Quem sou eu

Minha foto
Juiz de Fora, Minas Gerais, Brazil
Apesar de ser mestre em Linguística e ter toda a minha vida acadêmica voltada para o ensino de línguas, sempre fui amante da literatura, devoradora de livros, filmes e séries. Sempre tive um sonho: escrever. Durante muito tempo, o medo de fracassar me impediu de realizar esse sonho, mas uma grande amiga me incentivou e me deu a coragem de enfrentar meus fantasmas e graças a ela eu hoje posso dizer que me sinto uma pessoa melhor, mais confiante e absolutamente ciente do meu potencial.

Seguidores

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Leia, emocione-se e viva!!!!!!







Após uma grande tragédia que tirou a vida da mulher que amava, Edward Cullen se vê com um filho recém-nascido nos braços,entregando-se à dor. Mesmo depois de cinco anos, Edward mantém-se fiel ao amor que viveu, mas o destino lhe oferece uma nova chance de ser feliz. Será que um coração despedaçado pode voltar a bater? Quantas vezes se é possível chegar à beira da loucura e recobrar a lucidez? Quantas vezes o destino nos oferecerá uma nova chance de voltar a viver?

Escrita por: Sônia Maria da Costa (bonno)
Classificação: 18 anos

Capítulo 43 - Brian


Narrado por Brian

Meu anjo havia prometido que voltaria em setembro e eu não via a hora de encontrá-la de novo. Quando Linda e Gabriel finalmente nasceram, eu podia ver a emoção estampada nos rostos dos meus pais. Ainda me lembro como se fosse hoje quando meu pai, com o rosto banhado em lágrimas, voltou à sala de espera do hospital onde a família esperava apreensiva por notícias. Minha mãe tinha escorregado em um piso molhado e a queda tinha provocado uma forte hemorragia. Meu coração ainda fica apertado ao me lembrar da cena: meu pai chorava nervoso carregando minha mãe que se contorcia de dor em seus braços. Ele entrou com ela no banco de trás do carro e a segurava como se ela fosse feita de cristal. Meu avô tomou o volante e partiu fritando o asfalto a caminho do hospital enquanto eu chorava, gritava e esperneava nos braços do tio Emmett que me segurava em um aperto de aço me impedindo de ir com eles. Eu era apenas um menino de onze anos vendo a mãe sendo levada às pressas para o hospital toda ensangüentada. Acho que nunca tinha sentido um medo tão grande em toda a minha vida.
As intermináveis horas de espera por notícias tinham sido angustiantes e eu tremia no colo do meu tio quando meu pai entrou chorando na sala de espera. Quando ele anunciou que minha mãe e meus irmãos estavam bem, meu coração disparou e uma alegria imensa me invadiu quase a ponto de explodir o meu peito. A família inteira se abraçou chorando aliviada, apenas Sofia, que na época tinha cinco anos, nos olhava confusa, sem entender porque nós riamos e chorávamos ao mesmo tempo. Meu pai a pegou no colo e encheu suas bochechas gordinhas e rosadas de beijos.
_ Papai tá tiste? – ela perguntou ao ver seu rosto molhado pelas lágrimas.
_ Não, bonequinha, o papai está muito feliz! - ele respondeu secando as lágrimas e colando a testa na dela.
_ Então por que tá cholando? – ela perguntou já querendo chorar também.
_ O papai está chorando de felicidade, amorzinho! Seus irmãozinhos nasceram e são lindos como você, bonequinha! – ele disse rodando Sofia no ar e todos riam com a gargalhada gostosa que ela dava.
Quando entrei no quarto para ver minha mãe, ela tinha um enorme sorriso em seu lindo rosto ainda pálido. Eu estava ansioso para ver meus irmãos, mas tínhamos que esperar que os médicos concluíssem todos os exames para terem certeza de que a queda não tinha deixado seqüelas. Quando eles finalmente foram levados para o quarto eu tive a certeza de que o meu anjo tinha cumprido a sua promessa. Os olhos verdes de Linda não deixavam dúvidas de que meu anjo estava ali. Ela era a cópia exata da minha mãe, apenas os olhos eram idênticos aos do meu anjo. Gabriel, por sua vez, era a mistura perfeita dos meus pais e tinha os olhos castanhos na exata tonalidade dos de minha mãe. Depois dos gêmeos meus pais decidiram “fechar a fábrica”. Na verdade, eu acho que meu pai ficou com tanto medo de perder minha mãe no parto dos gêmeos que não quis correr mais riscos.
Nossa família não parava de aumentar. Alguns meses depois do nascimento dos gêmeos, tia Alice teve o Richard, Rick como a família o chama. Ela descobriu que estava grávida logo depois que voltamos da viagem a Nova Iorque. Tio Emmett cismou de empatar o jogo com o meu pai e acabou quebrando a cara. Tia Rose teve mais duas meninas: Anna e Valentina. É claro que meu pai não deixou de curtir com a cara dele. Além de dizer que os espermas do tio Emmett eram afeminados ele ainda começou a espalhar pelo hospital que tio Emmett tinha deixado de ser fornecedor do varejo e passou a ser fornecedor no atacado. Meu tio quase surtou com as piadinhas dos colegas o que fazia meu pai, tio Jasper e tio Jake se contorcerem de tanto rir.
Por falar no tio Jake, ele e tia Leah não tiveram mais filhos, mas quando a irmã de tia Leah morreu de repente, deixando Seth sozinho no mundo, eles decidiram adotá-lo. Mas independente das brincadeiras e das tragédias, o fato era que meu avô e minha avó simplesmente adoravam ter sempre a casa cheia de crianças aos domingos. Era o dia em que os filhos e os netos passavam o dia com eles. A bagunça era geral, um monte de crianças se jogando alucinadas dentro da piscina e molhando quem estivesse por perto. Tardes e mais tardes de filmes de aventura regados a pipoca e refrigerante que sempre acabavam em guerra de pipoca e almofadas. Noites do pijama em que até os adultos participavam e quase nos matavam de medo contando histórias de terror. As viagens de férias eram sempre as melhores. Nossos pais se divertiam com a criançada correndo enlouquecida pela praia ou pela Disney. Onde quer que nós fôssemos a festa estava garantida.
Mesmo depois de tantos anos, nós ainda somos super unidos. Alguns mais unidos do que os outros. Seth e Sofia estão namorando há um ano. No início, eu e meu pai quase surtamos porque na época Seth já tinha 25 e Sofia tinha somente 18 anos. A maior preocupação do meu pai nem era a diferença de idade ou dúvidas sobre a boa índole de Seth. Ele o conhecia desde que Seth tinha 7 anos e sabia o tipo de criação que ele teve. O problema era que como Sofia estava entrando para a faculdade e Seth já estava se formando e voltando para Edmonds, meu pai tinha medo que Sofia não agüentasse ficar longe dele e acabasse se prejudicando nos estudos ou desistindo de estudar. Felizmente isso não aconteceu. Sofia já está no segundo ano da faculdade de Letras e é uma das melhores alunas da turma. O único problema é que ela foi descoberta por um olheiro de uma agência de modelos e acabou fechando contrato com uma grife famosa de lingerie. Meu pai no começo não gostou da ideia, mas Sofia consegue tudo o que quer com ele e hoje ele fica todo bobo toda vez que surge uma foto dela nas revistas de moda. Minha mãe e minhas tias acham isso o máximo. Acho que só Seth e eu não ficamos nada contentes com essa história. É claro que a gente a apóia em tudo, mas é dose pra leão ficar escutando nossos amigos dizendo que ela é gostosa e outras coisas que eu prefiro nem lembrar. Embora muitas vezes eu desejasse partir a cara de algumas pessoas, eu já tive que segurar Seth várias vezes porque ele queria partir pra cima de uns engraçadinhos que fizeram comentários indecentes sobre a minha irmã. Apesar do ciúme louco que ele sente, o namoro deles está cada vez mais firme.
Jacob e Sarah acabaram de completar 15 anos e estão de namorico com Linda e Gabriel que estão com 14. Como diz o tio Jake, parece que a família Black e a família Cullen resolveram abrir sociedade e casar os filhos. Meus pais morrem de rir com as palhaçadas do tio Jake, mas eu sei que o Dr. Cullen vigia a Linda de perto. Já o Gabriel, ele deixa solto, tio Jake que vigie a própria filha. Não sei se o namoro de Gabriel e Sarah vai adiante por muito tempo, me parece mais um namoro de escola. Já Linda e Jacob, apesar de muito novos, me parecem realmente apaixonados. É lindo ver o brilho nos olhos dos dois quando estão juntos. A relação deles me lembra muito a dos meus pais. Jacob é sempre muito super protetor em relação a Linda. Ela às vezes reclama com ele, mas eu sei que é só pra fazer charme porque ela já me disse que adora esse jeito dele. Ela pode ser novinha, mas tem o Jacob nas mãos e ele faz tudo o que ela pede.
Valentina e Anna estão com 13 anos e eu já percebi uns olhares meio suspeitos entre Valentina e Richard que está com 14. Parece que ainda não rolou nada entre os dois, mas duvido que demore a acontecer. Como estudam na mesma classe, eles usam a desculpa de estudar para as provas e ficam sempre pelos cantos de conversas e segredinhos. A sorte do Richard é que o tio Emmett ainda não percebeu isso porque na hora em que ele pegar os dois a cobra vai fumar.
Ashley está com 17 anos e não pensa em namorar tão cedo. Ela quer fazer faculdade de moda assim como Nicole e Melinda que estão com 18 anos. Nicole também diz que não pensa em namorar por enquanto, mas Mel já me contou que quando Nicole e Ashley saem para as baladas elas aprontam todas. Se tio Emmett e tio Jasper ficarem sabendo de uma coisa dessas acabam trancando as duas em um convento.
Meus pais continuam a cada dia mais apaixonados e eu sempre sonhei encontrar alguém que me completasse como eles se completam, mas quando isso aconteceu, eu praticamente surtei. Eu já estava na faculdade e tinha 21 anos na época. Fazia um bom tempo que eu não via a minha família e quando voltei para casa nas férias de final de ano, meu mundo virou de cabeça para baixo.  Eu não conseguia acreditar que aquela moça linda que estava parada na sala da casa dos meus avós era a minha prima Melinda. Fiquei parado na porta da sala feito um idiota sem conseguir me mexer olhando para ela. Esqueci-me completamente do resto da família ali presente admirando aquela menina de apenas 15 anos com um corpão de mulher que tinha me enfeitiçado com um simples olhar. Eu não sabia como agir, acho que tremia e suava porque meu pai veio em minha direção, me abraçou rindo baixinho e sussurrou no meu ouvido:
_ Disfarça, moleque, senão seu tio Emmett te capa!
_ Pai, eu estou ferrado! – foi a única coisa que eu consegui responder provocando uma gargalhada estrondosa no meu pai. 
Depois disso, toda a família veio me abraçar, mas eu só tinha olhos para a Mel que também não tirava os olhos de mim. Quando ela se aproximou de mim e me abraçou apertado eu fechei os olhos sorrindo e inalando seu perfume. Só me dei conta de que ainda estávamos grudados um no outro quando ouvi alguém pigarrear perto de nós. Felizmente, era o meu pai que me olhava com um sorriso satisfeito e ao mesmo tempo sacana no rosto. Tio Emmett estava distraído com tia Rose e minha mãe. Acho que elas perceberam e fizeram de propósito.  Com muita dificuldade me desvencilhei do abraço e imediatamente senti sua falta. Meu pai, percebendo meu estado, me chamou para conversarmos no escritório do meu avô. Eu pensei que ele fosse me passar um sermão, afinal eu era um homem prestes a completar 22 anos e estava completamente vidrado por uma menina de 15.
Eu não menti para o meu pai quando ele me perguntou o que eu estava sentindo. Nossa relação sempre foi baseada na confiança mútua e ele me conhecia tão bem que mesmo se eu mentisse, ele não se deixaria enganar. Contei pra ele todas as sensações que tomaram conta do meu corpo e da minha mente desde o momento em que bati os olhos em Mel, mas também confessei que me sentia quase um pedófilo, um pervertido, por me sentir tão atraído por ela. Ao contrário do que eu esperava meu pai não me reprovou. Ele apenas me pediu para que eu fosse mais cuidadoso e que, antes de tomar qualquer atitude, eu deveria ter certeza absoluta do que eu estava sentindo porque ele não queria que Mel ou eu saíssemos daquilo tudo magoados. Eu prometi a ele que iria refletir sobre aquilo tudo e ele me garantiu que, qualquer que fosse a minha decisão, ele estaria sempre do meu lado pra me apoiar.
As duas primeiras semanas de férias foram um verdadeiro tormento para mim. Mel não saía da minha cabeça e, pra piorar a minha situação, como ela e Sofia eram muito amigas, ela não saía da minha casa também. Eu tentava evitá-la ao máximo, mas aquilo me machucava demais. Era insuportável saber que ela estava dentro da minha casa e ter que fugir dela enquanto o que eu mais queria era ficar ao seu lado, tocá-la, senti-la. Uma mistura de paixão, desejo e culpa me atormentava 24 quatro horas por dia e eu estava mais perdido a cada instante. Quando meu olhar encontrava com o dela, minha vontade era de correr até ela, abraçá-la, beijá-la e não deixar que ela se afastasse de mim nunca mais. Mas logo em seguida vinha o sentimento de culpa através daquela maldita voz que repetia em minha cabeça “ela é só uma criança, Brian”. Deus! Como eu queria que aquela voz me deixasse em paz!
Meu desespero chegou ao limite no Natal. Era o aniversário de 16 anos de Nikki e Mel. Tio Emmett e tia Rose decidiram fechar uma boate e fazer a festa de aniversário delas lá. A boate estava lotada com todos os amigos dos meus irmãos e dos meus primos. Mel estava deslumbrante em um vestido preto tomara-que-caia colado no corpo que cobria somente metade das suas coxas. Ela e as meninas estavam na pista de dança e eu não conseguia tirar meus olhos de cima dela. Mel exalava sensualidade enquanto dançava de olhos fechados e sem perceber chamava a atenção de vários rapazes que acabaram formando uma rodinha em volta dela. De repente, um deles ousou se aproximar e tocar sua cintura grudando seu corpo no dela por trás. Ela abriu os olhos surpresa e tentou de desvencilhar das mãos dele, mas ele insistia em dançar com ela. Naquele momento meu sangue ferveu. Quando dei por mim, eu já tinha descido as escadas para a pista de dança e tinha derrubado o rapaz no chão. Ele se levantou rapidamente querendo me encarar.
_ Qual é a tua, cara? Eu estou dançando com a garota! – ele disse me enfrentando – Quem você pensa que é?
_ Eu sou o namorado dela, babaca! Vaza daqui antes que eu detone a tua cara! – eu respondi avançando na direção dele.
Naquela altura dos acontecimentos, meu pai, tio Emmett, tio Jasper e tio Jake já tinham descido para evitar uma briga mais séria. Eu via tudo vermelho e só pensava em arrebentar a cara daquele sujeito por ter ousado tocar a minha Mel. Meu pai e tio Jake me seguravam pelos braços tentando me impedir de avançar pra cima dele. Tio Emmett cresceu pra cima do sujeito que tratou de correr antes de apanhar. Somente depois que ele tinha sumido das nossas vistas meu pai e tio Jake me soltaram. Senti meu coração apertado no peito ao olhar para Mel que chorava assustada nos braços do tio Jasper. Eu não consegui me segurar. Corri até ela e a abracei com força sem me importar com os olhares de todos. Eu só queria que ela parasse de chorar, porque vê-la assim tão fragilizada estava acabando comigo.
_ Me perdoa, docinho! Eu não queria te assustar! – eu sussurrei em seu ouvido.
_ Não me deixa, fica comigo! – ela disse entre soluços fazendo meu coração disparar no peito – Eu preciso de você!
_ Eu não vou a lugar algum! – eu disse secando suas lágrimas e colando nossas testas – Eu quero muito ficar com você, mas eu preciso conversar com o seu pai antes de qualquer coisa.
Ela abriu um sorriso tão lindo que eu me perdi mais uma vez olhando para ela e não resisti. Dei um selinho demorado em seus lábios antes de me virar para procurar meu tio. Foi mais fácil do que eu jamais poderia imaginar. Meu tio já estava sabendo de tudo. Ele havia conversado com meu pai dias antes porque ele tinha percebido que Mel andava meio deprimida e, em uma conversa de pai para filha, ela havia confessado que estava apaixonada por mim, mas que achava que eu não sentia o mesmo porque vivia evitando ficar perto dela. Meu pai já havia explicado para ele o que eu sentia em relação a ela e que eu me sentia culpado por ela ser ainda muito nova, por isso a evitava.
Quando meu tio me abraçou me dando a benção para namorar a Mel, eu senti como se o peso do mundo tivesse sido tirado dos meus ombros. Aquele foi o melhor presente de Natal que eu poderia ganhar. Passamos o resto das férias grudados um no outro e eu me sentia como um adolescente perto dela.
Quando a hora de voltar para a faculdade chegou, foi muito difícil partir e deixá-la para trás. Nós nos falávamos pelo telefone ou pelo MSN todas as noites, mas ainda assim não era o suficiente para aplacar a falta que eu sentia dela. Muitas vezes, depois de falar com ela eu chorava por horas sentindo o peito sufocado de saudades.
Agora eu podia entender perfeitamente o amor desesperado que meu pai sentia pela minha mãe. Meu amor por Mel era exatamente assim. Eu tive a prova disso no semestre passado quando Sofia me ligou dizendo que Mel tinha sofrido um acidente de carro. Mesmo com Sofia me jurando que ela estava bem e que só tinha quebrado o braço, eu não sosseguei enquanto não peguei um avião de volta para casa. Eu não me importava se perderia alguma prova ou se seria reprovado em alguma matéria. Tudo o que eu queria era estar perto do meu docinho e ter a certeza de que ela estava bem. Durante o vôo, minha ansiedade era tão grande que eu cheguei a pensar em invadir a cabine do piloto e mandar que ele acelerasse aquela porcaria de avião ao máximo.
Quando desembarquei, Sofia me esperava no saguão do aeroporto. No caminho para o hospital, eu acelerava o carro forçando o motor ao limite máximo. Larguei o carro de qualquer jeito no estacionamento do hospital e corri feito um louco pelos corredores até chegar ao quarto onde ela estava. Somente quando a vi dormindo tranquila com um gesso imobilizando o braço direito eu voltei a respirar normalmente. Ela passaria aquela noite em observação e eu pedi para ficar com ela. Fiquei velando seu sono enquanto acariciava seu rosto delicado e seus cabelos sedosos.  De repente me dei conta de que o medo que eu tinha sentido ao ver minha mãe ser carregada às pressas para o hospital quando os gêmeos nasceram não era nem um milésimo do medo que eu senti de perder minha Mel. Eu a sentia tão frágil, tão indefesa que a minha vontade era largar tudo e ficar ali para sempre com ela, mas eu sabia que precisava voltar. No dia seguinte, depois de deixá-la em casa eu peguei o avião de volta para a faculdade. Era o meu último semestre e eu me agarrei a esse pensamento para agüentar me separar de Mel mais uma vez. Eu sabia que em breve estaríamos juntos novamente.
O tempo pareceu se compadecer de mim e realmente passou rápido. Estou voltando hoje para Edmonds e não vejo a hora de rever meu docinho. Só eu sei a falta que ela me faz, como é insuportável ficar longe dela. Já conversei com meu pai e com tio Emmett e Mel ainda não sabe que eu estou voltando hoje. Minha avó está preparando um jantar especial e a família toda estará presente quando eu chegar de surpresa. Estou ansioso e com medo. O anel está comprado e hoje eu faço o pedido que, se for aceito, vai me fazer o homem mais feliz do mundo.

Mas esta é uma outra história...   


Fim 

Capítulo 42 - Voltar a Viver


            Narrado por Edward

O vôo para Nova Iorque havia sido tranquilo. Apesar da minha preocupação com o fato de Bella permanecer sentada durante muitas horas, ela estava bem disposta e ostentava um sorriso enorme no rosto. Brian tinha vindo sentado ao seu lado acariciando sua barriga para que os gêmeos ficassem quietinhos. Sofia dormiu no meu colo a viagem toda. Eu ficava encantado olhando os traços delicados daquele rostinho de boneca, as bochechas rosadinhas, os lábios vermelhinhos como morangos, os cabelinhos lisos com pequenos cachos nas pontas, as mãozinhas gordinhas cheias de covinhas... Os passageiros sentados próximos a nós e até as aeromoças que passavam pelos corredores não conseguiam deixar de sorrir ao olhar para a nossa família.
No aeroporto, havia um carro com motorista esperando para nos levar ao hotel. Ainda teríamos algumas horas para tomar banho, descansar e comer antes de irmos para a livraria. Eu bem que tentei convencer Bella a ficar com as crianças no hotel ao invés de passar uma tarde inteira em um local lotado de gente, mas pra variar ela não aceitou. No fundo, eu queria que ela estivesse ao meu lado, mas ficava preocupado de que ela se cansasse demais. Sua barriga de cinco meses estava grande e pesada e eu sabia que ela já sentia dores nas costas embora muitas vezes tentasse esconder a verdade de mim.
Ao chegarmos à livraria, me assustei com a quantidade de pessoas que já se amontoavam do lado de fora. Parecia que toda a imprensa do país estava lá. Fomos conduzidos por seguranças a uma porta lateral para evitar todo aquele tumulto. O esquema montado para controlar a multidão me deixou mais tranquilo. Os seguranças controlavam a entrada das pessoas sem deixar que a livraria ficasse lotada, assim eu pude dar atenção a todos sem me preocupar com a segurança da minha família. A fila avançava lentamente e cada pessoa que se aproximava me dizia como tinha se identificado com a minha história. Algumas diziam que choraram comigo nos momentos difíceis, outras falavam do ódio e do medo que sentiram com as maldades de Michael, outras riram com as coisas engraçadas que Brian e Emmett faziam, outras diziam que se sentiram dentro da história enquanto a liam. Eu percebia como elas olhavam encantadas para Bella e meus filhos que estavam sentados em um sofá um pouco mais afastado. De repente, me dei conta de que o que eles viam na realidade não era a minha família, mas os personagens do livro vivos ali bem diante deles. Eu podia ver que muitas daquelas pessoas queriam falar e tocar em Bella e em meus filhos como se assim pudessem comprovar que eles eram reais. Não poderia culpá-los, às vezes eu mesmo me pegava olhando para eles e me perguntava se tudo aquilo que eu estava vivendo era real ou apenas um sonho. Eu só pedia a Deus para que se fosse um sonho, Ele não me deixasse acordar nunca mais.
Ao final daquela longa tarde, consegui finalmente voltar com minha família para o hotel. Brian e Sofia desmontaram logo depois de tomar banho e jantar. Bella e eu fomos para a nossa suíte e ficamos na cama abraçadinhos, conversando e trocando carinhos.
_ Eu estou muito magoada com você, Edward! – ela disse baixinho e eu a olhei confuso. Eu não me lembrava de ter feito nada que pudesse tê-la magoado.
_ O que foi que eu fiz, amor? – perguntei preocupado. Será que eu tinha esquecido alguma data especial?
_ Na verdade você não fez, Edward! – ela disse sorrindo – Você não deu um autógrafo para a sua fã número um!
Eu respirei aliviado. Dei um selinho em seus lábios antes de me levantar da cama indo em direção a minha mala. Retirei de lá o primeiro exemplar da primeira edição e o entreguei em suas mãos.
_ Eu jamais me esqueceria da minha fã número um, até porque, se não fosse por ela nada disso teria acontecido. – eu disse voltando a abraçá-la – Pra você, eu reservei algo especial. Abra!
Os olhos de Bella brilhavam enquanto ela abria o livro e via a dedicatória que eu havia escrito para ela. Eu assisti emocionado, as lágrimas banharem seu lindo rosto e um enorme sorriso que se abria em seus lábios enquanto ela lia.

Minha vida,
Dizem que a vida é o momento de aprendermos e melhorarmos como seres humanos. Eu discordo. Somente o verdadeiro amor tem a capacidade de nos ensinar e nos tornar criaturas melhores. E quando ele finalmente chegou para mim através de você, eu quis realmente aprender e melhorar para ser digno de estar ao seu lado. Aqui eu compartilho com você algumas das muitas coisas que tenho aprendido com o seu amor:
Aprendi que às vezes, nossa vida é colocada de cabeça para baixo para que possamos aprender a viver de cabeça para cima e que aqueles que amamos nunca morrem, apenas partem antes de nós.
Aprendi que o medo faz parte da vida e que algumas pessoas não sabem como enfrentá-lo, outras, aprendem a conviver com ele e o encaram não como uma coisa negativa, mas como um sentimento de autopreservação.
Aprendi que para se ser feliz até certo ponto é preciso ter sofrido até esse mesmo ponto e que sem esperança o ser humano não consegue viver, ele apenas existe.
Aprendi que cada lágrima nos ensina uma verdade e que o amor é o sentimento mais puro que existe, e nós o possuímos, só precisamos acreditar nele, para que ele acredite em nós.
Aprendi que não há ninguém sem defeitos e que defeitos não fazem mal, quando há vontade e poder de corrigi-los e que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai ferir-me de vez em quando e eu preciso perdoá-la por isso.
Aprendi que quando estou com raiva tenho o direito de estar com raiva, mas isso não me dá o direito de ser cruel e que é melhor arrepender-me por ter feito alguma coisa do que por não ter feito nada.
Aprendi que a verdadeira medida de um homem não é como ele se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas como ele se mantém em tempos de controvérsia e desafio.
Aprendi que ninguém é perfeito até que você se apaixone por essa pessoa e que o beijo é uma linda forma de diálogo.
Aprendi que sonhos são possibilidades esperando para se tornarem reais e que apenas em torno de uma mulher que ama se pode formar uma família.
Aprendi que ter uma criança dormindo em meus braços é o maior sentimento de paz do mundo e que não há nada mais doce, do que dormir com meus bebês e sentir a respiração deles nas minhas bochechas.
Aprendi que quando meus filhos seguram meu dedinho com suas pequenas mãos, eu estou com o gancho da vida.
Aprendi que os obstáculos não podem me deter, os problemas não podem me deter. Mais que tudo, outras pessoas não podem me deter. Somente eu posso deter a mim mesmo e que se a vida é dura, eu sou mais ainda.
Aprendi que são as pequeninas coisas do dia-a-dia que fazem da vida algo tão espetacular e que as mais lindas palavras de amor são ditas no silêncio de um olhar.
Aprendi que a maior prova de amor que posso dar às pessoas que amo é a minha confiança.
Aprendi que existem pessoas que não se tornam especiais pela maneira de ser, ou de agir, mas pela profundidade com que atingem nossos sentimentos.
Aprendi que a melhor maneira de ter bons filhos é fazê-los felizes e que o que importa não é o que eu tenho na vida, mas quem eu tenho na vida.
Eu aprendi que o AMOR, e não o TEMPO, é que cura todas as feridas.
Mas acima de tudo, eu aprendi que só você foi capaz de me devolver à vida, que com você eu pude voltar a viver. Eu te amo

Por toda a eternidade,

Edward Cullen.



Narrado por Bella

            A emoção que tomou conta de mim ao ler aquelas palavras me tirou totalmente a voz. Fechei o livro com as mãos trêmulas colocando-o sobre a mesinha de cabeceira e olhei para o rosto do homem ao meu lado. Era até pecado o fato de minhas lágrimas me impedirem de ver claramente a sua perfeição. Edward também tinha lágrimas nos olhos e me fitava sem dizer nada. Não precisávamos de palavras naquele momento, precisávamos apenas sentir um ao outro. Em apenas um beijo dissemos tudo o que as palavras não seriam capazes de expressar. O mundo lá fora já não existia mais. Só o que existia era o sabor daquele beijo, o toque gentil de nossas mãos, o calor dos nossos corpos, a conexão que nos tornava um só e a explosão de prazer que essa conexão causava. Tudo o que me importava era saber que eu dormiria para o resto da minha vida protegida nos braços do homem que eu amo.
            Acordei no dia seguinte sentindo mãos quentes e macias acariciando minha barriga. Sorri ainda de olhos fechados apreciando aquele carinho gostoso e senti aqueles lábios doces tocando levemente os meus. Abri os olhos somente para apreciar minhas safiras azuis que brilhavam acompanhadas do sorriso mais brilhante do mundo. Sem dizer nenhuma palavra, Edward me ajudou a me levantar da cama e juntos tomamos um banho em meio a beijos e carícias.
            Mais tarde naquela manhã ensolarada fomos ao cemitério. Seria a primeira vez tanto para mim quanto para Brian e eu tentava conter a emoção que se apossava de mim. Eu não queria que Edward ficasse preocupado comigo. Se ele me visse chorando não me deixaria ir, mas eu precisava estar lá para dizer a ela o quanto eu a amava. Ficamos todos em silêncio olhando para a lápide com o nome de Isadora enquanto conversávamos com ela através de nossos pensamentos.
Fechei meus olhos ao sentir uma leve brisa acariciar o meu rosto e sorri com a sensação de pura paz que me invadiu quando Gabriel e Linda se mexeram em meu ventre. Abri os olhos ao sentir Brian me abraçar e beijar minha barriga com um sorriso lindo nos lábios. Edward permanecia de olhos fechados e sorria, talvez sentindo a mesma paz que eu havia sentido. De mãos dadas, deixamos o cemitério depois de depositar três rosas vermelhas sobre a sepultura de Isadora. O carro com motorista já nos esperava na porta para nos levar ao aeroporto. Nosso vôo de volta para casa sairia ao meio dia. Em poucas horas estaríamos em Edmonds, a cidade onde nasci e onde viveria para sempre ao lado da minha família. Eu tinha certeza de que seríamos felizes e eu não via a hora de conhecer Linda e Gabriel. Eles chegariam em setembro para tornar as nossas vidas ainda mais perfeitas.

            Narrado por Isa

            Ao insistir para que Bella buscasse nossos pais no aeroporto naquele 23 de fevereiro eu cometi um grande erro. Era eu quem deveria estar ao volante no momento do acidente e minha vergonha não me deixava admitir que a verdadeira culpada era eu. Descarreguei toda a raiva que eu sentia de mim mesma em minha irmã e errei mais uma vez.
Ao me sentar no banco de praia naquele dia, eu alterei todo o futuro de Bella e, consequentemente, o de Edward e Brian. Era ela quem deveria estar sentada ali e receber o conforto daquele rapaz lindo de olhos azuis que se sentou ao meu lado preocupado com meu estado emocional. Era por ela que ele deveria ter se apaixonado e se casado e era ela quem deveria ter dado a luz ao menino que acabou nascendo de mim. Mas a vida me cobrou pelos meus erros e dois anos mais tarde, em 23 de fevereiro de 2005, eu deixei o corpo que eu habitava. Eu sempre tinha ouvido histórias de que quando alguém morria era recebido por anjos ou pessoas queridas que tivessem partido mais cedo, mas não foi o que aconteceu comigo. De certa forma, eu me sentia presa neste mundo, como se a minha missão ainda não tivesse sido cumprida.
Durante cinco longos e angustiantes anos, eu assisti Edward apenas passar pela vida sem realmente vivê-la. Ele se fazia de forte na frente da família e dos amigos, mas eu sentia sua dor como se fosse a minha quando ele ia diariamente visitar a sepultura onde jaziam meus restos mortais. Ali ele deixava a dor se manifestar em toda a sua plenitude e eu tinha que dar um jeito de acabar com aquilo. Como se fosse um castigo, ainda tive que assistir a minha irmã sofrer nas mãos de um louco. Eu tinha jogado tanta culpa sobre os ombros de Bella que ela começou a achar que não merecia ser amada. Naquele momento, eu entendi qual era a minha missão inacabada. Eu precisava unir Edward e Bella e restaurar a ordem correta dos planos que o destino tinha traçado para os dois. No dia em que meus pais levaram o filho de Bella, eu decidi que eles seriam felizes juntos de qualquer maneira. Aos poucos, comecei a influenciar a mente de Edward para que ele se mudasse para Edmonds, minha cidade natal. Bella já estava lá havia dois anos e eles fatalmente se encontrariam.
Através dos sonhos de ambos eu tentava passar mensagens sem ser muito explícita. Eu sabia que em algum momento eles compreenderiam o que eu estava querendo dizer. Quando Emmett os colocou para trabalhar juntos eu vi a minha chance de fazer com que Edward passasse a enxergar Bella com outros olhos. Mike Newton foi só uma pequena ajuda do destino para despertar o instinto protetor de Edward. Além disso, eu tinha Brian como meu aliado. Não sei como nem porque, mas ele podia me ver e me ouvir e surpreendentemente, apesar de ser apenas uma criança,  não ficou com medo de mim. Ele foi uma peça fundamental para o fortalecimento da relação de Edward e Bella. A ligação entre Brian e Bella era tão forte que ia além da limitada capacidade da compreensão humana. Eles eram mãe e filho, só não sabiam disso ainda.
Com Sofia a caminho e com o casamento de Bella e Edward, eu pensei que minha missão estivesse cumprida, mas novamente eu estava enganada. Minhas atitudes egoístas tinham colocado Michael no caminho de Bella e ele ainda era uma ameaça para ela. Eu só poderia partir definitivamente depois de ter a certeza de que ele não pudesse mais feri-la. Foi muito doloroso assistir ao sofrimento de Edward e sentir em minha alma o medo e o desespero que ele sentia pela ameaça que pairava sobre a vida de Bella e de seus filhos. Mesmo com o melhor sistema de segurança disponível, ele se sentia impotente e incapaz de protegê-la e se culpava por tudo o que pudesse vir a acontecer a ela. Aquilo me machucava tanto quanto o machucava porque, mesmo que inconscientemente, eu tinha desencadeado todo aquele mal.
Quando Michael foi finalmente preso e condenado, eu soube que meu tempo na Terra estava chegando ao fim. Eu esperaria que ele partisse deste mundo deixando Bella e Edward em paz e depois eu seguiria o meu caminho.
O momento finalmente chegou, é a minha hora de partir. O sol que brilha em uma manhã de céu azul e límpido parece brindar a esse momento tão especial. Estou agora diante da sepultura onde repousa o que um dia foi o corpo de Isadora Cullen. Meu imenso jardim acaba de ganhar mais três rosas vermelhas. Posso sentir a emoção que emana de Edward, Bella e Brian.
“Eu amo você, Isadora. Você estará sempre presente na minha vida.” – Bella pensava. Ela não fazia ideia de quão verdadeiras eram suas palavras.
“Obrigado por tudo, Isa. Eu vou levá-la em meu coração para sempre. Obrigado por Brian e por Bella. Eu sei que tem o seu dedinho mágico metido nessa história” – Edward pensava com Sofia adormecida em seu colo. Eu ri com o seu último pensamento.
Brian olhava para mim com o rostinho triste. Ele parecia saber que eu tinha que partir.
“Eu amo você, meu anjo! Vou sentir a sua falta” – ele pensava.
_ Eu não vou deixá-lo, anjinho! Nunca! Ficaremos separados por pouco tempo! – eu disse acariciando seu rostinho.
Brian franziu o cenho confuso e eu sorri.
_ Vejo você de novo em setembro! – eu disse olhando para Bella.
“Promete?” – ele pediu abrindo um imenso sorriso.
_ Prometo! – eu respondi lhe dando um beijo na testa.
“Eu vou ficar esperando por você” – ele sorria lindamente.
Olhei mais uma vez para a minha família e, sentindo uma brisa fresca bater em meu rosto, caminhei em direção à luz levando nas mãos as três novas rosas do meu jardim. A sensação de paz era imensa e a felicidade que tomou conta de mim ao avistar meus pais caminhando sorridentes em minha direção não poderia ser descrita com palavras.
_ Pronta pra voltar, Linda? – meu pai perguntou sorridente.
_ Mais do que pronta, pai! – eu respondi abraçando-o.
_ Pai não, vovô! – ele me corrigiu e nós rimos.
Minha mãe então me entregou o lindo menino de cabelos castanhos e olhos de cor de chocolate derretido.
_ Ele foi arrancado dela sem poder cumprir sua missão na Terra. Agora vocês têm uma nova missão! – ela disse enquanto acariciava meu rosto e o do menino.
Eu sorria enquanto eles se afastavam. Olhei para o rostinho de Gabriel e fechei os olhos colando nossas testas. Nós estaríamos em breve ao lado de Edward e Bella e desta vez eu não os separaria. Ao contrário, renasceria para fazê-los ainda mais felizes.