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Juiz de Fora, Minas Gerais, Brazil
Apesar de ser mestre em Linguística e ter toda a minha vida acadêmica voltada para o ensino de línguas, sempre fui amante da literatura, devoradora de livros, filmes e séries. Sempre tive um sonho: escrever. Durante muito tempo, o medo de fracassar me impediu de realizar esse sonho, mas uma grande amiga me incentivou e me deu a coragem de enfrentar meus fantasmas e graças a ela eu hoje posso dizer que me sinto uma pessoa melhor, mais confiante e absolutamente ciente do meu potencial.

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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Capítulo VIII - Pronta



Narrado por Rose

        A casa estava mergulhada no mais absoluto silêncio. Brian já havia subido ao quarto de Mel havia quase uma hora e nós não tínhamos ouvido nada que indicasse que eles estivessem brigando. Emmett ainda andava de um lado para o outro na sala de casa, preocupado com o resultado daquela conversa.
        _ Amor, pare de andar e sente-se aqui ao meu lado. Se Brian não desceu até agora é porque eles estão se entendendo! – eu pedi aflita com o estado dele.
        Emmett parou de andar e me encarou por alguns instantes antes de vir em minha direção e se deitar no sofá com a cabeça apoiada em meu colo. Minhas mãos seguiram automaticamente para os seus cabelos e ele fechou os olhos sorrindo ao apreciar o carinho.
  _ Espero que você esteja certa sobre isto, Rose! Eu não vou suportar ver esses dois sofrendo por causa de uma mentira horrorosa como a que aquele moleque falou. Eu sou capaz de ir atrás dele e terminar o serviço que o Brian começou! – ele disse com o rosto transtornado pela raiva.
_ Hey, nada de violência, Sr. Cullen! – eu disse assustada com a possibilidade de meu marido fazer alguma bobagem. – Brian confia na nossa menina e eu tenho certeza de que eles irão sair dessa confusão ainda mais apaixonados do que antes. Eles se amam muito, amor! E eu garanto que vão superar essa fase ruim. Você vai ver!
Emmett soltou um suspiro pesado e voltou a fechar os olhos. Permaneceu calado por alguns minutos antes de abri-los novamente e me encarar.
_ Às vezes eu me pergunto como duas irmãs, mesmo sendo gêmeas idênticas, podem ser tão diferentes! Nikki, apesar de ser a mais nova, sempre foi a mais forte das duas em todos os aspectos. Ela sempre tomou as rédeas de tudo o que fazia, sempre defendeu a irmã na escola quando alguém tentava atingi-la e sempre teve uma cabeça muito mais feita do que a nossa Mel. – ele disse pensativo.
Eu já tinha me perguntado a mesma coisa diversas vezes durante todos esses anos. Elas eram realmente muito diferentes em suas personalidades. Ambas eram muito doces e carinhosas com todos, sabiam conquistar e manter as amizades, eram fiéis aos amigos e à família, mas Nikki era nitidamente mais forte do que Mel. Enquanto Nikki sabia se impor sem precisar se esforçar para isso, Mel parecia um gatinho assustado. Minha menina sempre foi frágil em todos os sentidos. Quando pequena, sua saúde sempre nos preocupou. Era sempre ela quem se resfriava primeiro e de forma mais intensa e era sempre a última a se recuperar. Seu corpo parecia necessitar de mais tempo para se restabelecer. Isso fez com que os cuidados com ela fossem sempre redobrados e nós acabamos por protegê-la demais. Talvez aquela fosse a explicação para toda a sua fragilidade. Ao protegê-la em excesso, nós tínhamos impedido que ela aprendesse a se defender e a lutar por suas coisas.
_ Talvez a nossa superproteção sobre ela a tenha feito mais frágil, Emmett! - eu disse sem perceber que expressava meus pensamentos em voz alta.
_ É! Você pode estar com a razão, amor! De certa forma, ela nunca precisou se defender de nada nem de ninguém porque nós sempre estivemos ali para protegê-la. Acho que erramos a mão e passamos do limite, Rose! – ele disse culpado.
_ Emmett, nós não erramos com as nossas filhas! Elas são meninas maravilhosas que só nos dão orgulho. Nós só fizemos o que achávamos necessário naquela época, mas ainda podemos tentar remediar a situação e ajudá-la a se fortalecer. – eu disse tentando confortá-lo.
Era impressionante como um homem enorme e forte como Emmett se tornava tão pequeno e frágil quando o assunto era as filhas. Principalmente Mel. Ele sempre adotou uma postura superprotetora em relação a ela, mais até do que com as outras filhas, levado pela fragilidade da nossa menina. Ela era definitivamente o seu ponto mais fraco e ele se tornava totalmente vulnerável quando ela não estava bem.
Já estávamos havia mais de uma hora na sala de casa esperando que Brian e Mel descessem. Emmett já estava mais do que ansioso com a demora dos dois e eu decidi subir para tentar espiar um pouco. Se eles ainda estivessem conversando, eu desceria sem interrompê-los.
Subi as escadas silenciosamente sendo seguida de perto por um marido ansioso demais para ficar na sala esperando o meu retorno. Chegamos à porta do quarto de Mel e permanecemos em silêncio tentando ouvir alguma coisa. Nada. Silêncio total do outro lado. Trocamos um olhar inseguro antes de entreabrirmos cuidadosamente a porta e nos depararmos com a cena mais fofa que poderia existir. Brian e Mel estavam deitados na cama, fortemente abraçados com se temessem acordar e perceber que o outro não estava mais ali. Ambos dormiam serenamente. Apesar do cansaço evidente em suas faces, era nítida a felicidade de ambos por estarem juntos e bem novamente. Emmett e eu ficamos observando os dois com o coração aliviado. Eu podia sentir o coração do meu marido batendo forte em seu peito colado em minhas costas. Decidimos deixá-los descansar. Emmett cerrou as cortinas bloqueando a entrada da luz, proporcionando aos dois um ambiente mais tranqüilo. Segui em direção ao armário e peguei um edredom cobrindo-os para que ficassem aquecidos. Emmett acariciava levemente os cabelos da nossa filha enquanto a olhava com um sorriso doce nos lábios. Saímos do quarto depois de dar um beijinho suave em sua testa e fechamos a porta. Eles estavam cansados e precisavam descansar. Quando acordassem, teriam toda a vida pela frente e um grande amor para viver.

Narrado por Brian

        Meu corpo estava relaxado e minha mente estava leve. Eu sabia que tudo estava bem porque podia sentir o perfume mais maravilhoso do mundo penetrando minhas narinas. Estava em um mundo de sonhos e não queria acordar. Se ao abrir os olhos, toda aquela atmosfera desaparecesse, eu iria enlouquecer de vez. Inspirei profundamente aquele perfume mais uma vez deixando que ele aguçasse os meus sentidos. Não era um sonho. Ela estava ali, ao meu lado. O perfume, a maciez daquela pele, a temperatura daquele corpo e, principalmente, a doçura e a delicadeza do toque daquelas mãos que agora acariciavam o meu rosto eram reais. Eu podia abrir os olhos sem medo. Ela estava realmente em meus braços.
        _ Eu já estava com saudades de você, bebê! – ela disse com a voz suave.
Sorri ainda de olhos fechados ao sentir o seu hálito fresco batendo em meu rosto. Mel continuava a desenhar delicadamente cada traço do meu rosto com as pontas dos dedos. Eu não queria abrir os olhos, mas não poder ver aquele rosto de anjo seria praticamente uma heresia. Abri os olhos e quase me afoguei no azul dos olhos da minha menina. Um azul vivo, brilhante, intenso e visivelmente feliz. Ficamos em silêncio nos olhando por um bom tempo. Minha mão acariciava levemente a pele de seda do seu rosto, apreciando sua textura delicada. Estávamos envoltos em uma bolha de felicidade e tranqüilidade e não tínhamos nenhuma vontade de sair dali.
_ Você sentiu frio? – ela me perguntou olhando para o edredom que nos cobria.
_ Não foi você quem nos cobriu? – eu perguntei confuso.
Mel arregalou os olhos de repente ao perceber que alguém tinha entrado no quarto e nos visto deitados juntos.
_ Deus do céu, bebê! Se o papai tiver entrado aqui ele pode estar pensando bobagens agora! – ela começou a ficar tensa novamente.
_ Shhhh ... calma, docinho! – eu voltei a abraçá-la tentando acalmá-la. – Eu vou falar com ele e explicar o que aconteceu. Não precisa ficar com medo. Ninguém vai julgá-la de forma errada, eu não vou deixar!
Mel permaneceu quieta em meus braços, mas eu ainda podia sentir a sua tensão. Depois de tudo o que ela tinha passado nas últimas vinte e quatro horas, era mais do que compreensível que ela temesse ser julgada novamente.
_ Docinho, vamos combinar o seguinte. Tome um banho e enquanto isso, eu vou descer para conversar com o seu pai e esclarecer a situação, está bem? – eu disse me levantando da cama e trazendo seu corpo comigo.
_ Você não vai falar com ele sozinho, Brian! Eu vou com você. – ela disse decidida. – A partir de hoje nós vamos resolver os nossos problemas juntos, ok?
Senti orgulho da minha menina. Ela estava amadurecendo e, mesmo morrendo de medo da reação do pai, estava decidida a enfrentar o que quer que fosse ao meu lado. Descemos as escadas de mãos dadas e eu podia sentir a mão delicada de Mel apertando a minha com força. Ela estava nervosa, mas estava ali. Isso era o mais importante.
Quando chegamos ao andar de baixo, nos deparamos com meus tios na sala de vídeo assistindo um filme qualquer. Entramos sem ser percebidos e ficamos observando o casal agarradinho no sofá.
_ Tio Emmett? – eu o chamei baixinho.
Tio Emmett se levantou imediatamente nos encarando com um olhar especulativo. A mão suada de Mel apertava a minha, denunciando o seu nervosismo.
_ Eu queria pedir desculpas por ter dormido no quarto da Mel. Eu não tinha a intenção de desrespeitar o senhor ou a sua casa. É que nós estávamos muito cansados por termos passado uma noite tensa e insone e acabamos dormindo, mas eu juro que não aconteceu nada além disso, tio!
Tio Emmett me olhava sério e sua expressão era indecifrável. Eu não sabia dizer se ele tinha acreditado nas minhas palavras ou se nós iríamos ouvir um sermão daqueles. Tia Rose, percebendo o clima estranho, se adiantou:
_ Está tudo bem, Brian! Nós sabemos que vocês não queriam nos desrespeitar. Fiquem tranqüilos!
Senti meu coração bater mais aliviado. Eu detestaria saber que eles tinham se sentido ofendidos por nossa atitude. Tio Emmett continuava a me encarar em silêncio e eu já estava começando a me sentir desconfortável outra vez.
_ Papai, por favor, não fique bravo conosco! Eu juro que não aconteceu nada demais. Nós só dormimos! – Mel disse temerosa. – Está tudo bem agora!
Tio Emmett, ao ouvir a voz da filha, desviou o olhar de mim para ela antes de responder.
_ Não, Mel! Não está tudo bem! – ele disse sério e eu senti Mel estremecer em meus braços.
_ Tio, se o senhor tiver que brigar com alguém, brigue comigo! Fui eu que errei ao me deitar na cama dela! – eu me posicionei protetoramente entre os dois.
Tio Emmett franziu o cenho e me olhou como se eu tivesse algum problema mental.
_ Ficou maluco, menino? É claro que eu não vou brigar com a minha filha! Se eu tivesse que brigar com alguém, eu iria brigar era com você! – ele respondeu.
_ Papai, por favor! – Mel tentou contestá-lo, mas se calou diante do olhar que ele lançou em sua direção.
_ Docinho, suba para o seu quarto. Eu preciso conversar com o seu pai em particular. Vai ficar tudo bem, eu prometo! – eu disse tentando convencê-la, mas ela se agarrava a mim determinada a permanecer ali e enfrentar o pai ao meu lado.
_ Não vai ficar tudo bem, Brian! – tio Emmett repetiu com um tom de voz estranho. – Não até você me dizer que vocês se entenderam!
Mel se agarrou a mim com força e suspirou aliviada. Meus braços envolveram sua cintura e eu beijei sua testa antes de responder à pergunta do meu tio.
_ Está tudo bem, tio! Nós conversamos e esclarecemos o mal entendido!
Tio Emmett e tia Rose sorriram satisfeitos e nos abraçaram.
_ Que bom, filho! Nós estávamos angustiados pensando que aquele moleque tivesse conseguido abalar o relacionamento de vocês! – tia Rose disse ainda abraçada a nós.
Senti o corpo de Mel estremecer com a menção da noite anterior. Estreitei ainda mais o nosso abraço tentando lhe passar segurança.
_ Ele jamais vai conseguir me separar da minha menina, tia Rose! Eu não tenho como viver sem a minha alma! – respondi.
Mel, que até aquele momento mantinha seu rosto afundado em meu peito, ergueu o rosto em minha direção e me encarou com os olhos marejados.
_ Eu amo você, bebê! Mais do que você é capaz de imaginar! – ela disse sorrindo.
Não resisti. Beijei sua boca com vontade me esquecendo de onde estávamos e de quem estava ao nosso redor. Tudo o que eu queria e conseguia sentir naquele momento era a presença de Mel ali, em meus braços, quente, viva, vibrante e feliz. Nada mais me importava. Tio Emmett poderia até dar um chilique se quisesse. Nem isso me afastaria de Mel agora. Nada me afastaria dela. Nunca. Jamais.

Narrado por Melinda

        Meu corpo todo estremeceu assim que senti os lábios de Brian colados aos meus. Todo o resto deixou de ter importância naquele momento. Só existíamos ele e eu. Só existia aquela sensação mágica de tê-lo agarrado a mim, de sentir o calor do seu corpo colado ao meu, o toque gentil de suas mãos apertando minha cintura me trazendo ainda mais para junto dele e o gosto maravilhoso do seu beijo.       
        Não havia mais dúvidas. Não havia mais tristeza. Não havia mais angústia. Só havia a reação violenta do meu corpo e a vontade de me entregar a ele sem reservas. Só havia o desejo crescente que, pouco a pouco, tomava conta do meu corpo e a vontade insana de saciá-lo. Eu o queria e precisava encontrar uma forma de dizer a ele que eu estava pronta. Ele merecia isso. Tinha esperado pacientemente por todo esse tempo até que eu me sentisse segura para me entregar a ele de forma plena. Eu sabia do esforço enorme que ele fazia para controlar o desejo que sentia por mim até que eu me decidisse. E eu estava decidida. Não esperaria mais e me entregaria a ele e a mais ninguém. Eu só queria e precisava de uma pessoa ao meu lado e essa pessoa estava bem ali, juntinho de mim, me beijando com amor ... me levando ao paraíso.

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