Quem sou eu

Minha foto
Juiz de Fora, Minas Gerais, Brazil
Apesar de ser mestre em Linguística e ter toda a minha vida acadêmica voltada para o ensino de línguas, sempre fui amante da literatura, devoradora de livros, filmes e séries. Sempre tive um sonho: escrever. Durante muito tempo, o medo de fracassar me impediu de realizar esse sonho, mas uma grande amiga me incentivou e me deu a coragem de enfrentar meus fantasmas e graças a ela eu hoje posso dizer que me sinto uma pessoa melhor, mais confiante e absolutamente ciente do meu potencial.

Seguidores

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Capítulo 35 - Armadilhas


Narrado por Tânia

Durante dois meses e meio tive que fingir ser alguém que eu não era. Já não agüentava mais aquela farsa e às vezes tinha vontade de acabar com tudo de uma vez, mas eu tinha que ter paciência. Não poderia levantar suspeitas sobre quem eu realmente era e sobre o que eu estava realmente fazendo ali ou tudo estaria perdido. Fingir ser uma enfermeira com conhecimentos de secretariado administrativo me colocou exatamente onde eu queria estar: na ante-sala da direção. Era ali que eu conseguiria obter todas as informações vitais para que o nosso plano desse certo. E ele tinha que dar certo.
            Finalmente a insuportável da Jéssica estava saindo do emprego. A parte mais cansativa de toda essa farsa tinha sido agüentar sua tagarelice e suas ideias insanas. Aquela moça não era normal. Precisava urgentemente fazer um tratamento. Era tanta futilidade que às vezes eu chegava a me perguntar se ela também não estaria representando um papel. Não me parecia possível que alguém pudesse ser naturalmente tão chata. Por outro lado, graças à sua língua solta eu obtive informações importantes e esclarecedoras. Dava até pena de ver como ela confiava cegamente em mim e contava tudo o que eu queria saber. Ela nunca percebeu que eu a estava manipulando. Que idiota!
Isabella Cullen e a filha também iriam para casa hoje e eu não poderia perdê-las de vista um só segundo. Assim que Jéssica se despediu de mim e saiu da ante-sala da diretoria, me esgueirei pelos corredores e corri para o novo prédio anexo. Eu tinha um trabalho a fazer e não podia perder mais tempo. Subi pelo elevador de serviço para não chamar a atenção, mas tive que me esconder na curva do corredor que dava acesso ao berçário. Jéssica estava parada do lado de fora observando uma enfermeira que colocava o bebê Cullen em um Moisés para levá-la para a mãe. Seu olhar atento seguia cada movimento da enfermeira que acabava de acomodar a menina. Outro bebê começou a chorar e a enfermeira afastou-se para dar atenção a ele. Jéssica correu para dentro do berçário, pegou o Moisés sem que a enfermeira percebesse e voltou depressa para a porta. Eu precisava agir. Se ela estava pensando que ia levar a menina me arruinando meses de planejamento, ela estava muito enganada. Aquela menina não sairia dali com ela, eu a pegaria primeiro.
_ Jéssica, o que você pensa que está fazendo? Ficou maluca? – eu sussurrava para ela preocupada que a enfermeira notasse o sumiço do bebê.
_ Tânia, você sabe porque eu estou fazendo isso! Aquela idiota está usando essa pobrezinha para arrancar dinheiro do pai, mas eu não vou permitir que isso aconteça! Eu falei pra você que eu iria desmascará-la e é isso o que eu vou fazer! – ela dizia exasperada.
_ Jéssica, este hospital está cheio de seguranças. Você não vai conseguir sair daqui com um bebê sem ser presa! Isso é loucura! –eu tentei convencê-la.
_ Eu preciso tirar esta criança daqui, me ajuda, Tânia! – ela pediu. A minha grande chance havia chegado.
_ Deixe a menina comigo, eu vou dar um jeito de sair com ela e te encontro no seu carro. Ninguém vai estranhar o fato de eu estar carregando o bebê porque sou enfermeira. Me espere no estacionamento com os motores ligados! – eu disse tomando o Moisés das mãos dela. Jéssica hesitou. – Vai logo, Jéssica! Nós estamos correndo o risco de sermos presas aqui!
Jéssica sorriu para mim confiante e saiu apressada em direção ao elevador. Assim que a porta se fechou eu tirei o celular do bolso do jaleco e disquei o número já conhecido enquanto saía dali.
_ Alô! – ele atendeu no primeiro toque.
_ Oi, amor, sou eu! – respondi aliviada.
_ Tudo em ordem? – ele perguntou com a voz tensa.
_ Tudo! O pacote está comigo! – eu disse satisfeita. Ele riu.
_ Eu sabia que você conseguiria! Você é perfeita, Tânia! – ele disse com carinho. – Agora faça o que nós combinamos e estaremos juntos em uma hora! 
_ Não se preocupe, amor! O pacote será entregue em breve! – eu disse e desliguei.
Olhei mais uma vez para a menina adormecida antes de sair dali. Eu precisava me apressar, afinal, eu tinha uma entrega importante a fazer.

Narrado por Edward

O grande dia tinha chegado. Hoje eu voltaria para casa com minha mulher e minha filha. Sofia era absolutamente saudável e Bella nem parecia ter dado a luz há dois dias. Ela era só sorrisos e vê-la assim tão feliz com nossa filha nos braços me enchia de orgulho e de felicidade. Brian estava a cada dia mais encantado com a irmã. Não queria se desgrudar dela. Exigia participar de todos os momentos: cada mamada, cada banho, cada troca de fraudas. Na verdade, todos nós estávamos apaixonados por ela, eu mais do que todos. A família ainda disputava para ver quem a pegaria primeiro e às vezes eu e Bella tínhamos que interferir, mas no final tudo acabava bem.
Nestes dias que passei aqui com Bella, notei que ela ficava cansada por causa do curto espaço entre as mamadas que não a deixavam dormir direito. Andei pensando em aproveitar o nascimento de Sofia para tirar minhas férias. Eu queria curtir cada momento dela ao lado da minha família. Nós merecíamos isso depois de todo o estresse que passamos durante os últimos meses.
Bella já tinha arrumado as bolsas e recolhido todos os pertences para irmos embora. Ela agora estava acabando de se trocar depois de tomar um banho porque Sofia havia regurgitado em sua roupa depois de mamar. A enfermeira a tinha levado para tomar um banho e dar baixa no registro do berçário.
_ Amor? – eu a chamei colocando a cabeça para dentro do banheiro – Eu vou ao escritório do Emmett rapidinho e já volto, ok? Eu não demoro. Promete que me espera? – eu brinquei.
_ Eu vou pensar no seu caso! – ela me provocou e eu ri.
Eu caminhava pelos corredores recebendo sorrisos e cumprimentos de todos os médicos, enfermeiros e funcionários do hospital. Cruzei com Rose que estava indo dar alta para Bella. Em breve estaríamos em casa.
Estranhamente a ante-sala estava vazia. Bati levemente à porta do escritório e entrei. Emmett estava de pé, olhando para fora da janela sem parecer enxergar alguma coisa.
_ Emmett? – eu o chamei e ele virou-se surpreso. – Algum problema? – perguntei.
_ Não! Estava aqui viajando, pensando nos meus filhos! Cara, agora eu entendo o que você sentia! – ele refletia.
_ Sentia não, Emmett, ainda sinto! Isso não acaba quando eles nascem, meu irmão! Dura a vida toda, mas eu garanto que vale a pena! – nós rimos.
Sentei-me com meu irmão e lhe contei sobre a minha intenção de sair de férias durante o primeiro mês de vida de Sofia. Comigo em casa Bella não ficaria tão sobrecarregada. Emmett me deu o apoio que eu esperava. Agora ele conhecia a emoção de ser pai e entendia a minha preocupação e a minha necessidade de ficar com minha família neste momento. Emmett dizia que ficava o dia todo preocupado com Rose, com medo de que ela ficasse estressada demais com o excesso de trabalho ou que tivesse contato com algum paciente que lhe transmitisse alguma doença contagiosa. O coitado estava totalmente em pânico e eu não sabia como ajudá-lo. Eu entendia perfeitamente tudo o que ele estava sentindo. Ainda conversávamos quando o telefone da diretoria tocou.
_ Alô? – Emmett atendeu no primeiro toque.
Ele ficou em silêncio esperando a pessoa do outro lado da linha falar. Eu assisti horrorizado enquanto suas feições se transformavam. Emmett arregalou os olhos, seu rosto ficou pálido e eu pude ver claramente uma gota de suor se formar em sua testa. Meu coração ficou apertado no peito. Eu já sentia que alguma coisa errada estava acontecendo e tinha certeza de que não ia gostar nem um pouco do que era. Emmett continuava calado com o telefone no ouvido e me olhava com uma expressão assustadora. Minha respiração começou a ficar acelerada e eu apertava o braço da cadeira com uma força descomunal.
_ Há quanto tempo? – ele perguntou para a pessoa do outro lado da linha. Mais um momento de silêncio – Estou indo para aí agora mesmo!
Emmett desligou o telefone já se levantando da cadeira e me chamando para segui-lo. Eu já estava funcionando no modo automático. Em dois segundos eu já estava colado atrás dele enquanto corríamos pelos corredores do hospital. Eu não fazia ideia de onde estávamos indo ou do que estava acontecendo, mas sabia que era algo grave a julgar pela rapidez com que Emmett corria e pela expressão congelada em seu rosto.
_ Emmett, pelo amor de Deus, me diga o que está acontecendo? – eu perguntei ainda correndo atrás dele.
Emmett me olhou de um jeito estranho antes de falar.
_ Me ligaram do berçário, Edward. – meu sangue gelou e minhas pernas paralisaram.
Emmett me puxou pela mão me obrigando a voltar a correr. Eu tinha medo da resposta, mas precisava perguntar.
_ Sofia? – foi tudo o que consegui dizer. Emmett assentiu com a cabeça sem ter coragem de me olhar nos olhos.
Nunca em toda a minha vida eu tinha sentido um pânico tão grande. Meu sangue agora corria descontrolado pelas minhas veias e eu disparava como um louco pelos corredores com meu coração aos pulos. As pessoas se afastavam assustadas e encostavam-se nas paredes nos dando passagem na medida em que passávamos correndo por elas. Aqueles malditos corredores pareciam intermináveis. Quanto mais rápido eu corria mais eu tinha a sensação de que nunca chegaria lá. Não tive paciência para esperar o elevador. Subi os três andares até a pediatria saltando os degraus de dois em dois deixando Emmett para trás. Eu já podia ouvir as vozes alteradas das pessoas quando cheguei ao final da escada. Um silêncio mórbido tomou conta do berçário assim que eu passei pela porta com Emmett em meu encalço. Todos me olhavam apreensivos esperando que eu explodisse a qualquer momento.
_ Alguém pode me dizer o que foi que aconteceu aqui? – perguntei com a mandíbula travada. Eu ainda estava ofegante.
Uma enfermeira se levantou da cadeira onde estava sentada e se aproximou de mim. Seus olhos estavam vermelhos e úmidos e ela carregava uma expressão de medo no rosto. Entre soluços ela me contou o que tinha acontecido. Ela havia colocado Sofia em um Moisés e já se preparava para levá-la para o quarto quando outro bebê começou a chorar. Ela estava sozinha no berçário e se virou para atendê-lo preocupada com o choro intenso da criança. Quando voltou a se virar para levar Sofia para o quarto ela havia desaparecido. Ela imediatamente avisou a segurança que iniciou uma busca por toda a área e colocou todas as saídas do hospital sob vigilância, mas ela não tinha ideia de quanto tempo se passou desde o momento em que ela deu as costas para Sofia até o momento em que ela percebeu seu desaparecimento.
Eu me sentia morto por dentro. Eu sabia perfeitamente quem tinha levado minha filha e para que. A única coisa que eu conseguia pensar era no que seria feito da minha menina. Uma fúria insana começou a tomar conta de mim e tudo o que eu queria era colocar as minhas mãos naqueles dois malditos desgraçados. Se eles tocassem em um fio de cabelo de Sofia eu mesmo acabaria com os dois de forma lenta e dolorosa.
De repente, me dei conta de que Bella já deveria estar preocupada com a minha demora. Eu tinha saído do quarto prometendo que voltaria logo, mas já se havia passado muito tempo desde então.  Eu tinha que voltar até ela, eu precisava arrumar um jeito de contar a verdade, mas sabia que seria a coisa mais difícil que eu teria que fazer em toda a minha vida. A dor a destruiria definitivamente e eu sucumbiria ao vê-la feita em pedaços. Ela não podia mais ficar sozinha, mas eu precisava me recompor antes de enfrentá-la. Só havia uma pessoa capaz de me ajudar no momento. Puxei meu celular do bolso da calça e disquei seu número.
_ Jake? – falei assim que ele atendeu o celular.
_ Edward, o que aconteceu? – ele perguntou alarmado ao notar a diferença em meu tom de voz.
_ Eu preciso que você vá até o quarto de Bella e fique com ela. Não a deixe sair de lá em hipótese alguma, Jake! – eu pedi.
_ Mas o que está acontecendo afinal? – ele insistiu e eu engoli em seco antes de responder.
_ Levaram a minha filha, Jake! – as palavras saíram cortando a minha garganta como navalhas afiadas. – Jake, você ainda está aí? – perguntei depois que a linha ficou muda.
_ Eu estou indo agora mesmo para lá, Edward! – ele disse com a voz consternada e desligou.
Eu precisava encontrar a minha filha antes que Bella ficasse sabendo. Eu tinha que agir rapidamente porque em pouco tempo a notícia do desaparecimento de um bebê já teria se espalhado pelo hospital e se Bella ficasse sabendo ia querer sair atrás da nossa filha e ficaria exposta ao perigo também. Se ela soubesse, eu tinha certeza de que nem mesmo Jake conseguiria prendê-la no quarto por muito tempo.




Narrado por Jake

Eu ainda não tinha conseguido assimilar a notícia direito. Sentia que minha cabeça girava com a ideia de que Sofia estaria nas mãos daquele monstro. A voz morta de Edward ainda ecoava nos meus ouvidos quando me pus a andar pelos corredores em direção ao quarto de Bella. Eu não tinha a menor ideia do que eu faria quando entrasse naquele quarto e também não estava seguro se conseguiria controlar minhas emoções. O fato é que um bolo enorme tinha se formado em minha garganta me impedindo de engolir a saliva e dificultando a passagem do ar para os meus pulmões. Minhas pernas estavam bambas quando parei do lado de fora do quarto de Bella. Respirei fundo várias vezes para tentar controlar o nervosismo e minha mão vacilante tocou a maçaneta. Entrei silenciosamente no quarto a tempo de ver Bella arremessar seu celular contra a parede do quarto partindo-o em pequenos pedaços. Bella estava ofegante como se não conseguisse encher os pulmões de ar. Ela andava de um lado para o outro com as mãos na cabeça e o rosto contorcido de dor. Eu estava paralisado diante daquela cena e meu cérebro tentava processar uma forma de segurar aquela bomba quando Bella finalmente percebeu a minha presença no quarto.
_ Jake ... – sua voz era quase um sussurro - ... diz pra mim que não é verdade, Jake!
_ Bella ... – eu não sabia o que falar. Caminhei em sua direção e ela recuou se afastando de mim.
_ Pelo amor de Deus, Jake! Me diz que é tudo mentira! – seu rosto era a imagem do desespero.
Eu não consegui dizer nada. Bella ainda me encarava esperando que eu dissesse qualquer coisa que a salvasse daquele pesadelo. Céus! Como eu queria que aquilo tudo não passasse de um maldito pesadelo do qual eu acordaria a qualquer momento! Comecei a me aproximar lentamente de Bella enquanto seu rosto novamente se contorcia com a dor que a torturava.
_ Jake, a minha filha não! – ela disse com a voz embargada negando com a cabeça - Fala pra mim que ele não conseguiu pegar a minha filha, por favor! Fala que é tudo mentira, Jake!
Eu a abracei em silêncio. Bella tentou se debater para se soltar, mas eu a apertei com força contra meu peito e a segurei firme até que ela cedeu. O choro descontrolado e desesperado retratava de forma grotesca a intensidade do seu sofrimento.  Ela agora se agarrava a mim com todas as suas forças e dizia repetidas vezes uma única palavra como se fosse um mantra: não. Eu me sentia um inútil por não poder arrancar aquele sentimento dela. Continuei abraçado a ela, acariciando seus cabelos e pedindo a Deus para que Edward voltasse logo com a filha nos braços porque, do contrário, Bella não sobreviveria.

Nenhum comentário:

Postar um comentário