Narrado por Edward
Jake já me esperava do lado de fora de casa quando estacionei o carro. Sua expressão preocupada ficou ainda pior quando olhou para o meu rosto e para os rostos de Emmett e Jasper. Enquanto me guiava pelas ruas até a casa de Michael, eu lhe contei o que tinha acontecido. Assim como nós, Jake queria matar o desgraçado. A casa de Michael estava às escuras. Excelente. Se ele estivesse dormindo nem ia saber o que o atingiu. Eu não me importava em ter uma luta justa. Ele não merecia esse tipo de consideração. Tipos como ele só entendiam a língua da violência e se fosse preciso eu falaria a língua dele, mas precisávamos ter uma conversinha.
_ O que você pretende fazer, Edward? – Jasper perguntou cauteloso ao nos aproximarmos da porta da frente.
_ Qualquer coisa que mantenha esse monstro longe da minha família, Jasper! – eu respondi sem olhar para ele.
Bati à porta diversas vezes, mas não houve nenhum movimento dentro da casa. Se aquele covarde estivesse se escondendo eu ia mostrar para ele o que era sentir medo. Olhei para os lados para me certificar de que nenhum estranho pudesse ver o que eu ia fazer. A rua estava deserta. Olhei para Emmett e ele entendeu o que eu queria. Com um só chute, arrombou a porta e nós entramos. Parei estarrecido na sala de estar onde havia uma parede enorme coberta com um papel de parede que mostrava uma foto do rosto de Bella. À medida que avançávamos pelos cômodos da casa percebíamos a dimensão da obsessão daquele monstro em relação a ela. A casa inteira estava cheia de porta-retratos, todos com fotos dela. Ao chegarmos ao quarto de Michael, nos deparamos com algo mais bizarro ainda: uma espécie de altar em que mais uma foto de Bella ocupava o lugar onde deveria estar a imagem de algum santo. Jasper que até então analisava tudo em silencio me olhou sério.
_ Edward, Michael tem o perfil de um psicopata! Ele é muito mais perigoso do que você pode imaginar. – ele disse se aproximando do altar para observar melhor os detalhes.
Parei de respirar ao ouvir aquilo. Eu precisaria da ajuda de profissionais para lidar com Michael. Não poderia agir sem antes planejar tudo o que tinha que fazer. Jasper retirou o celular do bolso e começou a fotografar tudo o que via relacionado a Bella. Como neurologista, ele já tinha trabalhado com o FBI diversas vezes estudando o perfil de diversos psicopatas e sabia muito bem o que estava dizendo. Permanecer ali seria imprudência demais. Michael não estava na casa e corríamos o risco de que algum vizinho tivesse ouvido o barulho da porta sendo arrombada e tivesse chamado a polícia. A última coisa de que precisávamos era sermos presos por invasão. Michael adoraria isso.
Saímos da casa deixando a porta encostada para não chamar a atenção de quem passasse na rua. De volta ao carro, Jasper ligava para uns conhecidos do FBI para cobrar alguns favores. Ele queria a ficha completa sobre a vida de Michael: onde nasceu, onde estudou, nome dos pais, se tinha irmãos, se tinha ficha criminal ... tudo o que pudesse ajudá-lo a traçar seu perfil. Jacob ligava para Leah, pedindo para que ela pesquisasse outras possíveis propriedades que Michael pudesse possuir. Ele teria que estar escondido em uma delas.
Combinamos que aquela nossa pequena excursão ficaria somente entre nós. Deixamos Jake em frente ao seu prédio pouco antes de amanhecer e voltamos para casa. Se alguém perguntasse onde estávamos, eu diria que tinha saído para esfriar a cabeça e Emmett e Jasper tinham ido comigo para garantir que eu não fizesse nenhuma bobagem. A casa estava mergulhada no mais absoluto silêncio quando chegamos. Subi as escadas para o andar superior deixando Emmett e Jasper na sala se explicando para Rose e Alice que haviam dormido no sofá esperando por eles e segui direto para meu quarto. Minha mãe dormia ao lado de Bella e segurava uma de suas mãos. Ela costumava fazer a mesma coisa comigo e com meus irmãos quando éramos crianças e tínhamos pesadelos durante a noite. Era a sua maneira de dizer que estaria ali sempre que precisássemos ou sentíssemos medo. Passei por elas silenciosamente e entrei no banheiro. Precisava tomar um banho. Quando entrei de volta no quarto, minha mãe já estava acordada e me esperava sentada na beirada da cama.
_ Ela acordou durante a noite e perguntou por você, filho. – ela disse acariciando meu rosto assim que me sentei ao seu lado.
O cansaço estava tomando conta do meu corpo. Deitei a cabeça no colo de minha mãe enquanto ela acariciava meus cabelos.
_ Como ela está, mãe? – perguntei olhando o rosto abatido de Bella.
_ Carlisle verificou a pressão dela durante a madrugada e já voltou ao normal, mas ela precisa de repouso e tranqüilidade, filho. - ela respondeu passando os dedos em minhas olheiras. – Descanse você também, Edward! Você está exausto. Fique aqui com ela, eu vou descer e preparar um café da manhã reforçado para todos nós. Tivemos uma noite muito tensa e precisamos repor as energias. – ela disse se levantando.
Depois que minha mãe saiu do quarto, deitei-me ao lado de Bella e fiquei observando seu semblante ainda pálido. Bella suspirou profundamente antes de abrir os olhos e olhar diretamente para meu rosto. Ela permaneceu calada me encarando por alguns segundos e pude perceber o exato momento em que ela se lembrou do que tinha acontecido na noite anterior. Seus olhos imediatamente se encheram lágrimas e seu rosto se contraiu em uma expressão de dor.
_ Edward, me perdoe! – ela disse com a voz embargada pelo choro. – Eu sei que eu errei, eu devia ter contado tudo desde o princípio. Me perdoe, amor! Eu juro que nunca mais escondo nada de você!
_ Shhh.... Bella! Está tudo bem, minha vida! Eu também preciso lhe pedir perdão por ter falado todas aquelas coisas duras pra você. Você não merecia que eu gritasse daquele jeito, amor! Eu sei que você não fez por mal. – Eu disse puxando seu corpo para perto do meu.
_ Você me parece cansado! – ela disse observando meu rosto.
_ Um pouco, amor! Mas é você quem tem que descansar e recuperar as energias. – eu disse acariciando seu rosto e beijando suavemente seus lábios.
Deus, como eu tinha sentido falta do calor do corpo de Bella e do sabor dos seus lábios! O beijo que havia começado de forma suave e inocente, já se tornava urgente e faminto. Com muito esforço, separei meus lábios dos dela e lhe dei um último selinho.
_ Você está de repouso absoluto, mocinha! Nada de abusar da minha inocência, está bem? – eu brinquei e ela riu.
Bella aninhou-se em meus braços e deitou a cabeça em meu peito. Eu a apertei contra meu corpo tentando protegê-la do mundo. Estava morto de medo do que poderia acontecer a ela e a meus filhos com aquele louco andando livremente pela cidade, mas até certo ponto eu estava de mãos atadas. Não tinha como provar que ele havia mandado as fotos e não podia denunciá-lo à polícia como um psicopata sem me incriminar por ter invadido sua casa. Leah havia dito a Jake pelo telefone que mesmo que nós tivéssemos recolhido as provas da obsessão de Michael em relação a Bella, nenhum juiz as aceitaria por terem sido obtidas ilegalmente, sem um mandado de busca e apreensão.
_ Eu pensei que você estivesse com ódio de mim! – a voz triste de Bella me trouxe de volta dos meus pensamentos. – Quando eu acordei de madrugada e ninguém sabia me dizer onde você estava eu achei que você tivesse ido embora, que tivesse desistido de mim!
_ Nunca, Bella! Desistir de você seria o mesmo que desistir da minha própria vida! Me perdoe mais uma vez, amor! Eu saí com meu irmão e com Jasper, eu precisava esfriar a minha cabeça e fui dar uma volta de carro com eles. Eu amo você, Bella! Nunca duvide disso!
_ Eu amo você, Edward! Mais do que a minha própria vida! – ela disse antes de fechar os olhos e adormecer.
Eu teria que contar para Bella sobre as medidas de segurança que pretendia adotar e esperava que ela não colocasse nenhum obstáculo nas minhas decisões. Eu esperaria até que ela tivesse recuperado as forças para tocar no assunto. Rose tinha deixado bem claro que ela não deveria se aborrecer ou se estressar novamente para não correr o risco de sua pressão se alterar mais uma vez. Fiquei ali ao seu lado boa parte da manhã. Eu estava cansado e precisava dormir. Minha mãe nos trouxe uma bandeja com o café da manhã. Eu estava faminto e Bella precisava se alimentar. Brian estava na sala brincando com seu videogame e estava preocupado com Bella. Ele tinha escutado algumas conversas pela casa e andou fazendo perguntas a minha mãe. Eu falaria com ele mais tarde e tentaria explicar a situação sem deixá-lo assustado.
Narrado por Bella
Acordei com as mãozinhas delicadas de Brian acariciando meu rosto. Abri os olhos e fitei seu rostinho triste.
_ Oi, meu anjinho! Onde está o papai? – eu perguntei preocupada com sua expressão.
_ No escritório com o vovô! – ele disse ainda me acariciando.
_ Por que você está com esse rostinho triste? – eu o acariciei de volta.
_ Mamãe, você ficou doente? – ele respondeu com outra pergunta.
_ Eu me senti mal ontem à noite, mas agora eu estou bem, meu anjinho! – respondi vendo seus olhinhos úmidos brilharem.
_ Você vai morrer também? – ele perguntou e uma lágrima escorreu de seus olhos.
Aquela pergunta me pegou de surpresa. Por um momento, a única coisa que eu queria era fugir dali pra não ver o medo nos olhos de Brian. Ele achava que ia me perder assim como perdera a mãe. Puxei meu anjinho para perto de mim e o aninhei em meus braços.
_ Eu não vou morrer, amorzinho! – falei com a voz embargada tentando não chorar.
_ Você jura, mamãe? Jura que vai ficar aqui comigo, com o papai e com a Sofia? Eu não quero que você vá pro céu. Eu quero que você fique aqui. – ele soluçava em meus braços.
Eu não agüentei mais segurar a emoção. Deixei que as lágrimas rolassem por meu rosto e o abracei ainda mais forte.
_ Eu juro, anjinho! Eu juro que vou ficar aqui com você, com o papai e com a Sofia! Eu juro que não vou para lugar nenhum. Agora, por favor, não chore, senão a mamãe vai ficar triste também. – eu pedi tentando me controlar.
Brian ergueu a cabeça, secou os olhinhos com as mãos e me deu um sorriso triste. A porta do quarto se abriu e Edward ficou parado na porta com o semblante preocupado por nos ver daquele jeito. Ele caminhou rapidamente até a cama, puxou Brian de meus braços e o sentou na cama ficando de frente para ele.
_ O que foi, filho? Por que vocês estão chorando? – ele alternava o olhar aflito entre mim e Brian esperando que um de nós respondesse sua pergunta.
_ Por nada! – Brian respondeu baixinho antes de pular da cama e sair correndo do quarto sem olhar nos olhos do pai.
Cortou meu coração vê-lo tão triste. Abracei-me a Edward chorando, contei a conversa que tive com Brian e pedi que ele fosse atrás do nosso filho.
_ Bella, fique calma! Eu vou falar com ele, mas eu só saio daqui quando você estiver mais calma. – ele disse me abraçando e acariciando meus cabelos.
Deitei-me novamente na cama e comecei a respirar profundamente e mais devagar como Rose havia me dito para fazer quando ficasse ansiosa. Edward saiu do quarto a procura de Brian quando Esme entrou trazendo uma bandeja com um lanche para mim. Ela ficou ali comigo até que eu adormecesse depois de me alimentar. Só percebi que Edward tinha voltado para o quarto quando acordei em seus braços no dia seguinte.
Narrado por Edward
Eu tinha descido até o escritório para falar com meu pai. Ele havia encontrado uma firma de renome especializada em segurança pessoal e eu queria resolver aquele assunto o mais rapidamente possível. Falei por telefone com o responsável pela contratação dos seguranças e eles ficaram de mandar o grupo que faria a proteção de minha família dentro de dois ou três dias. Seria melhor assim. Bella teria tempo de se recuperar para que eu pudesse falar com ela antes da chegada dos seguranças. Não queria que ela se assustasse com a presença de um monte de estranhos na casa.
Subi para o quarto depois que desliguei o telefone. Bella estava sozinha havia muito tempo e eu queria saber se ela estava bem e se precisava de alguma coisa. Parei assustado quando abri a porta do quarto e vi Bella e Brian chorando abraçados. Em minha cabeça se passavam diversas possibilidades, nenhuma delas era boa. Sentei-me na cama e puxei Brian para perto de mim tentando saber o que tinha acontecido para que os dois estivessem daquele jeito, mas Brian não quis dizer. Apenas pulou da cama e saiu correndo do quarto sem olhar para mim. Olhei para Bella na esperança de que ela me dissesse o que estava acontecendo e meu coração quase parou ao vê-la chorando. Ela não podia ficar nervosa novamente, tinha que estar de repouso. Ela me abraçou e me contou a conversa que tinha tido com Brian e queria que eu fosse falar com ele. Mas como eu poderia sair do quarto e deixá-la sozinha naquele estado? Eu precisava fazê-la se acalmar antes de ir falar com meu filho. A imagem do rosto pálido e abatido de Bella na noite anterior surgia diante dos meus olhos a todo o momento. Eu não podia sair dali embora meu filho também precisasse de mim. Felizmente, minha mãe entrou no quarto trazendo um lanche para Bella e eu aproveitei sua presença para conversar com Brian.
Brian estava sentado em sua cama, abraçado às próprias pernas com a cabeça baixa e o rosto escondido nos joelhos. Um nó apertado se formou em minha garganta ao vê-lo tão triste. Sentei-me ao seu lado e o puxei para o meu colo.
_ Filho, conta para o papai por que você está chorando? – eu pedi beijando seus cabelos.
_ Eu tenho medo que a mamãe vá para o céu também! – ele disse deixando escapar um soluço.
Meu coração bateu apertado no peito. Se ele soubesse o medo que nós sentimos ontem por causa de Bella....
_ Ela não vai para o céu, Brian! O papai não vai deixar isso acontecer. Você confia no papai? – eu perguntei tentando não deixar a voz tremer.
_ Jura? – ele me abraçou ainda mais apertado.
_ Juro, filhão! A mamãe vai ficar aqui com a gente! Eu prometo! – respondi pedindo a Deus que me ajudasse a cumprir minha promessa.
Brian ficou em silencio por alguns minutos. Cheguei a pensar que ele tivesse dormido, mas ele ergueu a cabeça e olhou diretamente em meus olhos.
_ Por que a mamãe está doente? – ele perguntou me pegando de surpresa.
_ Ela não está doente, filho. Ela se sentiu fraquinha ontem à noite e a tia Rose pediu para ela ficar deitadinha na cama por dois dias por causa da Sofia. Se ela fica fraquinha a Sofia fica também, entendeu? – Ele assentiu com a cabeça.
_ Papai, o que é estresse? – ele perguntou. – Eu ouvi o vovô falar pra vovó que a mamãe não podia ter estresse senão ela ia passar mal de novo.
_ Estresse é uma mistura de vários sentimentos: medo, tristeza, raiva, ansiedade... Quando uma mulher grávida fica estressada ela pode passar mal e isso pode fazer mal para o bebê também. Então eu queria combinar uma coisa com você. Quando você sentir medo ou estiver triste com alguma coisa, você promete que vem falar para o papai? A mamãe não pode ficar triste agora. Ela tem que descansar pra ficar forte e se ela souber que você está triste ela também vai ficar triste. Você me entendeu?
Brian assentiu com a cabeça olhando diretamente em meus olhos e eu soube que ele tinha realmente entendido. Ele voltou a me abraçar, soltou um suspiro pesado e permaneceu em silêncio até adormecer em meu colo com a cabeça apoiada em meu ombro. Deitei meu filho em sua cama e fiquei ali abraçado ao seu corpinho frágil e pensando em quanta coisa ele já tinha agüentado mesmo sendo tão novinho. Não era justo que uma criança tivesse que suportar tanto peso na vida. Eu precisava poupá-lo que qualquer sofrimento. Eu não permitiria que ele vivesse com o medo que eu vi estampado em seus olhos.
Voltei para o quarto e Bella dormia serenamente. Tomei um banho e fiz um lanche rápido. Não iria jantar para não deixá-la sozinha por muito mais tempo. Eu ainda não estava seguro de que a crise tivesse passado. Deitei-me ao seu lado abraçando-me ao seu corpo e, cansado, não demorei a dormir.
Felizmente, o estado de Bella melhorou no dia seguinte e ela saiu do repouso no dia vinte e nove de dezembro. Os exames que Rose havia pedido foram feitos e graças a Deus os resultados saíram todos normais. Sua pressão arterial estava estabilizada, as dores de cabeça desapareceram, os enjôos fortes diminuíram e a tontura passou. Bella estava louca para voltar ao trabalho, mas Rose só permitiu que ela trabalhasse quatro horas por dia desde que repousasse por pelo menos duas horas quando voltasse para casa. Ela voltaria a trabalhar somente em janeiro, até lá deveria se resguardar ao máximo para que a crise não se repetisse. Isso me fez lembrar que eu ainda tinha que contar a Bella sobre o esquema de segurança que seria implantado lá em casa a partir do dia seguinte. Eu só esperava que ela compreendesse e não ficasse abalada novamente.

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