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Juiz de Fora, Minas Gerais, Brazil
Apesar de ser mestre em Linguística e ter toda a minha vida acadêmica voltada para o ensino de línguas, sempre fui amante da literatura, devoradora de livros, filmes e séries. Sempre tive um sonho: escrever. Durante muito tempo, o medo de fracassar me impediu de realizar esse sonho, mas uma grande amiga me incentivou e me deu a coragem de enfrentar meus fantasmas e graças a ela eu hoje posso dizer que me sinto uma pessoa melhor, mais confiante e absolutamente ciente do meu potencial.

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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Capítulo X - Cuidados




Narrado por Brian

Sentei –me no sofá com o coração batendo acelerado no peito. Algo me dizia que eu não iria gostar daquela conversa. Tia Rose se sentou diante de mim com o semblante preocupado.
_ Brian, eu acho que vocês terão que adiar a viagem para a Califórnia. – ela disse séria.
_ O que está acontecendo, tia? O que há de errado? – eu perguntei angustiado.
Tia Rose coçou nervosamente a cabeça e me olhou nos olhos antes de responder:
_ Mel vai precisar de tratamento médico por uns tempos e eu quero que ela fique aqui perto de mim para que eu possa controlar tudo pessoalmente. – ela disse.
Meu coração parecia que ia rasgar o meu peito, tamanha a força e a velocidade com que batia. Mel estava doente?
_ Tratamento médico? – eu perguntei, minha voz saindo duas oitavas acima. – O que ela tem, tia?
Levantei-me do sofá, meu corpo se recusava a ficar parado. Quando dei por mim, já estava andando de um lado para o outro no meio da sala, a angústia e o medo tomando proporções insuportáveis. Tia Rose levantou-se do sofá e veio em minha direção segurando-me pelos ombros.
_ Não é nada grave, Brian! Ela está com uma anemia moderada, é só isso! Mas você sabe que ela sempre teve a saúde mais frágil e eu só pedi para que vocês adiassem a viagem por precaução! Eu só quero ter a minha filha sob os meus olhos para ter certeza de que ela vai se alimentar como deve! – ela acariciava meus braços tentando me acalmar.
_ Anemia? Tia, com a Mel nada é tão simples assim! Eu me lembro muito bem de como um simples resfriado conseguia derrubá-la quando éramos menores! – eu dizia assustado.
_ E é exatamente por isso que eu prefiro que vocês adiem essa viagem, Brian! Eu quero acompanhar de perto o tratamento dela para que essa anemia moderada não se torne aguda de um dia para o outro! – ela ponderou.
Não havia o que discutir. Se a saúde de Mel estava em jogo, a viagem estaria certamente adiada por tempo indeterminado. Só me restava dizer a Seth e Sofia para que eles fossem sozinhos. Mel e eu iríamos depois que ela estivesse recuperada.
_ Onde ela está, Brian? – tia Rose perguntou me tirando dos meus pensamentos.
_ Está dormindo! Eu ia chamá-la para irmos ao cinema, mas quando a vi, percebi que seu rosto estava pálido e ela me parecia realmente cansada. Achei melhor deixá-la descansar. – respondi sem conseguir deixar de me sentir angustiado.
_ Ela precisa se alimentar, Brian! Por favor, suba e diga a ela para descer! Eu preciso ter uma conversa com ela. Se você quiser pode participar também! – ela disse se encaminhando para a cozinha.
Subi novamente as escadas e entrei em seu quarto. Ela permanecia na mesma posição em que eu a havia deixado quase uma hora antes. Sentei-me novamente na beirada da cama e fiquei observando seu rosto por alguns minutos. Um medo enorme começou a me dominar. Medo de que ela caísse gravemente doente, medo de não ser capaz de ajudá-la e, acima de tudo, medo de perdê-la. Meu coração batia apertado no meu peito. Uma vontade enorme de pegá-la no colo e fugir com ela dali ameaçava tomar conta de mim. Mas não iria adiantar. O perigo não vinha de fora, estava dentro dela. Invisível. Intocável. Mas não invencível.
Mel suspirou profundamente e abriu os olhos ao sentir minha mão acariciando seu rosto. Piscou algumas vezes como se achasse que ainda estava dormindo. Um sorriso doce brotou em seus lábios assim que se deu conta de que eu realmente estava ali. Não pude deixar de sorrir de volta diante da imagem do seu rosto feliz só por me ver. Ela se sentou em silêncio sem desviar seus olhos dos meus, aproximou o rosto do meu e beijou brevemente meus lábios com doçura. Meus braços instantaneamente a puxaram para mais perto. Ela doloroso ficar tão próximo sem poder tocá-la.
_ Como você está se sentindo? – perguntei baixinho em seu ouvido.
Ela apertou-se mais em meus braços e beijou o meu pescoço antes de responder:
_ Eu estou nos braços do homem que eu amo! Eu não poderia estar menos do que ótima!
Não pude deixar de sorrir diante da sua resposta. No entanto, a minha preocupação não havia diminuído. Ela ainda me parecia pálida demais, frágil demais.
_ É bom saber disso, docinho! Mas eu quero saber se você não está sentindo nada de errado! – eu perguntei esperando não assustá-la.
Mel afastou a cabeça do meu peito e me olhou com o cenho franzido, visivelmente confusa com a minha pergunta.
_ Por que você está me perguntando isto, bebê? – ela perguntou observando a minha expressão preocupada.
_ Responda a minha pergunta, por favor, docinho! Você está realmente se sentindo bem? – insisti.
Mel se separou totalmente de mim, a expressão confusa e desconfiada. Ficou observando meu rosto por algum tempo antes de me responder:
_ Eu estou bem, amor! – ela disse sorrindo enquanto seus dedos alisavam a minha testa tentando desfazer a ruga de preocupação que havia se formado entre meus olhos – Eu só estou um pouco cansada, mas estou bem!
_ Sua mãe me pediu que fizesse você descer. Ela quer conversar com você, docinho! – eu disse ainda preocupado. Mel me parecia ainda mais pálida.
Ela me olhou com uma expressão preocupada. Levantou-se da cama em um pulo e cambaleou logo em seguida.
_ MEL! – eu a peguei antes que ela caísse – O que você está sentindo?
Meu coração voltava a bater descontrolado, a adrenalina queimando o meu peito pelo susto. Ajudei-a a se sentar novamente na cama enquanto ela tentava recobrar o controle do corpo.
_ Eu só senti uma vertigem, bebê. Fique tranquilo! Acho que me levantei da cama rápido demais! – ela sorriu constrangida, a mão delicada sobre a testa tentando recuperar o equilíbrio.
_ Vem comigo, docinho! Você precisa se alimentar! – eu disse tomando-a nos braços e saindo do quarto em direção à sala de jantar.
_ Brian, me ponha no chão, amor! Eu posso andar! – ela pedia enquanto eu descia as escadas com ela no colo.
_ Shhh ... quietinha, amor! Eu sei que você pode andar, mas vai ficar quietinha no meu colo. Relaxa e aproveita o passeio! – eu brinquei tentando descontrair.
Ela riu e se agarrou ainda mais em meu pescoço deitando a cabeça em meu peito.
_ Eu posso me acostumar com isso, sabia? Depois não vou querer mais sair daqui! – ela brincou de volta.
_ Eu estou contando com isso, docinho! – respondi satisfeito dando-lhe um beijo na pontinha do nariz.
O jantar já estava servido. Tio Emmett já estava em casa e considerando o seu olhar preocupado para a filha, tia Rose já deveria ter falado com ele. Mel se alimentou bem e durante todo o jantar manteve um sorriso lindo nos lábios. Anna e Valentina falavam sem parar sobre uma apresentação de balé em que ambas tomariam parte. Estavam empolgadas com o fato de serem as protagonistas da peça. Pelo que pude entender a peça era uma adaptação de “O cisne negro”. Só não sabiam ainda qual papel caberia a cada uma.
Mel sorria satisfeita com a alegria das irmãs. Participava animadamente da conversa fazendo diversas perguntas e dando sugestões. Tio Emmett, embora sorrisse diante da empolgação das filhas, não conseguia disfarçar a preocupação com a saúde de Mel. Nas repetidas vezes em que seu olhar pousava sobre ela seu sorriso sempre esmaecia. Sua angústia era evidente.
Mais tarde naquela noite, tia Rose, tio Emmett e eu nos reunimos no escritório de tio Emmett para conversarmos com Mel. Era fácil perceber a apreensão nos olhos do tio Emmett, talvez ela fosse um espelho da angústia que se projetava nos meus. Tia Rose explicou para todos como seria feito o tratamento de Mel deixando bem claro que a alimentação controlada era uma parte importante do processo. Embora Mel não tenha tentado convencer a mãe a deixá-la viajar, era evidente em seu rosto a decepção pelo adiamento da nossa viagem. Eu podia ver em seus olhos que ela tinha ficado triste e apesar de também não ter gostado de ver nossos planos frustrados, eu sabia que era por um bem maior.
_ Não fique assim, docinho! – eu disse acariciando seu rosto. Estávamos na varanda da frente da casa de Mel, depois de conversarmos com tia Rose.
_ Eu queria tanto poder ir viajar com você, bebê! Eu sei que é mais importante eu me tratar, mas ainda assim não consigo deixar de me sentir frustrada! – ela disse com o rostinho triste, a cabeça encostada em meu peito.
_ Amor, o fato de nós não viajarmos agora, não quer dizer que nós não iremos mais! A nossa viagem só foi adiada, não cancelada! – eu disse tentando animá-la.
Mel não disse mais nada. Apenas deu um suspiro profundo e se agarrou ainda mais a mim. Percebi que não importava o que eu dissesse, ainda assim ela não se sentiria melhor. Decidi permanecer calado, apenas abraçado a ela acariciando os seus cabelos. Uma brisa fria a fez estremecer e achei melhor entrarmos antes que ela se resfriasse. Ela já estava sonolenta novamente por causa da anemia. Subi com ela nos braços até seu quarto e a deitei delicadamente em sua cama. Ficamos ali, em um silêncio confortável até que ela adormecesse. Minha vontade era ficar ali com ela, velando seu sono, cuidando dela até que ela voltasse a acordar, mas eu não poderia abusar da compreensão do tio Emmett. Por mais que ele soubesse que eu não iria fazer nada de errado com sua filha, passar a noite na cama com ela seria demais para a cabeça de um pai ciumento e zeloso como ele. Adiei a minha saída o máximo que o bom senso permitia. Desci para a sala e me despedi dos meus tios antes de ir para casa.
Meus pais me esperavam na sala de casa assim que entrei. Eles já sabiam e estavam preocupados com a minha reação. Conhecendo-me como ninguém mais me conhecia, eles tinham certeza de que eu não estaria tranquilo. Conversamos por mais de uma hora antes que eu subisse para o meu quarto. Apesar de saber que Mel estava sob a supervisão médica da mãe, eu não conseguia deixar de me preocupar com ela.
Os primeiros dias de tratamento foram torturantes. O organismo delicado de Mel não reagia bem ao medicamento. Enjôos, tonturas, sonolência e, para o meu total desespero, desmaios tornaram-se frequentes. Tia Rose já havia explicado que os desmaios eram comuns porque, com o corpo debilitado, a quantidade de oxigênio levada ao cérebro era menor do que a necessária. Ainda assim, vê-la tão frágil e tê-la inconsciente em meus braços me deixava a beira do desespero.
Mesmo depois de um mês de tratamento em que todos ficamos de olho na alimentação de Mel, ela ainda não dava sinais de recuperação. Apesar da alimentação adequada e da medicação apropriada repondo a quantidade de ferro insuficiente em seu organismo, seus exames continuavam apresentando o mesmo resultado. Vários outros exames já haviam sido feitos e todos estavam normais. Já não sabíamos mais onde procurar e eu podia sentir que Mel estava ficando cansada daquilo tudo. Por diversas vezes, ela se mostrou irritada, em outras, deprimida. Segundo Tia Rose, essas mudanças de humor eram uma reação ao medicamento, mas isso, de certa forma, contribuía para que ela parecesse ainda mais debilitada. Eu passava todo o tempo ao seu lado e às vezes sentia uma vontade incontrolável de chorar. Não era fácil vê-la tão fraquinha e ter que fingir que tudo estava bem. Muitas vezes, ao chegar em casa depois de deixá-la dormindo, eu me deitava em minha cama e chorava por horas. Eu sabia que aquela reação era irracional, mas não conseguia controlar o medo de perdê-la. Às vezes, ela se sentia tão fraca que passava o dia todo na cama. Em outras, as dores abdominais e os vômitos causados pelo efeito colateral do remédio a deixavam totalmente prostrada e vê-la assim me matava por dentro. Por muitas vezes eu desejei trocar de lugar com ela.
No segundo mês de tratamento, Mel começou a apresentar alguma melhora. Ainda assim nós não nos descuidamos. Sua alimentação era rigorosamente controlada e os medicamentos eram tomados nas horas certas. Mais dois meses se passaram até que os exames retornassem ao normal. A palavra alívio não seria suficiente para descrever o que sentimos ao ver os resultados dos exames de sangue. Na verdade, não conseguíamos encontrar uma palavra que fizesse justiça ao que sentíamos naquele momento. Mais algumas semanas e poderíamos retomar nossas vidas em um ritmo normal. Só mais algumas semanas e poderíamos retomar os planos de viagem.
Nas semanas seguintes, Mel parecia totalmente recuperada. Talvez isso tenha se dado devido à expectativa da nossa viagem. Havíamos retomado os planos para ir à Califórnia. Seth e Sofia tinham decidido adiar a viagem e esperar até que Mel pudesse ir comigo. A amizade das duas era algo impressionante. Eu nunca tinha visto duas amigas tão unidas quanto elas e a cumplicidade que existia entre as duas era invejável.
Mel e eu voltávamos de um passeio no Park Yost. Havíamos passado parte da manhã deitados na grama sob o sol fraco de Edmonds. Momentos simples como aquele, em que eu a tinha ali, deitada juntinho a mim com a cabeça descansando em meu peito, me faziam sentir que a minha vida não teria sentido se ela não estivesse comigo. Não sei como nem quando me tornei tão dependente da presença daquela menina, mas o fato é que eu não sabia nem mesmo respirar se ela não estivesse ao meu lado. Tudo era mais fácil na presença dela.
_ Em que você está pensando, bebê? – a voz doce da minha menina me tirou dos meus pensamentos.
_ Estava pensando em como a minha vida não tem sentido sem você! – respondi sorrindo ao ver o brilho em seus olhos.
Mel ergueu a mão e acariciou meus cabelos na altura da minha nuca. Meu corpo se arrepiou instantaneamente ao seu toque.
_ Eu também não consigo me imaginar vivendo sem você! – ela disse baixinho e eu pude perceber uma nota de tristeza em sua voz.
Olhei para ela assustado a tempo de ver uma lágrima rolar pelo seu rosto. Parei o carro no acostamento, preocupado com o seu choro e a puxei para o meu colo.
_ Hey, amor! O que foi que aconteceu? Qual é o motivo dessas lágrimas, hein? – eu secava seu rosto, mas outras lágrimas voltavam a molhá-lo rapidamente.
_ Eu sinto tanto medo de perder você, bebê! – ela respondeu enterrando o rosto em meu pescoço.
_ Por que isso agora, docinho? Você sabe que eu não vivo sem você! Não fica assim, por favor? – eu tentava afastá-la para olhar em seus olhos, mas ela se agarrava a mim com mais força ainda.
_ Eu tenho medo que um dia você se canse de mim. Eu sou tão complicada, bebê! Olha quanto tempo eu levei pra me curar de uma simples anemia! – sua voz saía entrecortada por soluços. - Eu tenho medo que um dia você perceba que eu não sou boa o suficiente pra você e vá embora!
_ Mel, olha pra mim! – eu disse sério.
Ela percebeu a diferença em meu tom de voz e afastou o rosto para me olhar nos olhos. Enxuguei mais uma vez as lágrimas que molhavam a pele branquinha e macia do seu rosto de anjo antes de falar:
_ Eu. Amo. Você! – pontuei cada palavra para que ela me ouvisse. – Não fique pensando essas bobagens, amor! Se alguém não é bom o suficiente aqui, este alguém sou eu! – ela tentou negar com a cabeça, mas eu a impedi – Você não precisa sentir medo de me perder simplesmente porque isso nunca vai acontecer, me entendeu? Nunca!
Não esperei que ela me respondesse. Agarrei seu rosto e a beijei quase com violência. Mel precisava acreditar que eu jamais conseguiria deixá-la. Ela precisava perceber que era eu quem tinha medo de que ela me deixasse. Eu a apertava contra o meu corpo em um abraço esmagador. Suas mãos agarravam meus cabelos enquanto ela retribuía ao meu beijo com a mesma sede com que eu a beijava. Era ali o meu lugar, nos braços daquela mulher, cativo daquele coração cujas batidas marcavam de forma irreversível o rumo da minha vida.

Capítulo IX - Planos




Narrado por Melinda

Eu estava pronta. Eu tinha certeza disso. Eu só precisava fazer uma coisa antes de me entregar a ele definitivamente: falar com a minha mãe, ou melhor, falar com a Dra. Rosalie Cullen. Por mais que nós já tivéssemos conversado exaustivamente sobre sexo e ela já tivesse me passado todas as informações que uma garota precisa saber antes de dar esse passo importante e definitivo, eu precisava que ela me indicasse um medicamento para me precaver. Embora eu quisesse muito ter um filho de Brian, ainda não era a hora. Nosso filho não poderia ser consequência de um ato irresponsável. Não seria justo com ele e não seria justo conosco também. Ele nasceria quando nós estivéssemos casados e com a vida estabilizada. Ele seria planejado e não um mero acidente. O fruto do nosso amor seria uma criança planejada, esperada e amada desde antes da sua concepção.
Eu caminhava pelos corredores do hospital recebendo os cumprimentos dos médicos e enfermeiros que me conheciam desde a minha infância. Parei em frente ao consultório de minha mãe e bati levemente à porta.
_ Entre! – sua voz melodiosa me encorajou a seguir.
Minha mãe estava sentada em sua mesa lendo alguns papéis e mordia ansiosamente a ponta de uma caneta. Fiquei observando a expressão séria de seu rosto e quase perdi a coragem de contar a ela sobre a minha decisão. Diante do meu silêncio, ela ergueu o olhar e se levantou caminhando em minha direção com um sorriso carinhoso nos lábios.
_ Oi, filhota! Que surpresa boa ver você por aqui! – ela me abraçou e eu lhe retribuí.
_ Eu vim conversar com a senhora! Está muito ocupada? – eu perguntei insegura.
_ Pra você eu sempre tenho tempo, filha! Sobre o que você quer falar comigo? – ela me respondeu me conduzindo até o sofá em um canto de seu consultório.
_ Na verdade, eu não vim aqui procurar a minha mãe! – eu disse meio constrangida. – Eu vim aqui para conversar com a médica!
O sorriso em seu rosto se apagou de repente.
_ Você está se sentindo mal, filha? – sua voz denunciava alguma ansiedade. – O que você tem?
_ Eu não estou sentindo nada, mamãe! Fique tranquila, eu estou bem, eu juro! – eu a tranquilizei – É que... bem... eu queria que a senhora me ajudasse em uma coisa que eu preciso fazer e...
Minha mãe me ouvia com atenção e pela expressão em seu rosto eu podia ver que ela estava confusa. O problema era a maldita gagueira que tinha tomado conta de mim e não me deixava falar direito.
_ Filha, eu vou precisar que você seja um pouco mais clara. Eu estou aqui pra lhe ajudar no que você precisar, mas eu preciso que você me explique direitinho o que está acontecendo. – ela disse colocando uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha.
Suspirei frustrada com a minha falta de habilidade em expressar os meus pensamentos. Olhei em seu rosto e ela esperava pacientemente até que eu conseguisse falar. Tomei o ar com força e tentei contar o motivo da minha ida até lá.
_ Eu estou pronta, mamãe! – eu disse sentindo minhas bochechas corarem. – Eu acho que chegou o momento de dar mais um passo na minha relação com o Brian. Eu quero me entregar a ele, mas eu não quero gerar um filho de forma inconseqüente, me entende?
Minha mãe me deu um sorriso terno antes de me abraçar.
_ Minha menina está se tornando uma mulher! – ela disse com uma voz suave – Estou orgulhosa de você, filha! São poucas as moças que pensam como você. Muitas delas se entregam para os namorados sem pensar nas consequências dos seus atos e acabam engravidando cedo demais. Agora mesmo eu estava analisando um caso de uma paciente de 13 anos que está grávida. E o pior é que quando o namorado soube da gravidez, sumiu no mundo deixando a menina sozinha com essa responsabilidade nas mãos.
Fiquei tentando imaginar como seria passar por isso sendo tão nova ainda. Se eu me achava jovem demais para ser mãe aos 18 anos, aos 13 anos então...era até pecado! Uma criança gerando outra!
_ A menina está bem, mamãe? – perguntei preocupada.
_ Por enquanto sim, filha! Mas ela é muito nova e o seu corpo não está totalmente amadurecido o que torna a gravidez uma gravidez de risco, tanto para ela quanto para o bebê! – minha mãe explicou com o semblante abatido. – Mas vamos ao que interessa: você veio aqui para que eu indique um método anticoncepcional, não é?
Sorri e assenti sentindo meu rosto corar mais uma vez. Minha mãe sorriu de volta acariciando minhas bochechas e se levantou caminhando até a sua mesa.
_ Filha, além de lhe passar um anticoncepcional, eu também vou pedir alguns exames, está bem? Não é nada demais! Somente um exame de sangue. Já faz algum tempo desde que você fez os últimos exames e eu vou aproveitar que você veio até aqui para colher o seu sangue. Você já tomou o café da manhã? – ela perguntou.
_ Na verdade, não! – admiti constrangida. Ela sempre me repreendia quando eu saía sem me alimentar. – Eu estava ansiosa demais para vir falar com a senhora!
Ela me olhou com uma expressão séria que logo se desfez em um sorriso terno.
_ Desta vez eu não vou ficar brava com você porque isso possibilita a coleta do seu sangue. Mas você sabe que eu não gosto quando vocês deixam de se alimentar, filha! – ela dizia enquanto me levava ao laboratório para a coleta de sangue.
Após o exame, minha mãe me obrigou a comer alguma coisa antes de sair do hospital. Mesmo eu prometendo que comeria assim que chegasse em casa, ela insistiu para que eu me alimentasse antes de sair. Tomei um suco de laranja e comi um sanduíche natural sob o olhar atento da Dra. Cullen. Sorri ao me sentir como uma criança novamente, lembrando-me da minha infância, de quando ela me vigiava enquanto eu comia.
Saí do hospital e já me dirigia ao estacionamento quando vi o carro de Brian entrar em alta velocidade. Ele saiu apressado do carro correndo em minha direção assim que me avistou. Sua expressão preocupada me assustou e eu fiquei sem reação quando ele me abraçou com o corpo trêmulo.
_ Bebê, o que foi que aconteceu? Por que você está assim? – perguntei assustada.
_ Eu quase morri do coração quando liguei para a sua casa e a empregada me disse que você tinha vindo para o hospital, docinho! Você está sentindo alguma coisa? Já conversou com um médico? – as perguntas saíam atropeladas enquanto ele acariciava ansioso o meu rosto.
_ Brian, eu só vim aqui para falar com a mamãe! Eu não estou sentido nada, amor! Fique calmo! – eu o abracei tentando acalmá-lo.
Brian fechou os olhos, colando a sua testa na minha com a respiração descompassada. Suas mãos envolviam a minha cintura colando o meu corpo ao dele e seus dedos deslizavam suavemente sobre a minha pele.
_ Eu juro que um dia ainda morro de susto, docinho! – ele disse ainda ofegante.
_ Amor, se acalme! Respire fundo! Você está muito nervoso! Deus do céu, Brian, você está tremendo! – eu disse me agarrando ainda mais a ele.
Brian me apertou ainda mais em seus braços e aos poucos foi se acalmando. Permanecemos ali, naquele estacionamento, até que ele tivesse condições de se sentar atrás do volante e dirigir de volta para casa com segurança. Assim que estacionei o carro na garagem de casa, Brian já estava parado ao meu lado abrindo a porta para mim. Acionei o alarme do carro e permiti que ele me guiasse até a sua casa. Sofia e Seth nos esperavam sentados no sofá da sala de visitas com um enorme sorriso no rosto. Brian me levou até o sofá de frente para eles onde nos sentamos.
_ Docinho, o que você acha de viajarmos por uns dias? Seth e Sofia estão pensando em passar alguns dias no apartamento do meu pai na Califórnia e eu pensei que seria bom se nós fôssemos também. – Brian disse com um sorriso lindo nos lábios.
Meu coração acelerou no peito. A imagem de nós dois passando alguns dias a sós começou a se formar em minha mente. Seria maravilhoso. Seria ideal. Seria o momento perfeito para eu me entregar a ele. Um sorriso enorme se formou em meus lábios.
_ Eu adoraria, Brian! Seria maravilhoso! Vocês já sabem quando nós vamos? – perguntei ansiosa.
Brian sorriu e beijou minha testa antes de me responder:
_ Acho que dentro de uns seis ou sete dias já podemos ir. Ainda temos que falar com o meu pai e providenciar a limpeza do apartamento. Eu pensei em irmos de carro descendo pelo litoral e parando em algumas cidades no caminho. O que vocês acham?
_ Mas não é muito longe pra irmos de carro? – Sofia perguntou desanimada.
_ Se nós formos direto, chegaremos lá em aproximadamente 15 horas, mas a ideia seria pararmos em algumas cidades para passearmos. Nós podemos passar a noite e retomar a estrada no dia seguinte. – Brian sugeriu.
Sofia me olhou como quem pedisse minha opinião. Eu assenti discretamente para ela. Estava louca para que ela aceitasse a proposta de Brian. Ela entendeu o meu sinal e concordou.
Mais tarde, Sofia me chamou para ir ao shopping com ela. Queria comprar alguns biquínis e eu aproveitaria para comprar alguns para mim também. Já havíamos ido a várias lojas e ela ainda não tinha gostado de nenhum. Eu já me sentia um pouco cansada, mas não queria estragar o nosso passeio. Apesar do cansaço, a tarde estava divertida.  Ao final da tarde, comemos em um café do shopping e voltamos para casa. Brian e Seth tinham saído e ainda não tinham voltado. Decidi ir para a minha casa, tomar um banho e descansar um pouco. Uma sonolência incontrolável estava tomando conta de mim e eu parecia uma bêbada ao sair do banheiro depois de me banhar. Deitei-me em minha cama sentindo meu corpo dormente e não percebi quando o sono me levou.

Narrado por Brian

Seth e eu tínhamos saído após o almoço para providenciar algumas coisas para a nossa viagem. Já tínhamos falado com o meu pai e ele tinha nos emprestado as chaves do apartamento. Também nos passou o telefone de uma senhora que cuidava da limpeza do lugar para que pudéssemos avisar sobre a nossa chegada. Ela se prontificou não só a limpar o apartamento como também a abastecer a geladeira para que nós não tivéssemos que nos preocupar com isso.
Antes de voltarmos para casa, Seth me pediu para ir com ele a uma joalheria. Surpreendi-me com o seu pedido e fiquei imaginando se ele também queria pedir Sofia em casamento.
_ Vai querer se enrolar também, Seth? – perguntei com um sorriso sacana nos lábios.
Seth sorriu abertamente antes de responder:
_ Eu já me enrolei faz tempo, Brian! Só demorei mais para perceber! – ele riu.
Entramos na joalheria e uma vendedora nos atendeu prontamente. No começo, eu achei que aquele sorriso estampado em seu rosto era por pura simpatia, mas, com o tempo, notei que ela tentava flertar com Seth, embora ele não tivesse percebido.   A coitada jogava os cabelos de um lado para o outro tentando parecer sensual, mas só conseguia passar uma imagem de vulgaridade. Seu sorriso se desfez em segundos quando Seth disse que queria comprar um anel para a futura esposa. Tive que morder a língua para não rir da cara da moça. Sua expressão desolada era hilária. Mas hilário mesmo foi quando ela se virou para mim na maior cara-de-pau e tentou jogar charme:
_ E o senhor? Também já encontrou a dona do seu coração? – ela perguntou enrolando a ponta do cabelo ressecado com os dedos e tentando fazer uma cara sexy. Eu disse “tentando”.
_ Não só do meu coração, como da minha alma, do meu presente e do meu futuro! – eu disse com um sorriso imenso no rosto.
_ Ela é uma moça de sorte, então! – ela disse despeitada.
_ Na verdade, eu é que tive a sorte de ter sido escolhido por ela! – eu disse com sinceridade – Ela é tão especial, tão perfeita e tão insubstituível que o sortudo sou eu, não ela.
A conversa acabou ali. A vendedora decidiu se colocar em seu lugar e agir profissionalmente, o que me deixou grato. Seth comprou um par de alianças de ouro com brilhantes. Eu podia ver o misto de felicidade e ansiedade em seu rosto. Eu sabia perfeitamente o que ele estava sentindo.
Voltamos para casa e Sofia me disse que Mel tinha ido para casa tomar banho e descansar. Tomei um banho e fui até sua casa para vê-la. Tinha passado apenas algumas horas longe dela e já tinha sido o bastante para que eu morresse de saudades. Nikki me disse que ela ainda não tinha descido e eu corri até seu quarto para chamá-la. Entreabri a porta depois de bater algumas vezes sem obter resposta. Mel estava deitada em sua cama, profundamente adormecida. Aproximei-me dela, sentando-me à beira da cama e fiquei observando seu rosto por alguns instantes. Ela me pareceu realmente cansada, seu rosto um pouco mais pálido do que o normal, os lábios um pouco sem cor. No entanto, seu sono parecia tranquilo. Fiquei ali, calado, somente velando seu sono sem ter coragem de acordá-la. As pontas dos meus dedos acariciavam suavemente o contorno do seu rosto delicado. Ela não se moveu. Decidi deixá-la descansar. Ela tinha passado por muita coisa nos últimos tempos e merecia aquele sono tranquilo e reparador. Fiquei mais algum tempo velando seu sono antes de descer novamente. No momento em que pisei na sala de visitas, tia Rose entrou pela porta da frente com um semblante carregado. Parecia cansada, mas a ruga que havia se formado entre seus olhos também mostrava certa preocupação.
_ Tia, há algum problema? – eu perguntei preocupado.
Ela me olhou nos olhos com uma expressão estranha. Percebi que ela carregava uma pasta com a logomarca do hospital de Edmonds. Pareciam ser exames.
_ Brian, nós precisamos conversar. – ela disse séria
Não sei por que motivo, mas, ao ouvir o que ela disse, um arrepio subiu por minha espinha e eu senti meu coração se apertar.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Capítulo VIII - Pronta



Narrado por Rose

        A casa estava mergulhada no mais absoluto silêncio. Brian já havia subido ao quarto de Mel havia quase uma hora e nós não tínhamos ouvido nada que indicasse que eles estivessem brigando. Emmett ainda andava de um lado para o outro na sala de casa, preocupado com o resultado daquela conversa.
        _ Amor, pare de andar e sente-se aqui ao meu lado. Se Brian não desceu até agora é porque eles estão se entendendo! – eu pedi aflita com o estado dele.
        Emmett parou de andar e me encarou por alguns instantes antes de vir em minha direção e se deitar no sofá com a cabeça apoiada em meu colo. Minhas mãos seguiram automaticamente para os seus cabelos e ele fechou os olhos sorrindo ao apreciar o carinho.
  _ Espero que você esteja certa sobre isto, Rose! Eu não vou suportar ver esses dois sofrendo por causa de uma mentira horrorosa como a que aquele moleque falou. Eu sou capaz de ir atrás dele e terminar o serviço que o Brian começou! – ele disse com o rosto transtornado pela raiva.
_ Hey, nada de violência, Sr. Cullen! – eu disse assustada com a possibilidade de meu marido fazer alguma bobagem. – Brian confia na nossa menina e eu tenho certeza de que eles irão sair dessa confusão ainda mais apaixonados do que antes. Eles se amam muito, amor! E eu garanto que vão superar essa fase ruim. Você vai ver!
Emmett soltou um suspiro pesado e voltou a fechar os olhos. Permaneceu calado por alguns minutos antes de abri-los novamente e me encarar.
_ Às vezes eu me pergunto como duas irmãs, mesmo sendo gêmeas idênticas, podem ser tão diferentes! Nikki, apesar de ser a mais nova, sempre foi a mais forte das duas em todos os aspectos. Ela sempre tomou as rédeas de tudo o que fazia, sempre defendeu a irmã na escola quando alguém tentava atingi-la e sempre teve uma cabeça muito mais feita do que a nossa Mel. – ele disse pensativo.
Eu já tinha me perguntado a mesma coisa diversas vezes durante todos esses anos. Elas eram realmente muito diferentes em suas personalidades. Ambas eram muito doces e carinhosas com todos, sabiam conquistar e manter as amizades, eram fiéis aos amigos e à família, mas Nikki era nitidamente mais forte do que Mel. Enquanto Nikki sabia se impor sem precisar se esforçar para isso, Mel parecia um gatinho assustado. Minha menina sempre foi frágil em todos os sentidos. Quando pequena, sua saúde sempre nos preocupou. Era sempre ela quem se resfriava primeiro e de forma mais intensa e era sempre a última a se recuperar. Seu corpo parecia necessitar de mais tempo para se restabelecer. Isso fez com que os cuidados com ela fossem sempre redobrados e nós acabamos por protegê-la demais. Talvez aquela fosse a explicação para toda a sua fragilidade. Ao protegê-la em excesso, nós tínhamos impedido que ela aprendesse a se defender e a lutar por suas coisas.
_ Talvez a nossa superproteção sobre ela a tenha feito mais frágil, Emmett! - eu disse sem perceber que expressava meus pensamentos em voz alta.
_ É! Você pode estar com a razão, amor! De certa forma, ela nunca precisou se defender de nada nem de ninguém porque nós sempre estivemos ali para protegê-la. Acho que erramos a mão e passamos do limite, Rose! – ele disse culpado.
_ Emmett, nós não erramos com as nossas filhas! Elas são meninas maravilhosas que só nos dão orgulho. Nós só fizemos o que achávamos necessário naquela época, mas ainda podemos tentar remediar a situação e ajudá-la a se fortalecer. – eu disse tentando confortá-lo.
Era impressionante como um homem enorme e forte como Emmett se tornava tão pequeno e frágil quando o assunto era as filhas. Principalmente Mel. Ele sempre adotou uma postura superprotetora em relação a ela, mais até do que com as outras filhas, levado pela fragilidade da nossa menina. Ela era definitivamente o seu ponto mais fraco e ele se tornava totalmente vulnerável quando ela não estava bem.
Já estávamos havia mais de uma hora na sala de casa esperando que Brian e Mel descessem. Emmett já estava mais do que ansioso com a demora dos dois e eu decidi subir para tentar espiar um pouco. Se eles ainda estivessem conversando, eu desceria sem interrompê-los.
Subi as escadas silenciosamente sendo seguida de perto por um marido ansioso demais para ficar na sala esperando o meu retorno. Chegamos à porta do quarto de Mel e permanecemos em silêncio tentando ouvir alguma coisa. Nada. Silêncio total do outro lado. Trocamos um olhar inseguro antes de entreabrirmos cuidadosamente a porta e nos depararmos com a cena mais fofa que poderia existir. Brian e Mel estavam deitados na cama, fortemente abraçados com se temessem acordar e perceber que o outro não estava mais ali. Ambos dormiam serenamente. Apesar do cansaço evidente em suas faces, era nítida a felicidade de ambos por estarem juntos e bem novamente. Emmett e eu ficamos observando os dois com o coração aliviado. Eu podia sentir o coração do meu marido batendo forte em seu peito colado em minhas costas. Decidimos deixá-los descansar. Emmett cerrou as cortinas bloqueando a entrada da luz, proporcionando aos dois um ambiente mais tranqüilo. Segui em direção ao armário e peguei um edredom cobrindo-os para que ficassem aquecidos. Emmett acariciava levemente os cabelos da nossa filha enquanto a olhava com um sorriso doce nos lábios. Saímos do quarto depois de dar um beijinho suave em sua testa e fechamos a porta. Eles estavam cansados e precisavam descansar. Quando acordassem, teriam toda a vida pela frente e um grande amor para viver.

Narrado por Brian

        Meu corpo estava relaxado e minha mente estava leve. Eu sabia que tudo estava bem porque podia sentir o perfume mais maravilhoso do mundo penetrando minhas narinas. Estava em um mundo de sonhos e não queria acordar. Se ao abrir os olhos, toda aquela atmosfera desaparecesse, eu iria enlouquecer de vez. Inspirei profundamente aquele perfume mais uma vez deixando que ele aguçasse os meus sentidos. Não era um sonho. Ela estava ali, ao meu lado. O perfume, a maciez daquela pele, a temperatura daquele corpo e, principalmente, a doçura e a delicadeza do toque daquelas mãos que agora acariciavam o meu rosto eram reais. Eu podia abrir os olhos sem medo. Ela estava realmente em meus braços.
        _ Eu já estava com saudades de você, bebê! – ela disse com a voz suave.
Sorri ainda de olhos fechados ao sentir o seu hálito fresco batendo em meu rosto. Mel continuava a desenhar delicadamente cada traço do meu rosto com as pontas dos dedos. Eu não queria abrir os olhos, mas não poder ver aquele rosto de anjo seria praticamente uma heresia. Abri os olhos e quase me afoguei no azul dos olhos da minha menina. Um azul vivo, brilhante, intenso e visivelmente feliz. Ficamos em silêncio nos olhando por um bom tempo. Minha mão acariciava levemente a pele de seda do seu rosto, apreciando sua textura delicada. Estávamos envoltos em uma bolha de felicidade e tranqüilidade e não tínhamos nenhuma vontade de sair dali.
_ Você sentiu frio? – ela me perguntou olhando para o edredom que nos cobria.
_ Não foi você quem nos cobriu? – eu perguntei confuso.
Mel arregalou os olhos de repente ao perceber que alguém tinha entrado no quarto e nos visto deitados juntos.
_ Deus do céu, bebê! Se o papai tiver entrado aqui ele pode estar pensando bobagens agora! – ela começou a ficar tensa novamente.
_ Shhhh ... calma, docinho! – eu voltei a abraçá-la tentando acalmá-la. – Eu vou falar com ele e explicar o que aconteceu. Não precisa ficar com medo. Ninguém vai julgá-la de forma errada, eu não vou deixar!
Mel permaneceu quieta em meus braços, mas eu ainda podia sentir a sua tensão. Depois de tudo o que ela tinha passado nas últimas vinte e quatro horas, era mais do que compreensível que ela temesse ser julgada novamente.
_ Docinho, vamos combinar o seguinte. Tome um banho e enquanto isso, eu vou descer para conversar com o seu pai e esclarecer a situação, está bem? – eu disse me levantando da cama e trazendo seu corpo comigo.
_ Você não vai falar com ele sozinho, Brian! Eu vou com você. – ela disse decidida. – A partir de hoje nós vamos resolver os nossos problemas juntos, ok?
Senti orgulho da minha menina. Ela estava amadurecendo e, mesmo morrendo de medo da reação do pai, estava decidida a enfrentar o que quer que fosse ao meu lado. Descemos as escadas de mãos dadas e eu podia sentir a mão delicada de Mel apertando a minha com força. Ela estava nervosa, mas estava ali. Isso era o mais importante.
Quando chegamos ao andar de baixo, nos deparamos com meus tios na sala de vídeo assistindo um filme qualquer. Entramos sem ser percebidos e ficamos observando o casal agarradinho no sofá.
_ Tio Emmett? – eu o chamei baixinho.
Tio Emmett se levantou imediatamente nos encarando com um olhar especulativo. A mão suada de Mel apertava a minha, denunciando o seu nervosismo.
_ Eu queria pedir desculpas por ter dormido no quarto da Mel. Eu não tinha a intenção de desrespeitar o senhor ou a sua casa. É que nós estávamos muito cansados por termos passado uma noite tensa e insone e acabamos dormindo, mas eu juro que não aconteceu nada além disso, tio!
Tio Emmett me olhava sério e sua expressão era indecifrável. Eu não sabia dizer se ele tinha acreditado nas minhas palavras ou se nós iríamos ouvir um sermão daqueles. Tia Rose, percebendo o clima estranho, se adiantou:
_ Está tudo bem, Brian! Nós sabemos que vocês não queriam nos desrespeitar. Fiquem tranqüilos!
Senti meu coração bater mais aliviado. Eu detestaria saber que eles tinham se sentido ofendidos por nossa atitude. Tio Emmett continuava a me encarar em silêncio e eu já estava começando a me sentir desconfortável outra vez.
_ Papai, por favor, não fique bravo conosco! Eu juro que não aconteceu nada demais. Nós só dormimos! – Mel disse temerosa. – Está tudo bem agora!
Tio Emmett, ao ouvir a voz da filha, desviou o olhar de mim para ela antes de responder.
_ Não, Mel! Não está tudo bem! – ele disse sério e eu senti Mel estremecer em meus braços.
_ Tio, se o senhor tiver que brigar com alguém, brigue comigo! Fui eu que errei ao me deitar na cama dela! – eu me posicionei protetoramente entre os dois.
Tio Emmett franziu o cenho e me olhou como se eu tivesse algum problema mental.
_ Ficou maluco, menino? É claro que eu não vou brigar com a minha filha! Se eu tivesse que brigar com alguém, eu iria brigar era com você! – ele respondeu.
_ Papai, por favor! – Mel tentou contestá-lo, mas se calou diante do olhar que ele lançou em sua direção.
_ Docinho, suba para o seu quarto. Eu preciso conversar com o seu pai em particular. Vai ficar tudo bem, eu prometo! – eu disse tentando convencê-la, mas ela se agarrava a mim determinada a permanecer ali e enfrentar o pai ao meu lado.
_ Não vai ficar tudo bem, Brian! – tio Emmett repetiu com um tom de voz estranho. – Não até você me dizer que vocês se entenderam!
Mel se agarrou a mim com força e suspirou aliviada. Meus braços envolveram sua cintura e eu beijei sua testa antes de responder à pergunta do meu tio.
_ Está tudo bem, tio! Nós conversamos e esclarecemos o mal entendido!
Tio Emmett e tia Rose sorriram satisfeitos e nos abraçaram.
_ Que bom, filho! Nós estávamos angustiados pensando que aquele moleque tivesse conseguido abalar o relacionamento de vocês! – tia Rose disse ainda abraçada a nós.
Senti o corpo de Mel estremecer com a menção da noite anterior. Estreitei ainda mais o nosso abraço tentando lhe passar segurança.
_ Ele jamais vai conseguir me separar da minha menina, tia Rose! Eu não tenho como viver sem a minha alma! – respondi.
Mel, que até aquele momento mantinha seu rosto afundado em meu peito, ergueu o rosto em minha direção e me encarou com os olhos marejados.
_ Eu amo você, bebê! Mais do que você é capaz de imaginar! – ela disse sorrindo.
Não resisti. Beijei sua boca com vontade me esquecendo de onde estávamos e de quem estava ao nosso redor. Tudo o que eu queria e conseguia sentir naquele momento era a presença de Mel ali, em meus braços, quente, viva, vibrante e feliz. Nada mais me importava. Tio Emmett poderia até dar um chilique se quisesse. Nem isso me afastaria de Mel agora. Nada me afastaria dela. Nunca. Jamais.

Narrado por Melinda

        Meu corpo todo estremeceu assim que senti os lábios de Brian colados aos meus. Todo o resto deixou de ter importância naquele momento. Só existíamos ele e eu. Só existia aquela sensação mágica de tê-lo agarrado a mim, de sentir o calor do seu corpo colado ao meu, o toque gentil de suas mãos apertando minha cintura me trazendo ainda mais para junto dele e o gosto maravilhoso do seu beijo.       
        Não havia mais dúvidas. Não havia mais tristeza. Não havia mais angústia. Só havia a reação violenta do meu corpo e a vontade de me entregar a ele sem reservas. Só havia o desejo crescente que, pouco a pouco, tomava conta do meu corpo e a vontade insana de saciá-lo. Eu o queria e precisava encontrar uma forma de dizer a ele que eu estava pronta. Ele merecia isso. Tinha esperado pacientemente por todo esse tempo até que eu me sentisse segura para me entregar a ele de forma plena. Eu sabia do esforço enorme que ele fazia para controlar o desejo que sentia por mim até que eu me decidisse. E eu estava decidida. Não esperaria mais e me entregaria a ele e a mais ninguém. Eu só queria e precisava de uma pessoa ao meu lado e essa pessoa estava bem ali, juntinho de mim, me beijando com amor ... me levando ao paraíso.