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Juiz de Fora, Minas Gerais, Brazil
Apesar de ser mestre em Linguística e ter toda a minha vida acadêmica voltada para o ensino de línguas, sempre fui amante da literatura, devoradora de livros, filmes e séries. Sempre tive um sonho: escrever. Durante muito tempo, o medo de fracassar me impediu de realizar esse sonho, mas uma grande amiga me incentivou e me deu a coragem de enfrentar meus fantasmas e graças a ela eu hoje posso dizer que me sinto uma pessoa melhor, mais confiante e absolutamente ciente do meu potencial.

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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Capítulo 17 - Lembranças

Na manhã seguinte, Brian tomava o café da manhã depois de ter tomado banho e vestido o uniforme da escola enquanto Bella acabava de organizar a bagunça que ele havia deixado no banheiro. Ao voltar para o quarto do menino, o reflexo do sol sobre o porta-retratos no criado mudo chamou sua atenção. Bella se aproximou, sentou-se na cama de Brian e pegou o retrato da irmã, acariciando-o. Queria ter tido a coragem de falar com ela e de tentar uma reaproximação, mas agora era tarde demais. Ela tinha perdido a chance de ter de volta o amor da irmã e teria que viver com isso para sempre.
De costas para a entrada do quarto e distraída em suas lembranças, Bella não percebeu o par de olhos azuis que a observava da porta havia algum tempo. Só percebeu que não estava sozinha quando sentiu o colchão afundar atrás de si, mas não precisava olhar para trás para saber quem estava ali. Sentiu sua cintura ser envolvida por braços fortes que a abraçavam por trás. Um beijo suave no pescoço a fez estremecer.
_ Você está bem? – Edward perguntou quebrando o silêncio.
Bella apenas assentiu com a cabeça sem tirar os olhos da foto da irmã, mas Edward percebeu que algo a incomodava.
_ O que foi, amor? Eu sei que tem alguma coisa incomodando você. – ele insistiu.
_ Não é nada demais, Edward. Foi só a saudade que bateu mais forte hoje. – ela tentou disfarçar.
Edward não insistiu. Bella era como a irmã, tinha a hora certa de se abrir.
_ Vamos descer para tomar o café da manhã? Daqui a pouco Brian vem nos buscar fazendo biquinho. – Bella mudou de assunto.
Edward apenas assentiu com a cabeça e sorriu. Estendeu a mão para Bella e ambos desceram para a sala de jantar. Sem fome, Bella tomou apenas um suco sob o olhar atento e preocupado de Edward. Juntos, levaram Brian para a escola. O menino insistira em levar Oz alegando que ele era bonzinho e que não ia atrapalhar. Só desistiu diante da promessa de Esme de não deixar o filhote sozinho. 
A manhã passou rapidamente com tantos pacientes a serem atendidos no hospital. Edward mal tinha tido tempo de ver Bella e sentia-se angustiado sem saber como ela estava. Bella tinha conseguido se distrair um pouco com seus pacientes. Insistira com Jacob que queria trabalhar embora a tala que imobilizava seus dedos a atrapalhasse bastante.
Alice, Jasper, Rosalie, Emmett, Jacob e Edward almoçaram no restaurante do hospital. Bella praticamente não tinha tocado na comida. Tinha permanecido calada durante o almoço completamente alheia à conversa de todos que a olhavam disfarçadamente com uma expressão preocupada. Alice e Jacob olhavam para Edward com o olhar questionador e ele apenas negava sutilmente com a cabeça. Edward já tinha tomado uma decisão: se até o final daquele dia Bella continuasse daquele jeito e, principalmente, sem se alimentar, ele arrancaria a verdade dela mesmo que para isso tivessem que discutir.
No meio da tarde, Jacob obrigou Bella a comer alguma coisa alegando que os remédios que ela estava tomando iriam lhe fazer mal se ela os tomasse de estômago vazio. Bella concordou em fazer um lanche sob a ameaça de Jacob de afastá-la do trabalho. “Ordens médicas”, ele dissera.
À noite, Bella mais uma vez foi obrigada a comer. Brian se negava a jantar se a tia não comesse com ele. Edward percebia o esforço que ela fazia para engolir a comida e estava cada vez mais preocupado.
_ Bella, o que você tem? Está sentindo alguma coisa? – Esme perguntou após o jantar, preocupada com a apatia da nora.
_ Eu só estou um pouco cansada, Esme. Não se preocupe comigo. – Bella tentou disfarçar com um sorriso triste.
_ Por que você não toma um banho e se deita um pouco? Aproveite que Edward vai colocar Brian pra dormir e tente relaxar. – Esme sugeriu.
Bella apenas assentiu com a cabeça e subiu para o quarto de Edward. Ligou o chuveiro, deixando que a água quente caísse em seus ombros tensos. Precisava acabar com aquela angústia que estava sentindo e deixou que a água lavasse as lágrimas que insistiam em rolar em seu rosto. Desligou o chuveiro, secou-se e vestiu a camisa do pijama de Edward. Talvez seu perfume a acalmasse. Voltou para o quarto e deitou-se na cama ainda pensativa esperando por ele.

Narrado por Esme

Meu Edward estava novamente feliz e apaixonado. Quando Bella surgiu em sua vida trouxe de volta o brilho aos seus olhos e aquele sorriso imenso que havia muito tempo eu não via em seus lábios. Eu só podia agradecer a Deus todos os dias pelo milagre chamado Bella, mas ainda assim a relação dos dois me preocupava. Era evidente o amor que eles sentiam um pelo outro, mas era visível a diferença de intensidade em Edward. 
O amor de meu filho por Bella era um amor quase desesperado, muito mais intenso do que o que ele sentia por Isa. Eu tive uma prova disso no final de semana em que Bella sumiu com Jacob e Leah. Edward simplesmente não conseguia se concentrar em nada. Vagava pela casa de dia e de noite e a angústia que ele sentia estava latente em seu rosto. Meu coração de mãe não podia evitar sentir medo por ele. Se algo acontecesse a Bella ou se ela o deixasse, eu perderia meu filho.
Bella tinha amanhecido tristonha e calada. Não se alimentou bem no café da manhã e, segundo Alice, também não comeu quase nada no almoço. No jantar, ela fazia um esforço enorme para engolir a comida para que Brian aceitasse comer também. Edward estava preocupado com ela e vê-lo assim me deixava angustiada. Eu não sabia o que estava acontecendo, se eles tinham brigado ou se era algo mais grave com Bella. Ela se dizia cansada, mas eu não acreditei. Depois do jantar, sugeri que ela subisse para o quarto de Edward e tomasse um banho para descansar e fui falar com meu filho para tentar saber o que estava acontecendo. Ele também não sabia, mas achava que era algo relacionado a Isa. Disse que ela tinha acordado bem, mas que notou sua mudança depois que a tinha visto com o retrato da irmã. Ofereci-me para conversar com ela. Talvez uma conversa de mãe para filha a ajudasse, mas Edward preferiu tentar ele mesmo. Eu só podia respeitar sua decisão e rogava a Deus para que a presença de Bella na vida de meu filho não se tornasse motivo de preocupação.

Narrado por Edward

Bella estava deitada na cama olhando fixamente para o teto quando saí do banheiro com uma toalha enrolada na cintura. Depois de vestir uma calça de moletom, deitei-me ao seu lado e a puxei para junto de meu corpo acariciando-lhe os cabelos. Bella me abraçou, mas continuava calada. Eu sabia que algo estava errado e já não conseguia mais esconder minha ansiedade. Aquele silêncio estava me deixando angustiado.
_ Amor, eu sei que tem alguma coisa acontecendo com você. Você passou o dia todo calada, distraída e tristonha. Conversa comigo? – pedi.
_ Está tudo bem, Edward! Eu só estou um pouco cansada! – ela mentiu.
_ Bella, você não sabe mentir, amor! Por favor, me diz o que você tem? – a abracei ainda mais forte apoiando meu queixo no topo de sua cabeça. Eu queria que ela se sentisse segura para se abrir.
_ Eu... eu queria saber uma coisa, mas... se você não quiser responder ... eu vou entender... – ela hesitou.
_ Eu sei que é sobre a sua irmã, amor. Pergunte o que você quiser. – respondi. Esperava que ela não me escondesse o que estava sentindo.
_ Ela ... Edward... alguma vez ela falou de mim pra você? –ela perguntou quase em um sussurro.
Afastei meu rosto para olhar diretamente em seus olhos. Passei alguns segundos acariciando seu rosto e a observando calado antes de responder.
_ Quando nos conhecemos ela me disse que tinha uma irmã. Eu nunca soube muitos detalhes porque eu via que ela sofria quando eu tentava tocar nesse assunto. Ela ficava muito triste quando falava de você, Bella. Então, eu acabei não insistindo.
_ Ela me odiava! – Bella disse com os olhos marejados. – Era por isso que não queria falar de mim.
_ Não, Bella. Você está enganada. Ela não falava de você porque se sentia culpada pela forma como tinha lhe tratado na última vez que vocês se falaram.
Sentei-me na cama trazendo o corpo de Bella junto com o meu e fiquei de frente para ela. Envolvi suas mãos com as minhas e olhando diretamente em seus olhos resolvi falar.
_ Eu a conheci no dia em que vocês brigaram. Ela estava sentada em um banco na praia em frente ao prédio onde vocês moravam e chorava muito. Eu tentei fazer com que ela me dissesse qual era o problema, mas o máximo que consegui foi que ela dissesse que tinha brigado com a irmã. Ficamos algum tempo conversando e eu a aconselhei a voltar para casa e tentar se entender com você. Ela agiu daquela forma em um momento de descontrole, Bella. Ela não odiava você, pelo contrário, ela a amava tanto que sofria por saber que a tinha magoado. – eu disse, meus olhos cravados nos olhos dela. Esperava que ela pudesse ver a verdade nas minhas palavras.
_ Aquele banco na praia era onde eu costumava me sentar todos os dias. Eu adorava ficar olhando para o mar e refletir sobre as coisas da minha vida. Naquele dia, depois que ela brigou comigo, ela saiu correndo de casa e eu resolvi me sentar no meu banquinho. Mas quando eu cheguei à praia, ela estava sentada lá. Eu não entendi o que ela estava fazendo ali, ela sempre me criticava, dizendo que eu perdia muito tempo olhando para o nada. Dizia que eu devia refletir menos e agir mais. Naquele momento eu tomei a decisão de voltar pra Edmonds. Voltei correndo para casa, enfiei minhas roupas de qualquer jeito em uma bolsa e fugi dali antes que ela voltasse. – ela disse baixando o olhar.
_ Ela ficou desesperada quando não a encontrou, Bella. Ela não sabia para onde você tinha ido e você deixou seu celular para trás. Era a única forma que ela tinha de entrar em contato com você. – expliquei – Depois disso, toda vez que eu tentava falar sobre o assunto pra tentar encontrar alguma pista que a levasse até você, ela começava a chorar e eu acabei desistindo.
_ Ela sempre foi muito fechada, Edward. Desde criança, era uma luta para fazê-la falar o que a incomodava. Eu me lembro que minha mãe ficava angustiada quando ela voltava da escola triste e não queria dizer o que tinha acontecido. – ela disse.
_ Neste ponto, vocês têm a personalidade bastante parecida, amor. – eu ri sem humor – Você, às vezes, é bem difícil de desvendar!
Bella deu um sorriso triste e me abraçou. Eu queria poder arrancar aquela tristeza de seu coração, mas me sentia impotente. De repente me dei conta de que se naquele dia Isa não tivesse tomado o lugar da irmã no banquinho da praia, eu a teria conhecido. Bella ergueu a cabeça parecendo ler meus pensamentos e sorriu.
_ Era para nós termos nos conhecido naquele dia! – ela disse.
_ Talvez, amor! Se o destino cometeu um deslize naquele dia, ele acabou dando um jeito de consertar as coisas. O que importa é que nós estamos juntos agora e eu tenho certeza de que a Isa, esteja onde estiver, está feliz por nós dois.
Bella abriu um sorriso e me encarou com os olhos brilhantes. Era impressionante como um simples sorriso dela me deixava feliz.
_ Se sente melhor agora? – perguntei inseguro.
Bella assentiu com a cabeça e tocou meu rosto ternamente. Fechei os olhos apreciando o toque macio dos seus dedos em minha pele. As emoções que ela despertava em mim faziam meu coração disparar no peito. Tudo o que eu precisava para ser feliz era o amor daquela mulher. Já não conseguia mais imaginar a minha vida sem sua presença. Bella se tornara parte de mim, a melhor parte, tinha que admitir.
_ Edward? – sua voz era quase um sussurro.
Abri os olhos e vi seus olhos marejados. Meu coração bateu espremido no peito. Esperei angustiado que ela continuasse.
_ Eu te amo! – ela disse sorrindo e uma lágrima rolou de seus olhos.
_ Eu também te amo, minha vida! Mais do que você pode imaginar! – confessei aliviado abraçando-me a ela.
Deitei-me novamente trazendo Bella comigo. Tê-la ali, aninhada em meu peito, sentindo o calor e o perfume do seu corpo era tudo o que eu precisava naquele momento. Bella escondeu o rosto em meu pescoço e relaxou. Não dissemos mais nada, apenas ficamos abraçados enquanto eu acariciava seus cabelos. Não se passou muito tempo até que eu sentisse sua respiração mais tranquila. Bella tinha adormecido.  Muito tempo depois, eu ainda estava acordado. Pensava em como às vezes a vida nos surpreendia. Quando decidi vir para Edmonds com minha família, jamais pensei que fosse encontrar um novo amor e, principalmente, que esse amor seria justamente a irmã de Isa.  Eu me sentia inteiro novamente. O buraco que Isa tinha deixado aberto em meu peito não existia mais. Não era como se ele tivesse sido curado ou cicatrizado, mas como se ele nunca tivesse existido. Graças a Bella, pela primeira vez em cinco anos, eu consegui falar de Isa sem sentir vontade de chorar.

Narrado por Bella

Eu não conseguia entender o que estava acontecendo comigo. De repente sentia uma angústia, um aperto no peito que parecia me drenar as energias. Passei o dia totalmente dispersa. Esforçava-me para me concentrar no trabalho, mas a imagem de minha irmã insistia em voltar em minha mente a todo o momento.
Edward tinha percebido que algo estava me incomodando, mas eu mesma não sabia explicar o que era. Não sabia distinguir se era apenas saudade ou se era algo mais. Eu queria saber lhe dizer o que estava sentindo para tentar desfazer a ruga de preocupação que tinha se formado em sua testa. Detestava pensar que ele estava angustiado por minha causa.
Embora tenha tentado comer alguma coisa, mal consegui tocar em meu almoço. Notava que todos estavam me observando discretamente e via a preocupação em seus rostos, mas simplesmente não conseguia reagir àquela apatia que tinha me tomado. Agradeci mentalmente por ninguém ter tocado no assunto comigo, mas sabia que Edward não deixaria passar em branco.
À noite, Brian me fez jantar com ele. Meu estômago protestava a cada vez que eu engolia a comida. Fazia um esforço enorme para não por tudo para fora ali mesmo e sabia que Edward tinha percebido. Ele vinha me observando calado desde a hora em que saímos do hospital.  Por sugestão de Esme, subi para o quarto de Edward e tomei um banho enquanto esperava por ele. Debaixo do chuveiro deixei que as lágrimas caíssem tentando aliviar aquele sentimento horrível que oprimia meu peito. Já estava deitada quando Edward entrou no quarto. Ele sentou-se ao meu lado na beirada da cama, me deu um beijo suave nos lábios e seguiu para o banho sem nada dizer. Eu sabia que ele tinha notado meu nariz vermelho e meus olhos inchados pelo choro e tinha certeza de que ele iria me pressionar até que eu me abrisse com ele.
Eu queria muito perguntar a ele sobre Isadora, mas tinha medo de fazê-lo sofrer ao lembrar-se dela. Não suportaria vê-lo sofrendo ou, pior, chorando, mas quando ele insistiu pra que eu falasse tomei coragem e toquei no assunto. Para a minha surpresa e alívio, ele falou sobre ela sem parecer sofrer e contou-me como a tinha conhecido. Por ironia do destino, ela estava sentada no meu banquinho naquele dia. Não pude evitar pensar que se ela não estivesse lá, eu poderia ter conhecido Edward naquela época.
Conversar com Edward sobre Isadora me deixou mais tranquila. A sensação de angústia estava completamente esquecida quando me aninhei em seu peito. Edward acariciava meus cabelos em silêncio e aos poucos comecei a sentir meu corpo relaxar. Não sei quanto tempo demorei a dormir, mas quando acordei no dia seguinte, uma voz ecoava em minha mente: “Era pra ser você, Bella!”, Isadora sussurrava em meu ouvido.

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