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Juiz de Fora, Minas Gerais, Brazil
Apesar de ser mestre em Linguística e ter toda a minha vida acadêmica voltada para o ensino de línguas, sempre fui amante da literatura, devoradora de livros, filmes e séries. Sempre tive um sonho: escrever. Durante muito tempo, o medo de fracassar me impediu de realizar esse sonho, mas uma grande amiga me incentivou e me deu a coragem de enfrentar meus fantasmas e graças a ela eu hoje posso dizer que me sinto uma pessoa melhor, mais confiante e absolutamente ciente do meu potencial.

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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Capítulo IX - Planos




Narrado por Melinda

Eu estava pronta. Eu tinha certeza disso. Eu só precisava fazer uma coisa antes de me entregar a ele definitivamente: falar com a minha mãe, ou melhor, falar com a Dra. Rosalie Cullen. Por mais que nós já tivéssemos conversado exaustivamente sobre sexo e ela já tivesse me passado todas as informações que uma garota precisa saber antes de dar esse passo importante e definitivo, eu precisava que ela me indicasse um medicamento para me precaver. Embora eu quisesse muito ter um filho de Brian, ainda não era a hora. Nosso filho não poderia ser consequência de um ato irresponsável. Não seria justo com ele e não seria justo conosco também. Ele nasceria quando nós estivéssemos casados e com a vida estabilizada. Ele seria planejado e não um mero acidente. O fruto do nosso amor seria uma criança planejada, esperada e amada desde antes da sua concepção.
Eu caminhava pelos corredores do hospital recebendo os cumprimentos dos médicos e enfermeiros que me conheciam desde a minha infância. Parei em frente ao consultório de minha mãe e bati levemente à porta.
_ Entre! – sua voz melodiosa me encorajou a seguir.
Minha mãe estava sentada em sua mesa lendo alguns papéis e mordia ansiosamente a ponta de uma caneta. Fiquei observando a expressão séria de seu rosto e quase perdi a coragem de contar a ela sobre a minha decisão. Diante do meu silêncio, ela ergueu o olhar e se levantou caminhando em minha direção com um sorriso carinhoso nos lábios.
_ Oi, filhota! Que surpresa boa ver você por aqui! – ela me abraçou e eu lhe retribuí.
_ Eu vim conversar com a senhora! Está muito ocupada? – eu perguntei insegura.
_ Pra você eu sempre tenho tempo, filha! Sobre o que você quer falar comigo? – ela me respondeu me conduzindo até o sofá em um canto de seu consultório.
_ Na verdade, eu não vim aqui procurar a minha mãe! – eu disse meio constrangida. – Eu vim aqui para conversar com a médica!
O sorriso em seu rosto se apagou de repente.
_ Você está se sentindo mal, filha? – sua voz denunciava alguma ansiedade. – O que você tem?
_ Eu não estou sentindo nada, mamãe! Fique tranquila, eu estou bem, eu juro! – eu a tranquilizei – É que... bem... eu queria que a senhora me ajudasse em uma coisa que eu preciso fazer e...
Minha mãe me ouvia com atenção e pela expressão em seu rosto eu podia ver que ela estava confusa. O problema era a maldita gagueira que tinha tomado conta de mim e não me deixava falar direito.
_ Filha, eu vou precisar que você seja um pouco mais clara. Eu estou aqui pra lhe ajudar no que você precisar, mas eu preciso que você me explique direitinho o que está acontecendo. – ela disse colocando uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha.
Suspirei frustrada com a minha falta de habilidade em expressar os meus pensamentos. Olhei em seu rosto e ela esperava pacientemente até que eu conseguisse falar. Tomei o ar com força e tentei contar o motivo da minha ida até lá.
_ Eu estou pronta, mamãe! – eu disse sentindo minhas bochechas corarem. – Eu acho que chegou o momento de dar mais um passo na minha relação com o Brian. Eu quero me entregar a ele, mas eu não quero gerar um filho de forma inconseqüente, me entende?
Minha mãe me deu um sorriso terno antes de me abraçar.
_ Minha menina está se tornando uma mulher! – ela disse com uma voz suave – Estou orgulhosa de você, filha! São poucas as moças que pensam como você. Muitas delas se entregam para os namorados sem pensar nas consequências dos seus atos e acabam engravidando cedo demais. Agora mesmo eu estava analisando um caso de uma paciente de 13 anos que está grávida. E o pior é que quando o namorado soube da gravidez, sumiu no mundo deixando a menina sozinha com essa responsabilidade nas mãos.
Fiquei tentando imaginar como seria passar por isso sendo tão nova ainda. Se eu me achava jovem demais para ser mãe aos 18 anos, aos 13 anos então...era até pecado! Uma criança gerando outra!
_ A menina está bem, mamãe? – perguntei preocupada.
_ Por enquanto sim, filha! Mas ela é muito nova e o seu corpo não está totalmente amadurecido o que torna a gravidez uma gravidez de risco, tanto para ela quanto para o bebê! – minha mãe explicou com o semblante abatido. – Mas vamos ao que interessa: você veio aqui para que eu indique um método anticoncepcional, não é?
Sorri e assenti sentindo meu rosto corar mais uma vez. Minha mãe sorriu de volta acariciando minhas bochechas e se levantou caminhando até a sua mesa.
_ Filha, além de lhe passar um anticoncepcional, eu também vou pedir alguns exames, está bem? Não é nada demais! Somente um exame de sangue. Já faz algum tempo desde que você fez os últimos exames e eu vou aproveitar que você veio até aqui para colher o seu sangue. Você já tomou o café da manhã? – ela perguntou.
_ Na verdade, não! – admiti constrangida. Ela sempre me repreendia quando eu saía sem me alimentar. – Eu estava ansiosa demais para vir falar com a senhora!
Ela me olhou com uma expressão séria que logo se desfez em um sorriso terno.
_ Desta vez eu não vou ficar brava com você porque isso possibilita a coleta do seu sangue. Mas você sabe que eu não gosto quando vocês deixam de se alimentar, filha! – ela dizia enquanto me levava ao laboratório para a coleta de sangue.
Após o exame, minha mãe me obrigou a comer alguma coisa antes de sair do hospital. Mesmo eu prometendo que comeria assim que chegasse em casa, ela insistiu para que eu me alimentasse antes de sair. Tomei um suco de laranja e comi um sanduíche natural sob o olhar atento da Dra. Cullen. Sorri ao me sentir como uma criança novamente, lembrando-me da minha infância, de quando ela me vigiava enquanto eu comia.
Saí do hospital e já me dirigia ao estacionamento quando vi o carro de Brian entrar em alta velocidade. Ele saiu apressado do carro correndo em minha direção assim que me avistou. Sua expressão preocupada me assustou e eu fiquei sem reação quando ele me abraçou com o corpo trêmulo.
_ Bebê, o que foi que aconteceu? Por que você está assim? – perguntei assustada.
_ Eu quase morri do coração quando liguei para a sua casa e a empregada me disse que você tinha vindo para o hospital, docinho! Você está sentindo alguma coisa? Já conversou com um médico? – as perguntas saíam atropeladas enquanto ele acariciava ansioso o meu rosto.
_ Brian, eu só vim aqui para falar com a mamãe! Eu não estou sentido nada, amor! Fique calmo! – eu o abracei tentando acalmá-lo.
Brian fechou os olhos, colando a sua testa na minha com a respiração descompassada. Suas mãos envolviam a minha cintura colando o meu corpo ao dele e seus dedos deslizavam suavemente sobre a minha pele.
_ Eu juro que um dia ainda morro de susto, docinho! – ele disse ainda ofegante.
_ Amor, se acalme! Respire fundo! Você está muito nervoso! Deus do céu, Brian, você está tremendo! – eu disse me agarrando ainda mais a ele.
Brian me apertou ainda mais em seus braços e aos poucos foi se acalmando. Permanecemos ali, naquele estacionamento, até que ele tivesse condições de se sentar atrás do volante e dirigir de volta para casa com segurança. Assim que estacionei o carro na garagem de casa, Brian já estava parado ao meu lado abrindo a porta para mim. Acionei o alarme do carro e permiti que ele me guiasse até a sua casa. Sofia e Seth nos esperavam sentados no sofá da sala de visitas com um enorme sorriso no rosto. Brian me levou até o sofá de frente para eles onde nos sentamos.
_ Docinho, o que você acha de viajarmos por uns dias? Seth e Sofia estão pensando em passar alguns dias no apartamento do meu pai na Califórnia e eu pensei que seria bom se nós fôssemos também. – Brian disse com um sorriso lindo nos lábios.
Meu coração acelerou no peito. A imagem de nós dois passando alguns dias a sós começou a se formar em minha mente. Seria maravilhoso. Seria ideal. Seria o momento perfeito para eu me entregar a ele. Um sorriso enorme se formou em meus lábios.
_ Eu adoraria, Brian! Seria maravilhoso! Vocês já sabem quando nós vamos? – perguntei ansiosa.
Brian sorriu e beijou minha testa antes de me responder:
_ Acho que dentro de uns seis ou sete dias já podemos ir. Ainda temos que falar com o meu pai e providenciar a limpeza do apartamento. Eu pensei em irmos de carro descendo pelo litoral e parando em algumas cidades no caminho. O que vocês acham?
_ Mas não é muito longe pra irmos de carro? – Sofia perguntou desanimada.
_ Se nós formos direto, chegaremos lá em aproximadamente 15 horas, mas a ideia seria pararmos em algumas cidades para passearmos. Nós podemos passar a noite e retomar a estrada no dia seguinte. – Brian sugeriu.
Sofia me olhou como quem pedisse minha opinião. Eu assenti discretamente para ela. Estava louca para que ela aceitasse a proposta de Brian. Ela entendeu o meu sinal e concordou.
Mais tarde, Sofia me chamou para ir ao shopping com ela. Queria comprar alguns biquínis e eu aproveitaria para comprar alguns para mim também. Já havíamos ido a várias lojas e ela ainda não tinha gostado de nenhum. Eu já me sentia um pouco cansada, mas não queria estragar o nosso passeio. Apesar do cansaço, a tarde estava divertida.  Ao final da tarde, comemos em um café do shopping e voltamos para casa. Brian e Seth tinham saído e ainda não tinham voltado. Decidi ir para a minha casa, tomar um banho e descansar um pouco. Uma sonolência incontrolável estava tomando conta de mim e eu parecia uma bêbada ao sair do banheiro depois de me banhar. Deitei-me em minha cama sentindo meu corpo dormente e não percebi quando o sono me levou.

Narrado por Brian

Seth e eu tínhamos saído após o almoço para providenciar algumas coisas para a nossa viagem. Já tínhamos falado com o meu pai e ele tinha nos emprestado as chaves do apartamento. Também nos passou o telefone de uma senhora que cuidava da limpeza do lugar para que pudéssemos avisar sobre a nossa chegada. Ela se prontificou não só a limpar o apartamento como também a abastecer a geladeira para que nós não tivéssemos que nos preocupar com isso.
Antes de voltarmos para casa, Seth me pediu para ir com ele a uma joalheria. Surpreendi-me com o seu pedido e fiquei imaginando se ele também queria pedir Sofia em casamento.
_ Vai querer se enrolar também, Seth? – perguntei com um sorriso sacana nos lábios.
Seth sorriu abertamente antes de responder:
_ Eu já me enrolei faz tempo, Brian! Só demorei mais para perceber! – ele riu.
Entramos na joalheria e uma vendedora nos atendeu prontamente. No começo, eu achei que aquele sorriso estampado em seu rosto era por pura simpatia, mas, com o tempo, notei que ela tentava flertar com Seth, embora ele não tivesse percebido.   A coitada jogava os cabelos de um lado para o outro tentando parecer sensual, mas só conseguia passar uma imagem de vulgaridade. Seu sorriso se desfez em segundos quando Seth disse que queria comprar um anel para a futura esposa. Tive que morder a língua para não rir da cara da moça. Sua expressão desolada era hilária. Mas hilário mesmo foi quando ela se virou para mim na maior cara-de-pau e tentou jogar charme:
_ E o senhor? Também já encontrou a dona do seu coração? – ela perguntou enrolando a ponta do cabelo ressecado com os dedos e tentando fazer uma cara sexy. Eu disse “tentando”.
_ Não só do meu coração, como da minha alma, do meu presente e do meu futuro! – eu disse com um sorriso imenso no rosto.
_ Ela é uma moça de sorte, então! – ela disse despeitada.
_ Na verdade, eu é que tive a sorte de ter sido escolhido por ela! – eu disse com sinceridade – Ela é tão especial, tão perfeita e tão insubstituível que o sortudo sou eu, não ela.
A conversa acabou ali. A vendedora decidiu se colocar em seu lugar e agir profissionalmente, o que me deixou grato. Seth comprou um par de alianças de ouro com brilhantes. Eu podia ver o misto de felicidade e ansiedade em seu rosto. Eu sabia perfeitamente o que ele estava sentindo.
Voltamos para casa e Sofia me disse que Mel tinha ido para casa tomar banho e descansar. Tomei um banho e fui até sua casa para vê-la. Tinha passado apenas algumas horas longe dela e já tinha sido o bastante para que eu morresse de saudades. Nikki me disse que ela ainda não tinha descido e eu corri até seu quarto para chamá-la. Entreabri a porta depois de bater algumas vezes sem obter resposta. Mel estava deitada em sua cama, profundamente adormecida. Aproximei-me dela, sentando-me à beira da cama e fiquei observando seu rosto por alguns instantes. Ela me pareceu realmente cansada, seu rosto um pouco mais pálido do que o normal, os lábios um pouco sem cor. No entanto, seu sono parecia tranquilo. Fiquei ali, calado, somente velando seu sono sem ter coragem de acordá-la. As pontas dos meus dedos acariciavam suavemente o contorno do seu rosto delicado. Ela não se moveu. Decidi deixá-la descansar. Ela tinha passado por muita coisa nos últimos tempos e merecia aquele sono tranquilo e reparador. Fiquei mais algum tempo velando seu sono antes de descer novamente. No momento em que pisei na sala de visitas, tia Rose entrou pela porta da frente com um semblante carregado. Parecia cansada, mas a ruga que havia se formado entre seus olhos também mostrava certa preocupação.
_ Tia, há algum problema? – eu perguntei preocupado.
Ela me olhou nos olhos com uma expressão estranha. Percebi que ela carregava uma pasta com a logomarca do hospital de Edmonds. Pareciam ser exames.
_ Brian, nós precisamos conversar. – ela disse séria
Não sei por que motivo, mas, ao ouvir o que ela disse, um arrepio subiu por minha espinha e eu senti meu coração se apertar.

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