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Juiz de Fora, Minas Gerais, Brazil
Apesar de ser mestre em Linguística e ter toda a minha vida acadêmica voltada para o ensino de línguas, sempre fui amante da literatura, devoradora de livros, filmes e séries. Sempre tive um sonho: escrever. Durante muito tempo, o medo de fracassar me impediu de realizar esse sonho, mas uma grande amiga me incentivou e me deu a coragem de enfrentar meus fantasmas e graças a ela eu hoje posso dizer que me sinto uma pessoa melhor, mais confiante e absolutamente ciente do meu potencial.

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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Capítulo 21 - Consequências


Narrado por Bella

Edward estava certo. Eu não poderia ter escondido a verdade dele e agora ele estava com raiva de mim.  Arrisquei a minha segurança e a de minha filha e isso era realmente imperdoável. Eu precisava me desculpar, mas tinha medo de ir atrás dele e ele me rejeitar novamente como fez quando tentei abraçá-lo. Doeu vê-lo se afastar do meu abraço. Eu não sabia o que se passava em sua cabeça, mas uma coisa era certa: ele estava furioso comigo. Minha mente processava repetidas vezes tudo o que ele me disse e a culpa me corroia por dentro. Eu temia que ele pensasse que eu havia escondido a verdade por não confiar nele. Seu olhar para mim praticamente gritava isso na minha cara.
Lembrar do que Michael foi capaz de fazer com nosso filho trouxe uma sensação de desespero em meu peito, mas foi a lembrança da última coisa que Edward disse antes de sair do quarto que me deixou realmente alarmada: “Vou fazer o que eu já deveria ter feito há muito tempo!”. Mil pensamentos perturbadores começaram a passar por minha cabeça. Eu tinha medo do que aquelas palavras poderiam significar. Ele havia saído do quarto sem sequer olhar pra mim. Edward poderia simplesmente desistir de mim, afinal, desde que eu entrei em sua vida eu lhe trouxe um monte de complicações. Ele poderia ir atrás de Michael e fazer alguma coisa contra ele. Isso acabaria com a vida e com a carreira de Edward. Mas o pior de tudo seria se Edward fosse atrás de Michael e fosse ferido ou morto por ele.
Minha nuca estava dolorida e tensa, minha cabeça doía de uma forma enlouquecedora e meu estômago se contorcia tentando colocar para fora o pouco que eu havia comido no jantar. Levantei-me da cama para sair do quarto, eu tinha que falar com Edward, mas senti-me tonta assim que fiquei de pé. Fui obrigada a me apoiar na cama. Eu tentava regularizar minha respiração ofegante para eliminar aquela sensação horrível, mas parecia que não tinha ar suficiente no quarto para encher meus pulmões. Eu tinha deixado o pânico me dominar. Meu estômago estava um caos e eu precisava chegar rapidamente ao banheiro, mas tinha medo de cair por causa da tontura que aumentava a cada minuto. Gritei por ajuda, mas acho que minha voz não saiu forte o bastante. Ninguém apareceu. Resolvi arriscar e comecei a andar apoiando-me nos móveis que estavam em meu caminho. O vaso sanitário estava cada vez mais perto e eu precisava chegar até ele o mais rápido possível. Eu estava com medo. Não sabia o que estava acontecendo com o meu corpo e estava apavorada pensando em como aquilo poderia prejudicar minha filha.  Ajoelhei-me no chão frio do banheiro abraçando-me ao vaso sanitário e meu estômago finalmente expulsou o que tinha lá dentro.

Narrado por Edward

Eu me odiei por dizer palavras tão duras para Bella, mas ela precisava entender o perigo que estava correndo. Perdi o controle, gritei com ela e me afastei quando ela tentou me abraçar. Me matou por dentro ver a dor em seus olhos quando a rejeitei. Eu estava agitado e tinha medo de machucá-la sem querer, não estava dominando meu corpo naquele momento, a fúria era quem estava no controle. As paredes daquele quarto pareciam se fechar sobre mim, eu precisava sair dali. O choro descontrolado queria explodir e eu não podia mostrar a Bella o quanto eu estava assustado. Saí do quarto sem olhar em seu rosto ou ela veria as lágrimas que já estavam se formando em meus olhos. Desci as escadas aos prantos. Todos estavam na sala assustados por causa dos meus gritos.
_ Pai, Emmett e Jasper, por favor, venham comigo. Eu preciso conversar com vocês. - pedi com a voz embargada caminhando em direção ao escritório sem dar maiores explicações.
Tive a impressão de que Alice falou alguma coisa comigo, mas eu não conseguia ouvir mais nada. Minha cabeça estava completamente focada para o que eu teria que fazer dali para frente.

Narrado por Rosalie

Os gritos que vinham do andar superior nos deixaram a todos assustados. Ninguém conseguia acreditar que aquela voz alterada era de Edward. Quando ele desceu as escadas e vi seu estado me assustei ainda mais. Se ele estava daquele jeito eu não poderia imaginar o estado de Bella. Alice tentou perguntar ao irmão o que tinha acontecido, mas ele simplesmente não respondeu. Passou direto pela sala chamando os homens para uma conversa. Assim que eles entraram no escritório atrás de Edward, nós subimos as escadas correndo para ver como Bella estava. Abrimos a porta do quarto, mas Bella não estava lá. Um barulho vindo do banheiro chamou nossa atenção. Corremos para lá e nos deparamos com Bella ajoelhada em frente ao vaso sanitário vomitando violentamente.
Abaixei-me atrás dela segurando seu cabelo e sustentando sua testa. Bella estava suada e gelada. Quando o vômito cessou, eu pude olhar em seu rosto. Estava pálida como um fantasma. Alice e eu a ajudamos a se levantar para lavar a boca e passar uma água no rosto enquanto Esme corria até a cozinha para fazer um chá calmante para Bella. Tivemos que praticamente sustentar seu peso no caminho de volta para o quarto até a cama. Recostada na cabeceira da cama, ela chorava descontroladamente e parecia ter dificuldade para respirar.
_ Bella, olha pra mim! – eu pedi segurando seu rosto - Por favor, eu preciso que você tente acalmar sua respiração. Você não pode continuar desse jeito, Bella. Você está hiperventilando. Eu quero que você feche os olhos e tente respirar mais devagar e profundamente.
Ela fez o que eu mandei. Eu via o esforço que ela fazia para puxar o ar com mais calma. Suas mãos trêmulas mal conseguiam segurar a xícara de chá que Esme lhe trouxera. Eu via que Alice queria perguntar o que havia acontecido, mas não era a hora para aquilo. A prioridade, naquele momento, era fazer com que Bella se acalmasse e obrigá-la a tocar no assunto poderia desencadear toda a crise novamente. Assim que Bella terminou de tomar o chá eu a fiz deitar-se na cama. Depois de apagar a luz do quarto deixando somente o abajur aceso para proporcionar uma atmosfera mais relaxante, Esme sentou-se na cama colocando a cabeça de Bella em seu colo e acariciando-lhe os cabelos. Alice permanecia quieta, sentada aos pés da cama e observava o semblante abatido de Bella. Eu segurava uma de suas mãos e tentava discretamente verificar sua pulsação que estava muito acelerada. Aquilo não era um bom sinal.
_ Bella, além do enjôo você está sentindo mais alguma coisa? Alguma dor? – eu perguntei tentando disfarçar a preocupação.
_ Minha cabeça parece que vai explodir! – ela disse com um fio de voz.
Eu já imaginava o que estaria acontecendo. Levantei–me da cama e fui até a maleta de Edward que estava sobre a poltrona do quarto e peguei o esfigmomanômetro. Coloquei-o no braço de Bella e, em poucos segundos, confirmei minhas suspeitas.
_ Bella, eu quero que você preste bastante atenção ao que eu vou dizer. Sua pressão arterial está um pouco alterada e eu preciso que você tente se acalmar para que ela volte ao normal. – eu disse suavizando a voz para não alarmá-la. – Eu quero que você fique de repouso absoluto por pelo menos dois dias e, por favor, mande me chamar a qualquer hora se você sentir qualquer desconforto, você está me entendendo?
Bella assentiu com a cabeça, se encolheu em posição fetal, fechou os olhos e aos poucos começou a se acalmar. Depois que ela adormeceu, pedi que Esme me acompanhasse para fora do quarto enquanto Alice tomava seu lugar ao lado de Bella. Deixei com ela uma dieta alimentar especial que Bella teria que seguir à risca durante o repouso para que a pressão se normalizasse definitivamente. Informei que Bella teria que fazer exame de sangue e urina para descartar alguma infecção renal, mas o mais importante era que eles fizessem até o impossível para ela não voltasse a se estressar daquela forma. Se a pressão arterial permanecesse alta como estava, na melhor das hipóteses ela poderia perder o bebê. Esme voltou para o quarto. Passaria a noite ao lado de Bella. Eu desci de volta para a sala e cansada me recostei na poltrona, os homens ainda estavam no escritório, provavelmente tentando acalmar Edward. O sono já começava a me vencer quando Alice desceu as escadas chorando enfurecida e correu em direção ao escritório esmurrando a porta com força.

Narrado por Edward

Entrei no escritório seguido por meu pai, meu irmão e meu cunhado e tranquei a porta assim que eles entraram. A conversa que eu teria com eles envolvia a segurança de toda a família e eu precisava do apoio deles para por meus planos em prática. Assim que eles se sentaram eu joguei as fotos sobre a mesinha em frente ao sofá. A princípio eles não entenderam o que estava acontecendo, mas quando eu expliquei como as fotos tinham ido parar nas mãos de Bella eles ficaram preocupados.
_ Filho, isso é muito sério! – meu pai falou analisando as fotos – Esse homem é mais perigoso do que você pensava, Edward!
_ O que você pretende fazer, Edward? – Jasper perguntou analisando meu estado de ânimo.
_ Eu pretendo colocar seguranças aqui em casa. Bella e Brian não vão mais sair de casa se não levarem pelo menos dois seguranças armados com eles. Quanto ao Michael, eu pretendo ir atrás dele até o inferno, mas eu vou acabar com a raça daquele imbecil. – eu falei nervoso.
Meu pai levantou-se do sofá, aproximou-se de mim e parou à minha frente com as mãos sobre meus ombros.
_ Edward, não faça nada de imprudente. Eu sei que você está com muita raiva pelo que ele está fazendo, mas tomar uma atitude guiado pelo nervosismo não vai lhe ajudar, filho.
Eu sabia que ele estava certo, mas o ódio que eu sentia não me deixava raciocinar direito. Tudo o que eu queria naquele momento era exterminar aquele sujeito da face da terra, mas não ia deixar meu pai preocupado comigo. Eu teria tempo para acabar com ele. A prioridade agora era garantir a segurança da minha família. Ficamos ainda muito tempo no escritório conversando sobre as medidas de segurança que deveríamos tomar a partir daquele dia. Eu estava preocupado com Bella, já tinha muito tempo que eu havia saído do quarto e não queria que ela pensasse que eu estava me afastando dela. Eu só tinha saído de lá porque precisava recuperar o controle antes de voltar a falar com ela. Meu pai, Emmett e Jasper ainda discutiam qual seria a melhor firma de segurança a ser contratada, mas eu não conseguia mais prestar atenção em nada. Meus pensamentos estavam no andar superior, em Bella. Eu precisava subir e ver como ela estava. Fui tirado de meus pensamentos com a porta do escritório quase vindo ao chão. Alguém esmurrava furiosamente a madeira pelo lado de fora.
Assim que meu pai abriu a porta do escritório, Alice entrou aos prantos correndo em minha direção.
_ O que foi que você fez com ela, seu burro? – ela gritava descontrolada e batia as mãos fechadas em punho em meu peito.
Jasper a puxou para seus braços enquanto eu a encarava assustado. De repente eu compreendi o desespero de Alice.
_ Bella? Aconteceu alguma coisa com ela? – Alice não respondeu. Apenas continuava chorando e agarrava-se mais ainda a Jasper. – Responda, Alice!
Eu não podia mais esperar por uma resposta. Corri em direção à porta, mas fui barrado por Rosalie.
_ Você não vai subir para ver a Bella nesse estado, Edward! – ela disse com um tom sério.
_ Rose, por favor, saia do meu caminho! Eu preciso ver como ela está! – eu pedi com a voz trêmula.
_ Ela está dormindo agora, Edward. Sua mãe está com ela. Se você subir agora nervoso do jeito que está só vai piorar as coisas ainda mais. Acalme-se primeiro, depois você sobe.
Rose estava certa. Ela me acompanhou até a sala e nos contou tudo o que tinha acontecido depois que entramos no escritório. Eu me sentia um lixo humano a cada palavra proferida por Rose. Estava tão preocupado com a segurança e com o bem estar de Bella e não fui capaz de perceber que meu descontrole no quarto poderia desencadear uma crise como aquela. Meu Deus, quando será que eu ia aprender a me controlar? Eu não podia ser tão irracional quando o assunto fosse a sua segurança. Eu tinha que manter a calma para poder pensar direito. Michael estaria sempre com a vantagem se eu não mantivesse meu autocontrole intacto.
Subi as escadas um pouco mais controlado e abri cuidadosamente a porta do meu quarto. Minha mãe estava deitada ao lado de Bella e acariciava suavemente seus cabelos. Bella dormia, mas seu semblante estava abatido e sua pele muito pálida. Ela parecia ainda mais frágil do que o normal. Eu tinha a sensação de que se partiria em mil pedaços se alguém a tocasse. Aproximei-me lentamente da cama e toquei seu rosto com a ponta dos dedos. Ela não se moveu. Aferi mais uma vez sua pressão. Ainda estava alta, mas tinha começado a ceder. Ajoelhei-me no chão ao lado da cama e acariciei os cabelos de Bella enquanto observava seu rosto. Minha mãe observava com o olhar triste o meu rosto molhado pelas lágrimas que eu derramava silenciosamente. Não sei quanto tempo fiquei ali, mas a imagem de Bella assim tão frágil me fez tomar uma decisão.
_ Cuide dela pra mim, mãe? Eu preciso resolver algumas coisas! – eu disse me levantando e indo em direção à porta do quarto.
Minha mãe apenas assentiu com a cabeça. Seu olhar era preocupado. Saí do quarto em direção às escadas já discando um número de telefone conhecido.
_ Jacob? Sou eu, Edward! Você sabe onde Michael mora? Ótimo. Passo aí pra te pegar em quinze minutos. Eu preciso que você me leve até lá. – eu disse enquanto passava pela sala em direção à garagem.
Não esperei pela resposta de Jacob. Desliguei o telefone e entrei no meu carro. Mais duas portas bateram ao mesmo tempo que a minha. Emmett e Jasper estavam no carro comigo.
_ Se vocês estão aqui pra tentar me impedir, podem descer agora mesmo! – eu disse encarando os dois.
_ Nós estamos com você, meu irmão! – disse Emmett estalando os dedos da mão. Jasper apenas assentiu com a cabeça e sorriu sombriamente.
Se Michael estava achando que ia infernizar a vida de Bella, ele teria uma surpresa e tanto. Eu iria garantir que ela ficasse em segurança e que nossa filha nascesse saudável ou eu não me chamaria mais Edward Cullen.

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