobrinha. Carlisle ria de Emmett que tirava um sarro da cara de Edward dizendo que ele não sobreviveria a ser pai de uma menina.
_ Imagine só o bando de moleques que vão ficar andando atrás dessa princesinha? – ele dizia às gargalhadas.
_ Não se preocupe, Emmett. Ela vai ter o pai e o irmão mais velho para espantar os moleques daqui! – Edward respondeu divertido piscando o olho para Brian. Bella apenas ria de tudo.
O jantar já havia terminado quando o telefone tocou. Brian correu para atender. Do outro lado da linha uma voz masculina o saudou.
_ E aí, campeão? Tudo bem com você?
_ Oi, tio Jake! Eu vou ganhar uma irmãzinha! – ele contou animado.
Jacob ainda conversou com o menino por alguns minutos antes de pedir para falar com Bella. Tinha ido com Leah passar o Natal com a família em La Push e estava ligando para desejar felicidades a todos. Jacob informou a Bella que tinha mandado entregar um presente para ela, mas que tinha se esquecido e mandado para seu antigo endereço. Bella passaria em sua casa no dia seguinte para pegar o presente e aproveitaria para pegar a correspondência que já deveria estar se acumulando debaixo da porta.
Emmett esperou até que Bella desligasse o telefone para pedir a atenção de toda a família. Finalmente ele contaria qual era a novidade. Aproximou-se de Rosalie abraçando-lhe a cintura e diante do olhar curioso de todos anunciou que eles se casariam em breve. Esme e Carlisle sentiram-se ainda mais realizados. Seus filhos tinham encontrado pessoas maravilhosas e estavam começando a formar suas próprias famílias. Jasper sorria satisfeito com a felicidade estampada nos olhos da irmã. Sabia o quanto ela amava Emmett e tinha certeza de que os dois tinham nascido um para o outro. Com dois casamentos pela frente, a cabecinha frenética de Alice já elaborava mil planos para as cerimônias, mas deixaria para conversar com Bella e Rosalie depois das festas de fim de ano.
Brian lutava contra o sono deitado no sofá da sala com a cabeça apoiada no colo de Bella. Ela acariciava os cabelos do menino com uma das mãos enquanto com a outra alisava sua barriga tentando acalmar o bebê que se agitava lá dentro. Alice se aproximou, tocando a barriga de Bella e sorriu ao sentir a sobrinha se mexer.
_ Hey, anjinho, já está na hora de você dormir! – ela disse com a cabeça encostada na barriga da cunhada.
Brian levantou-se de repente e olhou para Bella com os olhos marejados antes de subir as escadas correndo sem nada dizer. Todos se olharam surpresos com a reação inesperada do menino, sem entender o que teria acontecido. Bella sorriu. Ela sabia exatamente o que tinha levado o menino a reagir daquela forma. Levantou-se calmamente do sofá e subiu as escadas sendo seguida por Edward que ainda tentava compreender a reação do filho. Depois de procurarem o menino em seu quarto, Bella e Edward abriram a porta do próprio quarto encontrando Brian deitado na cama com a cabeça coberta pelo edredom e deitaram-se um de cada lado do menino.
_ Filho, diz pra mim, porque você ficou triste? – Edward pediu descobrindo a cabeça de Brian.
_ Por nada! – ele respondeu enxugando uma lágrima e tentando esconder o rostinho com as mãos.
_ Ninguém fica triste sem motivo, Brian! Conversa com o papai? – Edward insistiu.
Brian permaneceu em silêncio por um tempo. Depois, com um olhar magoado de cortar o coração virou-se para Bella.
_ Eu não vou mais ser o seu anjinho? Agora é a Sofia que vai ser? – perguntou deixando escapar um soluço da garganta.
_ Você vai ser sempre o nosso anjinho, meu amor! – Bella respondeu abraçando o menino e acariciando-lhe os cabelos. – Você pensou que, por causa da sua irmãzinha, eu e o seu pai iríamos esquecer você?
_ Eu só queria continuar a ser o seu anjinho! – ele disse magoado.
Bella e Edward se olharam sorrindo. Prometeram a Brian que ele continuaria a ser o anjinho mesmo depois de grande. Com o tempo, Brian começou a se deixar vencer pelo cansaço e quando Edward tentou levá-lo para seu quarto o menino abraçou o corpo de Bella num claro pedido para dormir ali. Não havia como negar o pedido sem magoá-lo novamente. Bella trocou-se e voltou a deitar abraçada ao menino enquanto Edward descia para explicar à família o que havia acontecido.
Na manhã de Natal, Bella despertou sentindo duas mãos acariciando sua barriga. Ao abrir os olhos, deparou-se com dois pares de olhos lindos e apaixonados acompanhados dos sorrisos mais brancos e brilhantes do mundo.
_ Bom dia, meus amores! – ela os saudou sorrindo.
_ Bom dia, mamãe! – Brian lhe beijou a face. – Feliz Natal!
_ Bom dia, amor! – Edward beijou-lhe docemente os lábios. – Feliz Natal, meus amores! – ele beijou também o filho e a barriga de Bella.
_ Feliz Natal, meus dois homens lindos e cheirosos! Vocês já tomaram o café da manhã? – Bella perguntou ao vê-los de banho tomado e arrumados.
_ Estávamos esperando você acordar, amor! Já estão todos lá embaixo. Só faltava você. – disse Edward ajudando Bella a se levantar.
Bella tomou um banho rápido, vestiu-se e desceu para a sala de jantar para tomar o café da manhã com toda a família. Brian estava ansioso para abrir seus presentes. Os Cullens preferiam celebrar o Natal sem se deixar levar pelo apelo comercial da data. Era tradição na família que os adultos não trocassem presentes já que o verdadeiro espírito de Natal está presente nos sentimentos de amor, compaixão, união e harmonia familiar. Apenas Brian estava isento a essa tradição, afinal, o menino ficaria magoado se Papai Noel se esquecesse dele.
Depois do almoço, Edward, Emmett e Jasper ensinavam Brian a jogar o videogame que ele havia ganhado do tio Emmett. Carlisle lia um livro na sala e ria das brigas das quatro crianças em frente ao brinquedo. Esme e Alice discutiam os detalhes da decoração do quarto de Sofia. Bella e Rosalie tinham saído para buscar o presente que Jacob havia mandado para seu endereço antigo. Bella recolheu a correspondência acumulada em casa e foi até a casa de sua vizinha, a senhora Stewart, que havia recebido a encomenda de Jacob. A simpática viúva não deixou que Bella e Rosalie saíssem sem antes tomar um chá com biscoitos. Conversaram por um bom tempo e Bella lhe contou as novidades sobre a gravidez e antes de partir, já no final da tarde, prometeu que mandaria avisá-la quando a menina nascesse.
De volta a casa, Bella foi recebida ainda na garagem por Edward que havia ficado preocupado com a demora das duas. Ele já estava a ponto de sair para buscá-la quando o carro de Bella entrou na garagem. Depois de explicar o que tinha acontecido, Bella subiu ao quarto para deixar a correspondência. Deixaria para ler tudo no dia seguinte, depois que voltasse do hospital. Abriu somente o presente de Jacob e não pôde deixar de sorrir ao ver a linda manta branca toda trabalhada com um delicado bordado que ele havia mandado para o bebê.
Por volta das dezenove horas Brian dormia no sofá da sala exausto depois de brincar o dia todo com o pai e com os tios. Edward tentou acordá-lo para jantar, mas não conseguiu. Deu-lhe um banho da melhor maneira que pôde e o colocou na cama. O menino certamente não acordaria até o dia seguinte. Cansada, Bella deitou-se mais cedo. Edward estava sentado aos pés da cama massageando-lhe os pés levemente inchados e doloridos. Sentindo-se cada vez mais relaxada com a massagem, Bella adormeceu. Após tomar um banho, Edward deitou-se ao seu lado, abraçando-a por trás e fechou os olhos depois de depositar um beijo suave em seu pescoço.
Apesar de ter acordado um pouco enjoada na manhã do dia vinte e seis, Bella insistiu em ir para o hospital. Se dependesse de Edward ela teria largado o trabalho durante a gravidez, mas como Esme e Alice nunca deixavam que ela ajudasse com as tarefas diárias, ela se recusou a ficar em casa sem ter o que fazer. No entanto, Edward a havia praticamente obrigado a prometer que trabalharia somente a metade do expediente e que não faria mais plantões à noite durante a gestação.
Em casa, no período da tarde, Bella decidiu abrir a correspondência. Não havia como adiar mais e estava louca para se livrar daquela papelada que entulhava a mesinha de canto no quarto. A maioria dos envelopes trazia propagandas, ofertas de assinatura de revistas e algumas contas que já estavam vencidas. Mas um envelope em especial chamou a atenção de Bella, não só por sua grossa espessura como também pelo nome do remetente em branco. Intrigada, Bella abriu o envelope despejando seu conteúdo sobre a cama. Uma enorme quantidade de fotografias caiu do envelope e Bella não conseguia acreditar no que seus olhos lhe mostravam. Dezenas de fotos suas em diversas ocasiões estavam espalhadas sobre a cama. Chocada, Bella as colocou lado a lado reconhecendo muitas delas. As fotos tinham sido tiradas ao longo de vários meses e mostravam sempre a figura de Bella: no estacionamento do hospital na noite de inauguração do anexo; chegando em casa naquela mesma noite antes da visão assustadora de Michael; em vários passeios com Edward e Brian no parque Yost; saindo com Leah da boate na noite em que o índio a agarrara; em frente à escola de Brian no dia em que o menino quase fora atropelado; com Edward chegando e saindo do hospital em diversos dias, a notar pelas roupas diferentes em cada foto; na praia em frente ao Arnies, na noite em que Edward a pedira em casamento e, finalmente, no dia em que Michael a abordara na praia depois de descobrir sobre sua gravidez.
Bella sentia-se acuada. A situação havia chegado a um ponto em que ela não poderia mais esconder de Edward a verdade. Seria obrigada a mostrar-lhe as fotos e a contar sobre seu “encontro” com Michael naquele dia na praia. Ele ficaria furioso e ela temia sua reação. Bella passou o restante da tarde no quarto. Não se sentia muito bem: seus músculos estavam tensos, seu estômago se contorcia e sua cabeça doía. Decidiu ficar deitada tentando se acalmar sabendo que a conversa que teria com Edward seria difícil.
Bella forçou-se a engolir a comida e subiu para o quarto assim que o jantar acabou levando Edward pela mão. Não tinha mais como protelar aquela conversa e esperava que tudo desse certo. Edward a seguiu escada acima em silêncio sabendo que algo de errado estava acontecendo. Conhecia Bella muito bem para não perceber em sua fisionomia traços de preocupação e medo. Bella entrou com Edward no quarto e trancou a porta assim que ele passou por ela. As fotos estavam espalhadas por toda a cama.
_ O que é isto, amor? – Edward perguntou confuso ao ver de longe as fotografias.
_ São fotos minhas que eu recebi pelo correio. – ela disse tentando controlar o nervosismo.
Edward olhou para ela assustado e aproximou-se da cama para olhá-las mais de perto.
_ Quem mandou isso, Bella! – ele disse já com a voz alterada.
_ Não tinha remetente. Essas fotos estavam no meio da correspondência que eu trouxe da minha casa. – ela disse se aproximando da cama.
Edward olhava estarrecido para as fotos notando a linha do tempo que elas traçavam. Percebeu que Bella estava sendo seguida e fotografada havia meses e seus olhos se arregalaram ao ver a foto em que Michael segurava Bella pelos braços na praia.
_ Isabella, o que significa isso? – ele perguntou segurando a foto nas mãos trêmulas de raiva.
Bella não tinha mais como esconder de Edward o que tinha acontecido aquele dia. Sentou-se na cama de frente para ele e contou com detalhes o ocorrido, desde a hora em que percebeu a presença de Michael ao seu lado até a hora em que ela chegou em casa naquele mesmo dia. Edward ouvia a tudo com a mandíbula travada e as mãos fechadas em punho. Andava de um lado para o outro no quarto enquanto Bella contava toda a verdade. Ela sabia que ele estava furioso e tentava se preparar para sua reação. Edward encarou Bella com um olhar cortante depois que ela se calou.
_ Bella ... – ele apertou a ponte do nariz tentando controlar a raiva – eu não acredito que você me escondeu uma coisa dessas!
_ Edward, por favor, me entenda! Eu pensei que aquele encontro tivesse sido uma infeliz coincidência. Eu nunca imaginei que ele pudesse estar me seguindo todo o tempo. – ela tentou ponderar.
_ Não era ele que a seguia, Bella. Será que você não percebeu isso? Olha esta foto aqui, ele aparece na foto com você. Era outra pessoa que estava fotografando você. Alguém de quem você não suspeitaria, alguém que você sequer saberia quem era. – ele disse secamente.
_ Amor, me perdoa. Eu não te contei antes porque eu realmente pensei que isso não fosse mais acontecer. Só quando eu recebi as fotos eu percebi que já poderia ter acontecido antes. – Bella tentou abraçar Edward, mas ele se afastou.
Edward estava muito agitado e sentia uma fúria descontrolada tomar conta de si. Tinha medo de machucar Bella involuntariamente caso se permitisse ficar muito próximo a ela. O quarto parecia não ter espaço suficiente para contê-lo. Os pensamentos que passavam em sua cabeça só pioravam as coisas. Tremia só em pensar quantas vezes Michael tivera a chance de fazer algo a Bella. As fotos tinham sido enviadas para dar exatamente esse recado. Por mais que ele tentasse, Bella nunca estaria totalmente segura. Aquele pensamento foi o estopim para que o descontrole tomasse conta de Edward.
_ Amor, eu sei que você está furioso comigo, mas, por favor, me perdoa! Eu não fiz por mal! – Bella pedia tentando segurar o choro.
_ O pior de tudo, Isabella, é que ao me esconder a verdade você permitiu que aquele monstro tivesse muitas outras chances de te pegar. Ontem mesmo, quando você saiu com a Rose pra buscar essas malditas fotos, ele poderia ter tentado alguma coisa. Sabe por que isso não aconteceu ainda? Simplesmente porque ele não quis, Isabella! É isso que ele quer dizer com essas fotos. – ele respondeu com a voz alterada.
_ Edward, por favor, não se altere. – Bella pediu com a voz embargada.
_ Não me alterar? Isabella você ainda não percebeu que colocou não só a sua vida em risco, mas também a vida da nossa filha? Meu Deus, você às vezes é tão ingênua que chega a me dar medo, Isabella! Será que você se esqueceu do que o seu ex-marido é capaz de fazer? Será que eu preciso te lembrar o que ele fez com o próprio filho, Isabella? – Edward proferiu a última pergunta aos gritos.
Bella abraçou o próprio ventre ao se lembrar do passado. Transtornado, Edward aproximou-se da cama juntando rapidamente as fotos e caminhou em direção à porta do quarto.
_ Aonde você vai, Edward? – Bella perguntou assustada com o estado de Edward.
_ Vou fazer o que eu já deveria ter feito há muito tempo! – ele disse sem olhar para trás e saiu do quarto batendo a porta com força.

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