Narrado por Bella
Eu tinha a sensação de que alguma coisa apertava a minha barriga. Um incômodo que não passava. Será que era a minha bexiga me avisando que precisava ser aliviada? Abri os olhos me sentindo desorientada, o quarto estava escuro. Olhei o marcador do relógio sobre o criado-mudo ao meu lado. Eram 04h30min da manhã. A respiração lenta e leve de Edward chamou a minha atenção. Ele ainda dormia profundamente. Levantei-me com cuidado para não acordá-lo e caminhei lentamente tateando no escuro até o banheiro. Mesmo depois de esvaziar a bexiga, o incômodo persistiu.
_ Bella? – a voz assustada de Edward vinha do quarto.
_ Estou no banheiro, amor! – eu o tranqüilizei.
Assim que abri a porta dei de cara com Edward em pé do lado de fora me olhando apreensivo. Ele estendeu as mãos para me apoiar e me levou de volta para a cama sem tirar os olhos do meu rosto.
_ Está sentindo alguma coisa, amor? – ele perguntou preocupado.
_ É só uma dorzinha enjoada, amor! – eu respondi temendo que aquilo fosse desencadear uma crise de pânico.
_ Dorzinha? Onde, amor? – a voz de Edward saiu duas oitavas acima.
_ Aqui, Edward! – Peguei sua mão levando-a ao meu baixo ventre.
_ Amor, fique aqui quietinha. Eu vou ligar para a Rose e vou levá-la ao hospital agora mesmo. – ele disse se levantando apressado, mas eu o segurei.
_ Edward, se acalme! Não são as contrações, ainda não chegou a hora, amor! – eu tentava acalmá-lo acariciando seu rosto. – Além do mais, são 04h30min da manhã. Não vamos acordar a Rose a toa, não é?
Edward respirou mais aliviado. Desde que eu tinha completado os nove meses de gestação na semana anterior, Edward andava uma pilha de nervos. Qualquer suspiro que eu desse ele já ficava todo alarmado e queria sair correndo para o hospital. Às vezes era até engraçado, mas eu morria de pena porque via sua ansiedade em ter logo a nossa filha nos braços. Isso me fazia pensar em como deve ser difícil para ele ficar do lado de fora só assistindo. Por mais que ele fosse o pai mais dedicado e presente do mundo, a relação dele com a nossa filha era praticamente uma realidade virtual. Eu imaginava que Sofia era muito mais real para mim do que para ele, afinal eu a sentia fisicamente presente o tempo todo enquanto ele só a sentia quando tocava a minha barriga, mesmo assim era algo externo, nada comparado a senti-la se mexer dentro de mim.
_ Desculpe, minha vida! Eu devo estar irritando você com toda essa ansiedade, não é? – a voz de Edward me tirou dos meus pensamentos.
_ Não, amor! Você nunca me irrita e eu entendo perfeitamente a sua ansiedade. Eu também estou louca para ver o rostinho dela. Quero que ela seja como você, que tenha os seus olhos, a cor dos seus cabelos. Será perfeita! – eu disse lhe dando um selinho demorado.
_ Brian já me disse isso, sabia? – ele disse sorrindo.
_ O que? – perguntei sem entender.
_ Que ela vai ser parecida comigo. O rosto, a cor dos olhos, da pele, dos cabelos... – ele dizia orgulhoso.
_ De onde ele tira essas coisas? – eu sorri de volta.
_ Adivinha? – ele disse erguendo as sobrancelhas.
_ Um anjo contou pra ele! – dissemos juntos e rimos.
_ Bem, o anjo acertou o sexo do bebê. Se ele for realmente bom em predições, amanhã você poderá conhecer a nossa filha pessoalmente. – eu disse observando sua reação.
_ Como assim? – ele perguntou confuso.
_ Brian me disse que Sofia vai nascer no dia do seu aniversário. Se ele acertar mais uma vez, amanhã ela estará em seus braços, amor! – eu respondi.
Edward abriu um sorriso imenso nos lábios e abaixou-se para beijar a minha barriga.
_ Vai ser o melhor presente de aniversário de toda a minha existência! – ele disse acariciando nossa filha que se remexia dentro de mim. – Bella, eu queria lhe pedir uma coisa! – ele disse olhando em meus olhos.
_ Pode falar, amor! - eu já sabia o que seria.
_ Deixe-me levá-la ao hospital pra checar essa dorzinha que você está sentido? Só pra eu ficar mais tranqüilo, amor? – Bingo.
_ Tudo bem, Edward! Nós podemos ir, mas vamos esperar pelo menos o dia clarear! Não há necessidade de sair correndo, está bem? – concordei. Não iria deixar meu marido mais ansioso do que já estava.
Ficamos abraçados na cama conversando baixinho. Edward me falava sobre como a decoração do quarto de Sofia tinha ficado perfeita. Eles não tinham deixado que eu visse nada ainda. Alice e Esme queriam que eu tivesse o impacto da surpresa quando chegasse do hospital com Sofia nos braços. Elas bem que tentaram manter Edward afastado também, mas ele trapaceou e conseguiu ver o quarto antes de mim. Agora a porta vivia trancada, pois Alice ficou com medo de que eu trapaceasse também. Não que essa ideia nunca tenha passado pela minha cabeça, ela só veio tarde demais.
Assim que o dia clareou, Edward me fez levantar da cama e tomar um banho para irmos ao hospital. Ainda era muito cedo, mas eu já o tinha feito esperar demais. Edward trouxe uma bandeja com um café reforçado para o quarto e praticamente me obrigou a comer alguma coisa. Meu estômago estava se revirando de ansiedade e eu só queria chegar o mais rapidamente possível no hospital. Quando chegamos ao topo das escadas que davam para o andar inferior, Edward cismou em me carregar no colo. Ele tinha medo que eu sentisse alguma dor mais forte e caísse das escadas.
_ Amor, não precisa me levar no colo, eu posso andar. – eu tentava demovê-lo dessa ideia.
_ Bella, eu tenho medo que você caia! Amor, não seja teimosa, por favor? – ele pedia.
_ Edward, o risco de nós dois cairmos da escada é muito maior, amor! Você não vai conseguir enxergar os degraus comigo no colo. Me dê a sua mão e eu desço devagar, prometo! –
_ Você é tão teimosa! – ele dizia enquanto descia as escadas de costas na minha frente me obrigando a descer degrau por degrau bem lentamente.
_ Não é teimosia, amor! Eu já quase morri de medo quando Felix me carregou pelas escadas na casa da Leah no dia do nosso casamento, imagine agora com esse barrigão! – eu dizia olhando para o último degrau ao chegarmos ao andar inferior.
Ouvi a respiração de Edward se alterar de repente. Ergui o olhar e me assustei com a expressão que vi em seu rosto.
_ O que foi, Edward? – perguntei preocupada ao vê-lo parado me encarando.
_ O que foi que você disse? – ele perguntou com a voz sombria, o som saindo entre os dentes trincados.
_ Sobre o que, amor? – eu não estava entendendo mais nada.
_ Felix fez o que? – ele perguntou apertando a ponte do nariz entre o indicador e o polegar.
Opa! Eu nunca pensei que Edward fosse reagir dessa forma só porque um segurança me carregou no colo escada abaixo. Fiquei olhando feito uma tonta para ele antes de responder. Eu não sabia mais se deveria ter dito aquilo.
_ Amor, eu estava de olhos vendados e aquelas malucas queriam que eu descesse as escadas. Ele me ajudou a descer, foi só isso! – eu tentei explicar.
_ Quando nós voltarmos do hospital eu vou ter uma conversa com Felix. – ele disse encerrando a conversa e me puxando para fora de casa.
No trajeto para o hospital, ele ligou para Rose que já estava a caminho do trabalho. Tentei tocar no assunto de Felix novamente, mas Edward simplesmente fechava ainda mais a cara cada vez que eu falava o nome dele. Resolvi esperar que ele se acalmasse para tentar novamente mais tarde. Talvez essa reação fosse apenas uma forma de extravasar a ansiedade que ele sentia por causa da minha dorzinha. O resto do trajeto foi feito no mais absoluto silêncio. Tudo o que eu ouvia dentro do carro era o tamborilar dos dedos impacientes de Edward no volante quando parávamos em algum sinal vermelho e o som do ar saindo de sua boca quando ele bufava. Mantive meu rosto virado para a janela do lado do carona, mas podia sentir seu olhar em cima de mim.
_ Está chateada comigo? – a voz suave de Edward quebrou o silêncio no carro.
Neguei com a cabeça sem tirar os olhos do lado de fora. Não queria discutir por uma coisa tão boba. Esperava que todo aquele estresse acabasse quando Rose dissesse que eu estava bem.
_ Bella? – ele me chamou ao parar o carro no estacionamento do hospital.
_ Hum? – respondi sem olhar para ele.
_ Amor, olha para mim? – ele pediu e eu olhei – Vamos conversar?
_ Nós conversamos sobre isso depois que a Rose me examinar, Edward! – eu disse já saindo do carro sem esperar que ele abrisse a porta para mim.
Eu não queria que ele ficasse ainda mais irritado com aquela historia do Felix. Pra mim era uma coisa tão sem importância que a reação exagerada de Edward tinha me surpreendido. Bati a porta do carro com cuidado e comecei a caminhar em direção à entrada do hospital. Edward não disse mais nada, apenas caminhou ao meu lado envolvendo minha cintura com seu braço até chegarmos ao consultório de Rose. Depois da ultrassonografia em que Rose assegurou que tudo estava bem, Edward relaxou um pouco ao meu lado.
_ Edward, essa dorzinha chata que a Bella está sentindo pode ser pelo peso da barriga, mas como ela já completou os nove meses também pode indicar que a hora do parto esteja mais próxima. De qualquer forma, Bella e Sofia estão perfeitamente bem, não se preocupe. – ela o tranqüilizava.
Edward apenas assentiu com a cabeça enquanto segurava minha mão e a acariciava com o polegar. Sua testa ainda tinha uma leve ruga entre os olhos e ele se preparava para perguntar algo quando seu celular tocou. Era Emmett pedindo para que ele fosse até a sala da diretoria. Edward me deixou conversando com Rose e foi falar com o irmão.
_ O que ele tem, Bella? – ela me perguntou assim que ele saiu. – Ele me parece meio aborrecido!
Contei a Rose o que tinha acontecido mais cedo. Ao contrário do que eu pensei, ela não estranhou a reação de Edward como eu. Ao invés disso, tirava um sarro da minha cara e ria com gosto.
_ Me desculpe, amiga! Mas eu também teria reagido da mesma forma no lugar dele! – ela disse se contorcendo de rir.
_ Rose!!!! – eu a repreendi.
_ Bella, fala sério! Você é linda e o Felix é um tremendo pedaço de mau caminho. Que homem não sentiria ciúmes se soubesse que aquele deus grego andou carregando sua mulher no colo por aí? – ela ainda ria de mim.
_ Hey, para com isso! Ele não andou me “carregando no colo por aí”, como você disse. Se vocês não tivessem vendado meus olhos eu poderia ter descido as escadas perfeitamente sozinha! – eu falei num tom de falsa indignação.
_ E estragar a surpresa do Edward, bonitinha? Nem pensar! Além disso, você não ia querer perder a oportunidade do século de ser carregada por aquilo tudo, ia? – ela me provocava.
_ Deixa o Emmett saber o que você anda falando do Felix! Aposto que ele vai adorar! – eu a provoquei.
Deu certo. Rose ficou séria na mesma hora.
_ Bella, você não vai ser louca de contar pra ele. Emmett me mata! – ela estava vermelha como um tomate.
_ É claro que não, sua boba! Só estou enchendo o seu saco! Mas falando sério agora, como vocês estão? – eu perguntei.
_ Estamos bem! – ela respondeu corando e tentando esconder um sorriso no canto dos lábios.
_ Rose? – eu a chamei desconfiada.
_ Hum? – ela respondeu sem me olhar corando ainda mais.
_ Você está me escondendo alguma coisa, não está? – eu a olhava estreitando os olhos.
_ É claro que não, Bella! De onde você tirou essa ideia absurda? – ela disse se levantando, pegando um copo d’água e o tomando de uma só vez.
Fiquei em silêncio observando seu comportamento por alguns minutos. Ela não me olhava de frente, apenas de canto de olho e cada vez que dava de cara com meus olhos em cima dela corava ainda mais. Meu olhar a deixou desconfortável. Rose respirou fundo e ajeitou a roupa justa no corpo antes de se virar para mim. Foi aí que eu entendi.
_ Rose, você está grávida!!!! – não era uma pergunta. – Ai, meu Deus, que lindo! – minha voz saiu mais alta do que o normal.
Rose correu até mim tentando me silenciar.
_ Shh... Bella, fala baixo! Droga, eu não consigo esconder nada de você mesmo, não é? – ela riu e eu a abracei.
_ Ah, Rose, eu estou tão feliz por vocês!! O Emmett já sabe? De quanto tempo você está? Você já viu o sexo? – as perguntas saíram atropeladas.
_ Calma, Bella! Quantas perguntas! – ela ria da minha empolgação – Emmett ainda não sabe, eu vou contar para ele hoje à noite no jantar que Esme vai preparar. Eu estou na oitava semana e ainda não sei o sexo porque quero que o Emmett esteja comigo. – ela respondeu com um sorriso iluminado no rosto.
_ Esme já sabia? – ela assentiu com a cabeça. – Danadinha, não me falou nada!
Rose riu.
_ Viu só, bonequinha? – eu acariciava minha barriga – A tia Rose vai lhe dar um priminho ou uma priminha!
_ Er... na verdade pode ser os dois! – Rose disse com um sorriso misterioso.
Meus olhos se arregalaram e meu queixo caiu, minha boca formando um O redondo.
_ São gêmeos? Rose, você está esperando gêmeos? Meu Deus, Emmett vai surtar! – agora era eu quem ria descontroladamente enquanto Rose tentava me silenciar.
_ São gêmeos sim, mas você vai me prometer que vai ficar calada até hoje à noite. Promete? – eu assenti com a cabeça.
Nesse momento a porta do consultório se abriu e Edward entrou acompanhado de Emmett, o futuro papai babão Cullen. Eu mal podia esperar para ver a reação dele quando soubesse que seria pai e ainda de gêmeos. Deixei o casalzinho no consultório e voltei para casa com Edward. O silêncio no carro estava desconfortável. Edward parou o carro na garagem, abriu a porta do carro e me estendeu sua mão para que eu saísse. Ele ainda parecia chateado com a história do Felix e eu não sabia o que dizer ou o que fazer para que ele melhorasse.
_ Bella, vem comigo? – ele pediu me guiando para a área da piscina.
Edward se sentou em uma cadeira me puxando para seu colo. Ficou me olhando em silêncio durante alguns segundos antes de falar.
_ Eu queria lhe pedir desculpas, amor! – ele disse constrangido.
_ Está tudo bem, Edward! Eu só não queria que você tivesse ficado aborrecido comigo, amor! Eu não falei por mal e tenho certeza de que o Felix só quis ajudar. Ele nunca me faltou com o respeito, amor! – eu disse acariciando seu rosto e colando minha testa na dele.
_ Eu sei, minha vida! Eu reagi mal, me perdoa! Quando você me disse que ele tinha lhe carregado nos braços eu fiquei morto de ciúmes, amor! Eu sei que você nunca me deu motivos pra que eu sentisse ciúmes, mas pensar em você nos braços de outro homem foi demais pra mim, Bella! – ele disse com expressão de dor e fazendo um biquinho lindo.
_ Vem cá, Dr. Bicudinho! – eu disse apertando ainda mais o meu abraço – Eu preciso mostrar para o meu marido a quem eu pertenço.
Agarrei os cabelos de Edward e lhe dei um beijo devastador. Edward correspondeu ao beijo devorando meus lábios e me apertando ainda mais contra seu corpo quase me fazendo esquecer onde estávamos. Quase. Porque Brian apareceu correndo de dentro de casa e nos interrompeu chamando Edward para brincar de bola.
_ Você não vai trabalhar hoje? – perguntei sorridente ao vê-lo brincando com nosso filho.
_ Emmett pediu para que eu ficasse de plantão essa madrugada! – ele disse constrangido e meu sorriso se desmanchou.
Eu odiava dormir sem Edward, ou melhor, eu odiava passar a noite sem Edward. Até porque, quando ele não estava na cama eu não dormia direito. Me sentia sozinha e a cama ficava muito grande e muito fria sem ele.
_ Eu sei, amor! – ele disse ao ver minha expressão aborrecida – Eu também não gosto de passar a noite longe de você, mas pense pelo lado positivo. Amanhã é meu aniversário e eu terei o dia todo pra ficar com a minha família! – ele disse vindo me abraçar.
Pensando por esse lado, eu até poderia agüentar uma noite longe dele, eu acho. Deixei meus dois homens brincando do lado de fora e fui conversar com Esme. Ela estava radiante com a chegada dos novos netinhos. Ficamos fofocando em seu quarto até a hora do almoço. Ela também mal podia esperar para ver a reação de Emmett. Depois do almoço, Brian foi para a escolinha. Eu me deitei na cama com Edward e dormimos a tarde quase toda, afinal se Edward ia passar a noite de plantão teria que estar descansado. Foi o próprio Brian quem nos acordou ao chegar da aula todo animado com o desenho que ele havia feito e que mostrava a nossa família passeando no parque. Ele não se esqueceu de desenhar Sofia com seus olhos extremamente azuis e os cabelos da mesma cor dos de seu pai. Ficamos ouvindo seu relato de como tinha sido seu dia na escola até que o dia escureceu. Edward deu um banho em Brian e o arrumou para o jantar enquanto eu acabava de me vestir. Vê-lo sair do banheiro apenas com uma toalha enrolada na cintura e os com cabelos pingando água era demais para a minha sanidade.
_ Amor, não faz uma maldade dessas comigo, vai? – eu pedi me agarrando a ele.
_ Que maldade, minha vida? – ele perguntou com um sorriso cínico.
_ Aparecer assim na frente de uma mulher prestes a dar a luz é covardia, Edward! – eu protestei e ele riu colando ainda mais seu corpo no meu.
Meu amiguinho já estava todo animadinho, mas eu não poderia brincar com ele. Rose tinha me colocado de dieta. Ninguém merece! O jeito foi Edward voltar correndo para o chuveiro, dessa vez gelado, e sossegar o facho.
O jantar correu tranquilamente com todos conversando sobre amenidades enquanto Esme, Rose e eu trocávamos olhares cúmplices. Alice estava inquieta em sua cadeira percebendo que tínhamos um segredo e que ela tinha sido excluída. Jasper a observava sem entender o motivo de sua irritação. Emmett, como sempre, estava alheio a toda a tensão da sala e se concentrava em seu prato de comida. Eu já estava ficando impaciente com a demora de Rose em dar a notícia quando Carlisle propôs um brinde à família.
_ Carlisle, se você me permite, eu gostaria de propor um brinde especial! – Rose o interrompeu.
_ A que especificamente você gostaria de brindar, Rosalie? – ele perguntou sorridente.
_ Eu gostaria de propor um brinde aos seus netos! – ela disse levantando seu copo de suco e sendo imitada por todos – Aos quatro! – ela completou.
Todos ficaram em silêncio parecendo processar aquela informação. Esme, Rose e eu sorríamos tentando adivinhar quem seria o primeiro a entender. Carlisle e Jasper abriram um sorriso enorme ao mesmo tempo. Logo depois, Edward arfou ao meu lado e Alice deu um grito que quase estourou meus tímpanos antes de correr na direção de Rose para abraçá-la. Emmett permanecia paralisado e eu cheguei a pensar que ele não tivesse entendido. Aos poucos ele pareceu recuperar os movimentos de seus músculos e virou a cabeça lentamente na direção de Rose.
_ Eu vou ser pai? – ele perguntou com a voz suave olhando para Rose com uma cara meio abobada.
Rose olhou para ele e assentiu com a cabeça. Ele se aproximou de Rose e tocou sua barriga.
_ Eu vou ser pai de gêmeos? – sua voz estava um pouco mais forte. Rose novamente assentiu com a cabeça sorrindo emocionada.
_ Eu sou o cara! – ele disse olhando orgulhoso para Edward – Aprende comigo, maninho! Empatei o jogo com uma tacada só! EU.SOU.O.CARA! – ele gritou praticamente soletrando as palavras.
Todos caíram na gargalhada com as bobagens de Emmett. Ele acabou se emocionando e chorando abraçado a Rose que sorria entre lágrimas. Ficamos todos ali mimando os novos Cullens e fazendo planos para o futuro e Emmett, é claro, não perdeu a oportunidade de provocar Edward outras vezes. Por volta das dez da noite, Edward teve que nos deixar e ir para o hospital. Brian já dormia no sofá com a cabeça apoiada no colo de Alice, mas foi Emmett quem o levou para o quarto dizendo que tinha que treinar bastante até que os bebês chegassem.
13 de maio de 2011. 00h30min da manhã. Meu Edward estava fazendo 30 anos e não estava perto de mim. Eu ainda não tinha conseguido dormir. Me virava de um lado para o outro na cama sem conseguir achar uma posição que me aliviasse a dor nas costas. Minha bexiga já protestava e resolvi me levantar para aliviá-la. A dor nas costas foi aumentando gradativamente. Quando voltava para o quarto a dor atingiu um nível insuportável. Ela saiu das costas passando pela lateral do meu corpo e parando no meu baixo ventre. Parecia que eu estava sendo rasgada por dentro. Senti vontade de gritar por ajuda, mas a dor tinha levado a minha voz. O máximo que consegui foi emitir um gemido abafado enquanto me curvava para frente e me apoiava na cama ajoelhada no tapete do quarto.
_ Calma, bonequinha! – minha voz saindo espremida enquanto eu acariciava minha barriga tentando aplacar a dor – Vai dar tudo certo, meu amorzinho!
Eu ainda estava ofegante com a dor da primeira contração quando a porta do quarto se abriu. Brian me olhava com o rostinho assustado e logo atrás vinha Emmett de roupa mudada e falando apressado no celular.

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