Narrado por Edward
O vôo para Nova Iorque havia sido tranquilo. Apesar da minha preocupação com o fato de Bella permanecer sentada durante muitas horas, ela estava bem disposta e ostentava um sorriso enorme no rosto. Brian tinha vindo sentado ao seu lado acariciando sua barriga para que os gêmeos ficassem quietinhos. Sofia dormiu no meu colo a viagem toda. Eu ficava encantado olhando os traços delicados daquele rostinho de boneca, as bochechas rosadinhas, os lábios vermelhinhos como morangos, os cabelinhos lisos com pequenos cachos nas pontas, as mãozinhas gordinhas cheias de covinhas... Os passageiros sentados próximos a nós e até as aeromoças que passavam pelos corredores não conseguiam deixar de sorrir ao olhar para a nossa família.
No aeroporto, havia um carro com motorista esperando para nos levar ao hotel. Ainda teríamos algumas horas para tomar banho, descansar e comer antes de irmos para a livraria. Eu bem que tentei convencer Bella a ficar com as crianças no hotel ao invés de passar uma tarde inteira em um local lotado de gente, mas pra variar ela não aceitou. No fundo, eu queria que ela estivesse ao meu lado, mas ficava preocupado de que ela se cansasse demais. Sua barriga de cinco meses estava grande e pesada e eu sabia que ela já sentia dores nas costas embora muitas vezes tentasse esconder a verdade de mim.
Ao chegarmos à livraria, me assustei com a quantidade de pessoas que já se amontoavam do lado de fora. Parecia que toda a imprensa do país estava lá. Fomos conduzidos por seguranças a uma porta lateral para evitar todo aquele tumulto. O esquema montado para controlar a multidão me deixou mais tranquilo. Os seguranças controlavam a entrada das pessoas sem deixar que a livraria ficasse lotada, assim eu pude dar atenção a todos sem me preocupar com a segurança da minha família. A fila avançava lentamente e cada pessoa que se aproximava me dizia como tinha se identificado com a minha história. Algumas diziam que choraram comigo nos momentos difíceis, outras falavam do ódio e do medo que sentiram com as maldades de Michael, outras riram com as coisas engraçadas que Brian e Emmett faziam, outras diziam que se sentiram dentro da história enquanto a liam. Eu percebia como elas olhavam encantadas para Bella e meus filhos que estavam sentados em um sofá um pouco mais afastado. De repente, me dei conta de que o que eles viam na realidade não era a minha família, mas os personagens do livro vivos ali bem diante deles. Eu podia ver que muitas daquelas pessoas queriam falar e tocar em Bella e em meus filhos como se assim pudessem comprovar que eles eram reais. Não poderia culpá-los, às vezes eu mesmo me pegava olhando para eles e me perguntava se tudo aquilo que eu estava vivendo era real ou apenas um sonho. Eu só pedia a Deus para que se fosse um sonho, Ele não me deixasse acordar nunca mais.
Ao final daquela longa tarde, consegui finalmente voltar com minha família para o hotel. Brian e Sofia desmontaram logo depois de tomar banho e jantar. Bella e eu fomos para a nossa suíte e ficamos na cama abraçadinhos, conversando e trocando carinhos.
_ Eu estou muito magoada com você, Edward! – ela disse baixinho e eu a olhei confuso. Eu não me lembrava de ter feito nada que pudesse tê-la magoado.
_ O que foi que eu fiz, amor? – perguntei preocupado. Será que eu tinha esquecido alguma data especial?
_ Na verdade você não fez, Edward! – ela disse sorrindo – Você não deu um autógrafo para a sua fã número um!
Eu respirei aliviado. Dei um selinho em seus lábios antes de me levantar da cama indo em direção a minha mala. Retirei de lá o primeiro exemplar da primeira edição e o entreguei em suas mãos.
_ Eu jamais me esqueceria da minha fã número um, até porque, se não fosse por ela nada disso teria acontecido. – eu disse voltando a abraçá-la – Pra você, eu reservei algo especial. Abra!
Os olhos de Bella brilhavam enquanto ela abria o livro e via a dedicatória que eu havia escrito para ela. Eu assisti emocionado, as lágrimas banharem seu lindo rosto e um enorme sorriso que se abria em seus lábios enquanto ela lia.
Minha vida,
Dizem que a vida é o momento de aprendermos e melhorarmos como seres humanos. Eu discordo. Somente o verdadeiro amor tem a capacidade de nos ensinar e nos tornar criaturas melhores. E quando ele finalmente chegou para mim através de você, eu quis realmente aprender e melhorar para ser digno de estar ao seu lado. Aqui eu compartilho com você algumas das muitas coisas que tenho aprendido com o seu amor:
Aprendi que às vezes, nossa vida é colocada de cabeça para baixo para que possamos aprender a viver de cabeça para cima e que aqueles que amamos nunca morrem, apenas partem antes de nós.
Aprendi que o medo faz parte da vida e que algumas pessoas não sabem como enfrentá-lo, outras, aprendem a conviver com ele e o encaram não como uma coisa negativa, mas como um sentimento de autopreservação.
Aprendi que para se ser feliz até certo ponto é preciso ter sofrido até esse mesmo ponto e que sem esperança o ser humano não consegue viver, ele apenas existe.
Aprendi que cada lágrima nos ensina uma verdade e que o amor é o sentimento mais puro que existe, e nós o possuímos, só precisamos acreditar nele, para que ele acredite em nós.
Aprendi que não há ninguém sem defeitos e que defeitos não fazem mal, quando há vontade e poder de corrigi-los e que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai ferir-me de vez em quando e eu preciso perdoá-la por isso.
Aprendi que quando estou com raiva tenho o direito de estar com raiva, mas isso não me dá o direito de ser cruel e que é melhor arrepender-me por ter feito alguma coisa do que por não ter feito nada.
Aprendi que a verdadeira medida de um homem não é como ele se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas como ele se mantém em tempos de controvérsia e desafio.
Aprendi que ninguém é perfeito até que você se apaixone por essa pessoa e que o beijo é uma linda forma de diálogo.
Aprendi que sonhos são possibilidades esperando para se tornarem reais e que apenas em torno de uma mulher que ama se pode formar uma família.
Aprendi que ter uma criança dormindo em meus braços é o maior sentimento de paz do mundo e que não há nada mais doce, do que dormir com meus bebês e sentir a respiração deles nas minhas bochechas.
Aprendi que quando meus filhos seguram meu dedinho com suas pequenas mãos, eu estou com o gancho da vida.
Aprendi que os obstáculos não podem me deter, os problemas não podem me deter. Mais que tudo, outras pessoas não podem me deter. Somente eu posso deter a mim mesmo e que se a vida é dura, eu sou mais ainda.
Aprendi que são as pequeninas coisas do dia-a-dia que fazem da vida algo tão espetacular e que as mais lindas palavras de amor são ditas no silêncio de um olhar.
Aprendi que a maior prova de amor que posso dar às pessoas que amo é a minha confiança.
Aprendi que existem pessoas que não se tornam especiais pela maneira de ser, ou de agir, mas pela profundidade com que atingem nossos sentimentos.
Aprendi que a melhor maneira de ter bons filhos é fazê-los felizes e que o que importa não é o que eu tenho na vida, mas quem eu tenho na vida.
Eu aprendi que o AMOR, e não o TEMPO, é que cura todas as feridas.
Mas acima de tudo, eu aprendi que só você foi capaz de me devolver à vida, que com você eu pude voltar a viver. Eu te amo
Por toda a eternidade,
Edward Cullen.
Narrado por Bella
A emoção que tomou conta de mim ao ler aquelas palavras me tirou totalmente a voz. Fechei o livro com as mãos trêmulas colocando-o sobre a mesinha de cabeceira e olhei para o rosto do homem ao meu lado. Era até pecado o fato de minhas lágrimas me impedirem de ver claramente a sua perfeição. Edward também tinha lágrimas nos olhos e me fitava sem dizer nada. Não precisávamos de palavras naquele momento, precisávamos apenas sentir um ao outro. Em apenas um beijo dissemos tudo o que as palavras não seriam capazes de expressar. O mundo lá fora já não existia mais. Só o que existia era o sabor daquele beijo, o toque gentil de nossas mãos, o calor dos nossos corpos, a conexão que nos tornava um só e a explosão de prazer que essa conexão causava. Tudo o que me importava era saber que eu dormiria para o resto da minha vida protegida nos braços do homem que eu amo.
Acordei no dia seguinte sentindo mãos quentes e macias acariciando minha barriga. Sorri ainda de olhos fechados apreciando aquele carinho gostoso e senti aqueles lábios doces tocando levemente os meus. Abri os olhos somente para apreciar minhas safiras azuis que brilhavam acompanhadas do sorriso mais brilhante do mundo. Sem dizer nenhuma palavra, Edward me ajudou a me levantar da cama e juntos tomamos um banho em meio a beijos e carícias.
Mais tarde naquela manhã ensolarada fomos ao cemitério. Seria a primeira vez tanto para mim quanto para Brian e eu tentava conter a emoção que se apossava de mim. Eu não queria que Edward ficasse preocupado comigo. Se ele me visse chorando não me deixaria ir, mas eu precisava estar lá para dizer a ela o quanto eu a amava. Ficamos todos em silêncio olhando para a lápide com o nome de Isadora enquanto conversávamos com ela através de nossos pensamentos.
Fechei meus olhos ao sentir uma leve brisa acariciar o meu rosto e sorri com a sensação de pura paz que me invadiu quando Gabriel e Linda se mexeram em meu ventre. Abri os olhos ao sentir Brian me abraçar e beijar minha barriga com um sorriso lindo nos lábios. Edward permanecia de olhos fechados e sorria, talvez sentindo a mesma paz que eu havia sentido. De mãos dadas, deixamos o cemitério depois de depositar três rosas vermelhas sobre a sepultura de Isadora. O carro com motorista já nos esperava na porta para nos levar ao aeroporto. Nosso vôo de volta para casa sairia ao meio dia. Em poucas horas estaríamos em Edmonds, a cidade onde nasci e onde viveria para sempre ao lado da minha família. Eu tinha certeza de que seríamos felizes e eu não via a hora de conhecer Linda e Gabriel. Eles chegariam em setembro para tornar as nossas vidas ainda mais perfeitas.
Narrado por Isa
Ao insistir para que Bella buscasse nossos pais no aeroporto naquele 23 de fevereiro eu cometi um grande erro. Era eu quem deveria estar ao volante no momento do acidente e minha vergonha não me deixava admitir que a verdadeira culpada era eu. Descarreguei toda a raiva que eu sentia de mim mesma em minha irmã e errei mais uma vez.
Ao me sentar no banco de praia naquele dia, eu alterei todo o futuro de Bella e, consequentemente, o de Edward e Brian. Era ela quem deveria estar sentada ali e receber o conforto daquele rapaz lindo de olhos azuis que se sentou ao meu lado preocupado com meu estado emocional. Era por ela que ele deveria ter se apaixonado e se casado e era ela quem deveria ter dado a luz ao menino que acabou nascendo de mim. Mas a vida me cobrou pelos meus erros e dois anos mais tarde, em 23 de fevereiro de 2005, eu deixei o corpo que eu habitava. Eu sempre tinha ouvido histórias de que quando alguém morria era recebido por anjos ou pessoas queridas que tivessem partido mais cedo, mas não foi o que aconteceu comigo. De certa forma, eu me sentia presa neste mundo, como se a minha missão ainda não tivesse sido cumprida.
Durante cinco longos e angustiantes anos, eu assisti Edward apenas passar pela vida sem realmente vivê-la. Ele se fazia de forte na frente da família e dos amigos, mas eu sentia sua dor como se fosse a minha quando ele ia diariamente visitar a sepultura onde jaziam meus restos mortais. Ali ele deixava a dor se manifestar em toda a sua plenitude e eu tinha que dar um jeito de acabar com aquilo. Como se fosse um castigo, ainda tive que assistir a minha irmã sofrer nas mãos de um louco. Eu tinha jogado tanta culpa sobre os ombros de Bella que ela começou a achar que não merecia ser amada. Naquele momento, eu entendi qual era a minha missão inacabada. Eu precisava unir Edward e Bella e restaurar a ordem correta dos planos que o destino tinha traçado para os dois. No dia em que meus pais levaram o filho de Bella, eu decidi que eles seriam felizes juntos de qualquer maneira. Aos poucos, comecei a influenciar a mente de Edward para que ele se mudasse para Edmonds, minha cidade natal. Bella já estava lá havia dois anos e eles fatalmente se encontrariam.
Através dos sonhos de ambos eu tentava passar mensagens sem ser muito explícita. Eu sabia que em algum momento eles compreenderiam o que eu estava querendo dizer. Quando Emmett os colocou para trabalhar juntos eu vi a minha chance de fazer com que Edward passasse a enxergar Bella com outros olhos. Mike Newton foi só uma pequena ajuda do destino para despertar o instinto protetor de Edward. Além disso, eu tinha Brian como meu aliado. Não sei como nem porque, mas ele podia me ver e me ouvir e surpreendentemente, apesar de ser apenas uma criança, não ficou com medo de mim. Ele foi uma peça fundamental para o fortalecimento da relação de Edward e Bella. A ligação entre Brian e Bella era tão forte que ia além da limitada capacidade da compreensão humana. Eles eram mãe e filho, só não sabiam disso ainda.
Com Sofia a caminho e com o casamento de Bella e Edward, eu pensei que minha missão estivesse cumprida, mas novamente eu estava enganada. Minhas atitudes egoístas tinham colocado Michael no caminho de Bella e ele ainda era uma ameaça para ela. Eu só poderia partir definitivamente depois de ter a certeza de que ele não pudesse mais feri-la. Foi muito doloroso assistir ao sofrimento de Edward e sentir em minha alma o medo e o desespero que ele sentia pela ameaça que pairava sobre a vida de Bella e de seus filhos. Mesmo com o melhor sistema de segurança disponível, ele se sentia impotente e incapaz de protegê-la e se culpava por tudo o que pudesse vir a acontecer a ela. Aquilo me machucava tanto quanto o machucava porque, mesmo que inconscientemente, eu tinha desencadeado todo aquele mal.
Quando Michael foi finalmente preso e condenado, eu soube que meu tempo na Terra estava chegando ao fim. Eu esperaria que ele partisse deste mundo deixando Bella e Edward em paz e depois eu seguiria o meu caminho.
O momento finalmente chegou, é a minha hora de partir. O sol que brilha em uma manhã de céu azul e límpido parece brindar a esse momento tão especial. Estou agora diante da sepultura onde repousa o que um dia foi o corpo de Isadora Cullen. Meu imenso jardim acaba de ganhar mais três rosas vermelhas. Posso sentir a emoção que emana de Edward, Bella e Brian.
“Eu amo você, Isadora. Você estará sempre presente na minha vida.” – Bella pensava. Ela não fazia ideia de quão verdadeiras eram suas palavras.
“Obrigado por tudo, Isa. Eu vou levá-la em meu coração para sempre. Obrigado por Brian e por Bella. Eu sei que tem o seu dedinho mágico metido nessa história” – Edward pensava com Sofia adormecida em seu colo. Eu ri com o seu último pensamento.
Brian olhava para mim com o rostinho triste. Ele parecia saber que eu tinha que partir.
“Eu amo você, meu anjo! Vou sentir a sua falta” – ele pensava.
_ Eu não vou deixá-lo, anjinho! Nunca! Ficaremos separados por pouco tempo! – eu disse acariciando seu rostinho.
Brian franziu o cenho confuso e eu sorri.
_ Vejo você de novo em setembro! – eu disse olhando para Bella.
“Promete?” – ele pediu abrindo um imenso sorriso.
_ Prometo! – eu respondi lhe dando um beijo na testa.
“Eu vou ficar esperando por você” – ele sorria lindamente.
Olhei mais uma vez para a minha família e, sentindo uma brisa fresca bater em meu rosto, caminhei em direção à luz levando nas mãos as três novas rosas do meu jardim. A sensação de paz era imensa e a felicidade que tomou conta de mim ao avistar meus pais caminhando sorridentes em minha direção não poderia ser descrita com palavras.
_ Pronta pra voltar, Linda? – meu pai perguntou sorridente.
_ Mais do que pronta, pai! – eu respondi abraçando-o.
_ Pai não, vovô! – ele me corrigiu e nós rimos.
Minha mãe então me entregou o lindo menino de cabelos castanhos e olhos de cor de chocolate derretido.
_ Ele foi arrancado dela sem poder cumprir sua missão na Terra. Agora vocês têm uma nova missão! – ela disse enquanto acariciava meu rosto e o do menino.
Eu sorria enquanto eles se afastavam. Olhei para o rostinho de Gabriel e fechei os olhos colando nossas testas. Nós estaríamos em breve ao lado de Edward e Bella e desta vez eu não os separaria. Ao contrário, renasceria para fazê-los ainda mais felizes.