Bella saltitava pelos corredores do hospital com o sorriso de uma criança que viu Papai Noel na noite de Natal. Não se continha de tanta felicidade. Precisava encontrar Edward e contar-lhe a novidade antes que seu coração explodisse. Passou por Jacob, deu-lhe um enorme beijo nas bochechas e um abraço apertado sem nada dizer. Estava radiante. Leah vinha logo atrás rindo daquele jeito moleca que tinha tomado conta da amiga. Riu mais ainda da enorme interrogação estampada na testa de Jacob. Sabia que Bella queria que Edward fosse o primeiro a saber, portanto calou-se.
_ Se você quer mesmo saber o que está acontecendo, siga essa moleca sapeca que acabou de passar por você! – disse divertindo-se com a expressão do namorado.
Não só Jacob como também Emmett, Rosalie e Jasper seguiram Bella até a pediatria. Estavam curiosos para saber o motivo de tanta felicidade. Alice, que saía do novo prédio da pediatria quando Bella entrou, correu ao seu encontro e a abraçou, as duas pulando e dando gritinhos. Não adiantaria esconder nada de Alice, portanto ao ver o enorme sorriso rasgando o rosto de Bella ela soube do que se tratava.
_ Você está indo contar para ele? – perguntou Alice ansiosa.
_ Sim. Ele está na pediatria, não está? – respondeu mal conseguindo se conter.
_ Está no berçário examinando um paciente. Vá logo, menina, antes que você tenha uma coisa aqui! – Alice riu.
Bella seguiu seu caminho ao encontro de Edward.
_ Hey, baixinha? – Emmett chamou – Pode ir contando para gente o que está acontecendo porque eu já vi que você sabe! – disse cruzando os braços tentando impor autoridade.
_ Não vou contar nada, grandão! Se vocês quiserem saber, perguntem para Bella. – respondeu Alice com as mãos na cintura e batendo o pezinho no chão em desafio.
Bella entrou no berçário de fininho. Edward acabava de examinar um bebê recém-nascido quando Bella o abraçou por trás.
_ Se você continuar acariciando essa mocinha aí, eu vou ficar com ciúmes! – ela sussurrou em seu ouvido.
Edward virou-se para abraçá-la com um imenso sorriso nos lábios. Notou um brilho diferente nos olhos de Bella e abraçando-a ainda mais forte, perguntou:
_ Posso saber quem foi que lhe deixou com esse brilho nos olhos e esse sorriso lindo no rosto?
Do lado de fora da grossa parede de vidro, Emmett, Rosalie, Jacob, Leah e Alice podiam ver Bella falando algo com Edward. Alice os impediu de entrar no berçário alegando que aquele era o momento do casal, depois poderiam satisfazer sua curiosidade. Assistiram atentos ao momento em que Edward ficou extremamente sério para em seguida abrir seu maior sorriso e rodopiar com Bella nos braços. Ambos sorriam e choravam de alegria.
_ Tudo bem, baixinha. Agora o Edward já sabe a notícia. Será que dá para contar para gente? – perguntou Emmett esfregando as mãos com ansiedade.
Alice e Leah trocaram um olhar cúmplice e sorriram.
_ Bella é uma mulher livre a partir de hoje! - disse Alice saltitando e batendo palminhas.
Todos invadiram o berçário para abraçar o casal que ainda comemorava. Bella recebeu sorridente o abraço caloroso dos amigos. Após serem expulsos do berçário por uma enfermeira por agitarem o ambiente assustando os bebês, todos foram para o consultório de Bella. Alice tinha um presente para dar à cunhada.
_ Bella, eu queria lhe dar um presente. Ele já está comigo há algum tempo, mas não fazia sentido entregá-lo antes, então... – disse Alice fazendo suspense.
_ Meu Deus, Alice! Eu não preciso de mais presentes hoje, mas já que você não vai me deixar dizer não... – todos riram.
Alice abriu a última gaveta do armário tirando de lá um jaleco branco novinho.
_ Alice, obrigada, mas eu já tenho vários jalecos brancos! – brincou Bella.
_ Eu sei disso Bella, mas como este você não tem nenhum. Posso garantir. Repare bem, há uma enorme diferença deste jaleco para os outros que você tem. – respondeu com um sorriso sapeca no rosto.
Bella abriu o jaleco diante dos olhos e o sorriso que surgiu em seu rosto não tinha tamanho. Virando-se de costas, vestiu-o rapidamente para depois tornar a virar-se de frente para seus amigos. Edward imediatamente notou a diferença e sorriu ainda mais, satisfeito com o nome que estampava em vermelho o bolso do jaleco: Dra. Isabella Swan.
_ Obrigada, Alice! Você tinha razão. Este jaleco é diferente de todos os que eu já tive e mais especial também. – disse dando um abraço emocionado na amiga. – Agora, Dra. Leah! Será que a senhorita poderia me contar como tinha tanta certeza de que Michael não apareceria na audiência? – disse virando-se para a advogada.
Leah olhou os rostos curiosos de todos na sala e sorriu maliciosamente lembrando-se do trunfo que tinha nas mangas.
Na semana em que recebeu de Bella a procuração para tratar de seu divórcio, Leah procurou Michael MacCalister para tentar convencê-lo a aceitar uma separação amigável.
_ Bom dia, Sr. MacCalister! Eu sou Leah Clearwater, a nova advogada de Isabella MacCalister. – disse sorridente cumprimentando-lhe com um aperto de mãos.
O sorriso de Michael murchou no rosto assim que ouviu o nome de Bella.
_ Eu pensei que o Dr. Aro Volturi fosse o advogado da minha mulher! – disse Michael visivelmente perturbado com a novidade.
_ Não mais, Sr. MacCalister, não mais! – respondeu observando atentamente cada expressão na face de Michael.
_ Muito bem, Dra. Clearwater, o que a trouxe aqui? – perguntou impaciente.
_ Bem, vim tentar conversar com o senhor sobre a possibilidade de um divórcio amigável! – Leah respondeu.
_Não haverá divórcio, Dra. Clearwater. Isto eu posso lhe garantir. No entanto, eu gostaria de conversar com a senhora sobre seus honorários. – sorriu sombriamente.
_ Meus honorários? O que têm eles? – perguntou Leah aproximando-se de Michael de forma provocante.
Michael sorriu vitorioso. “Esta também está no papo”, pensou.
_ Bem, eu sei que os advogados têm que dar um duro danado para ganhar dinheiro. São noites e noites em claro planejando estratégias, reunindo e revendo documentos e etc. Se fizéssemos um acordo, somente entre nós, eu poderia ajudá-la e muito, Dra. Clearwater.
_ Eu estou lhe ouvindo, Sr. MacCalister. Continue! – Leah lançou-lhe seu sorriso mais encantador.
_ Suponhamos que eu lhe desse, digamos assim, uma ajuda de custo! A senhora poderia, por exemplo, se esquecer de entregar os papeis de entrada do divórcio. – propôs Michael confiante.
_ E de quanto exatamente estaríamos falando, Sr. MacCalister? – perguntou interessada.
Michael a examinou por alguns segundos antes de responder. Era uma bela mulher, elegante e refinada. Com certeza custaria muito caro.
_ O que a senhora acharia de 50 mil? Seria satisfatório? – perguntou sorrindo ao ver os olhos de Leah se arregalarem diante do montante mencionado.
_ O senhor me daria 50 mil somente para que me esquecesse de dar entrada nos papéis? – perguntou com um enorme sorriso de satisfação no rosto.
_ Claro que sim! A senhora merece! – respondeu Michael vitorioso.
Leah então enfiou a mão em sua bolsa. Retirou de lá um pequeno gravador e o desligou. Olhou para Michael com desprezo antes de responder:
_ Sinto muito, Sr. MacCalister, mas eu não faço parte da sua corja de corruptos. Nenhum dinheiro neste mundo compra a minha integridade, portanto eu não posso aceitar a sua proposta. – sorriu vitoriosa enquanto o sorriso de Michael se desfazia.
Michael sabia que tinha sido pego em uma armadilha. Só restava agora saber qual seria a contraproposta da advogada.
_ Muito bem, Dra. Clearwater! Qual é a sua jogada? – perguntou perdendo de vez a polidez.
_ A “jogada”, Sr. MacCalister, é a seguinte: ou o senhor concorda com o divórcio amigável ou eu vou apresentar a gravação desta agradável conversa que acabamos de ter diante do tribunal e processá-lo por tentativa de suborno. - disse Leah assumindo um tom de ameaça.
_ Eu posso perfeitamente tomar esse gravador das suas mãos agora mesmo e destruir as suas provas, doutora! – blefou Michael.
_ Certamente, Sr. MacCalister o senhor teria força física o suficiente para fazer isso. Até acredito que teria sucesso, mas o senhor não poderia destruir as outras provas que eu tenho contra o senhor. – disse Leah calmamente.
_ De que provas você está falando? – Michael arregalou os olhos assustado.
_ A palavra “homicídio” lhe diz alguma coisa, meu caro? Ou você se esqueceu do que fez com sua mulher e com o filho que ela esperava? – disse Leah aproximando-se de Michael e cutucando seu peito com o indicador de forma ameaçadora.
_ Bella está viva! Você não pode provar que meu filho morreu por minha culpa. – disse nervoso.
_ Se está tão certo disso, negue o divórcio a Bella, Sr. MacCalister! Se o senhor não quiser dar o divórcio amigável pode simplesmente não comparecer às audiências. Demoraria mais tempo para atingir meu objetivo, mas seria eficaz da mesma forma. Aliás, façamos assim. Não apareça nas audiências, porque se o senhor o fizer, sairá do tribunal direto para a cadeia que é onde o senhor deveria estar apodrecendo neste exato momento. Isso eu lhe prometo. Passar bem, Sr. MacCalister. – Leah saiu da sala de Michael deixando-o sem alternativas.
_ ... e foi por isso, Bella, que eu sempre soube que ele não apareceria nas audiências. – finalizou Leah satisfeita.
_ Mas, Leah, você poderia mesmo provar que ele matou o meu filho? – Bella perguntou encolhendo-se nos braços de Edward.
_ Na verdade, Bella, isso seria um pouco mais complicado, mas não seria impossível. Veja bem, embora tenha sido feito um boletim de ocorrência no hospital em que você foi atendida, não houve o flagrante da agressão. Seria a sua palavra contra a dele. É claro que poderíamos arrolar testemunhas quanto ao estado em que você chegou ao hospital e Jake poderia testemunhar que a agressão que você sofreu foi a causa da perda do seu bebê, mas ainda assim seria um tiro no escuro. - esclareceu Leah.
_ Quer dizer, então, que você blefou com Michael? – Bella perguntou incrédula.
_ Quanto ao processo por homicídio, sim! – disse Leah com um sorriso maroto.
A ruidosa gargalhada de Emmett explodiu assustando a todos.
_ Cara, toma cuidado, Jake! Essa mulher é perigosa! Tremenda cobra! – ele se contorcia de rir.
Todos riam enquanto Jacob olhava para Leah cheio de orgulho. A porta do consultório foi levemente aberta e Carlisle sorriu ao ver todos reunidos e felizes. Deu um abraço paterno em Bella felicitando-a pela nova etapa de sua vida e convocou a todos para um jantar de comemoração em sua casa naquela mesma noite. Bella convidou também Ângela, sua grande amiga e professora de Brian. Queria as pessoas importantes de sua vida comemorando com ela naquele dia tão especial.
Narrado por Edward
Eu não sabia sobre a audiência do divórcio. Já tinha procurado Bella pelo hospital, mas ela ainda não havia chegado. Senti seus braços delicados em volta da minha cintura quando ela me abraçou e meu corpo reagiu imediatamente com aquele estremecimento que só ela é capaz de provocar. Com sua voz suave sussurrou em meu ouvido:
_ Se você continuar acariciando essa mocinha aí, eu vou ficar com ciúmes!
Virei-me imediatamente abraçando-a. Era impossível não sorrir com aquele anjo diante de mim. Ela estava mais linda do que nunca, com um brilho especial nos olhos e um sorriso lindo nos lábios. Parecia muito feliz. Vê-la assim me encheu de alegria. Abracei-me ainda mais forte ao seu corpo.
_ Posso saber quem foi que lhe deixou com esse brilho nos olhos e esse sorriso lindo no rosto? – perguntei curioso.
_ Michael. – ela disse. Fechei a cara na mesma hora. O que aquele idiota poderia ter feito para deixá-la tão feliz? Será que ela tinha se entendido com ele? Bella percebeu minha mudança de humor.
_ Calma, Dr. Cullen! Não pense besteiras. Eu disse que ele me deixou com esse sorriso nos lábios porque não apareceu na última audiência. – demorei alguns segundos para processar aquela informação, mas a ficha finalmente caiu.
_ Você ... quer dizer que você ... está...? – a ansiedade não me deixava completar a frase. - ... Livre? – finalmente.
Bella apenas assentiu com um sorriso enorme no rosto. Eu sei que aquele não era o lugar para fazer o que fiz, mas não me segurei. Levantei Bella do chão e rodopiei com ela nos braços pelo berçário. Meu coração parecia que ia explodir dentro do peito. Era muita felicidade. Eu ia ter um enfarto. As lágrimas vieram e notei que Bella também chorava. Ficamos ali abraçados de testas coladas chorando e sorrindo emocionados. O futuro sorria para nós e sabíamos que nada nos impediria de sermos felizes.
Nosso momento foi interrompido pelo estrondo da porta de vidro se abrindo e dando passagem para meus irmãos, cunhados e amigos. Todos estavam felizes por Bella e por mim. A bagunça estava armada no berçário e os bebês começaram a chorar assustados. Após sermos expulsos do berçário por uma das enfermeiras fomos todos para o consultório de Bella. Alice queria dar um presente a ela. Meu sorriso não poderia ficar maior ao ver o nome de Isabella Swan bordado no bolso do jaleco que Alice mandara fazer para Bella. Finalmente ela deixaria de usar o sobrenome daquele imbecil. Faltavam apenas mais alguns trâmites legais para que fosse feita a mudança de sobrenome nos documentos de Bella.
Leah contou-nos, nos mínimos detalhes, como conseguiu garantir o divórcio para Bella. Ela é realmente uma mulher diabólica. Embora o divórcio amigável pudesse ter saído mais rápido, foi melhor assim. Pelo menos Bella não teve que ficar cara a cara com o patife. Não consigo suportar a ideia de vê-los em um mesmo ambiente. É pedir demais para o meu autocontrole. Conversávamos ainda no consultório de Bella quando meu pai apareceu. A alegria dele ao saber que o pesadelo tinha acabado foi evidente. Ele simplesmente ama Bella como a uma filha e, assim como eu, se preocupava com sua situação. Adorei sua ideia do jantar de comemoração. Bella convidou também Ângela. Eu não poderia ter ficado mais satisfeito, afinal, se não fosse pela rapidez com que essa moça levara meu filho para o hospital meses atrás eu poderia tê-lo perdido.
Passamos o restante do dia visitando juntos os nossos pacientes. Não conseguia me separar dela. Esperava ansioso pela hora de sair e não via a hora de ir para casa com minha Bella. Depois do jantar eu dormiria em sua casa. Esta noite, com certeza, nós teríamos muito que comemorar.

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