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Juiz de Fora, Minas Gerais, Brazil
Apesar de ser mestre em Linguística e ter toda a minha vida acadêmica voltada para o ensino de línguas, sempre fui amante da literatura, devoradora de livros, filmes e séries. Sempre tive um sonho: escrever. Durante muito tempo, o medo de fracassar me impediu de realizar esse sonho, mas uma grande amiga me incentivou e me deu a coragem de enfrentar meus fantasmas e graças a ela eu hoje posso dizer que me sinto uma pessoa melhor, mais confiante e absolutamente ciente do meu potencial.

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terça-feira, 30 de agosto de 2011

Capítulo XV – Angústia




Narrado por Seth

Aquelas últimas duas semanas tinham sido perfeitas. Dormíamos juntos e acordávamos juntos e, se antes eu já não tinha dúvidas de que ela era a mulher com quem eu queria passar o resto dos meus dias, agora ninguém me tiraria essa certeza. O simples pensamento de que eu poderia amanhecer sem o seu corpo colado ao meu fazia meu coração bater insuportavelmente apertado em meu peito. Eu precisava dela. Precisava sentir o calor do seu corpo, a maciez do seu toque e o perfume que exalava da sua pele. Eu estava totalmente dependente do gosto dos seus beijos e precisava tê-la ao meu lado 24 horas por dia. Pensando bem, talvez nem isso fosse o suficiente para satisfazer a minha necessidade dela.
Eu observava o seu sono sereno. Admirava cada pequeno detalhe daquele rosto perfeito que me tirava a razão: a pele sedosa e cheirosa, as maçãs do rosto coradas, o nariz pequeno, arrebitado e perfeito, os lábios rosados e suculentos que me instigavam a devorá-los, os cabelos longos, macios e dourados que iluminavam ainda mais o seu rosto. Pequenos detalhes que ficavam ainda mais perfeitos toda vez que eu mergulhava naqueles olhos azuis e quase me afogava no amor que eles transmitiam. Aqueles olhos tinham um poder inacreditável sobre mim. Bastava vê-los brilhando ao me olhar que eu perdia completamente a capacidade de pensar. Meu cérebro virava pudim quando eles me encaravam daquele jeito que só ela sabia fazer.
Não sei quanto tempo eu fiquei ali, quieto, abraçado a ela enquanto esperava que ela acordasse. Mas eu não me importava. Esperaria a vida toda por ela se eu pudesse tê-la sempre assim, em meus braços. Aos poucos, sua respiração foi se tornando mais forte e eu pude perceber que ela estava acordada quando um sorriso brotou em seus lábios, embora seus olhos ainda estivessem fechados. Os dedos das suas mãos começaram a desenhar pequenos círculos em meu peito nu, me fazendo sorrir.
_ Bom dia, meu amor! – ela disse ainda de olhos fechados, com um sorriso meigo nos lábios.
_ Bom dia, princesa! – respondi suspirando enquanto meus braços a puxavam para ainda mais perto de mim.
Ela apoiou a cabeça em meu peito virando seu rosto de frente para mim, me fazendo sofrer todo o impacto de encarar seus olhos brilhantes. Por um momento, eu não soube quem eu era, nem onde estava. Um sorriso estonteante iluminou seu rosto perfeito e meu coração disparou em meu peito. Deus do céu! Que poder essa mulher tinha sobre mim! Não era normal isso. Ou era? A intensidade das emoções que ela me fazia sentir chegava a me assustar. Eu sentia como se o meu destino não estivesse em minhas mãos, mas nas dela. Era angustiante pensar que, se por algum motivo ela não me quisesse mais, eu ficaria a deriva no mundo, sem rumo ... sem destino ... sem vida.
O toque suave dos seus dedos em meu rosto me trouxe de volta à realidade. Ela me olhava com uma expressão que parecia preocupada enquanto acariciava minha testa com a ponta dos dedos tentando desfazer uma ruga que havia se formado entre meus olhos sem que eu percebesse.
_ O que foi, amor? Por que você ficou triste de repente? – sua voz era apenas um sussurro.
Rolei o meu corpo na cama ficando sobre o dela. Fechei os olhos colando as nossas testas sem conseguir evitar que um suspiro angustiado escapasse de mim.
_ Seth? – ela insistiu, segurando meu rosto com ambas as mãos delicadas, sua voz denunciando certa ansiedade pelo meu silêncio.
Ainda em silêncio, afastei um pouco o meu rosto e voltei a abrir os olhos encarando seu olhar tenso. Minhas mãos voaram automaticamente para o seu rosto de anjo, acariciando a pele macia, descendo pelas bochechas até tocarem os lábios entreabertos. Meus olhos pararam ali, naquela boca que fazia meus lábios formigarem de vontade de beijá-la. Sem que eu tivesse dado conta, eu tinha me aproximado lentamente do seu rosto e tocado levemente seus lábios em um beijo suave ... lento ... longo. Sofia abriu os lábios e sua língua quente e macia acariciou a minha, apagando qualquer traço da angústia que tinha tomado conta de mim. Meu corpo estremeceu ao sentir suas pernas envolverem a minha cintura enquanto suas mãos desciam por minhas costas, me apertando, me arranhando, parando em minhas nádegas, me puxando com força contra o seu corpo.   
_ Eu amo você! – eu disse ofegante quando separamos nossos lábios em busca de ar.
_ Então me ame! – ela disse me encarando, os olhos ardendo de desejo.
_ Sempre! – eu respondi voltando a beijá-la, meu corpo se encaixando no dela com uma perfeição sobrenatural.
Amar Sofia era o meu destino. Eu seria qualquer coisa que ela quisesse que eu fosse, iria onde ela me mandasse, faria tudo o que ela quisesse, com ela e por ela. Eu só precisava tê-la ao meu lado para sempre. Sem ela eu não teria uma vida ... eu não seria um homem ... eu seria um nada.

Narrado por Sofia
       
        O caminho de volta para casa parecia ter ficado mais curto. A estrada livre do tráfego fez com que o nosso retorno para casa fosse mais rápido do que a ida. Minha mente repassava com riqueza de detalhes todos os momentos daqueles dias simplesmente perfeitos e maravilhosos que me deixaram na boca um gostinho de “quero mais”. Na verdade, eu poderia perfeitamente passar o resto dos meus dias naquele lugar, amando e sendo amada, passando cada segundo do dia ao lado dele, recebendo sua atenção, seu carinho, seu amor.
        Seth me completava como eu jamais teria imaginado ser possível um ser humano completar o outro. Eu sempre achei aquela conversa de “encontrar a cara-metade” muito absurda. É claro que eu sempre acreditei que duas pessoas pudessem se amar de forma intensa. Eu cresci vendo isso diariamente através dos meus pais e, no fundo, sempre sonhei em viver um amor como o deles. Mas, daí a achar que uma pessoa pudesse completar a outra me parecia coisa de conto de fadas. No entanto, com Seth era assim. Ele conseguia superar todas as minhas expectativas. Ele ia além do que eu jamais poderia esperar de um homem.
Carinhoso. Atencioso. Protetor. Seth parecia adivinhar os meus pensamentos e minhas vontades e sempre fazia até o impossível para realizá-las, mesmo que fosse a coisa mais absurda do mundo. Para ele, a minha felicidade era prioridade. Ver um sorriso nascendo em meus lábios era mais importante para ele do que respirar. Por isso tudo, para mim, era difícil entender o seu comportamento durante a viagem de volta para casa. Ele parecia chateado com alguma coisa, mas eu não me lembrava de nada que tivesse acontecido para que ele tivesse ficado daquele jeito, a não ser por dois homens que tinham ficado me encarando no restaurante onde havíamos almoçado. Embora o olhar quase obsceno deles tivesse me incomodado quando Mel e eu passamos por sua mesa em direção ao banheiro, eles não se dirigiram a mim em nenhum momento, nem fizeram nenhum comentário desrespeitoso que eu tivesse escutado.
Seth tinha permanecido calado durante o resto da viagem. Embora minha cabeça estivesse apoiada em seu peito o tempo todo e seus dedos acariciassem os meus cabelos, eu o sentia distante, calado. Parecia que aquelas carícias eram algo feito mecanicamente e isso me angustiava.
_ Seth! – sussurrei em seu ouvido fazendo-o olhar em meu rosto. – Você está chateado com alguma coisa? – perguntei baixinho para que Mel e Brian, que estavam no banco da frente, não ouvissem.
Ele me olhou por um longo tempo, calado. Havia algo de diferente no modo como ele me olhava que eu não conseguia entender. Um pouco de tristeza, ansiedade ou medo, sei lá! Seus lábios pousaram levemente em minha testa em um beijo suave, seus dedos ainda acariciando meus cabelos. Ele não disse nada. Apenas negou com a cabeça e suspirou profundamente. Decidi deixá-lo em paz, embora meu coração estivesse inquieto.
O restante do percurso de volta foi angustiante. Eu tentava cavar em minha memória algo que pudesse tê-lo feito ficar daquele jeito, mas não conseguia encontrar nada que justificasse aquele comportamento. Minha cabeça começou a doer pelo esforço que eu fazia para conter a vontade de chorar. Minha garganta estava fechada, eu mal conseguia respirar, sentia como se todo o oxigênio dentro do carro tivesse se esgotado.
O carro finalmente parou em frente de casa. Mel e Brian logo desceram de mãos dadas exalando felicidade enquanto Seth permanecia calado, taciturno. Minhas mãos tremiam ao sair do carro. Peguei a minha mala e segui apressada em direção à minha casa sem sequer olhar para trás. Meu corpo parecia que ia implodir a qualquer momento, meus músculos estavam tensos, minha cabeça agora doía de uma forma enlouquecedora. Eu só queria entrar em casa, tirar aquela roupa, tomar um banho, deitar em minha cama e dormir.
Meu pai estava na sala de casa quando entrei. Ele se levantou preocupado ao olhar em meu rosto e veio em minha direção já sabendo que algo de errado havia acontecido.
_ Hey, bonequinha! O que foi? Por que você está com esse rostinho tão triste? – ele disse me abraçando forte como fazia quando eu era pequena e tinha pesadelos.
_ É só uma dor de cabeça chata, pai. – menti – Eu vou subir, tomar um banho e me deitar um pouco.
Tentei me desvencilhar dos braços do meu pai, mas ele me segurou ainda mais firme. Ele me conhecia muito bem e sabia que havia algo a mais.
_ Você e Seth discutiram? – ele foi direto ao ponto.
Senti um aperto insuportável no peito. Minha voz estava presa em minha garganta fechada. Eu não ia conseguir falar sem que ele soubesse que eu estava mentindo. Apertei-me ainda mais em seu corpo procurando a segurança que ele sempre me deu.
_ Tem algum analgésico aqui em casa? Eu realmente preciso de um. – fugi da resposta para a pergunta que ele havia feito.
Eu não tinha como responder se nós havíamos brigado ou não. Não havia como brigar com uma pessoa ausente. Embora eu pudesse sentir o corpo de Seth junto ao meu durante toda a viagem de volta, ele estava a mil quilômetros de distância de mim. Um corpo. Era apenas isso que veio ao meu lado no carro. Meu Seth não estava ali. Aquele homem distante, quase frio que tinha viajado ao meu lado não era o meu namorado. Eu não o conhecia, não o reconhecia.
_ Suba e tome um banho. Eu vou pegar um remédio e levo para você tomar! – meu pai disse se soltando de mim.
Assenti de cabeça baixa e subi as escadas correndo em direção ao meu quarto. Não olhei para trás. Sabia que seus olhos estavam sobre mim, me estudando, querendo ler em minhas reações o que se passava em meu coração. Entrei em meu quarto, cega pelas lágrimas que inundavam meus olhos. Meu peito doía, minha cabeça doía, meu corpo doía. Encostei-me na porta fechada e deixei a angústia se extravasar em um choro compulsivo. Como tudo tinha chegado ao ponto em que chegou? Por que ele estava agindo daquela forma comigo? O que eu tinha feito de errado? Eram tantas perguntas, mas nenhuma resposta.
Entrei sob a ducha ainda vestida com as minhas roupas. Eu queria que a água lavasse aquela tristeza que tinha se apossado de mim. Queria que ela clareasse a minha mente e me ajudasse a entender o que diabos estava acontecendo conosco. Perdi a noção de quanto tempo tinha permanecido sob o chuveiro. A água havia refrescado o meu corpo e lavado as minhas lágrimas, mas não tinha sido o suficiente para me fazer sentir melhor. Ela não tinha lavado a angústia que apertava o meu peito fazendo meu coração bater dolorosamente.
Deitei-me encolhida em minha cama vestindo apenas um roupão. Meus cabelos ainda úmidos esparramaram-se sobre o travesseiro deixando-o frio. A sensação chegava a ser boa, aliviava um pouco a dor em minha cabeça. Fechei meus olhos e tentei relaxar. Talvez, se eu conseguisse dormir, aquela sensação horrível se atenuasse, mas minha cabeça latejava com tanta força que eu tinha certeza de que seria impossível dormir sem um remédio.
A porta do meu quarto se abriu, mas eu não me movi. Senti o colchão afundar atrás de mim e as mãos protetoras do meu pai acariciarem os meus cabelos.
_ Filha! – ele sussurrou em meu ouvido – Tome este remédio! Você vai se sentir melhor em pouco tempo!
Eu tinha minhas dúvidas quanto a isso. A única coisa, ou melhor, a única pessoa que poderia me fazer sentir melhor era Seth, mas ele não estava ali. Abri meus olhos, sentei-me na cama e tomei o comprimido sem encarar os olhos do meu pai. Tomei toda a água do copo, sentindo a minha garganta seca como o deserto. Voltei a deitar a cabeça sobre o travesseiro e fechei novamente os olhos sentindo meus cabelos sendo acariciados. Meu pai permaneceu ali, ao meu lado, em silêncio. Aos poucos, o remédio começou a surtir efeito e me deixei mergulhar no inconsciente.
***********
Dormi um sono sem sonhos, um sono vazio que combinava com o meu estado de espírito. Abri os olhos e notei que a noite já havia chegado a julgar pela escuridão do meu quarto. A dor de cabeça tinha desaparecido, mas a angústia continuava ali. Impiedosa. Massacrando o meu peito. Quase me impedindo de respirar.
O relógio marcava 20 horas. Em poucos minutos alguém entraria pela porta me chamando para jantar. Embora eu estivesse sem apetite, sabia que teria que descer. Meus pais não permitiriam que eu ficasse tantas horas sem me alimentar. Sentei-me na cama abraçando as minhas pernas, meu rosto escondido em meus joelhos. Minha vontade era ficar em meu quarto, fugir do olhar especulativo do meu pai. Eu não queria falar com ninguém que não fosse Seth, mas a julgar pelo seu comportamento mais cedo eu não tinha nem mesmo como saber se o veria ainda hoje.
Adiei a minha decida o máximo que pude. Fiquei surpresa ao encontrar Seth, tio Jake, tia Leah e os gêmeos sentados no sofá conversando com a minha família. Meus avós vieram até mim e me abraçaram assim que me viram chegar. Estavam cheios de saudades e, eu tinha que confessar, também sentia muito a falta deles.
Meus olhos pousaram sobre Seth e eu não soube como agir. Tinha medo de tentar abraçá-lo e senti-lo distante novamente. Ele veio em minha direção e me abraçou, mas aquele abraço foi diferente de todos os que ele já tinha me dado. Não tinha a mesma intensidade de sempre, o mesmo calor. Parecia uma abraço tenso ... incerto ... inseguro. Seus lábios pousaram trêmulos sobre a minha testa. Fechei os olhos e respirei fundo, sentindo o perfume que exalava do seu corpo, agarrando-me a ele com força, tentando acabar de vez com aquela distância, mas ele se afastou quando tio Jake e tia Leah vieram me abraçar. Me senti oca. Minha vontade era correr de volta para o meu quarto e me trancar lá dentro, só saindo depois que aquele pesadelo acabasse. Sim. Só podia ser um pesadelo, daqueles que parecem tão reais que são capazes de nos enganar. E eu precisava desesperadamente acordar.
O jantar foi servido, mas a comida simplesmente não passava em minha garganta. À mesa, todos conversavam descontraidamente, alheios ao meu estado apático, provavelmente, achando que era só cansaço pela viagem. Seth continuava calado, parecia ansioso. Às vezes eu sentia o seu olhar sobre mim, mas mantive meus olhos baixos, não querendo mais senti-lo tão frio. Era insuportável.
Estávamos todos na sala de estar. Todos continuavam a conversar normalmente como se não percebessem o clima estranho entre Seth e eu. Eu já estava me aproximando do limite da minha ansiedade. Estava a ponto de explodir de tensão e não iria conseguir dormir sem antes arrancar dele o que estava acontecendo. Mesmo morrendo de medo do que poderia ouvir eu tinha que saber.
Levantei-me do sofá puxando-o pela mão para um canto da sala onde poderíamos ter um pouco de privacidade.
_ Eu sinto que você tem alguma coisa para me dizer, Seth! Por favor, diga logo? Eu não aguento mais o seu silêncio! – pedi, minha voz saindo sufocada.
Ele fechou os olhos e suspirou. Parecia angustiado. Um arrepio perpassou a minha coluna. De repente, tive a impressão de que o que ele iria me dizer me faria desmoronar. Tive medo, mas não recuei. Qualquer coisa seria menos doloroso do que aquilo que eu estava sentindo. Seth abriu os olhos e me encarou, calado mais uma vez.
_ Seth, por favor? – implorei.
_ Eu não sei como dizer! – ele disse com um tom de voz sofrido.
_ Apenas diga! – falei impaciente. – Você não quer mais namorar comigo? É isso? – perguntei com o coração espremido no peito.
_ É isso. Eu não quero mais namorar você! – ele disse simplesmente, partindo o meu coração, acabando com os meus sonhos.


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Capítulo XIV – Meu próprio Sol




Narrado por Melinda

        Eu ainda estava envolta em uma nuvem de sonhos, mas podia sentir uma leve queimação que subia por minhas costas acompanhando a linha da minha coluna até a minha nuca. Meus sentidos ainda nublados pelas sensações intensas da noite anterior começavam a reconhecer o toque suave de mãos carinhosas afastando os meus cabelos do meu rosto enquanto lábios quentes distribuíam beijos demorados por minhas bochechas, minha testa, meus olhos, meu nariz, pulando para o meu queixo para então envolverem os meus lábios.
        _ Bom dia, docinho! – uma voz suave e aveludada sussurrava em meu ouvido – Acorda, dorminhoca! Eu já estou com saudades de você! – ele dizia manhoso.
        Sorri ao ouvi-lo tão carinhoso. Sua voz preenchia os meus ouvidos me dando a certeza de que para ele a noite anterior tinha sido tão maravilhosa quanto para mim.
        _ Bom dia, meu amor! – respondi abrindo os olhos e encarando aquele rosto perfeito que sorria lindamente para mim – Dormiu bem?
        _ Dormi com os anjos! – ele respondeu acariciando o meu rosto, seu corpo colado ao meu – Na verdade, eu dormi com um anjo ... um anjo lindo de olhos azuis que me levou ao céu ontem à noite.
Meu sorriso se alargou ainda mais com aquelas palavras, toda a minha insegurança em relação à minha inexperiência deixada para trás. Seu rosto começou a se aproximar lentamente do meu, meu coração se acelerando instantaneamente ao sentir seus olhos verdes cravados nos meus. Os lábios doces e macios tocaram os meus em um beijo totalmente inocente.
_ Você precisa se alimentar, docinho! Eu já errei ontem permitindo que você dormisse sem jantar. Não vou cometer o mesmo erro de novo! Vem? – ele pediu me puxando da cama.
Brian envolveu o meu corpo em um robe de seda, esperou que eu lavasse o rosto e me levou pela mão até a mesinha no canto do quarto repleta de frutas, sucos, leite, café, pães, biscoitos e tantas outras coisas que eu tinha a impressão de que nem em uma semana daria conta de comer.
_ É muita coisa, bebê! – eu disse espantada – Eu não vou conseguir comer nem um décimo de tudo o que está aí!
_ Eu sei, amor! Eu não sabia o que você ia querer, então pedi um pouquinho de cada coisa! – ele disse sorrindo enquanto sua mão acariciava a pele do meu rosto.
Brian sentou-me em seu colo e tomamos o café da manhã em meio a carícias e brincadeiras. Ora ele me oferecia um morango e logo o afastava de minha boca quando eu tentava mordê-lo, ora lambuzava o meu rosto com iogurte lambendo tudo logo depois. A brincadeira, aos poucos, foi ficando mais séria, mais quente na medida em que a fome de comida era saciada, mas outra fome começava a surgir com intensidade.
Senti meu corpo estremecer quando Brian afastou um dos lados do robe espalhando chantilly gelado pelo meu seio. Sua boca quente o cobriu logo em seguida arrancando um gemido constrangedoramente alto de mim. Ele lambia e sugava com intensidade e gemia em minha pele me levando à loucura. Meu corpo já pedia por mais ... o fogo tomando conta do meu interior ... meu sexo latejando de desejo ao sentir sua ereção tocando em minha perna. Ajeitei-me em seu colo sentando-me de frente para ele, minhas pernas ficando uma de cada lado dos seus quadris. Suas mãos imediatamente agarraram a minha cintura com força, me apertando ... me puxando para mais perto ... roçando nossas intimidades sem interromper nosso beijo faminto até que o ar nos faltasse.
_ Você não está dolorida, amor? – ele me perguntou com a voz rouca e entrecortada pela respiração ofegante.
_ Estou! Estou totalmente dolorida de desejo por você, bebê!  - peguei sua mão levando-a até o meu sexo absurdamente úmido.
Brian gemeu alto enterrando seu dedo em meu corpo, massageando as paredes do meu sexo. Sua boca tomou a minha, faminta ... quente ... enlouquecedora.
_ Faz essa dor passar? Faz, amor? – implorei com a voz falha pelos gemidos que eu não conseguia conter.
_ Eu vou fazer, docinho! Eu prometo que vou fazer! – ele disse com a voz rouca me abraçando pela cintura e se levantando comigo em seus braços.
Minhas pernas envolveram a sua cintura enquanto ele caminhava pelo quarto sem interromper o beijo que tínhamos começado. Ao contrário do que eu tinha imaginado, ele não me levou para a cama. Quando dei por mim, estávamos no banheiro e ele me colocava cuidadosamente sentada sobre o mármore frio do lavabo. Afastou-se de mim por um breve momento, apenas o suficiente para abrir a torneira da banheira de hidromassagem, mas já foi o bastante para o meu corpo protestar. Aquela distância também parecia ser demais para ele que voltou a me abraçar, passando as minhas pernas em volta da sua cintura e se encaixando lentamente em mim.
Meu coração saltava rebelde em meu peito vibrando a cada milímetro que o seu corpo invadia o meu ... duro ... quente ... vivo. Senti meu corpo sendo erguido novamente para em seguida senti-lo mergulhar na água quentinha e perfumada da hidromassagem já cheia e acionada. A língua quente e molhada de Brian corria a extensão do meu pescoço até os meus seios, dando igual atenção e carinho a ambos. Suas mãos me apertavam descendo pelo meu corpo até as minhas nádegas onde pararam com um aperto vigoroso que me tirou o ar. Brian me apertava contra o seu quadril se enfiando cada vez mais profundamente em mim e eu já podia sentir o meu sexo se contrair, apertando-o e prendendo-o dentro de mim, fazendo-me ver estrelas. Um rosnado alto escapou de sua garganta quando ele chegou ao clímax, me preenchendo com o seu sêmen. Ficamos ali, abraçados um ao outro, os corpos trêmulos pelo prazer avassalador, o fogo que antes nos queimava mesmo dentro d’água se tornando gradativamente mais tênue até ceder lugar a um leve torpor.
Meu corpo, aos poucos, foi amolecendo, meus músculos ficando totalmente relaxados. Eu sentia que não teria forças para me levantar, não que eu quisesse sair, mas sabia que não poderíamos ficar ali para sempre. Tudo o que eu queria era permanecer daquela forma para sempre, com o corpo de Brian me preenchendo como ainda fazia. Brian, que desde o clímax mantinha seu rosto enterrado no vão dos meus seios, ergueu o rosto e me fitou com os olhos em um tom verde escuro nunca visto antes. Ele não disse nada, eu não disse nada. Apenas nos olhávamos nos olhos, nos declarando mais uma vez sem palavras. Não precisávamos delas. A intensidade dos nossos olhos dizia muito mais do que poderíamos expressar em qualquer língua do mundo enquanto nossos corpos voltavam a se mover antes mesmo de nós pensarmos em fazê-lo, o prazer nos dominando mais uma vez.
Terminamos nosso banho sob o chuveiro, depois que a água da banheira tinha esfriado. Envolvemos nossos corpos com roupões felpudos que acariciavam a nossa pele ainda sensível e nos deitamos mais uma vez na enorme cama king size. Meus olhos já se fechavam, e meu corpo já se entregava a um leve torpor quando ouvi a voz doce e suave de Brian sussurrar em meu ouvido:
_ Durma, docinho! Sonhe com os anjos e tenha a certeza de que você é e sempre será a mulher da minha vida! – ele dizia enquanto eu mergulhava mais uma vez em um mundo de sonhos.

Narrado por Brian

Eu observava o seu sono tranquilo e repassava em minha memória cada detalhe das últimas 24 horas. Não podia e nem queria esquecer um detalhezinho sequer. Todos estariam gravados no tecido do meu cérebro para sempre. Se um dia eu perdesse tudo, ainda teria essas lembranças para me acompanhar e não me deixar enlouquecer.
Lembrei-me do carinho e do zelo na preparação do quarto e da surpresa do jantar que, no final, ficou intocado. Eu precisava retribuir, sentia que estava em dívida com ela. Não só pelo carinho de preparar o nosso ninho de amor, mas pelo amor que ela me dava ... pela entrega a que ela se permitiu ... por tudo.
Deixei um bilhete preso em uma rosa vermelha sobre o meu travesseiro para que, quando ela acordasse, não se assustasse com a minha ausência. Pedi a Sofia que entrasse no quarto com cuidado e colocasse o presente que eu tinha comprado sobre a cama enquanto eu providenciava a minha surpresa para Mel. Não tive dificuldades em conseguir o que eu queria. Bastou dizer que era um presente para a mulher da minha vida e fui prontamente atendido pelo gerente do resort. Eu tinha certeza de que ela iria adorar a vista. Eu tinha visto seus olhos brilhando de vontade de ir até lá e não havia nada que eu não fizesse para manter aquele brilho ou até mesmo intensificá-lo.
Sorri satisfeito com o resultado da arrumação que os funcionários do resort fizeram. Embora eles fossem pagos para esse tipo de coisa, fiz questão de dar uma gorjeta bem generosa em agradecimento pelo carinho e pela presteza em me ajudar. O novo cenário estava pronto. Faltava apenas a protagonista para dar a ele o brilho definitivo. Agora só me faltava ter forças para esperar as horas que ainda nos separavam.

Narrado por Melinda
       
Mesmo de olhos fechados eu tinha a sensação de que alguém me observava. Abri os olhos assustada sentando-me na cama ao perceber que Brian não estava no quarto. Uma rosa vermelha chamou a minha atenção sobre o travesseiro ao lado. Amarrado a ela, um bilhete com a caligrafia de Brian.
        Docinho,
       Hoje pela manhã pensei em lhe dizer com palavras o que o meu coração angustiado sente: Sente um prazer enorme quando te vê. Sente uma vontade louca de ficar sempre ao seu lado. Amor, você é a água que me mata a sede. Você é sem dúvida a minha crença. Seria difícil entender as dificuldades da vida, se não pudesse contar com você ao meu lado. Eu era um sujeito cheio de sonhos, mas com poucas realizações. Hoje existe em mim um homem cheio de realizações e sonhando cada vez mais, pois você realiza meus maiores sonhos e me faz sonhar diante de toda realidade. Te amo muito.
       Seu Bebê
        O sorriso que tomou conta do meu rosto não era grande o suficiente para expressar o tamanho da minha felicidade. Fechei os olhos inspirando o perfume delicioso da rosa, da minha rosa. Quando abri novamente os olhos, Sofia sorria parada diante de mim segurando uma caixa branca envolta em uma fita de cetim vermelho. Sorri de volta para a minha melhor amiga, prima e cunhada. Ela se aproximou em silêncio até sentar-se à beira da cama me entregando a caixa. Desfiz o laço com carinho, apreciando cada momento, cada detalhe, pensando no que ele teria mandado para mim. O lindo vestido verde que repousava sobre o papel de seda tinha o tom exato dos seus olhos. Sorri satisfeita ao ver a peça confeccionada com tanta perfeição. A caixa trazia mais um bilhete:
        Amor,
       Escolhi o verde para que você não se esqueça de mim, assim como não me esquecerei de você, durante as horas em que ficaremos separados. Não fique brava comigo, é por uma boa causa. Às 20:00h estarei em sua porta para buscá-la. Te amo mais a cada segundo.
       Brian
        _ Você está feliz? – a voz baixinha de Sofia me tirou dos meus pensamentos.
        _ Não existe pessoa mais feliz do que eu neste mundo, Sofia! - respondi com um sorriso enorme no rosto.
        _ Eu conheço alguém que poderia discordar de você, mas vou deixar que você veja com os seus próprios olhos! – ela disse me abraçando.
Depois de me trocar, Sofia me levou para o SPA do resort onde uma equipe enorme nos esperava. Recebemos massagens, tratamentos para a pele, para as unhas e para os cabelos, banho de imersão em chocolate e tantos outros cuidados que perdi completamente a noção do tempo. Embora eu soubesse que Brian estava preparando alguma surpresa para aquela noite, eu o queria perto de mim o tempo todo e passar tantas horas sem nem ao menos vê-lo ou ouvir a sua voz era uma verdadeira tortura.
Às 20:00h em ponto, eu abri ansiosa a porta do bangalô e minha vida estava ali, sorrindo lindamente para mim, vestindo uma camisa no mesmo tom azul dos meus olhos. Eu podia ver seus olhos incrivelmente verdes brilhando como duas enormes esmeraldas mesmo sob a luz fraca da varanda. Meus olhos espelhavam o brilho dos seus e o sorriso que atravessava o meu rosto de um lado ao outro não deixava dúvidas quanto à felicidade de tê-lo ali, diante de mim.
Fechei os olhos ao sentir as costas das suas mãos tocarem suavemente a pele do meu rosto. Como eu havia sentido falta daquele toque! Minhas mãos ansiosas formigavam de vontade de tocá-lo e seguiram em direção ao seu rosto sem que eu tivesse mandado. Brian também fechou os olhos sorrindo, apreciando o carinho. Os lábios macios tocaram os meus com leveza excessiva, como se eu fosse feita de uma porcelana extremamente frágil.
_ Eu sei que eu corro o risco de soar repetitivo, mas seria uma heresia não dizer: você está linda! – ele sussurrou em meu ouvido dando um beijo quente em meu pescoço em seguida.
Meu corpo todo se arrepiou ao toque dos seus lábios em minha pele.
_ Você também está lindo, amor! – minha voz saiu trêmula de ansiedade.
Brian sorriu para mim e pegou a minha mão me levando até o carro. Abriu a porta para mim, afivelou o meu cinto de segurança e me encarou com um olhar indecifrável.
_ Eu preciso que você confie em mim, docinho! – ele disse vendando os meus olhos com uma faixa de seda verde no mesmo tom do meu vestido – Tenha só mais um pouquinho de paciência! Em breve você vai saber o que eu preparei para nós dois esta noite! 
Assenti sorrindo. Meu coração estava disparado no peito, louco para saber e sentir o que estava por vir. Eu não podia ver, mas se Brian estivesse comigo eu não precisava de luz. Eu tinha certeza de que ele me guiaria e me protegeria na escuridão.

Narrado por Brian

Eu dirigi o curto caminho até lá admirando o sorriso enorme estampado em seu rosto. Minha mão direita segurava a sua mão esquerda durante todo o trajeto. Já havíamos ficado muitas horas separados, eu não suportaria estar tão perto dela agora sem tocá-la.
Estacionei o carro e abri a porta para ela ajudando-a a sair. Ela pisava insegura, sem poder enxergar as pedras que pavimentavam o local. Parei diante dela e toquei o seu rosto com ambas as mãos. Ela sobrepôs as mãos pequenas e delicadas às minhas e sorriu mais uma vez. Passei o dedo sobre seus lábios macios que se entreabriram convidativos. Não resisti. Eu já tinha esperado tempo demais. Meus lábios cobriram os seus em um beijo cheio de saudades. Suas mãos voaram para os meus cabelos acariciando a minha nuca, causando-me uma série de tremores pelo corpo.
Relutante, encerrei o beijo sorrindo ao ver o beicinho de descontentamento que ela fez. Linda! Ergui o seu corpo delicado em meus braços e entramos. Enquanto subíamos as escadas, eu podia sentir o seu coração batendo com uma força absurda, tamanha era a sua ansiedade.
_ Falta pouco, docinho! Aguente só mais alguns segundos! – eu pedi sussurrando em seu ouvido.
Ela mordeu o lábio inferior sorrindo ainda mais ansiosa. Coloquei-a de pé de frente para a vista que eu queria que ela tivesse.
_ Eu vou tirar a venda dos seus olhos, mas eu preciso que você me prometa que vai mantê-los fechados até que eu peça para abri-los. Promete? – pedi envolvendo a sua cintura por trás.
Ela aconchegou seu corpo ao meu, repousando a cabeça em meu peito e assentiu. Desfiz o laço da venda deixando-o ser levado pelo vento. Acionei o mecanismo que ativava a luz e voltei a abraçá-la por trás.
_ Abra os seus olhos, amor! – voltei a sussurrar em seu ouvido sentindo-a estremecer.
Mel abriu os olhos e arfou com a visão. Estávamos na torre do velho farol que girava lançando sua luz forte na água escura do mar. A brisa suave da noite soprava em seu rosto deslocando alguns fios dos seus cabelos, deixando-a ainda mais linda e perfeita. Ela olhava encantada para o mar que exibia uma faixa prateada que se movia conforme a luz girava. Aquele sorriso estampado em seu rosto compensou as horas angustiantes que eu tinha passado longe dela. Mel estava feliz como uma menina que descobre sob a árvore de Natal a boneca que tinha pedido ao Papai Noel. Ela se virou de frente para mim, os olhos brilhando de emoção.
_ Como você soube? Eu nunca disse a ninguém! – ela perguntou extasiada.
_ Naquele dia em que almoçamos no restaurante aqui perto, eu percebi como você olhava para cá. Seus olhos brilhavam de uma forma tão intensa que eu tive a certeza de que você queria subir aqui e ver o farol funcionando! – eu disse colando a minha testa na dela.
_ Você é incrível, bebê!Eu te amo muito! – ela disse envolvendo seus braços em meu pescoço.
_ Eu também te amo muito, docinho! Demais! – respondi beijando seus lábios mais uma vez.
Um jantar delicioso nos esperava em uma mesinha delicadamente posta para dois. Comemos do mesmo prato, Mel sempre sentada em meu colo e fizemos amor na enorme cama montada dentro da sala de luz. Mel adormeceu em meus braços mais uma vez enquanto eu admirava suas feições delicadas. Sentindo o meu próprio sono chegar, desativei a luz do farol e tudo ficou escuro novamente.
De repente, me dei conta de que se um dia o mundo mergulhasse nas trevas, mesmo que a luz do sol se extinguisse e o mundo se perdesse na escuridão e no frio, eu ainda teria uma chance. Se aquela doce mulher ainda estivesse ao meu lado, eu teria a minha própria fonte de luz ... eu teria a minha própria fonte de calor ... eu teria o meu próprio sol.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Capítulo XIII – Para sempre




Narrado por Seth

         Brian e Mel estavam tão concentrados um no outro que nem perceberam quando Sofia e eu nos despedimos avisando que iríamos voltar para o bangalô. No caminho de volta, Sofia me avisou que precisaríamos passar no bangalô onde eles estavam hospedados para fazer um favor à prima. No começo achei estranho, mas entendi do que se tratava assim que passamos pela porta. O quarto estava todo perfumado e arrumado para uma noite que com certeza seria muito especial. Sofia verificava cada detalhe com extremo carinho e atenção, garantindo que tudo estivesse perfeito. Encostado em uma parede, eu a observava e me deslumbrava com o sorriso meigo que enfeitava o seu rosto. Meu coração sempre acelerava no peito ao vê-la daquele jeito. Era impossível não amá-la cada vez mais.
Sofia era uma mulher forte, independente e perigosamente sedutora.  Para quem a visse pela primeira vez, era simplesmente impossível acreditar que ela tinha apenas 19 anos. Ela exalava maturidade por cada poro de sua pele. Tinha uma cabeça incrivelmente aberta e parecia preparada para qualquer situação que a vida lhe impusesse. Isso, às vezes, me intimidava, porque ela muitas vezes mostrava uma segurança que, mesmo aos 26 anos de idade, eu não tinha. Talvez isso fosse resultado do seu trabalho como modelo fotográfico, uma profissão que, eu tinha que confessar, me incomodava um pouco. É claro que eu a apoiava, mas morria de ciúmes dos comentários que surgiam sempre que ela aparecia em uma revista. Não era fácil ouvir certas coisas e ter que me controlar. Brian muitas vezes precisou me tirar dos lugares antes que eu avançasse no pescoço de alguém.  Mas, apesar do meu ciúme, nosso relacionamento estava a cada dia mais sólido e eu não tinha dúvidas de que a queria para toda a vida.
_ Seth? Amor? – a voz doce e suave de Sofia me tirou dos meus pensamentos.
_ Oi, amor! – eu respondi ainda meio fora do ar.
_ Estava voando aí? – ela riu – Estou lhe chamando há um tempão e você parecia não me ouvir!
Quando finalmente voltei à realidade, Sofia estava parada diante de mim e sorria. O toque das mãos macias sobre as minhas me fizeram despertar. Sorri. Era impossível não sorrir diante daquele rosto perfeito e delicado.
_ Já acabou? – perguntei ansioso. Não via a hora de estar com ela em nosso bangalô.
Sofia apenas assentiu e ficou nas pontas dos pés me torturando ao aproximar lentamente os lábios rosados dos meus. Minha ansiedade não me permitia esperar tanto. Acabei com aquela distância angustiante e tomei seus lábios com sede. Meus braços envolveram seu corpo macio e delgado colando-o totalmente a mim. Estremeci ao sentir os bicos intumescidos de seus seios em contato com o meu peito. Mesmo através das roupas era possível senti-los excitados e um calor imenso já se espalhava pelo meu corpo.
_ Vamos embora daqui, amor! – eu disse ofegante lutando para fazer o ar entrar em meus pulmões.
Sofia parecia estar tão ansiosa quanto eu. Apenas pegou a minha mão e me guiou apressada para fora do bangalô. Eu já não conseguia mais ficar longe do seu corpo. Assim que a porta se fechou atrás de nós, eu a abracei por trás descendo meus lábios para o seu pescoço no trajeto para o nosso bangalô. Sofia ofegava me enlouquecendo com a reação do seu corpo ao meu toque. Passamos pela porta do nosso bangalô quase aos tropeços, nos tocando completamente ensandecidos pelo desejo. Nossas roupas se perderam pelo quarto a caminho da cama que parecia estar a milhas de distância de nós. Nossos corpos nus caíram sobre o colchão macio se esfregando em um frenesi interminável, buscando algum alívio para o desejo deliciosamente torturante. Minha boca já tinha abandonado os lábios macios para descer pelo seu pescoço a caminho dos seios perfeitos, quando Sofia me segurou pelos cabelos me impedindo de continuar.
_ Eu não consigo esperar mais, Seth! Eu preciso sentir você agora! – ela pediu com os olhos azuis profundamente escuros.
_ Você vai me sentir, amor! A noite toda, eu prometo! Mas eu preciso muito sentir você em minha boca agora! – falei continuando a descer por seu corpo beijando cada pedacinho até chegar ao seu centro enlouquecedoramente molhado, pronto para mim.
Perdi totalmente a sanidade ao sentir o seu sabor em minha boca. Mergulhei a língua sedenta em seu sexo lambendo, sugando e mordiscando cada vez mais desesperado na medida em que os gemidos de Sofia se tornavam mais altos e descontrolados. Eu ficaria ali pelo resto da minha vida sorvendo o néctar do seu corpo, me alimentando do seu prazer.
_ Seth! – ela gritou meu nome ao atingir o clímax.
Era tarde demais para mim. Totalmente enlouquecido ao ouvir o meu nome saindo de seus lábios, eu a sugava incessantemente entre gemidos até que não restasse uma gota sequer do seu prazer. Fiz o caminho de volta beijando todo o seu corpo até os seus lábios. Sofia me beijou com força, me agarrando firmemente pelos cabelos, roçando seu corpo inquieto contra o meu.
Eu já não conseguia mais esperar. Precisava estar dentro dela ou iria enlouquecer de vez. Posicionei-me em sua entrada e já estava pronto para me sentir abrigado em seu corpo quando ela me surpreendeu me empurrando contra a cama rolando sobre mim.
_ Minha vez! – ela disse simplesmente com um sorriso diabólico nos lábios e começou a descer com beijos e mordidas pelo meu peito, passando por meu abdome e parando em meus quadris em um suspense torturante.
Minha respiração já saía aos arquejos pela expectativa de sentir a boca quente e úmida envolvendo o meu membro. Ela o agarrou com a mão pequena e delicada e, para me torturar, passou a língua por toda a sua extensão sem envolvê-lo completamente com a boca. Meu corpo inteiro se retesou e eu me agarrei com força nos lençóis tentando manter um pouco o controle, mas já sabia que estava condenado ao fracasso.  Ela riu baixinho do meu esforço inútil e eu pude sentir o seu hálito fresco batendo na minha pele fazendo a minha cabeça girar.
_ Amor, isso é tortura! – eu tentei dizer, minha voz falhando vergonhosamente pela insuficiência de ar em meus pulmões.
_ Eu sei! – ela disse simplesmente e, em seguida, passou a ponta da língua enrijecida na abertura por onde escapava um pouco do líquido pré-gozo.
Gritei. Não consegui evitar. Mas a tortura maior ainda estava por vir. Suas mãos acariciavam os meus testículos enquanto ela passava a língua por todo o meu membro sem nunca colocá-lo inteiramente na boca. Meu coração batia tão forte em meu peito que chegava a doer e meus músculos estavam tão tensos que eu tinha a sensação de que eles tinham virado concreto.
Deus do céu! Se ela continuasse com aquela tortura por mais um minuto eu iria ter um enfarto. Aquela língua quente estava me matando e as unhas que arranhavam a parte interna das minhas coxas mandavam descargas elétricas por todo o meu corpo. Se eu sobrevivesse àquela tortura, ela estaria em sérios apuros.
_ Está gostando, amor? – sua voz era pura sedução.
Não consegui responder. Minha voz havia sumido completamente, talvez por que o pouco ar que chegava aos meus pulmões em chamas não fosse o suficiente para que eu falasse. Um gemido quase inaudível conseguiu escapar por minha garganta ressecada em resposta.
_ Espero que isso signifique que sim! – ela disse provocante para finalmente mergulhar meu membro dolorosamente duro em sua boca.
Ali eu me perdi completamente. Todos os meus neurônios entraram em curto circuito e eu me vi incapaz de pensar ou de falar o que quer que fosse. Perdi completamente a capacidade de sentir o resto do meu corpo, como se todo o sangue nele existente tivesse sido bombeado para uma única parte. Uma parte que era deliciosamente torturada pela mulher mais linda e maravilhosa do mundo.
Eu precisava fazer alguma coisa antes que fosse tarde demais, mas seria preciso um esforço sobrehumano para mover meu corpo o mínimo que fosse. Sofia não parava de me torturar, ao contrário, parecia sentir um prazer enorme em me ver completamente fora de controle e aumentava o ritmo a cada segundo quase me impossibilitando de agir.
_ Agora chega! - tirei forças não sei de onde e puxei o seu corpo para cima do meu.
Ela riu gostoso, se sentindo vitoriosa por me deixar naquele estado lastimável. Rolei na cama deixando seu corpo preso sob o meu peso. Minhas mãos prenderam as suas por sobre a sua cabeça e meus joelhos abriram espaço por entre suas pernas deixando-a exposta para mim. Pairei sobre ela com a respiração ainda descompassada, meu membro se encostando em sua entrada úmida. Ela já estava novamente pronta para mim.
_ O que foi, amor? Ficou cansado? – ela perguntou me olhando com um sorriso debochado no rosto.
Atrevida! Eu ia fazê-la se arrepender de ter me provocado. Encarei seu rosto com os olhos semicerrados tentando parecer ameaçador, mas eu sabia que não iria funcionar com ela. Um sorriso sapeca surgiu em seus lábios, me desarmando totalmente.
_ Bandida! Você vai me pagar caro por isso, sabia? – eu a provoquei sem conseguir segurar o riso.
_É mesmo? – ela respondeu vitoriosa – E o que você vai fazer comigo agora?
Ela queria mesmo saber? Eu ia mostrar a ela. Comecei a invadir o seu corpo bem lentamente, deixando só a cabeça do meu membro dentro dela. Sofia fechou os olhos com uma expressão de prazer intenso no rosto. Sem dizer uma palavra sequer saí de seu corpo sorrindo satisfeito ao ouvi-la resmungar, protestando contra o abandono. Repeti o movimento diversas vezes sentindo o seu corpo implorar para que eu fosse até o fim, mas, se dependesse de mim, eu iria prolongar aquela tortura até o meu limite máximo. Comecei a intercalar os movimentos com leves roçadas em seu clitóris. Ela se remexia impaciente sob o meu corpo em busca de alívio para a excitação que aumentava mais a cada segundo.
_ Seth, não faz assim! Amor, por favor, eu preciso sentir você! – ela choramingava tentando livrar as mãos para me agarrar.
_ Eu estou cansado, lembra, amor? – respondi cinicamente introduzindo e retirando rapidamente a cabecinha várias vezes.
Sofia mordia os lábios com força e eu já via a hora em que eles começariam a sangrar. Seu corpo ondulava sob o meu denunciando o seu desespero. Estava na hora de lhe dar um pouco de alívio. Eu já tinha judiado bastante dela, seu rosto já denunciava certa aflição com a minha demora. Parei em sua entrada por um segundo observando seu rosto corado. Ela abriu os olhos e me encarou com um olhar derretido de amor. Eu não podia esperar mais. Em um movimento firme, invadi o seu corpo sentindo o clímax se aproximar.


Narrado por Sofia

Deus do céu! O que foi aquilo?
No momento em que ele invadiu o meu corpo em uma única investida eu parei de respirar. Meu corpo todo foi tomado por uma descarga elétrica tão forte que poderia ter parado o meu coração. Eu só conseguia sentir aquela parte do meu corpo, o resto simplesmente tinha deixado de existir. Todas as energias do meu corpo estavam concentradas ali, em sentir aquela invasão tão poderosa. Eu tremia dos pés à cabeça, mesmo antes do clímax. Tinha até medo de pensar no que aconteceria comigo quando ele chegasse.
Seth estava parado, seu membro todo dentro de mim. Ele também tremia, o ar saía com força por sua boca. Ele parecia ter a mesma dificuldade que eu tinha de encontrar um pouco de ar. Sua boca quente tomou a minha em um beijo quase selvagem. Estávamos queimando em um fogo invisível. Nossos corpos começaram a se mover buscando aquele atrito enlouquecedor. O barulho dos nossos quadris se chocando com força se misturava aos nossos gemidos cada vez mais altos. Minhas mãos, agora livres, passeavam pelo corpo de Seth, apertando, arranhando, puxando-o na tentativa de fazê-lo entrar ainda mais fundo em mim.
O calor já estava insuportável, o fogo se locomovendo pelos nossos corpos para se concentrar em um só lugar. Os movimentos de Seth se tornavam mais rápidos e vigorosos na medida em que o clímax se aproximava. Nossos gemidos se transformaram em gritos quando atingimos finalmente o ápice.  O corpo de Seth desabou suado e trêmulo sobre o meu. Ainda era difícil respirar. Parecia que nunca recuperaríamos o ar ou o ritmo normal dos batimentos cardíacos ou o controle sobre os músculos do corpo.
Seth descansava o seu corpo sobre o meu, seu rosto enfiado nos meus cabelos. Ainda estávamos conectados e, incrivelmente, mesmo depois de um orgasmo tão intenso eu ainda podia sentir toda a sua potência dentro de mim. Seus braços me apertavam com força, como se ele tivesse medo de que eu fosse fugir a qualquer momento.
Estávamos em silêncio, ainda tentando controlar as nossas respirações. Meus braços envolviam o seu pescoço e uma de minhas mãos acariciava os seus cabelos enquanto os dedos da outra deslizavam aleatoriamente pela pele das suas costas, como pincéis desenhando algum tipo de arte abstrata. Eu podia sentir a sua pele se arrepiando sob o meu toque e simplesmente adorava saber que tinha esse efeito sobre ele.
_ Eu amo você! – sussurrei em seu ouvido depois de um longo tempo em silêncio.
Seth ergueu a cabeça e me encarou, meu sorriso favorito estampado em seu rosto. Um rosto lindo, um rosto de anjo, um rosto de homem. O meu homem. O homem com quem eu esperava passar o resto dos meus dias, quem eu queria que envelhecesse ao meu lado, que estivesse comigo em um futuro distante esperando nossos filhos nos visitarem nos domingos junto com nossos netos.
_ Eu amo você! – ele me respondeu com a voz rouca.
Seus olhos, de um castanho profundo, brilhavam de uma forma diferente. Uma forma que eu jamais tinha visto antes. Ele me olhava de uma forma intensa, como se pudesse ver a minha alma, como se pudesse ler os meus pensamentos. Seus dedos desenhavam suavemente cada traço do meu rosto. Fechei os olhos sem conseguir deixar de sorrir, desfrutando do carinho que ele me fazia.
_ Eu amo você! – ele repetiu antes de tocar os meus lábios suavemente com os seus.
Um beijo suave, cheio de carinho, cheio de ternura, cheio de promessas. Os lábios macios tocavam os meus sem pressa. Apenas curtiam o momento e a sensação maravilhosa que era estarem unidos em um beijo entre duas pessoas que se amam intensamente. Sua língua quente e molhada tocou os meus lábios, arrancando-me um suspiro, para em seguida possuir a minha boca, reconhecendo-lhe cada canto até acariciar a minha língua com doçura.
As sensações que ele me fazia sentir eram indescritíveis. Suas mãos voltaram a acariciar o meu corpo, tocando os meus seios, descendo por minha cintura até chegar em meus quadris antes de apertar uma de minhas coxas, trazendo minha perna até os seus quadris enganchando-a ali. Estremeci. Eu já sabia onde aquilo nos levaria e ansiava loucamente por sentir tudo aquilo de novo. Seth rolou na cama, puxando-me sobre ele, sem deixar o seu corpo abandonar o meu. A loucura iria recomeçar. A única diferença era que desta vez quem ditaria o ritmo seria eu. E, se dependesse de mim, o ritmo seria frenético, arrebatador, enlouquecedor. No que dependesse de mim, Seth cumpriria a sua promessa de me fazer senti-lo a noite inteira. Para sempre.