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Juiz de Fora, Minas Gerais, Brazil
Apesar de ser mestre em Linguística e ter toda a minha vida acadêmica voltada para o ensino de línguas, sempre fui amante da literatura, devoradora de livros, filmes e séries. Sempre tive um sonho: escrever. Durante muito tempo, o medo de fracassar me impediu de realizar esse sonho, mas uma grande amiga me incentivou e me deu a coragem de enfrentar meus fantasmas e graças a ela eu hoje posso dizer que me sinto uma pessoa melhor, mais confiante e absolutamente ciente do meu potencial.

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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Capítulo 33 - Mãe


Narrado por Bella

O sol aquecia delicadamente a minha pele e a brisa fresca da manhã acariciava meus cabelos enchendo minhas narinas com o cheiro gostoso de mar. Meus pés descalços desfrutavam da maciez da areia molhada e do frescor das pequenas ondas que se quebravam na beira da praia produzindo aquele chiado suave e calmante. Paz.  Um toque gentil em meu rosto e meus olhos se abriram para ver aquelas esmeraldas que tanto me faziam falta. Seu sorriso era ainda mais bonito do que a minha memória falha jamais fora capaz de reproduzir. Ela me olhava com os olhos brilhantes e calorosos. Ternura.
_ Oi! – sua voz aveludada aqueceu meu coração.
_ Oi! – respondi sentindo meus olhos úmidos – Senti tanto a sua falta! Pensei que você tivesse me abandonado!
_ Nunca! – ela sussurrou me olhando com carinho.
_ Me perdoa? – eu pedi e ela negou com a cabeça.
_ Não há o que perdoar, Bella! Não foi sua culpa, foi uma fatalidade! Sou eu quem deve pedir perdão aqui, por ter feito você sofrer tanto! – ela ainda acariciava suavemente meu rosto.
_ Eu amo você! – eu disse sentindo como se o peso do mundo tivesse sido tirado dos meus ombros.
_ Eu também! Sempre te amei e sempre vou amar! – ela disse sorrindo.
_ Bella? – a voz mais linda do mundo chamava meu nome.
Olhei na direção de onde vinha a voz, mas não vi ninguém. Que estranho! Eu poderia jurar eu tinha ouvido a voz dele. O toque das mãos delicadas em meus cabelos me fez voltar o olhar para ela.
_ Você precisa ir agora, Bella! Seu lugar é ao lado do seu marido e dos seus filhos! – ela disse.
_ Nossos filhos! - Eu a corrigi e ela mais uma vez negou com a cabeça.
_ Brian sempre foi seu, Bella! – ela disse começando a se afastar – Cuide bem da sua família!
_ Espera! – eu a chamei mais uma vez – Quando eu vou vê-la de novo? – perguntei ansiosa.
Ela não me respondeu. Apenas abriu um imenso sorriso e me jogou um beijo no ar. Ali eu soube que aquela seria a última vez. Estranhamente eu não me senti triste quando ela desapareceu. Eu sabia que algo muito mais importante esperava por mim, algo muito maior do que qualquer coisa no mundo.
_ Bella? – a voz de Edward estava cada vez mais próxima – Amor? – ele me chamou mais uma vez.
Senti seus dedos passando suavemente sobre a minha pele me guiando pelo caminho de volta. Suspirei profundamente com aquela sensação gostosa antes de abrir os olhos e sorrir ao ver minhas safiras azuis me fitando com carinho.
_ Senti sua falta! – eu disse tocando seu rosto.
_ Nós também sentimos sua falta! – ele disse me beijando nos lábios para depois se afastar.
Só então percebi que não estávamos sozinhos no quarto. Rose estava parada de pé atrás de Edward com minha filha nos braços.
_ Está na hora dessa bonequinha mamar, mamãe! – ela disse me entregando aquele pequeno embrulho rosa.
Minhas mãos tremiam quando a tomei nos braços pela primeira vez. Meus olhos registravam cada traço delicado daquele rostinho rosado diante de mim: os olhinhos azuis, as bochechas gordinhas e coradas, os lábios vermelhinhos que formavam um lindo biquinho e o nariz ... tão pequenininho e tão redondinho! Minha filha. Tão perfeita! Era impossível não sorrir ao olhar para ela. Sofia piscava os olhinhos repetidas vezes incomodada com a luz do quarto e mexia os lábios colocando a linguinha para fora enquanto virava a cabeça instintivamente na minha direção.
_ Você está com fominha, meu amor? – eu perguntei baixinho esfregando a ponta do meu nariz em sua bochecha.
Sofia emitiu um gemidinho tremido como se dissesse “sim”.  Edward me ajudou a afastar a camisola para que eu pudesse amamentar nossa filha. Assim que sentiu meu cheiro ela virou o rostinho na direção do meu seio esfregando o narizinho na minha pele antes de abocanhar o bico com fome e sugar o leite com força enquanto uma de suas mãozinhas pousava sobre meu seio. Não há palavras para descrever aquela sensação. Alegria? Não é forte o bastante. Júbilo? Não é doce o suficiente. Tranqüilidade? Não é suficientemente plácido. Felicidade? Não é bastante intenso. O estranho vazio que eu tinha sentido quando fomos finalmente desconectadas na sala de parto não existia mais. Aquele simples ato de amamentar a minha menina tinha restabelecido a nossa conexão.  Éramos oficialmente mãe e filha, um laço que jamais seria rompido.
Edward sentou-se ao meu lado na cama abraçando minha cintura e apoiando seu queixo em meu ombro enquanto assistíamos nossa filha mamar totalmente apaixonados. Ele pegou sua mãozinha com cuidado e a beijou. Os dedinhos de Sofia imediatamente agarraram com firmeza o dedo do pai. Sua mãozinha era tão pequenina que ficava cheia somente com um dedo. Sorrimos com essa imagem. Senti os lábios de Edward tocarem meu rosto ao mesmo tempo em que um flash disparava dentro do quarto. Olhei na direção da luz e só então percebi que Esme, Alice e Leah estavam ali ao lado de Rose e sorriam para nós com o olhar emocionado. Alice carregava a máquina fotográfica e registrava aquele momento tão especial.
Sofia agora dormia tranquilamente com os lábios ainda grudados em meu seio, mas já não sugava mais o leite. Afastei-a lentamente para que ela se soltasse e a passei para Edward que a colocou em seu peito com a cabecinha encostada em seu ombro dando-lhe leves tapinhas nas costas. Todos rimos com o arroto ruidoso que veio em poucos segundos. Sofia foi passada de colo em colo e todos queriam ficar com ela. Eu já via a hora em que sairia uma briga dentro do quarto e eu seria obrigada a saltar da cama para resgatá-la. Abraçado a mim, Edward ria divertido vendo Alice e Leah disputando quem ficaria mais tempo com ela no colo.
Todas paparicavam Sofia quando os homens invadiram o quarto. O primeiro a entrar foi Brian que correu em minha direção e com a ajuda de Edward subiu em minha cama e me abraçou apertado. “Meu filho”, pensei lembrando-me das palavras de Isadora.
_ Você já viu a sua irmãzinha, anjinho? – ele assentiu com a cabeça – Gostou?
_ Ela é linda! – ele disse sorrindo – Quando eu vou poder brincar com ela? – ele perguntou ansioso fazendo com que todos rissem.
_ Ela ainda é muito pequenininha, filho! Nós vamos ter que esperar ela crescer um pouquinho até ela poder brincar! – foi Edward quem respondeu segurando o riso.
Brian franziu o cenho esticando o pescoço tentando ver a irmã no colo de Alice. Ele esticou os braços num claro pedido para pegá-la no colo. Edward o sentou na poltrona e colocou Sofia em seu colo ajudando-o a sustentá-la dando espaço para que Emmett, Jasper, Carlisle e Jake viessem me abraçar.
_ Como você está se sentindo, pequena? – Jake me perguntou sentando-se ao meu lado na cama e segurando minha mão.
Olhei para a poltrona onde meu marido e meus filhos estavam e sorri.
_ Realizada! – respondi e ele sorriu de volta. – Não existe ninguém mais feliz do que eu neste mundo, Jake!
_ Eu fico muito feliz por você, Bella! Você merece! – ele disse apertando levemente minhas mãos.
De tanto passar de colo em colo Sofia acabou acordando e ficando agitada. Jasper a segurava ansioso por não conseguir acalmá-la e olhava para mim pedindo socorro, mas foi Edward quem a pegou de seus braços. O quarto estava cheio demais e todos decidiram sair e se revezar para que ela se acalmasse ficando apenas Jake e Leah a pedido meu e de Edward.
_ Jake, Leah! Edward e eu queríamos pedir uma coisa a vocês! – eu disse com medo da resposta deles.
Senti Edward se sentar atrás de mim e envolver minha cintura com seus braços depois de deixar Sofia nos braços de Leah. Respirei fundo antes de continuar.
_ Antes de qualquer coisa, eu quero que vocês saibam que nós vamos entender se vocês não quiserem! – eu estava ansiosa.
Jake e Leah me olhavam com expectativa, mas as palavras estavam entaladas na minha garganta por causa da emoção. Olhei para Edward pedindo ajuda. Ele sorriu para mim e me deu um selinho antes de falar.
_ O que a Bella está tentando dizer é que se hoje nós estamos vivendo este momento de felicidade, nós devemos em grande parte a vocês dois! – Edward disse e Jake franziu o cenho confuso.
_ Jake, se você não tivesse salvado a minha vida quando ...  – deixei a frase incompleta ao sentir os braços de Edward se apertando em volta da minha cintura e ao ver a expressão de dor no rosto de Jake - ... bem, se você não tivesse me ajudado há quatro anos eu não teria sobrevivido e nem teria conhecido e me apaixonado pelo Edward.
A lembrança dolorosa daquele dia trouxe lágrimas aos meus olhos, mas eu precisava continuar.
_ Leah, você me libertou de um pesadelo quando conseguiu o meu divórcio. Na verdade você me resgatou de um verdadeiro inferno, minha amiga. Por causa da sua dedicação eu hoje estou casada com o homem que eu amo e tenho essa bonequinha linda que você está segurando agora. – Leah me olhava emocionada enquanto embalava Sofia suavemente.
Segurei as mãos de Jake puxando-o para mais perto de mim. Ele sentou-se na beirada da cama esperando que eu falasse.
_ Por tudo isso que eu disse a vocês, nós gostaríamos de saber se vocês aceitariam ser os padrinhos da nossa filha. – eu pedi ansiosa pela resposta.
Silêncio. Jake e Leah trocaram um olhar sério e meu coração se apertou. Edward me apertou ainda mais em seus braços sentindo a minha tensão. Eles não iam aceitar. Jake me olhava com uma expressão de pesar enquanto acariciava as costas das minhas mãos tentando me confortar.
_ Bella... – ele hesitou e eu fechei os olhos para não começar a chorar – É claro que a gente aceita, sua boba! – ele disse me arrancando dos braços de Edward e me abraçando com força.
_ Jake, seu cachorro! Você quase me matou do coração! Eu pensei que vocês não fossem aceitar! – eu chorava e socava o peito dele com força enquanto ele ria da minha cara.
_ Mas é uma tonta mesmo! Como você pôde pensar que nós não aceitaríamos um presente desses? – ele disse voltando a me abraçar. Leah sorria enquanto olhava para o rostinho de Sofia com os olhos brilhando de emoção.
Jake tomou Sofia nos braços emocionado. Ele a olhava com um sorriso lindo nos lábios e os olhos marejados.
_ Oi, pequenininha! Eu sou o seu tio Jake! – ele disse dando-lhe um beijinho na testa. – Apesar de você ser a cara do feioso do seu pai, eu vou amá-la assim mesmo, viu? – ele brincou e nós rimos.
Ele e Leah ainda ficaram um bom tempo mimando a afilhada até serem praticamente expulsos do quarto por Alice que estava louca para pegar a sobrinha no colo. Depois que Jake e Leah saíram os outros foram entrando aos pares ansiosos por ficarem um pouco com Sofia. Os últimos a entrar foram Rose e Emmett que fazia caras e caretas engraçadas tentando fazer com que Sofia sorrisse enquanto Rose só negava com a cabeça provavelmente pensando em como ele seria bobo com os filhos.
_ Emmett? – eu o chamei me lembrando de uma coisa – Como você soube que eu tinha entrado em trabalho de parto?
_ Brian foi até o meu quarto e me avisou! – ele disse distraído sem tirar os olhos de Sofia.
Franzi o cenho confusa. Aquilo não fazia o menor sentido. Como Brian sabia disso?
_ O que foi, amor? – Edward perguntou percebendo minha confusão.
_ Isso não faz sentido! Brian não tinha como saber! Você tem certeza do que está falando, Emmett? – eu perguntei novamente.
Emmett desviou o olhar de Sofia e me olhou confuso.
_ Tenho, Bella! Ele entrou no meu quarto me puxando pelo braço e dizendo que você tinha mandado avisar que a Sofia estava nascendo. – ele respondeu me deixando ainda mais confusa.
_ Bella, qual é o problema? – Edward perguntou preocupado.
_ Eu não entendo como ele soube se a última vez em que o vi foi na sala quando você saiu para o plantão. Ele estava dormindo no colo de Alice e Emmett subiu com ele para colocá-lo na cama! – eu respondi e Edward também franziu o cenho – Emmett, o que exatamente Brian falou pra você?
_ Ele disse: “Vem comigo tio Emm! A mamãe mandou avisar que a Sofia está nascendo!”
_ A mamãe? – eu repeti as palavras de Emmett e ele assentiu com a cabeça.
De repente a lembrança do sonho que eu tivera mais cedo voltou à minha mente. “Pensei que você tivesse me abandonado!” - eu dissera. “Nunca!” – ela tinha respondido. Brian tinha dito a Emmett que a mamãe tinha pedido para ele ajudar, mas não tinha dito que a mamãe em questão não era eu.
_ O anjo! – eu disse mais para mim mesma.
Todos ainda me olhavam esperando por uma explicação quando Sofia começou a chorar. Estava com fome. Emmett saiu do quarto levando Edward para comer alguma coisa enquanto eu amamentava minha filha. Rose ficou comigo e observava encantada enquanto Sofia sugava meu seio com vontade até adormecer. Só então me dei conta de que ainda não tinha comido nada naquele dia. De repente me descobri faminta. A porta do quarto se abriu lentamente dando passagem a uma enfermeira que trazia uma bandeja para mim. Rose segurava Sofia nos braços enquanto eu comia, mas eu estava louca mesmo era para tomar um banho.
_ Rose, será que você poderia ficar com ela mais um pouco enquanto eu tomo um banho? – pedi assim que terminei e ela assentiu com a cabeça.
Corri para o banho e me deliciei com o chuveiro quente. Agradeci a Deus por não ter sido necessário fazer a episiotomia. Assim pude aproveitar muito mais o meu banho, do contrário os pontos estariam ardendo depois de tanto tempo sentada na cama. Quando voltei para o quarto, Edward já havia chegado. Seu semblante estava cansado, eu sabia que ele não havia dormido nas últimas vinte e quatro horas.
_ Edward, vá para casa descansar. Eu sei que você está cansado, amor! Está escrito no seu rosto! – eu pedi mesmo sabendo que ele não iria.
_ Eu só vou para casa quando você for, amor! Eu não saio daqui sem você! – ele disse colando sua testa na minha e me abraçando.
_ Eu prometo que não vou fugir, amor! – eu o provoquei – Eu ainda estarei aqui quando você voltar. – Edward riu.
_ Não adianta fugir de mim, Bella! Eu vou atrás de você e a trago de volta nem que seja amarrada, bobinha! – ele disse segurando meu rosto e me beijou.
_ Hey, casal! Vamos parar com essa safadeza da frente dos meus filhotes, ok? Vocês estão corrompendo a pureza deles! – com essa, Edward me soltou e começamos a rir.
_ Até parece, Emmett! Por acaso você vai ficar os próximos sete meses sem sexo? – Edward o provocou e Rose corou violentamente.
_ Ficou doido, maninho? Não fica dando ideia torta pra minha Rose! Não é porque você vai ficar na seca daqui pra frente que eu tenho que ficar também! – ele provocou de volta e dessa vez quem ficou roxa fui eu.
Rose arrastou Emmett para casa antes que eles nos fizessem ultrapassar todos os tons de vermelho da escala de cores. Mais tarde, Irina levou Sofia de volta para o berçário depois que ela mamou mais uma vez. Eu estava exausta. Tinha dormido apenas três horas depois do parto e a agitação das visitas aliada a amamentação tinha drenado todas as minhas forças. Edward dormia profundamente deitado ao meu lado na cama e eu estava aninhada em seus braços enquanto refletia sobre a minha vida nos últimos nove meses. Meses de enjôos, mudanças no corpo, inseguranças, dores na coluna, inchaços...nada superava a emoção de sentir o primeiro movimento de Sofia dentro da minha barriga, de olhar para o seu rostinho pela primeira vez, de senti-la ali quentinha junto a mim enquanto sugava meu seio e de muitas outras emoções que eu ainda iria sentir. Deitei minha cabeça no peito de Edward e dormi sorrindo ao ouvir o som das batidas tranqüilas do seu coração.

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