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Juiz de Fora, Minas Gerais, Brazil
Apesar de ser mestre em Linguística e ter toda a minha vida acadêmica voltada para o ensino de línguas, sempre fui amante da literatura, devoradora de livros, filmes e séries. Sempre tive um sonho: escrever. Durante muito tempo, o medo de fracassar me impediu de realizar esse sonho, mas uma grande amiga me incentivou e me deu a coragem de enfrentar meus fantasmas e graças a ela eu hoje posso dizer que me sinto uma pessoa melhor, mais confiante e absolutamente ciente do meu potencial.

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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Capítulo 27 - De Volta




Edward e Bella saíram do seu pequeno paraíso pouco antes do amanhecer do dia dezoito. Queriam chegar em casa cedo para que Brian os visse assim que acordasse. Ele ainda dormia quando abriram a porta de seu quarto. Edward e Bella entraram de fininho e se sentaram um de cada lado de Brian e ficaram observando seu sono por alguns instantes. Ele dormia tranqüilo e, pelo sorriso que ameaçava surgir nos cantos de seus lábios, parecia estar sonhando com algo bom. Sua respiração tomou um ritmo mais forte quando Edward começou a acariciar seus cabelos, tirando-os de seu rostinho até que ele abriu os olhinhos ainda sonolentos e os viu. Era impossível não sentir o coração acelerado diante de um sorriso lindo como o que ele lhes deu. Brian esfregou os olhinhos como se não acreditasse no que via e se levantou num pulo se jogando nos braços de Edward.
_ Hey, amigão! Isso tudo são saudades? – Edward perguntou abraçando-o apertado e acariciando-lhe as costas.
_ Humhum! – ele confessou.
Bella os observava e sorria ao ver o amor que transbordava dos olhos dos dois. A relação entre eles era simplesmente linda, perfeita. Às vezes, pareciam dois amiguinhos ao invés de pai e filho, mas em momentos como agora era possível ver nitidamente o lado paterno aflorar em Edward. Brian tinha os olhinhos fechados, os bracinhos enlaçando com força o pescoço do pai e as mãozinhas acariciando os ombros de Edward imitavam seu gesto.  Bella não tinha a intenção de quebrar o momento, mas não resistiu e tocou seu rostinho com as pontas dos dedos. Brian abriu os olhinhos e a olhou com um sorriso imenso nos lábios.
_ Será que eu também mereço um abraço gostoso assim? – ela perguntou sorrindo de volta.
Ele se soltou de Edward e a abraçou enchendo seu rosto de beijos para depois deitar sua cabecinha em seus ombros como tinha feito com o pai minutos antes. Bella sentiu seus cabelos serem acariciados e o apertou ainda mais contra seu corpo. Deus! Foram só quatro dias, mas como ela tinha sentido falta daquele abraço quentinho e cheiroso! Brian permanecia calado em seus braços e ela estava começando a achar aquilo muito estranho. Ele não era assim.
_ Filho, por que você está assim tão quietinho? Está sentindo alguma coisa? – perguntou preocupada.
Não foi necessária uma resposta. Os olhinhos inchados e o enorme bocejo que escapou de sua boca já diziam tudo. Ele estava com sono. Bella sentiu-se culpada. Eles o tinham acordado cedo demais, mas a saudade era grande e estavam loucos para vê-lo e senti-lo.
_ Está com sono ainda, filho? – Edward perguntou somente para confirmar.
Brian assentiu com a cabeça de olhinhos fechados. Edward tentou puxá-lo dos braços da mãe para deitá-lo novamente na cama, mas Brian apertou ainda mais os bracinhos em volta de seu pescoço.
_ Anjinho, durma sossegado! A mamãe e o papai estarão aqui em casa quando você acordar! – ela tentou tranqüilizá-lo.
Brian afrouxou o aperto de seus braços e a olhou nos olhos.
_ Promete? – ele pediu com os olhinhos suplicantes.
_ Prometo, amorzinho! Nós não vamos mais viajar! Vamos ficar aqui com você e comer muito bolo de aniversário com esse homenzinho aqui. – ela disse fazendo cócegas em sua barriga.
Edward os olhava com os olhos emocionados. Bella teve a sensação de que ele observava o mesmo que ela havia observado quando Brian estava em seus braços. O laço que os unia era forte e nada, nem ninguém, conseguiria rompê-lo. Brian soltou-se dos braços de Bella, beijou sua barriga e voltou a se deitar em sua cama sob o edredom esticando os bracinhos para ela num claro convite para que ela se deitasse ao seu lado. Ela não tinha como resistir. Abraçou-se a ele e ficou ali sentindo seu cheirinho gostoso até que ele voltasse a dormir. Edward saiu do quarto deixando-os sozinhos e foi para o próprio quarto a fim de tomar um banho. Ainda se sentia sonolento por causa das poucas horas de sono, mas precisava manter-se acordado para ajudar nos preparativos da festa de Brian.
Bella juntou-se a Edward assim que percebeu que Brian dormia profundamente. A família estava reunida na sala de visitas e conversava sobre a viagem do casal enquanto esperava por ela. A festa de aniversário de Brian seria realizada na área externa da casa e a movimentação do lado de fora já era intensa. Após o café da manhã, Alice, Esme e Bella foram para a área da piscina que já havia sido cercada por uma grade e tampada com uma lona resistente para evitar acidentes durante a festa. Por causa do esquema de segurança, os pais deixariam seus filhos na casa dos Cullens e passariam mais tarde para pegá-los. Assim, como a casa estaria cheia de crianças e poucos adultos, todo cuidado era pouco.
Por volta das quinze horas, a casa já estava tomada pelos pequenos convidados. Algumas crianças se divertiam brincando de pega-pega com Emmett e Felix. Outras se empanturravam de salgadinhos e doces. Os adultos conversavam nas mesas que haviam sido colocadas na área da piscina e riam das brincadeiras das crianças. Bella esquadrinhava com o olhar toda a área à procura de Edward sem conseguir encontrá-lo.
_ Esme, onde está Edward? – ela perguntou ao notar o olhar da sogra sobre ela.
_ Ele está lá dentro no telefone. Daqui a pouco ele estará aqui, não se preocupe! – Esme respondeu com um sorriso tenso.
Bella reparou discretamente nas feições de todos à mesa. Pareciam esconder alguma coisa dela. Apesar dos sorrisos e das conversas aparentemente descontraídas ela conseguia perceber um leve traço de tensão em suas expressões. Algo estava acontecendo, algo que eles não queriam que ela soubesse, algo que envolvia diretamente Edward. Bella aguardou mais alguns minutos sem que Edward voltasse a aparecer. Levantou-se da mesa com a desculpa de ir ao banheiro e entrou na casa procurando por ele. Pegou cuidadosamente o aparelho de telefone da sala levando-o ao ouvido. Não havia ninguém na linha. Ou Edward já tinha terminado a ligação ou Esme mentira para ela, pensou.  Mas se ele já tinha terminado a ligação, por que não voltou para a festa? Bella o procurou por toda a casa sem sucesso. Só faltava um lugar: o escritório de Carlisle. Desceu novamente as escadas que davam acesso ao andar inferior indo direto para o escritório. Aproximou-se silenciosamente da porta e tocou levemente a maçaneta tentando destrancá-la. A porta estava trancada.
_ Bella? O que você está fazendo aqui? Vamos voltar para a festa, Brian está perguntando por você! – a voz de Esme a sobressaltou.
Bella apenas deu um sorriso constrangido por ter sido pega quase em flagrante e acompanhou a sogra para fora da casa. Do lado de dentro do escritório, Edward, Marcus, Caius e Carlisle observavam a porta em silêncio. Tinham ouvido a voz de Esme e sabiam que Bella estava parada do lado de fora. Em cima da mesa do escritório estavam espalhadas diversas fotografias de Bella, Edward e Brian em diferentes ocasiões. As fotos tinham sido enviadas durante a viagem de lua de mel e Edward havia se aproveitado da bagunça das crianças para escapar do olhar atento de Bella e conversar com os seguranças.
_ Edward, agora nós temos certeza de que a pessoa que estava escondida nos arbustos naquele dia é a mesma que tirou essas fotos. Veja o ângulo em que elas foram tiradas. – Caius mostrava para Edward que o ponto de onde as fotos tinham sido tiradas se encaixava perfeitamente nos arbustos onde Felix achou a tampa da lente da máquina.
Edward olhava para as fotos irritado. Michael as havia mandado em um evidente desafio. Queria mostrar que mesmo que sua família estivesse protegida por seguranças ele ainda tinha acesso a Bella. Carlisle que até então apenas assistia calado à reunião se manifestou alarmado.
_ Edward, veja esta foto aqui! – ele disse mostrando uma foto de Bella no estacionamento do hospital. – Repare no ângulo em que ela foi tirada.
Edward levantou-se tenso. Sentia a boca seca e a vista turva. Suas mãos tremiam e estavam úmidas. Com o pavor estampado no rosto, Edward olhou para o pai antes de falar.
_ Ela foi tirada de dentro do hospital! – sua voz era praticamente um sussurro.
_ Não é só isso, filho! Pela posição e pela altura da foto, ela foi tirada de dentro da sala da direção.
Edward deixou-se cair sobre o sofá. Carlisle estava certo. Quem quer que ele fosse, o fotógrafo misterioso tinha acesso ao hospital e esteve muito mais perto de Bella do que ele poderia ter imaginado. A segurança teria que ser reforçada e reorganizada e Edward teria que convencer Bella a ficar em casa até que o bebê nascesse. Mas como ele faria isso sem contar toda a verdade? Bella estava bem de saúde e não concordaria em ficar em casa sem que ele tivesse um argumento forte. Ele teria que pensar em uma maneira de convencê-la o mais rapidamente possível. Uma leve batida na porta do escritório chamou a atenção de todos. Carlisle posicionou-se à porta, enquanto esperava que as fotos fossem recolhidas e devidamente escondidas, antes de abri-la. Alice entrou apressada.
_ Edward, volte para a festa agora mesmo! Bella já está desconfiada de que algo está acontecendo. Ela já te procurou pela casa toda e nós já não sabemos mais que desculpa arrumar para o seu sumiço. – ela dizia baixinho com medo de que Bella estivesse em seu encalço. Edward assentiu com a cabeça e ela saiu novamente da sala voltando para a festa.
_ Pai, por favor, venha comigo. Eu vou precisar do senhor como álibi. – Edward pediu ao pai já se encaminhando para fora do escritório. Carlisle seguiu o filho até a garagem da casa.
_ O que você vai dizer a ela, filho? – Carlisle perguntou sem entender porque eles estavam ali.
_ Alice disse que Bella me procurou pela casa toda, então nós estamos chegando do hospital onde o senhor foi dar alta a um paciente. Eu fui dirigindo porque o senhor já tinha bebido um pouco e me pediu para levá-lo. – ele explicou rapidamente enquanto eles caminhavam para a área da piscina como se tivessem acabado de chegar em casa.
Edward respirou fundo tentando se acalmar antes de fazer a curva que o deixaria no campo de visão de Bella. Assim que o viu, ela veio ao seu encontro e seu rosto estava visivelmente preocupado. Edward se apressou em alcançá-la antes que ela corresse em sua direção.
_ Edward, eu estou lhe procurando há mais de uma hora! Onde você se meteu, amor? – ela disse abraçando-se ao corpo de Edward.
Edward a envolveu em seus braços, beijando-lhe os cabelos antes de responder.
_ Me desculpe, minha vida! Eu tinha que ter lhe avisado. Meu pai deu alta a um paciente, mas se esqueceu de assinar uns papéis. Ligaram pra cá do hospital pedindo para que ele fosse lá porque a família do paciente já tinha ido buscá-lo. Como meu pai já tinha bebido um pouco, eu fui dirigindo. – ele acariciava as costas de Bella.
– Sua mãe disse que você estava ao telefone, mas eu não o encontrei em lugar algum da casa! Fiquei preocupada achando que tivesse acontecido alguma coisa. – ela disse mais tranquila.
_ Me perdoe, Bella! Eu não achei que você daria pela minha falta. Eu achei que voltaria antes de você perceber que eu tinha saído. – ele disse beijando suavemente os lábios de Bella. – Se sente melhor agora?
Bella sorriu e assentiu com a cabeça enquanto acariciava o rosto de Edward. O casal voltou para a área da piscina. As crianças estavam sentadas no chão e assistiam atentas a um teatro de fantoches. Edward sentou-se em uma espreguiçadeira com Bella à sua frente recostada em seu peito. Todos o olhavam com curiosidade. Edward apenas piscou o olho discretamente indicando que tudo estava bem e a conversa foi retomada com a mesma empolgação de antes. Assim que o teatro de fantoches acabou, Alice chamou as crianças para cantar os “Parabéns”.
_ Para quem você vai dar o primeiro pedaço de bolo este ano, Brian? – perguntou Esme curiosa.
O primeiro pedaço sempre tinha sido de Edward, mas Esme queria saber se daquela vez seria diferente. Brian olhou para o pai com uma expressão engraçada, parecia culpado. Edward sorriu para ele já imaginando que ele diria o nome de Bella, mas Brian surpreendeu a todos.
_ Para a Sofia! – ele disse levando o pratinho com uma fatia de bolo em direção a Bella.
_ Mas como a Sofia vai comer o bolo se ela está dentro da barriga da Bella? – Emmett perguntou segurando o riso.
_ O papai falou que tudo o que a mamãe come vai pra Sofia, não é? – ele falou confirmando a informação com o pai.
Edward sorriu para o filho e assentiu com a cabeça.
– Então, se a mamãe comer o bolo a Sofia também come! – ele explicou para Emmett como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
Brian entregou o pratinho nas mãos de Bella e esperou que ela colocasse o primeiro pedaço na boca. Assim que ela o engoliu ele colocou as mãozinhas em concha perto da barriga de Bella e gritou:
_ Abre a boca, Sofia, porque lá vai o bolo!
Todos soltaram uma ruidosa gargalhada com a atitude do menino que os olhava com carinha de “estão rindo de que?”. Bella o abraçou e encheu suas bochechas de beijinhos antes que ele saísse correndo novamente para brincar com seus amiguinhos. Por volta das vinte horas as últimas crianças já deixavam a casa. Brian descansava no colo do pai exausto de tanto correr e brincar. Edward subiu com o menino e lhe deu um banho antes que ele desmontasse de vez. Brian vestiu o pijaminha estampado de ursinhos e deitou-se sob o edredom já com os olhinhos fechando de tanto sono e nem conseguiu responder quando Bella e Edward lhe deram um beijo na testa desejando boa noite.
Bella sentia-se cansada. Não tinha descansado à tarde e com a agitação do aniversário e a tensão que havia sentido com o sumiço de Edward sentia como se sua barriga tivesse dobrado de peso. Tomou um banho quente na esperança de relaxar os músculos, mas suas costas a incomodavam como resultado do peso da barriga aliado às várias horas que havia permanecido sentada. Edward entrou no quarto depois de tomar um banho encontrando Bella sentada na beirada da cama massageando a região lombar. Sabia que ela estava com dor. Em silêncio, aproximou-se da cama e ajoelhou-se atrás da esposa massageando-lhe as costas enquanto distribuía beijos suaves por seu pescoço e seus ombros. Bella fechou os olhos e soltou um suspiro demorado deliciando-se com o toque das mãos fortes, porém macias do marido. Ao senti-la mais relaxada, Edward deitou-se na cama levando Bella consigo encaixando seu corpo no dela em conchinha pensando que assim ela dormiria mais confortavelmente. Bella não demorou a dormir. Bastou sentir os dedos de Edward acariciando seus cabelos para entregar-se à inconsciência. Embora estivesse cansado, Edward não conseguiria dormir direito aquela noite. A ideia de que alguém de dentro do hospital pudesse ser o fotógrafo misterioso não lhe saía da cabeça. Teria que falar com Emmett na manhã seguinte. A vigilância teria que ser melhorada, pois qualquer falha poderia ter conseqüências sérias e irreversíveis.


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