Narrado por Marcus
Eu tinha a leve impressão de que mãos suaves tocavam meu rosto. A sensação era mágica, se fosse um sonho eu não queria acordar. Não depois do pesadelo que tinha vivido há um mês. Não depois do pavor que senti em ver a mulher da minha vida quase morrendo em meus braços. Era incrível como em tão pouco tempo ela tinha sido capaz de transformar a minha vida de forma definitiva. Eu nunca mais seria o mesmo depois de Tânia.
Lábios macios tocavam a extensão do meu rosto enquanto eu permanecia de olhos fechados me deliciando com aquela sensação maravilhosa. Senti uma leve pressão em meus lábios e os entreabri saboreando o gosto inebriante daquela boca que me levava ao paraíso. O perfume delicioso da pele de Tânia invadiu minhas narinas e o calor e a maciez do contato daquela pele morena em minhas mãos incendiaram meu corpo. Cedo demais, ela se afastou. Abri meus olhos e vislumbrei o brilho intenso daqueles orbes incrivelmente verdes que me fitavam com amor e o sorriso mais perfeito que meus olhos já tinham visto. Meus dedos delineavam lentamente os traços delicados de seu rosto enquanto eu me perguntava se seria possível amar tanto uma pessoa em tão pouco tempo. Ela pareceu ler meus pensamentos.
_ Sim! – ela disse sorrindo – É possível!
Eu não tinha dúvidas de que ela estava certa. Meu coração gritava isso pra mim todas as vezes em que eu a via. Teria sido insuportável voltar pra casa sem ela, nunca mais ver seus olhos me olhando com tanto amor, sentir o calor e a suavidade do seu corpo, o sabor dos seus lábios e a maciez de seus cabelos. Meus dedos tocaram a pequena cicatriz em sua testa e meu sorriso se desfez ao me lembrar do medo que senti, da angústia de saber que eu poderia tê-la perdido para sempre. Aquela bala que tinha passado apenas de raspão quase tinha me tirado a vontade de viver.
_ Hey! - ela disse percebendo o curso dos meus pensamentos – Onde foi parar o meu sorriso favorito?
Eu tive que sorrir. Era impossível não sorrir como um bobo perto dela. Com Tânia eu me sentia como um adolescente apaixonado pela primeira vez: mãos suadas, pernas bambas, borboletas no estômago e a mais completa cara de idiota ao vê-la caminhar em minha direção.
_ Eu te amo! – eu disse rolando nossos corpos e ficando por cima dela.
Ela abriu um enorme sorriso, seus olhos cravados nos meus, suas mãos em minha nuca e seus dedos agarrando meus cabelos.
_ Não tanto quanto eu te amo! – ela disse me puxando pelos cabelos e selando nossos lábios.
Eu tinha pensado em contestar, mas ao sentir seu gosto perdi completamente a linha do raciocínio. Minha mente mergulhou no mais completo vácuo ao sentir suas mãos me tocando, me acariciando. Tânia me dominava por completo e eu não conseguia ser mais racional do que uma ameba quando estava dentro dela. Aquela bela morena era ao mesmo tempo a minha salvação e a minha perdição. Paradoxal, eu sei, mas fazer o que? Dei-me por vencido, eu jamais conseguiria dar a última palavra com ela. Bastava ela me tocar e eu já me rendia como um covarde, mas um covarde absolutamente feliz.
Narrado por Jasper
Eu olhava para o rosto sereno de Alice adormecida em meus braços e me perguntava se algum dia eu conseguiria viver sem ela. Eu já sabia a resposta. Eu sempre soube: É claro que não! Aquela menina-mulher que tinha surgido de repente na minha vida me transformou completamente. Eu que nunca tinha pensado em compromisso sério com ninguém estava agora olhando para a mulher com quem eu queria passar o resto dos meus dias. Eu precisava de sua presença constante da mesma forma que meus pulmões precisavam de oxigênio. Sem ela eu não viveria. Não mesmo.
Eu nunca tinha acreditado em amor à primeira vista até que vi Alice pela primeira vez. Eu jamais vou me esquecer do dia em que entrei na sala de reuniões do hospital para conhecer os novos proprietários. Assim que meus olhos encontraram os seus eu soube que estava perdido, ou melhor, eu tinha me encontrado. Seu sorriso tímido e ao mesmo tempo absolutamente sedutor me tirou o fôlego. Eu sequer conseguia prestar atenção àquela reunião. Se me perguntassem alguma coisa eu não saberia responder. A única coisa que eu sabia era que eu a queria para mim.
Quando nos beijamos pela primeira vez, eu tive a certeza de que somente ela seria capaz de fazer a minha vida ter algum sentido. Até aquele momento eu nunca tinha percebido como eu me sentia sozinho, como a minha vida era vazia. Alice chegou para me tirar da solidão e para preencher o espaço vazio no meu peito e eu não aceitaria passar nem mais um minuto longe dela. Eu queria que ela fosse a última pessoa que eu visse antes de dormir e a primeira quando eu acordasse. Eu só esperava que ela desejasse o mesmo que eu. Minha decisão estava tomada. Coloquei o anel em sua mão esquerda e esperaria ela acordar. A menos que ela me rejeitasse, em breve Alice Cullen se tornaria Alice Hale.
Narrador por Emmett
Depois do que aconteceu a Bella e Edward, eu passei a entender melhor as alegrias e angústias de ser pai. Agora, acariciando a barriga de Rose enquanto ela dorme tranquila penso em meus filhos e me lembro de uma conversa que tive com amigos e conhecidos em que ouvi um comentário que me fez pensar: "E você ainda tem coragem de colocar seus filhos nesse mundo?". Aquilo realmente me fez pensar por um momento. Como ainda tenho a coragem de colocar meus filhos em um mundo onde o que você é não vale nada, e sim o que você tem? Um mundo onde ser do mal parece ser moda? Um mundo onde, para muitos, família é simplesmente um monte de gente junta com o mesmo sobrenome? Um mundo onde parece que todo mundo não faz parte mais desse mundo?
Dá medo. Muito medo. Entretanto, a vontade de ter filhos e sentir esse amor é muito mais forte que o medo. Decidi que não irei cegar minha visão com o medo das maldades que o mundo vem nos oferecendo. Há infinitamente mais belezas que mazelas, e valem o preço. O sorriso de um filho ao nos ver chegando em casa e reconhecendo o nosso amor por ele, apaga, milhões de vezes seguidas, qualquer preocupação ou medo que um pai possa ter.
Pensando nisso tenho ainda mais coragem de colocar meus filhos neste mundo. Minha maior colaboração para um mundo melhor será amá-los e educá-los para o bem. Gandhi nasceu uma criança miserável em um local miserável e conseguiu usar o amor como "arma de guerra". Wesley Autrey, pobre e discriminado por ser negro, arriscou sua própria vida para salvar um desconhecido que havia caído no metrô de NY e estava prestes a ser atropelado. Muhammad Yunus se tornou banqueiro e decidiu ir contra todas as teorias e a ganância do mundo financeiro e criou o banco dos pobres, valorizando e trazendo esperança àqueles que viviam à margem de tudo. O amor realmente é o único caminho.
A vida parece um trapézio de circo. O trapezista sai da segurança de um pequeno tablado, se segura com toda força em uma barra sustentada apenas por um fio, e se lança no nada. Em um dado momento, ele solta a barra, e se vê solto, inseguro, sem nada para se apoiar a não ser na fé de que irá conseguir segurar a barra que balança à sua frente e chegar do outro lado são e salvo, e realizado.
Somente essa fé o segura. Há somente esperança. E o trapezista tem que entregar seu destino à fé e à esperança, mesmo com o medo de cair. Esse mundo louco me faz sentir que estou entre uma barra e outra, mas seguirei na fé de que minha contribuição ao mundo, através de meus filhos, fará a diferença no futuro. Pode parecer pouco...entendo, mas há uma história que ilustra bem o que quero dizer: um homem viu alguém na praia colhendo estrelas do mar presas na areia e jogando-as de volta ao oceano. Infelizmente eram centenas delas. Era impossível salvar a todas. Esse homem então parou e perguntou o porquê desse esforço: "Que diferença isso faz?", perguntou. O outro homem então olhou, pegou uma estrela do mar, jogou ao mar e disse: "Para elas, fez uma enorme diferença.".
Minha maior colaboração para um mundo melhor ainda está por vir, através de meus filhos. Não fico imaginando que eles serão Gandhis, Papas ou heróis. Se o amor que eu der a eles um dia os fizer entender a importância de estender a mão a alguém que esteja em necessidade, já me sentirei recompensado. Terão feito alguma diferença e eu terei conseguido segurar a barra do outro lado do trapézio.
Narrado por Bella
Olhando o sono tranqüilo e inocente de minha filha eu me pergunto: existe no mundo algum sentimento mais bonito, mais sincero e mais puro que o amor?
Amar é uma dádiva de Deus. Ser amada é um presente dos céus... É muito bom saber que existe o amor...
Amar verdadeiramente alguém é algo que não tem explicação! É como se fossemos apenas uma metade dependendo de outra metade para então nos sentirmos completos e vivos.
Ser verdadeiramente amada é uma grande conquista. Acho que não existe algo tão bom quanto saber que se é amado por alguém... Saber que enquanto pensamos em alguém, esse mesmo alguém está pensando em nós. Saber que mesmo que se algo muito ruim acontecer temos para onde correr e em quem nos apoiar.
No mundo em que vivemos hoje em dia, o verdadeiro amor tornou-se algo impossível na mente das pessoas. O casamento é uma instituição falida e algumas pessoas deixaram de acreditar no amor, na fidelidade e no respeito entre duas pessoas.
Mas não posso deixar de acreditar no amor... Não posso esquecer que no céu existe um Deus que nos ama e que enviou seu filho a terra para que pudéssemos aprender a amar uns aos outros como amamos a nós mesmos.
Ainda vale a pena acreditar no amor... Vale à pena amar! Vale à pena arriscar, apostar, investir, insistir e não desistir... Quando desistimos de acreditar no amor, deixamos de acreditar na vida! Então volto a me perguntar: como podemos viver uma vida inteira sem amor?
É certo que algumas vezes encontramos pessoas que levam embora um pouco de nós, que destroem os nossos sonhos e que acabam com nossos planos e com uma história com a qual sonhamos... Mas assim como às vezes machucamos um dedo, ele sangra, se recupera e volta a ser o mesmo dedo de antes, assim somos cada um de nós. Por mais que alguém tenha nos ferido a ponto de fazer com que sangrássemos por dentro, aos poucos as feridas vão cicatrizando e com o tempo voltamos a ser a mesma pessoa de antes. Algumas vezes ficamos com alguns arranhões, com algumas cicatrizes, mas nem por isso devemos deixar de viver... de acreditar no amanhã, de acreditar nas pessoas, de acreditar no amor!
Durante muito tempo, fui uma pessoa triste e deprimida por não aceitar as coisas que me aconteceram e por não esquecer coisas do meu passado. Sempre procurei em coisas ou em pessoas algo que pudesse preencher um enorme vazio que eu sentia em meu interior, mas com o passar do tempo eu via que mesmo quando eu estava rodeada de pessoas aparentemente legais e em lugares legais eu me sentia vazia e nunca entendi o porquê...
Um certo dia ouvi alguém dizer que somente o amor poderia preencher esse vazio, que no momento em que eu permitisse que ele entrasse em minha vida, ele a mudaria por completo e eu seria uma nova pessoa... Então resolvi conhecer esse amor e desde então posso dizer que minha vida verdadeiramente mudou.
Estou aprendendo muitas coisas e aprendi que a felicidade está nas coisas mais simples, em pequenos gestos e atitudes... Não é algo que vamos encontrar no mundo, nem nas pessoas... A verdadeira felicidade é aquela que encontramos dentro de nós!
Hoje, posso dizer que estou aprendendo a ser feliz... Que em Edward me sinto protegida e pude encontrar carinho e amor. Amor esse que jamais tinha sentido antes...
Por amor eu fiz planos para o futuro, enfrentei meus medos, superei as dificuldades e lutei pela minha felicidade. Hoje, ao lado do meu marido e dos meus filhos sei que sem amor eu teria fracassado. O amor me transformou em uma pessoa mais forte, mais decidida e, principalmente, me transformou em uma pessoa melhor.
Mais uma vez, olhando para a minha filha me lembro de um ensinamento que recebi de minha mãe, algo que eu faço questão de passar adiante para os meus filhos: O amor é a asa que Deus nos deu para que possamos chegar até ele!

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