Para Edward e Bella, as semanas seguintes se resumiram em entrevistar médicos e enfermeiros para completar o quadro de funcionários das novas instalações da pediatria, cuidar dos pacientes do hospital, jantares em família, passeios com Brian nos dias de folga e noites recheadas de muito amor. Não podiam pedir mais nada da vida, mas o ritmo de trabalho estava insano e eles estavam exaustos. Mereciam uma noite de diversão.
Combinaram de sair naquela sexta-feira à noite. Uma boate seria inaugurada na cidade e Alice já tinha conseguido convites Vips para todos. Com os novos médicos já trabalhando na pediatria, ficava mais fácil para todos saírem juntos de vez em quando.
Decidiram que sairiam em três carros. Alice iria em seu carro com Jasper. Emmett levaria Rosalie e no terceiro carro iriam Edward e Bella. Leah não tinha dado certeza se iria por causa de Jacob. Ele ficaria de plantão e havia insistido para que Leah se divertisse um pouco, mas ela ainda estava relutante.
A boate estava lotada. A inauguração estava sendo um grande sucesso. Quatro carros estacionaram ao mesmo tempo em frente à boate. Leah dirigia o quarto. Tinha resolvido ir em seu próprio carro, assim, caso ficasse cansada e decidisse sair mais cedo, não dependeria de carona para voltar.
Os homens foram diretamente para o bar pegar bebidas para todos enquanto as mulheres se acomodavam nas mesas. A maioria tomaria cerveja, menos Bella que detestava bebidas alcoólicas por motivos óbvios. Bella tinha notado que havia muitas mulheres bonitas no lugar. Muitas delas olhavam para Edward de forma insinuante, mas ela estava tranquila. Sabia que ele não a magoaria e confiava no amor que ele sentia por ela.
Edward, Emmett e Jasper conversavam animadamente sobre futebol. As mulheres tinham descido para o andar inferior e davam um show na pista de dança.
_ Meninas, vamos voltar para a mesa? Estou morta de sede! – disse Alice.
_ Eu me encontro com vocês lá então. Eu preciso ir ao banheiro. Por favor, avisem ao Edward para mim! - disse Bella
Alice, Rosalie e Leah assentiram e subiram para a área vip enquanto Bella caminhava em direção ao banheiro pensando em como a noite estava sendo divertida. A única coisa que a havia incomodado a princípio era um moreno com cara de índio que a encarava acintosamente. No começo, ela teve medo de que Edward percebesse e fosse tirar satisfações com ele, mas depois não viu mais o tal homem e relaxou. Entrou no banheiro, certa de que a noite seria divertida, mas não sabia o tamanho do problema que a esperava do lado de fora.
Narrado por Edward
Bella estava demorando demais para voltar do banheiro. Eu já estava ficando preocupado. Será que ela estaria se sentindo mal? Seria melhor esperá-la na porta do banheiro para ter certeza de que tudo estaria bem. A boate estava lotada e era difícil conseguir me deslocar entre tanta gente. Duas mulheres passaram correndo por mim na saída do corredor que dava para o banheiro. Falavam em pedir ajuda para alguém, não deu para ouvir direito. Minha preocupação aumentou ainda mais. Será que a ajuda era para Bella? E se ela estivesse caída no banheiro ou coisa assim? Eu precisava chegar até ela, agora mais do que nunca. Eu estava preparado para invadir o banheiro e tirar Bella de lá, mas não estava preparado para ver o que vi. Bella estava aos beijos com um homem na porta do banheiro. Ele a imprensava contra a parede e a segurava pelos braços enquanto ela se agarrava aos cabelos dele, como costumava fazer quando estava comigo. Fechei meus olhos, não suportava ver aquela cena. Mas tudo ficou ainda pior. Bella gemia nos braços daquele homem. Era demais para mim. Eu precisava sair dali. Se ela queria ficar com ele, que ficasse. Eu não a impediria, mas ela não me teria mais. Voltei para a mesa onde estavam todos e Alice percebeu que eu não estava bem.
_ O que foi, Edward? Onde está Bella? – ela perguntou assustada com minha expressão.
_ Bella está ótima, Alice. Posso te garantir isso! – disse irônico.
_ Por que você não a trouxe para cá? O que está acontecendo afinal? – Emmett perguntou.
_ Ela está se divertindo com um amiguinho novo, Emmett! – minha voz estava carregada de ódio. – Está lá, na porta do banheiro aos beijos com um índio. – disse já pegando minhas chaves para sair.
_ Edward, isso deve ser um mal entendido! – disse Rose tentando aliviar a barra de Bella. – Será que o cara não a está forçando?
_ O gemido dela não parecia o de quem estava sendo forçada, Rosalie! – eu disse sarcasticamente. – A noite para mim acabou, eu vou embora daqui agora! – falei pisando duro na direção da saída.
Aquele lugar estava me sufocando. Eu precisava de ar. Queria simplesmente sumir do mapa, deixar de existir para tentar não sofrer tanto. As imagens de Bella nos braços daquele maldito índio não saíam da minha mente. Passavam repetidas vezes diante de meus olhos como se fossem um filme. Eu tentava me desligar de tudo, mas não conseguia. Aquilo me perseguiria para onde quer que eu fosse. Eu não sabia para onde estava indo. Afundava cada vez mais o pé no acelerador querendo fugir de tudo. Só sabia que tinha que me afastar daquele lugar o mais rápido possível.
Narrado por Bella
Ao sair do banheiro senti uma mão enorme agarrando meu braço e me empurrando contra a parede. Embora o lugar estivesse mal iluminado, eu conseguia ver perfeitamente de quem se tratava. Era o mesmo moreno com cara de índio que tinha passado a noite inteira me olhando do balcão do bar. Pensei em gritar por ajuda, mas antes que eu conseguisse processar essa ideia ele me beijou à força. Seu hálito de álcool me embrulhava o estômago. Como as pessoas conseguiam beber tanto? Eu me esforçava para me livrar de suas mãos, mas ele era absurdamente forte. Suas mãos me apertavam com uma força sobre-humana imprensando meu corpo contra o canto da parede. Eu me debatia, mas parecia que ele sequer sentia o esforço que eu estava fazendo. Eu era presa fácil ali. Rezava para que alguém aparecesse para me ajudar, mas parecia que a sorte não andava muito para o meu lado ultimamente. Eu teria que fazer alguma coisa sozinha, antes que aquele maluco me machucasse mais.
Levei minhas mãos até seus cabelos e os puxei para trás com toda a força que eu tinha. Ele nem se mexeu. É claro, ele estava tão anestesiado pelo álcool que um simples puxão de cabelo lhe pareceria cócegas. Prova disso, foi o aperto ainda mais forte nos meus braços. Gemi com a dor que já estava insuportável. Seus dedos ficariam marcados ali, com certeza. Eu teria que apelar para algo mais radical: a boa e velha joelhada na virilha. Não havia álcool nesse mundo que mantivesse um homem de pé depois disso. Assim que ele se encolheu com a dor, a raiva tomou conta de mim e dei um bom soco no nariz dele. Pude ouvir um estalo alto de alguma coisa se quebrando e uma dor lancinante correu por meus dedos.
Ele se afastou cambaleando para trás e caiu deitado no chão com as mãos entre as pernas. Enquanto ele urrava de dor eu corri o mais rápido que pude. Ainda tremia quando cheguei à mesa onde Edward estava... ou deveria estar.
_ Onde está Edward? – perguntei ofegante para Emmett.
_ Ele foi embora, Bella! – foi Rose quem respondeu com uma expressão de pesar.
_ Como foi embora? Por quê? Aconteceu alguma coisa com Brian? – perguntei já preocupada.
_ Não se preocupe! Brian está bem. – disse Rose.
_ Você não acha que esse seu teatrinho de boa moça já foi o suficiente, Bella? – Alice esbravejou me olhando com ódio.
_ Do que você está falando, Alice? Por que você está falando assim comigo? – eu não compreendia o que estava acontecendo.
_ Eu não vou ficar aqui assistindo esse seu showzinho de menina inocente! Para mim já chega! – disse Alice se levantando, mas Jasper a impediu.
– Emmett, por favor, me explique o que está acontecendo? – implorei já com lágrimas nos olhos.
_ Edward viu seu beijo apaixonado com seu amiguinho na porta do banheiro, Bella! – ele disse calmamente sem me olhar no rosto.
Finalmente eu entendi. Edward tinha visto tudo e foi embora achando que eu o estava traindo. Eu não conseguia acreditar que ele não confiava no amor que eu sentia por ele. Não me deu sequer a oportunidade de desfazer aquele mal entendido. Pior, tinha me deixado sozinha na mão daquele homem. Por isso Alice estava com tanta raiva de mim. Ela também não acreditava na minha inocência.
_ Aquilo não foi um beijo apaixonado, Emmett! Aquele brutamontes me agarrou e me beijou à força. Eu jamais trairia o Edward. Eu o amo e para mim não existe outro homem no mundo. – respondi chorando.
_ Você até gemeu durante o beijo, Bella! Acha que o Edward não ouviu? – Alice cuspiu.
_ Você também teria gemido se alguém estivesse apertando seus braços quase a ponto de arrancá-los, Alice! Não foi um gemido de prazer, mas de dor. Se você não acredita em minhas palavras talvez acredite nisto aqui. – Gritei levantando a manga da minha blusa e expondo a enorme marca arroxeada da mão do índio em meus braços.
Alice arregalou os olhos diante da imagem e com os olhos cheios de lágrimas e uma expressão de culpa tentou me abraçar. Esquivei-me. Não queria ser tocada por ninguém, só queria sair dali, ir até o hospital e pedir ao Jake que desse uma olhada em minha mão que já latejava. Nesse instante, apareceram dois seguranças da boate carregando o índio, acompanhados de duas moças.
_ Com licença, senhora! – Um dos seguranças se dirigiu a mim. – Estas duas moças me disseram que este homem a atacou na porta do banheiro feminino, é verdade?
_ Sim, é verdade! – respondi olhando diretamente nos olhos de Alice que baixou a cabeça. – Ele me agarrou e me beijou à força, mas acredito que tenha sido por efeito do álcool.
_ A senhora quer prestar queixa? Nós já acionamos a polícia. – ele perguntou.
Olhei bem no rosto do índio. Mal conseguia manter-se em pé sozinho. Apesar do que ele tinha feito, não me parecia má pessoa. Além do mais, esperar pela polícia significaria sentir dor por mais tempo e eu já não suportava mais. Minha expressão alertou o segurança.
_ A senhora está se sentindo mal? Ele a machucou? – ele perguntou preocupado.
_ Na verdade, fui eu que me machuquei quando soquei o nariz dele. Acho que quebrei a mão! – ri sem humor. – Só quero ir embora e tratar da minha mão. Não vou prestar queixas contra o rapaz, obrigada!
Os seguranças saíram levando o índio e eu agradeci às duas moças por terem chamado socorro. Peguei minha bolsa sobre a mesa, mas me esqueci da mão machucada.
_ Ai! – gritei assim que senti meus dedos queimarem de dor.
Recolhi instintivamente a mão ferida, aninhando-a ao peito e segurando-a com a outra mão.
_ Eu a levo ao hospital, Bella! – disse Alice com o olhar triste.
_ Eu agradeço, Alice, mas não precisa. Eu pego um taxi. Você já fez muito por mim hoje. – respondi sarcasticamente. – Boa noite a todos e obrigada pela companhia! Eu me diverti muito!
Peguei minha bolsa e saí dali. No estacionamento, fui alcançada por Leah.
_ Bella, eu não vou deixar você pegar um taxi a essas horas, é perigoso! Estou de carro. Venha, eu a levo ao hospital. Assim aproveito para namorar um pouquinho também. – ela brincou.
Sorri em agradecimento, mas logo as lágrimas voltaram com força.
_ Como ele pôde achar que eu faria aquilo com ele, Leah? Será que ele me acha tão leviana assim? - Leah se aproximou de mim e me abraçou.
_ Não pense nisso agora, Bella. Você está com a cabeça cheia de minhocas e com a mão machucada. Vamos! Eu sei que você está sentindo dor. Jake vai dar um jeito nela para você.
A radiografia mostrava dois dedos fraturados. Jake os imobilizou com uma tala já que eu não quis engessar. Também me receitou anti-inflamatórios e analgésicos para a dor.
_ Você deve ter feito um belo estrago no nariz do rapaz, Bella! – caçoava Jake.
_ Pode apostar que ele nem sentiu, Jake! O prejuízo foi todo meu! – seu sorriso murchou de repente.
Jake ficou revoltado com a reação de Edward. Queria ligar para ele e lhe dizer umas verdades, mas eu o fiz prometer que não se envolveria no assunto. Se Edward não confiava no meu amor, eu preferia ficar longe dele. Iria doer, mas eu acabaria me acostumando com a dor. Sempre foi assim na minha vida e agora não seria diferente.
_ Tudo o que eu queria neste exato momento era desaparecer do mapa! – disse sem perceber que estava expressando meus pensamentos em voz alta.
Jake e Leah se olharam.
_ Bella, você não vai poder trabalhar por uns dias por causa da fratura. Eu e Leah vamos assim que amanhecer para La Push. Vamos passar o final de semana com as nossas famílias. Por que você não vem com a gente? Assim você esfria a cabeça e pensa melhor no que vai fazer. – ele propôs sorrindo.
_ Mas eu não vou incomodar vocês? – perguntei insegura.
_ É claro que não, amiga! Se você aceitar, eu te levo agora mesmo em sua casa, você separa algumas roupas e nós voltamos para cá. Partiremos assim que o plantão de Jake terminar. Nossas malas já estão no meu carro. O que você me diz? – ela disse animada.
_ Tudo bem! – eu disse aliviada. – Vai ser bom passar o final de semana longe daqui. Vamos então? – disse me levantando.
O telefone tocava insistentemente quando entramos em minha casa. Passei direto por ele sem atender. Leah ficou me observando e eu já sabia o que ela estava pensando.
_ Eu não vou atender, Leah. Não quero falar com ninguém. Já tive minha cota de ofensas por hoje. – eu disse simplesmente, meus olhos traiçoeiros já se enchendo de lágrimas novamente.
Leah deu de ombros, me acompanhou até meu quarto e me ajudou a arrumar uma pequena bolsa de viagem, pois a tala realmente atrapalhava nas tarefas mais banais. Não levaria muita roupa, afinal passaria somente um final de semana fora.
Narrado por Edward
Alguma coisa em minha cabeça me dizia que eu estava errado. Recusava-me a aceitar que Bella fosse capaz de fazer aquilo. Já estava rodando de carro sem rumo havia mais de uma hora. Só então percebi onde estava, parado em frente ao meu ... ao nosso banquinho preferido na praia em frente ao Arnies. As lembranças dos momentos que passamos juntos inundavam minha mente: a voz doce de Bella quando falava palavras de amor em meu ouvido, seu rosto sereno quando dormia aninhada em meus braços, a forma que ela estremecia quando eu sussurrava em seu ouvido e como ela se entregava completamente a mim quando fazíamos amor. Não havia mentira ali. Aquela era a verdadeira Bella. A minha Bella.
Sentia-me um estúpido enquanto dirigia de volta para a boate. Não sabia como eu faria para pedir desculpas. A forma como eu agi foi absurda. Ela deveria estar furiosa, ou pior, magoada comigo. Eu imploraria por seu perdão, me ajoelharia aos seus pés se fosse necessário, mas precisava tê-la de volta.
Meus irmãos já saíam da boate quando estacionei o Volvo. Bella não estava com eles, nem Leah. Provavelmente iriam embora juntas, já que Bella tinha vindo comigo e estava sem carro.
_ Onde está Bella? – perguntei saído correndo do carro.
_ Ela já foi, Edward! – disse Rose com cara de poucos amigos. Parecia ter discutido com Emmett que estava de cabeça baixa.
_ Leah a levou para casa? – perguntei já sabendo a resposta.
_ Não, Leah a levou para o hospital! – ela respondeu secamente.
Congelei. Se Bella não trabalharia durante o final de semana, por que Leah a teria levado ao hospital? Será que aquele homem a teria machucado?
_ O que aconteceu, Rose? Ela está machucada? – minha voz falhou duas vezes.
_ Parece que ela quebrou a mão. Leah a levou até Jake para tratá-la. – disse Alice com o rosto inchado e os olhos vermelhos. Parecia ter chorado muito.
_ A mão é a menor das feridas dela no momento, Alice. Posso garantir que ela está sentindo dor muito pior. – disse Rose com raiva.
Eu não entendia porque Rose estava falando daquela forma com Alice, mas não tinha tempo para perguntar. Precisava correr ao hospital, precisava ver Bella e desculpar-me com ela. Corri de volta para meu carro e parti fritando o asfalto. Com certeza receberia algumas multas e perderia pontos na carteira por excesso de velocidade e por desrespeitar a sinalização, mas nada me importava naquele momento. Eu só pensava em encontrá-la e em tê-la novamente em meus braços, custasse o que custasse.
Procurei por Bella na traumatologia, mas ela não estava. As enfermeiras me informaram que ela tinha saído com Jake e Leah de carro. Certamente eles a teriam levado para casa. Meu coração batia descompassado no peito quando estacionei diante da garagem da casa de Bella. Seu carro estava lá dentro, mas a casa estava às escuras. Bati à porta durante muito tempo, mas Bella não atendeu. Na certa, estava furiosa comigo e iria me castigar da mesma forma que fez quando descobriu sobre Isa. Mas eu não me importava, eu merecia ser castigado. Passaria o restante da noite no carro. Velaria seu sono dali e falaria com ela quando amanhecesse.

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