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Juiz de Fora, Minas Gerais, Brazil
Apesar de ser mestre em Linguística e ter toda a minha vida acadêmica voltada para o ensino de línguas, sempre fui amante da literatura, devoradora de livros, filmes e séries. Sempre tive um sonho: escrever. Durante muito tempo, o medo de fracassar me impediu de realizar esse sonho, mas uma grande amiga me incentivou e me deu a coragem de enfrentar meus fantasmas e graças a ela eu hoje posso dizer que me sinto uma pessoa melhor, mais confiante e absolutamente ciente do meu potencial.

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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Capítulo 23 - Conhecendo o Inimigo - Parte II

Na manhã do dia trinta de dezembro Edward acordou mais cedo do que de costume. Estava ansioso e mal tinha dormido pensando em uma forma de contar para Bella sobre os seguranças sem deixá-la alarmada. Esperou que Bella acordasse para conversar com ela antes do café da manhã. Quando eles descessem, os seguranças já estariam lá em baixo. Antes de começar a falar, Edward aferiu a pressão de Bella para certificar-se de que era seguro para ela e para o bebê eles terem aquela conversa. Sua pressão estava normal e Edward contou o que pretendia fazer. Para sua surpresa, Bella não se apavorou, na verdade parecia esperar que ele lhe dissesse exatamente o que acabara de dizer. Edward a observava desconfiado, como se esperasse que ela fosse entrar em choque a qualquer momento. Bella percebeu o que ele estava pensando.
_ Eu estou bem, amor! – ela disse sorrindo docemente – Eu sei que você está agindo certo ao fazer isso. Eu só espero que Brian não fique assustado com tantas pessoas estranhas andando pela casa. – Bella franziu o cenho.
_ Eles sabem como agir com relação a crianças, amor. Mas vamos descer porque eles já devem estar lá em baixo e vão nos explicar como tudo vai funcionar de agora em diante. Nós precisamos ter essa conversa com eles antes que Brian acorde. – Edward disse ajudando Bella a se levantar da cama.
Ambos desceram as escadas de mãos dadas. Bella se sentiu desconfortável diante dos homens enormes e sisudos que enchiam a sala de visitas.  Um homem alto, de cabelos e olhos negros se apresentou a toda a família como Caius. Ele era o responsável pelo grupo. Sua função era organizar as tarefas de cada membro e providenciar tudo o que fosse necessário para a execução do trabalho. Depois de se apresentar, Caius passou a apresentar, um a um, os outros membros do grupo. Felix, um rapaz enorme, de olhos e cabelos castanhos e um sorriso de menino, era perito em cinco tipos diferentes de artes marciais além de ter uma força física impressionante. Bella ficou espantada ao perceber que ele era maior do que Emmett que, em sua opinião, era um verdadeiro gigante. Demetri, que aparentava ter uns vinte e cinco anos, tinha estatura mediana, olhos verdes e cabelos pretos e tinha a capacidade de desvendar a mente de qualquer pessoa através da observação de seus hábitos e isso fazia dele um excelente rastreador porque era capaz de pensar como a pessoa e saber o que ela faria. Alec, um rapaz de olhos verdes e cabelos castanho-claros era também um expert em artes marciais e perito em técnicas de imobilização do inimigo. Riley tinha os cabelos e os olhos castanho-escuros e era excelente em planejamento de estratégias de evasão. Tinha a capacidade de descobrir uma rota de fuga onde nenhuma outra pessoa seria capaz de fazê-lo. Marcus era um homem mais maduro, por volta de seus quarenta anos. Sua especialidade era o profundo conhecimento da psique humana. Ele era capaz de entrar na mente de um psicopata e saber exatamente qual seria seu próximo passo. Por último, Caius apresentou duas jovens que tinham permanecido sentadas no sofá até então passando despercebidas. Jane era uma moça de traços finos, loura de olhos azuis e dona de um sorriso inocente e encantador. Doutora em Psicologia Infantil, ela era capaz de saber se algo de errado estaria acontecendo com uma criança apenas observando sua expressão e seu comportamento. Heidi, uma mulher morena de cabelos e olhos negros, era uma grande conhecedora da anatomia humana e conhecia os pontos exatos em que um golpe bem aplicado derrubaria o maior dos adversários sem exigir muita força física. Depois de apresentar cada um dos membros do grupo, Caius passou a explicar para Bella e para Edward a quem cada um iria acompanhar.
Felix, Riley e Jane seguiriam Brian para onde quer que ele fosse. Uma vez que Felix e Riley não poderiam entrar em sala de aula sem levantar suspeitas, Jane seria apresentada na escola de Brian como uma estagiária de psicologia que estava fazendo um estudo sobre interação na sala de aula. Assim ela poderia estar perto do menino dentro da escola sem chamar muito a atenção. Caius também explicou a razão da escolha dos dois homens para acompanhar Brian: Se alguém tentasse capturar o menino, Felix lutaria com o agressor enquanto Riley encontraria uma rota de fuga que levasse o menino a um lugar seguro.
Marcus, Demetri e Heidi ficariam responsáveis pela proteção de Bella. Heidi seria contratada pelo hospital como enfermeira e faria parte da equipe de Bella. Assim poderia estar em todos os lugares com ela sem que as pessoas suspeitassem de nada. Marcus e Demetri se apresentariam como fiscais auditores do Ministério da Saúde que estariam no hospital para inspecionar as novas instalações da pediatria. Assim estariam sempre próximos de Bella e teriam acesso a todas as dependências do hospital. Marcus e Demetri ficariam com Bella para obter informações mais detalhadas sobre sua vida com Michael. Assim poderiam traçar seu perfil e tentar prever suas ações. Além disso, como Bella era o alvo principal de Michael, as chances de um confronto com ele seriam maiores estando ao lado dela.
Caius e Alec ficariam responsáveis pela proteção da casa quando os outros estivessem fora. Os seguranças se vestiriam com roupas normais para não chamarem a atenção das pessoas. Abraçada a Edward, Bella ouvia a tudo atentamente e no mais absoluto silêncio. Havia compreendido tudo, mas uma coisa ainda a incomodava.
_ Caius, quem vai acompanhar o Edward? – ela perguntou com o cenho franzido, mas foi Edward quem respondeu.
_ Amor, eu vou estar sempre com você. Então, Marcus e Demetri podem fazer a minha segurança junto com a sua. E quando você não for ao hospital eles poderão me acompanhar, já que Caius e Alec estarão aqui na casa pra lhe proteger.
Bella deu-se por satisfeita. Não aceitaria proteção se Edward também não estivesse protegido. Michael o odiava e poderia facilmente tentar algo contra ele e ela morreria se Edward se ferisse ou coisa pior.
Caius ainda respondeu outras perguntas de toda a família e deu todas as explicações necessárias.  A pedido de Edward, ele só não disse uma coisa: Jane e Heidi eram, na verdade, agentes do FBI que tinham sido mandadas pelo contato de Jasper para investigar o caso de Michael. Edward não queria que Bella soubesse da presença do FBI no caso. Ela poderia ficar assustada ao saber da seriedade da situação e ele não queria arriscar que ela tivesse uma nova crise que viesse a prejudicar o desenvolvimento de Sofia. Portanto, somente Caius, Jasper, Emmett e Edward, além das duas moças sabiam a verdade.
Mais tarde, Marcus e Demetri acompanharam Bella até sua antiga casa. Ela precisava pegar uma fotografia de Michael para que os seguranças pudessem reconhecê-lo e detê-lo se ele tentasse se aproximar. Ela se sentia estranha em ter que andar entre dois homens enormes e armados, mas sabia que aquilo era a coisa certa a fazer. Bella notou que Marcus era uma pessoa serena e ela se sentia segura ao lado dele. Conversaram muito no trajeto de ida e de volta e Bella contou a Marcus e a Demetri todos os detalhes de sua vida ao lado de Michael. Pelo que ouviu de Bella, Marcus soube o que tinha desencadeado a violência que culminou na morte de seu primeiro bebê, mas isso não era algo que ele pudesse dizer a Bella, principalmente estando ela grávida novamente e com a saúde fragilizada. Edward, no entanto, precisava saber a verdade por mais cruel e absurda que pudesse parecer.
Jasper havia recebido de seus contatos do FBI uma pasta com a ficha completa de Michael. O conteúdo da pasta dizia que ele havia sido adotado aos oito anos de idade por um casal que já tinha um filho de dezesseis anos. Até então, Michael tinha vivido em Seattle em um orfanato que tinha sido fechado por denúncias de maus tratos aos órfãos. A ficha de Michael também mostrava que ele fora vítima de abuso por parte de seu irmão e de seu pai adotivo que o espancavam constantemente sem motivo aparente. Os pais e o irmão de Michael haviam morrido em um incêndio que destruíra sua casa quando ele tinha dezoito anos. Michael tinha escapado da morte porque estava em uma festa com uns amigos da faculdade na noite do incêndio. Ele tomou a frente nos negócios do pai e em pouco tempo ganhou uma fortuna no mercado imobiliário. Aos vinte e cinco anos casou-se com Isabella Swan e o casal teria se separado um ano mais tarde depois de uma denúncia de violência doméstica em que Isabella fora parar no hospital. Desde então Michael tinha se tornado um homem sozinho, sem relacionamentos amorosos e não freqüentava lugares públicos, aparentemente vivendo apenas para o trabalho.
Trancados no escritório da casa dos Cullens, Jasper, Marcus e Demetri conversaram durante horas sobre o perfil de Michael. Ao ler o histórico de Michael, Marcus não tinha mais dúvidas quanto ao que desencadeara sua psicopatia. Agora, mais do que nunca, precisava contar a Edward o que descobrira. Bella, Brian e Edward corriam muito mais perigo do que eles jamais poderiam ter imaginado e a segurança sobre eles teria que ser impecável.

Narrado por Edward

Eu estava voltando do hospital quando recebi uma chamada de minha casa. Atendi ao telefone com o coração na boca com medo de que Bella pudesse ter tido outra crise, mas era Marcus que me pedia para dar um jeito de descer para o escritório depois que Bella estivesse dormindo. Ele precisava conversar comigo sobre algo muito sério que teria descoberto sobre Michael. A simples menção do nome daquela criatura já fazia meu sangue ferver de ódio.
Cheguei em casa e subi direto para ver como Bella estava. Minha mãe e Alice conversavam com ela e Bella ria muito quando abri a porta do quarto.
_ O que é que as quatro mulheres da minha vida estão fazendo aqui, hein? – falei enquanto entrava e dava um beijo em minha mãe, minha irmã, minha vida e minha filha.
_ Nós estávamos contando para Bella algumas travessuras que você fazia quando era pequeno. – Minha mãe falou e Bella segurou o riso.
Não sei por que razão, mas tive a sensação de que meu rosto ultrapassou todos os tons de vermelho da escala de cores. Imaginar que minha mãe teria contado coisas constrangedoras da minha infância para minha mulher não era nada agradável.
_ Tudo bem, mocinhas! O momento “fazer o Edward pagar o mico do ano” já acabou. Agora vocês vão me dar licença porque eu quero curtir a minha mulher um pouquinho. – falei me deitando ao lado de Bella na cama e a enchendo de beijos.
Minha mãe e Alice logo se levantaram e saíram do quarto rindo.
_ Amor, que coisa feia! Você expulsou a sua mãe e a sua irmã do quarto! – Bella disse rindo.
_ Coisa feia é aquelas duas ficarem fazendo fofoca de mim enquanto eu estou fora! – falei fingindo estar indignado – Assim eu perco a moral com você!
Bella soltou uma gargalhada deliciosa. Meu coração se encheu de alegria ao vê-la tão relaxada e bem disposta. Ficamos ainda algum tempo só nos beijinhos, afinal Bella ainda tinha que guardar repouso, e tomamos um banho juntos. Confesso que ver minha mulher nua e não poder fazer amor com ela era uma verdadeira tortura, mas eu já ficava feliz só de tê-la ali ao meu lado.
Brian quase não conseguiu jantar. Estava exausto depois de ter passado o dia inteiro brincando com Felix. Assim como Emmett, Felix era uma criança super crescida e se dava muito bem com meu filho. A amizade entre ele e Brian foi instantânea e era fácil perceber que Brian confiava nele. Com muito custo, consegui fazer com que Brian escovasse os dentes e vestisse seu pijaminha antes de dormir. O pobrezinho estava tão cansado que eu tive que segurá-lo para que ele escovasse os dentes sem dar com a cara dentro da pia do banheiro. Ele apagou ainda no meu colo enquanto o levava para a cama. Deixei-o bem aquecido sob o edredom e saí do quarto depois de dar um beijo em sua testa.
Bella estava deitada em nossa cama assistindo televisão quando abri a porta do quarto. Ela sorriu quando me deitei ao seu lado na cama e beijei sua barriga fazendo nossa filha se agitar dentro dela.
_ É impressionante como toda vez que você toca a minha barriga ela se mexe! – ela disse acariciando a barriga – Parece que ela sabe que é você.
_ É claro que ela sabe! – respondi - Não sabe, bonequinha do papai? – perguntei próximo à barriga de Bella.
Nossa filha imediatamente se mexeu e Bella riu. Deitei-me ao lado dela trazendo seu corpo para mais perto de mim e a abracei. Eu precisava criar um álibi para o caso de Bella acordar e dar pela minha falta enquanto eu estivesse no escritório conversando com Marcus. Qualquer que fosse o assunto, ele tinha deixado bem claro que não seria prudente deixar que Bella ouvisse.
_ Amor, talvez mais tarde eu precise dar uma passadinha no hospital. – eu disse rezando para que ela não desconfiasse.
Bella ergueu a cabeça olhando diretamente nos meus olhos com uma expressão confusa.
_ Algum problema, Edward? – ela perguntou.
_ Não é nada grave, amor! É só aquele bebê que nasceu no dia vinte e seis, ele não está ganhando peso e os pais estão preocupados. Eu prometi que passaria lá mais tarde para examiná-lo só pra deixá-los mais tranqüilos. – eu arrisquei. – Eu só estou avisando para o caso de você acordar e para não ficar assustada por não me ver na cama.
Bella voltou a deitar a cabeça em meu peito e me abraçou apertado.
_ Promete que vai levar os seguranças com você? – ela pediu com voz de sono.
_ Prometo! – respondi dando um beijo em seus cabelos.
Fiquei ali com Bella por algum tempo acariciando seus cabelos. Aos poucos senti que sua respiração estava leve e lenta. Ela tinha adormecido. Esperei que ela chegasse à fase do sono mais pesado e me levantei da cama cuidadosamente cobrindo seu corpo com o edredom. Sai do quarto fechando a porta e desci as escadas em busca de Marcus. Na sala, meu pai me disse que ele me esperava no escritório. Eu estava curioso para saber o que ele tinha descoberto sobre Michael, mas confesso que aquilo tudo estava me assustando.
Marcus, Jasper, Demetri e Emmett estavam no escritório quando eu e meu pai entramos. Marcus pediu para que nos sentássemos e seu semblante, que sempre era sereno, agora estava sério. Eu podia jurar que havia uma pequena ruga de preocupação em sua testa.
_ Edward, eu pedi pra que nós fizéssemos essa reunião aqui porque eu preciso que você saiba exatamente o tipo de pessoa com a qual nós estamos lidando. – Marcus começou – Jasper, Demetri e eu passamos a tarde toda analisando os dados que o FBI mandou sobre Michael e combinando com as informações que Bella nos passou sobre o tempo em que viveu ao lado dele...
Jasper me passou a ficha de Michael para que eu lesse e fiquei estarrecido com a história dos abusos que ele tinha sofrido no orfanato e das surras que levava do pai e do irmão adotivo.
_ Edward, eu vou lhe explicar mais ou menos como funciona a mente de um psicopata – disse Jasper - a psicopatia é um conjunto de comportamentos e traços de personalidade específicos. Os psicopatas são pessoas que aparentemente parecem ser inofensivas e podem ser vistas como indivíduos “normais” por quem os conhecem superficialmente. Até o dia em que foi agredida, Bella nunca tinha percebido qualquer indício de que Michael pudesse se tornar uma pessoa violenta.
A imagem de Bella sendo agredida por Michael me fez travar a mandíbula. Jasper me olhava como se estivesse pedindo permissão para continuar. Assenti com a cabeça.
_ Os psicopatas são pessoas que, à primeira vista, causam boa impressão, revelando-se, no entanto, desonestas e anormalmente egocêntricas. Com freqüência, adotam comportamentos irresponsáveis sem razão aparente, exceto pelo fato de se divertirem com o sofrimento alheio. Os psicopatas não sentem culpa, por isso Michael foi capaz de matar o próprio filho e ainda querer que Bella ficasse com ele. Nos relacionamentos amorosos eles são insensíveis e detestam compromisso, mas Michael é um caso a parte porque ele é obcecado por Bella. Você se lembra do altar e das fotos espalhadas pela casa dele? – eu assenti com a cabeça.
Marcus olhou para mim e continuou analisando minhas reações.
_ Ninguém nasce psicopata, nasce com tendências para a psicopatia. Os pais, a educação recebida e o ambiente podem exercer influência significativa no desenvolvimento da psicopatia. Michael nunca soube o que era o amor de uma família. Ele ficou largado em um orfanato até os oito anos e quando foi adotado, tudo o que ele recebeu da família foi agressão. Na cabeça dele, família é um mal a ser eliminado, porque só trouxe sofrimento para ele.
De repente eu entendi onde Marcus queria chegar. Eu não conseguia acreditar que um ser humano fosse capaz de fazer uma coisa hedionda como a que estava passando pela minha cabeça. Levantei-me da poltrona em que estava sentado e aproximei-me de uma janela aberta em busca de ar.
_ Marcus, você não está querendo me dizer que ele... – não consegui terminar a frase.
Marcus se levantou, chegou até a janela e pôs a mão em meu ombro antes de falar.
_ Quando Bella engravidou pela primeira vez, ele percebeu que estaria de novo dentro de uma família. Esse foi o gatilho que desencadeou a psicopatia em Michael. Ele precisava eliminar a família e o bebê que Bella esperava era o alvo. A surra que ele deu em Bella foi de propósito, Edward. Bella me disse que ele a agrediu principalmente na região do abdome e a ficha dela no hospital diz que ela teve várias costelas fraturadas. Ela teve sorte de sair viva.
Eu ouvia àquilo tudo e a imagem da foto de Michael segurando Bella pelos braços na praia quando a viu grávida veio à minha mente. De repente me dei conta de que ele poderia tê-la matado naquele momento se Jake não tivesse aparecido. Minhas pernas perderam as forças e comecei a deslizar pela parede até sentar-me no chão. Eu já não conseguia ouvir e nem entender mais nada do que me diziam. Tive a leve impressão de que várias mãos haviam me levantado do chão e me colocado sentado novamente na poltrona. Não sei quanto tempo fiquei ali naquele estado de pânico absoluto, mas quando dei por mim, todos me olhavam preocupados. Depois de se certificar de que eu estava bem novamente, Marcus continuou.
_ Você leu na ficha de Michael que a família dele morreu em um incêndio que destruiu a casa dele, não foi? – eu assenti com a cabeça – O laudo da perícia feita do local não foi conclusivo quanto ao incêndio ter sido acidental ou criminoso. Nós acreditamos que ele tenha matado a família naquele incêndio. Os indivíduos com traços de psicopatia demonstram um sensação de onipotência e consideram que tudo lhes é permitido. Eles agem somente em benefício próprio sem olhar os meios para alcançar os seus fins. Queimar a casa com a família dentro pra ele era absolutamente justificável. Os psicopatas sempre têm desculpas para seus crimes e, em geral, culpam outras pessoas. No caso do incêndio, a culpa era da família que o maltratou a vida inteira. No caso de Bella, a culpa era do bebê que tinha vindo pra arruinar com a vida dele de novo.
Era muita coisa para digerir de uma só vez. Bella jamais poderia saber de uma coisa horrível como aquela.  Jasper me tocou no ombro fazendo com que eu olhasse para ele.
_ Edward, um psicopata se exprime com elegância e as suas histórias, apesar de falsas, conseguem cativar e convencer, deixando-o numa boa situação perante as pessoas. Isto porque o discurso de um psicopata é geralmente servido de uma linguagem florida e figurativa, desempenhando um papel importante no seu comportamento enganoso e manipulador. Ele se mostra altamente seguro de tudo o que diz e o seu principal objetivo passa a ser manipular e controlar os outros. Mentir, enganar e manipular são talentos naturais de um psicopata. A pessoa que ajudou Michael tirando essas fotos pode ter sido manipulada pelas mentiras dele.
_ Eu só não entendo porque o fato de a Bella estar grávida tenha desencadeado tudo isso novamente. – eu disse tentando recuperar a linha de raciocínio – Se o filho não é dele, porque ele se sentiria ameaçado desta vez?
Jasper, Marcus e Demetri se entreolharam e eu senti que o que eu iria ouvir seria a pior parte daquela conversa. Foi Jasper quem falou.
_ Edward, na cabeça de Michael, Bella representa a imagem da esposa. O que Michael está fazendo é transferir a imagem da família que ele provavelmente matou para a sua família. Veja bem, Bella grávida passa a representar o papel da mãe omissa, você passa a representar o papel do pai agressor e Brian representa o irmão mais velho que vai machucá-lo a qualquer momento.
Quando ouvi aquilo, meu coração disparou no peito. A loucura de Michael ia além de um amor obsessivo por Bella, ela estava diretamente relacionada ao ódio que ele sentia pela instituição da família. Pensar que minha mulher e meus filhos estavam correndo tanto perigo sendo alvo da insanidade de Michael me fez perder o ar. Mais do que nunca eu precisava estar perto deles, mais do que nunca eu precisava protegê-los. Ainda que para isso eu tivesse que abrir mão da minha própria vida, eu jamais permitiria que Michael tocasse em um fio de cabelo sequer deles.

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