Narrado por Bella
_ Amor? – ouvi a voz baixinha de Edward me chamar – Acorda, dorminhoca, está na hora!
_ Hum... – foi tudo o que consegui dizer ao sentir seus lábios em meu pescoço.
Edward riu em minha nuca fazendo meus pelos se arrepiarem.
_ Hey, Sra. Cullen! Acorda, já estão todos nos esperando lá embaixo! – ele agora descia com seus beijos pelas minhas costas nuas.
_ Edward, esse seu método de me fazer levantar da cama não é muito bom, amor! – eu respondi ainda de olhos fechados.
Edward parou de repente e me olhou confuso.
_ Você não gosta? – com essa eu tive que abrir os olhos e me virar para fitá-lo.
_ Eu adoro, amor! Mas você acha que eu tenho vontade de levantar da cama com o meu marido me beijando assim? – eu disse acariciando seu rosto.
O sorriso que brotou em seus lábios quase me tirou todo o ar. Ele já estava de banho tomado e arrumado. Não era possível que uma pessoa pudesse ser tão perfeita, chegava até ser pecado! Eu não queria me levantar, mas ele estava certo. Se nós quiséssemos aproveitar os poucos dias que teríamos de lua de mel teríamos que sair cedo. Edward me ajudou a sair da cama e me levou para o banheiro abraçado ao meu corpo. Com seu peito colado em minhas costas, abriu o chuveiro e me empurrou delicadamente para dentro do box. Tudo isso sem parar de distribuir beijos macios e quentes em meu pescoço e em meus ombros. Será que ele não sabia o efeito que isso provocava em mim? Não, é claro que ele sabia! Como se tivesse lido meus pensamentos, Edward segurou meu rosto com as duas mãos e me deu um beijo de tirar o fôlego antes de sair correndo do banheiro me deixando totalmente tonta debaixo do chuveiro.
_ Você vai me pagar caro por isso, Sr. Cullen! – eu gritei para a porta fechada ouvindo a gargalhada do meu marido do outro lado.
Não pude deixar de sorrir ao pensar em como a minha vida tinha mudado em tão pouco tempo. Há um ano, eu era uma pessoa completamente sozinha. É claro que eu tinha meus amigos, mas sentia falta de ter alguém para compartilhar meu dia-a-dia. Não tinha uma família com quem eu pudesse contar nos momentos difíceis e com quem eu pudesse dividir as minhas alegrias. De repente, Edward entrou em minha vida e me conquistou desde a primeira vez em que o vi. No exato momento em que fitei seus olhos azuis pela primeira vez eu tive certeza de que meu coração pertenceria a ele. Edward virou minha vida de cabeça para baixo e eu tenho que agradecer a Deus pelo resto da minha existência por ele ter permitido que isso acontecesse. Agora eu não tinha apenas um amor, mas dois filhos e toda uma família maravilhosa que me acolheu e me aceitou como se tivesse esperado pela minha chegada a vida inteira.
Toda a família nos esperava sentada à mesa do café da manhã quando descemos. Conversavam animados com os preparativos para o sexto aniversário de Brian que era o único que não parecia feliz.
_ O que foi anjinho? Por que você está com essa carinha tão triste? – eu perguntei baixinho em seu ouvido.
Brian cruzou os bracinhos à frente do peito com a carinha emburrada e fazendo um bico lindo nos lábios sem me responder. Olhei confusa para Edward que segurava o riso. Mas o que tinha acontecido afinal de contas? Olhei em volta e todos tinham a mesma expressão do rosto de Edward. Eu sabia que tinha perdido alguma coisa, mas o quê? Levantei-me da cadeira e me aproximei de Brian. Puxei sua cadeira em minha direção e me ajoelhei em frente a ele encostando a cabeça em seu peito. Senti os dedinhos delicados de Brian passeando em meus cabelos e sorri. Sabia que ele não demoraria a falar.
_ Conversa comigo, filho! Eu não gosto de ver você assim tristinho! – eu disse fazendo a minha melhor carinha de cãozinho abandonado.
Dito e feito. Brian não resistiu e desabafou. Ele estava aborrecido porque Edward e eu iríamos viajar e ele achava que não voltaríamos a tempo para o aniversário dele. Fiz com que ele olhasse para mim e prometi olhando diretamente em seus olhos que nós voltaríamos para o seu aniversário. Jamais deixaríamos de estar presentes em uma data tão importante. Só mesmo a cabecinha inocente de uma criança para cogitar um absurdo como aquele. Brian pareceu ficar mais feliz depois que conversamos e nós partimos assim que terminamos de tomar o café e nos despedimos de todos.
Rose tinha desaconselhado que fôssemos para longe. Não seria seguro tomar um avião no último trimestre da gravidez. Marcus havia oferecido a Edward de passarmos esses dias em uma cabana nas montanhas perto da fronteira com o Canadá. A cabana fazia parte de uma espécie de hotel que pertencia a sua família e seria mais seguro se fôssemos para um lugar que não fosse relacionado à família de Edward, assim Michael não teria como nos localizar e tentar alguma coisa. De qualquer modo, não iríamos sozinhos. Marcus, Demetri e Riley nos acompanhariam e ficariam hospedados na cabana ao lado da nossa para nos dar alguma privacidade sem nos deixar vulneráveis.
A viagem de carro não seria tão cansativa, duraria de uma hora e meia a duas horas dependendo da velocidade impressa no trajeto de 190km . No caminho, Marcus nos mostrava pontos interessantes da paisagem, animais silvestres e cadeias de montanhas simplesmente magníficas. Edward estava sentado ao meu lado no banco de trás, o braço direito sobre meus ombros e a mão acariciando meus cabelos. Sua mão esquerda repousava sobre a minha em seu colo e seus dedos acariciavam suavemente a minha aliança.
Chegamos ao lugar duas horas depois de sairmos de Edmonds. Teríamos feito a viagem mais rapidamente se eu não tivesse precisado parar para esticar as pernas dormentes por duas vezes. Edward, como sempre, se preocupava quando eu começava a massagear as pernas e pedia para que Riley parasse o carro praticamente me obrigando a caminhar um pouco. Confesso que essas paradas aliviaram bastante o desconforto que eu estava sentindo, embora não tivessem diminuído o inchaço.
A cabana era realmente linda, tanto por dentro quanto por fora. O verde que coloria a vegetação que a rodeava era de um tom vivo, diferente. Havia também um lago a poucos metros da casa. Suas águas refletiam a imagem das montanhas cravadas na margem oposta. Me peguei imaginando qual seria a sensação de estar de braços abertos sentindo o vento bater em meu rosto no topo daquelas montanhas tão altas e de aspectos tão diferentes. Algumas eram rocha pura, outras eram cobertas de árvores altíssimas e uma delas, a que mais chamou a minha atenção por ser a mais alta e a mais bonita de todas, tinha seu pico coberto por uma grossa camada de neve e sobre ela pairava uma nuvem em forma de argola, como aquelas feitas de fumaça de cigarro.
_ Aquele é o vulcão Anahim Peak, Bella! – disse Marcus quando me viu encantada com a beleza da montanha.
Franzi o cenho. Sempre tive medo das histórias de vulcões que ouvira quando criança e acho que minha apreensão não passou despercebida a Marcus.
_ Não se preocupe, a última erupção foi há mais de 23 milhões de anos! – ele ria divertido com a minha expressão preocupada.
Era bom saber que o vulcão estava adormecido há tanto tempo. Com a minha tendência para atrair o perigo não me surpreenderia se ele resolvesse acordar nesses quatro dias. Marcus nos convidou para entrar e conhecer a nossa cabana por dentro. Apesar da aparência rústica ela era equipada com toda a tecnologia moderna necessária a uma casa do século XXI. Assim, mesmo que estivéssemos em um lugar de acesso relativamente difícil, não estaríamos completamente isolados do mundo e se algo acontecesse o socorro poderia chegar rapidamente.
Embora tivéssemos poucos dias para passar ali, Edward e eu aproveitamos cada segundo da companhia um do outro. Não nos largávamos por nada, parecíamos dois adolescentes em início de namoro. Caminhávamos um pouco pela propriedade todas as manhãs desfrutando do sol e do ar mais puro que eu já tinha respirado. Almoçávamos uma deliciosa comida caseira feita por Marcus que acabou se revelando um excelente cozinheiro. Cozinhar era um de seus passatempos preferidos. Segundo ele, era uma terapia contra o estresse da profissão.
Edward e eu passávamos as tardes namorando ou simplesmente descansando abraçados na varanda da cabana. Eu não me cansava de olhar a paisagem refletida na água do lago como se fosse um espelho. Me dava uma sensação de paz e segurança, de que nada poderia perturbar a harmonia que reinava ali. Se não fosse pela presença dos seguranças, aquele lugar me faria esquecer os problemas que deixamos para trás. Tentamos dar uma volta em um barquinho que ficava ancorado em um pequeno deque que havia no lago, mas Edward percebeu que eu ficava enjoada com o balanço do barco e depois disso, mesmo eu dizendo que já me sentia melhor, ele nem quis ouvir falar na hipótese de tentarmos de novo. Ligávamos para Brian todos os dias, no horário em que ele costumava ir para a cama, para desejar boa noite e ele sempre nos fazia prometer que voltaríamos a tempo para seu aniversário. Nossas noites ... ah ... nossas noites! Se eu tivesse que definir nossas noites de amor em uma só palavra, não conseguiria encontrar nem mesmo no mais completo dicionário aquela que poderia traduzir tudo o que Edward me fazia sentir quando me amava daquele jeito carinhoso, sempre tomando cuidado comigo, fazendo eu me sentir a mulher mais linda e desejada do mundo só com o seu olhar. Seus olhos brilhavam de uma forma tão intensa enquanto me olhava nos olhos quando fazíamos amor que às vezes eu tinha que me segurar para não chorar ou ele certamente se assustaria pensando que tivesse me machucado ou coisa assim.
Era impossível ficarmos perto um do outro sem nos tocarmos. Edward era como um ímã que me atraia em sua direção me prendendo em seu campo magnético. Eu estava completamente viciada em seu cheiro, em seu gosto, em seu sorriso, na textura de sua pele, na maciez dos seus cabelos...e adorava me perder no azul intenso e brilhante daqueles olhos que me fitavam em adoração.
Cada momento passado ao lado de Edward me dava a certeza de que eu estava fazendo a coisa certa. Ali era o meu lugar e era com ele que eu queria ficar. Ao lado daquele homem eu me sentia completa, segura de quem eu era e do meu futuro. Ele me fazia sentir forte o suficiente para enfrentar qualquer obstáculo que surgisse à nossa frente, desde que ele estivesse ao meu lado. Edward tinha trazido de volta o sentido à minha vida, o colorido que ela havia perdido, mas, acima de tudo, ele tinha me devolvido a vontade de viver, a vontade de lutar pelos meus objetivos e pela minha felicidade.
Narrado por Edward
Deitado em nossa cama, eu observava o rosto delicado da mulher adormecida em meus braços. Não me cansava de olhar para ela e de admirar seus traços perfeitos. Bella era uma mulher maravilhosa, não só em seus atributos físicos como em sua personalidade. Embora aparentasse fisicamente uma fragilidade enorme, Bella era uma mulher forte. Tinha agüentado praticamente sozinha toda a dor da perda dos pais, do primeiro filho e a pressão psicológica que Michael sempre fez sobre ela. Eu sentia um orgulho imenso por ela ter passado por tudo o que passou sem se tornar uma pessoa amarga. Ao contrário, a cada dia Bella se tornava mais doce e meiga. Talvez fosse por isso que ela passasse uma imagem de fragilidade.
Eu simplesmente amava tudo nela. Amava a forma como, enquanto dormia, seu semblante sereno aquecia meu coração e como com um simples sorriso ela fazia meu dia valer à pena. Amava quando suas mãos quentes e delicadas me tocavam e a reação que elas causavam em meu corpo. Adorava a sensação que tomava conta do meu corpo quando meu nome saía de seus lábios. Amava a forma arredondada de seu ventre que gerava e protegia a nossa filha. Amava a forma como suas bochechas coravam e a maneira como ela olhava em meus olhos com aqueles olhos brilhantes de chocolate derretido que me davam vontade de mergulhar dentro deles. Amava o gosto dos seus lábios macios e rosados e o calor que eles me faziam sentir ao tocarem os meus. Amava a perfeição com que nossos corpos se encaixavam. Amava o fato como, de repente, toda a minha existência estava centrada ao redor daquela mulher ao invés de em mim mesmo.
Bella abriu preguiçosamente os olhos, talvez sentindo que eu a observava, e sorriu para mim.
_ Te acordei? – perguntei baixinho enquanto acariciava seu rosto.
_ Não. Na verdade eu preciso ir ao banheiro. – ela disse sorrindo constrangida.
Ajudei-a a se levantar e a acompanhei até o banheiro. Ela ainda me parecia tonta de sono e eu temia que ela se desequilibrasse e acabasse caindo ou batendo em alguma coisa. Não pude deixar de notar seus tornozelos inchados. Deviam estar doloridos e o desconforto provavelmente era grande. Depois que ela voltou a se deitar, sentei-me aos pés da cama para fazer uma massagem e tentar aliviar o inchaço. Bella fechou os olhos e suspirou profundamente ao meu toque.
_ Amor, por que você não me disse que seus tornozelos estavam incomodando? Eu poderia ter feito uma massagem mais cedo! – eu queria que ela soubesse que eu tinha percebido.
_ Eles só estavam um pouco inchados quando eu me deitei, Edward! Não estavam doloridos ainda. – ela respondeu com a voz preguiçosa.
_ Quando é que você vai entender que eu não quero ver a senhora sofrendo, hein, Sra. Cullen? – eu a repreendi.
Bella abriu os olhos e sorriu. Sentou-se na cama e seu olhar prendeu o meu. Senti suas mãos delicadas acariciando meu peito enquanto ela se aproximava mais de mim e eu já podia sentir seu hálito batendo em meu rosto. Ela se ajoelhou sobre a cama, suas pernas passaram uma de cada lado dos meus quadris. Suas mãos subiram para meus cabelos e os agarraram com força puxando-me mais para perto de seu corpo e colando nossos lábios. Meu corpo imediatamente se incendiou quando Bella sentou-se sobre meus quadris roçando nossas intimidades. Nossas roupas aos poucos foram sendo jogadas em algum canto do quarto enquanto o calor provocado pela fricção de nossos corpos nos deixava insanos. Bella sentou-se sobre mim encaixando nossos corpos e a visão que eu tinha dela me tirava o fôlego. Deitado na cama com Bella sobre mim, eu admirava não só a beleza como também a sensualidade com que ela se movia. Deixei que ela guiasse o ritmo para que ela não sentisse nenhum desconforto e também porque eu temia machucá-la se a invadisse com força demais. Bella mordia os lábios e jogava a cabeça para trás enquanto aumentava o ritmo e a velocidade de seus movimentos. Eu não agüentaria por muito mais tempo, já sentia o clímax chegando. Me derramei dentro dela quando senti o aperto de sua intimidade em volta de mim e soube que ela também chegava ao ápice enquanto gemia meu nome. Estávamos suados e nossas respirações aos poucos voltavam ao ritmo normal. Tomamos um banho para relaxar nossos corpos e voltamos para o quarto. Já passava da meia noite e se quiséssemos chegar em casa antes de Brian acordar teríamos que sair antes do amanhecer.
_ Durma, minha vida! Você precisa descansar! Amanhã sairemos cedo!- eu disse beijando sua testa e acariciando seus cabelos. Bella passou o braço em minha cintura e sorriu de olhos fechados.
_ Eu te amo, Edward! – ela disse com a voz sonolenta.
_ Eu te amo mais, Sra. Cullen! – respondi sorrindo com a verdade daquelas palavras.
Bella aconchegou-se ainda mais em mim escondendo seu rosto no vão de meu pescoço. Aos poucos, eu pude sentir sua respiração se acalmar e se tornar mais profunda. Ainda fiquei algum tempo pensando na felicidade que eu sentia só por tê-la ali em meus braços. Inspirei profundamente o perfume de seus cabelos e em pouco tempo adormeci abraçado à minha mulher.

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