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Juiz de Fora, Minas Gerais, Brazil
Apesar de ser mestre em Linguística e ter toda a minha vida acadêmica voltada para o ensino de línguas, sempre fui amante da literatura, devoradora de livros, filmes e séries. Sempre tive um sonho: escrever. Durante muito tempo, o medo de fracassar me impediu de realizar esse sonho, mas uma grande amiga me incentivou e me deu a coragem de enfrentar meus fantasmas e graças a ela eu hoje posso dizer que me sinto uma pessoa melhor, mais confiante e absolutamente ciente do meu potencial.

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terça-feira, 6 de setembro de 2011

Capítulo XVII – Ferida




         Narrado por Sofia

        A casa já estava mergulhada no mais absoluto silêncio. Depois de horas de comemoração, meus pais e meus irmãos tinham subido para os seus quartos. Tio Jake, tia Leah e os gêmeos já tinham ido para casa. Na sala, diante da lareira onde a lenha queimava enchendo o ambiente com leves estalos, Seth acariciava meus cabelos mantendo a minha cabeça descansando em seu peito. Deitados no enorme tapete de pelos brancos, sentíamos o calor gostoso que emanava das chamas enquanto desfrutávamos da presença um do outro. Estávamos calados havia vários minutos, minha mão direita repousava sobre o peito de Seth na altura do seu coração. A luz das chamas fazia com que a aliança em meu dedo emitisse um brilho único e aquecedor. Eu não me cansava de admirá-la. Era simples, de um dourado singular e tinha um pequeno desenho recheado de diamantes que a principio eu não tinha compreendido. Somente depois de ver a aliança de Seth, eu pude perceber: cada uma carregava a metade de um coração. “Separadas, elas são incompletas, somente unidas elas são perfeitas. Sem você eu não sou ninguém. Não existo. Sou imperfeito. Você é mais preciosa para mim do que esses diamantes. Eu preciso do seu brilho para ver algum sentido na minha vida.” Essas tinham sido as palavras de Seth quando lhe perguntei sobre a estranha forma que eu não reconhecera. Elas tinham me levado às lágrimas mais uma vez naquela noite.
        _ Está com sono, amor? – a voz sussurrada de Seth me tirou dos meus pensamentos.
        Virei-me de frente para ele, meu queixo apoiado em seu peito, e meu olhar procurou o seu. Ele sorriu para mim, seus dedos desenhando cada traço do meu rosto com tanta delicadeza que eu quase não os sentia.
        _ Um pouco! – respondi sinceramente – Você está cansado? – perguntei temendo que ele quisesse ir para casa.
        Embora o meu corpo ainda estivesse sob o efeito de toda a tensão que eu sentira naquele dia e eu tivesse plena consciência de que precisava descansar, eu não queria ficar longe dele. Não queria que ele fosse embora. Estava certa de que não iria conseguir dormir sem tê-lo ao meu lado, por mais exausta que estivesse.
        _ Um pouco! – ele repetiu as minhas palavras – Mas eu não quero ficar longe de você nem por um segundo! – ele completou.
        _ Eu também não! – confessei – Por mais que eu esteja cansada, eu sei que não vou conseguir dormir se você não estiver comigo!
        Ele me deu o seu sorriso mais lindo. Seus braços me puxaram para cima do seu corpo e ele me beijou daquela forma doce e viciante outra vez. Definitivamente, eu nunca mais conseguiria dormir sem ele.
        Meu corpo reagiu imediatamente. O beijo foi, aos poucos, se tornando mais intenso, nossos corpos pediam por um maior contato a cada instante. Seth rolou o seu corpo ficando sobre mim e seus lábios abandonaram os meus descendo pelo meu pescoço, enchendo-o de beijos quentes e molhados. Minha respiração já estava acelerada de novo e eu tentava não emitir nenhum som que pudesse chamar a atenção da minha família. Sabíamos que estávamos correndo o risco de sermos surpreendidos, mas o desejo era grande demais para que pudéssemos pensar em parar. As mãos macias, porém fortes de Seth deslizavam pelo meu corpo me incendiando. Eu podia sentir sua excitação pressionada contra o meu sexo, roçando contra o meu corpo ... me instigando ... me provocando ... me enlouquecendo.
        Puxei a camisa de Seth, passando-a por sua cabeça. Minhas mãos afoitas desabotoaram a sua calça, descendo-a até o meio de suas pernas. Seth ergueu a saia do meu vestido até a minha cintura, desceu a alça por meus ombros expondo os meus seios para sugá-los em seguida. Suas mãos desceram para os meus quadris e ele puxou com força a minha calcinha arrebentando-a em um único golpe. Estremeci. Eu adorava quando ele me pegava daquele jeito ... firme ... forte ... decidido. Me deixava completamente maluca, totalmente fora de controle. Ele rolou novamente nossos corpos, me sentando sobre os seus quadris, se encaixando em mim lentamente, em uma tortura deliciosa. Meu corpo todo tremia em um frenesi enlouquecedor. Suas mãos apertavam fortemente a minha cintura, impondo um ritmo lento e torturante aos meus movimentos. Sua boca faminta devorava o meu seio esquerdo, depois o direito, em um vai e vem desesperador. Aos poucos, o ritmo dos nossos quadris começou a aumentar. Seth me segurava com força ao mesmo tempo em que erguia os quadris chocando-os contra os meus, o calor se espalhando por todas as partes dos nossos corpos. Eu já sentia o clímax chegando e pela expressão no rosto de Seth, ele também estava a ponto de explodir. Seus braços me envolveram com força e ele abafou meu gemido com um beijo abrasador, quando a onda de prazer nos atingiu, derramando seu sêmen dentro de mim.
        Ainda ofegantes, nos deitamos novamente sobre o tapete. Seth se colocou novamente sobre mim, roçando seus lábios em cada pedacinho do meu rosto até cobrir os meus lábios com um beijo calmo ... suave... demorado. Meu corpo começava a ficar lânguido, o cansaço provavelmente começava a me dominar. Eu lutava contra o sono como uma criança mimada sentindo Seth acariciar os meus cabelos gentilmente, seus olhos cravados em meu rosto enquanto um sorriso terno brotava em seus lábios. Fechei os olhos, vencida pela exaustão, minha mente se entregando totalmente ao inconsciente. Não vi quando Seth me levou para o meu quarto e me deitou em minha cama. Não senti quando ele me despiu e me vestiu com sua camisa. Não percebi quanto ele se foi depois de me cobrir com o edredom, me deixando aquecida e protegida. Não vi mais nada. Dormi embriagada pelo seu perfume, embalada por sonhos doces e felizes, certa de que, em breve, eles se tornariam uma linda realidade.

Narrado por Melinda (quatro meses depois)

        A correria era grande. Toda a família se via agitada às voltas com os preparativos para o casamento de Seth e Sofia. Faltavam apenas dois meses para a cerimônia e, por mais que corrêssemos, o tempo parecia ser mais veloz. Convites ... bouffet ... flores ... vestidos ... sapatos ... eram tantas coisas que pareciam não ter fim. Por mais que acelerássemos o ritmo já intenso, nunca era o suficiente.
        Nossa última tentativa de encontrar o vestido perfeito para mim seria no shopping. Sofia e eu já estávamos andando pela cidade havia horas. Meus pés queimavam como se eu tivesse pisado em carvão em brasa. Eu sentia fome e sede e meu corpo implorava por um minuto de descanso. Sofia, que se recuperava de um forte resfriado, também parecia debilitada.
        _ Sofia, por favor, eu estou morta de fome! Vamos parar em algum lugar e comer alguma coisa antes que eu desmaie aqui! – pedi exausta.
        Eu estava louca por uma pizza. Sentadas em uma mesa na praça de alimentação, comíamos e conversávamos, trocando confidências e rindo de coisas engraçadas que compartilhávamos. Apesar do cansaço, a companhia de Sofia me fazia relaxar. Já estávamos terminando quando ouvi aquela voz que fez todos os pelos do meu corpo se arrepiarem.
        _ Ora ... ora ... ora! Vejam só que resolveu sair da toca e passear sem o namoradinho!!!! – ele disse sarcástico.
Senti o meu corpo ficar tenso imediatamente. As lembranças da última vez em que eu o encontrara me pegaram de assalto. As palavras rudes que ele dissera voltaram a encontrar eco na minha memória. Sofia percebeu o meu nervosismo e o encarou séria.
_ É melhor você ir embora, Mark! – ela falou com firmeza – Nós não temos nada a falar com você.
_ Assim você me magoa, Sofia! – ele respondeu com um sorriso cínico que logo se transformou em uma expressão raivosa – Eu não tenho nada a falar com você. É com esta gatinha aqui que eu quero conversar!
Enquanto dizia aquelas palavras, Mark se sentou ao meu lado e envolveu os meus ombros com os braços. Meu corpo reagiu com o asco que eu senti e me levantei rapidamente tentando escapar do contato indesejado. Mark agarrou o meu punho direito, apertando-o com tanta força que parecia ter interrompido o fluxo sanguíneo. Minha mão começou a formigar.
_ Me solta, agora, ou eu vou começar a gritar! – eu ameacei entre dentes.
Ele olhou à nossa volta percebendo que muitas pessoas observavam a cena e me soltou. Um sorriso debochado surgiu em seu rosto.
_ Por hora você ganhou, gatinha! Mas nós ainda vamos ter aquela conversa que o seu namoradinho interrompeu naquele dia. – ele ameaçou baixinho.
_ Vai embora, Mark! Deixe-me em paz! Essa conversa não vai acontecer! – respondi com firmeza.
Sofia já estava de pé. Pegou-me pela mão e me tirou dali. Eu tremia dos pés à cabeça. A cada dia, Mark se mostrava mais perigoso, parecia tomado por pura maldade, suas atitudes eram totalmente doentias. Andávamos apressadas pelo shopping, entrando em várias lojas, mesmo sem precisar. Só queríamos despistá-lo, mas sempre que saíamos de uma loja, ele estava lá ... rondando ... nos cercando como um predador que estuda a sua presa, esperando o melhor momento para atacar. Sofia estava furiosa e eu, apavorada. Por mais que eu tentasse me controlar, grossas lágrimas já se acumulavam em meus olhos, embaçando a minha visão. Entramos, finalmente, em uma loja que possuía uma saída nos fundos, dando para um corredor diferente do da entrada. Ao passarmos pela saída, depois de nos escondermos dentro de um provador por quase 15 minutos, Mark havia desaparecido.
Esquadrinhamos toda a área, para nos certificarmos de que ele não estaria escondido, antes de irmos para o estacionamento. Já estávamos nos aproximando do carro quando senti meu braço ser agarrado com uma força brutal e meu corpo ser puxado até se chocar contra o peito de alguém. Era ele. Tinha conseguido nos enganar e agora estávamos vulneráveis no estacionamento sombrio e deserto. Não havia ninguém. Nem uma alma viva para nos socorrer. Eu me sacudia com violência tentando me livrar do aperto insuportável em meu braço, mas Mark era muito mais forte do que eu. Suas mãos dobravam a força em volta do meu braço cada vez que eu tentava me libertar. Ele deixaria uma marca roxa ali, com certeza.
_ Me solta, Mark! – gritei de dor – Você está machucando o meu braço!
Ele riu deliciado com o tom de pânico em minha voz, mas seu sorriso vitorioso se transformou em fúria quando viu Sofia com o celular na mão, tentando ligar para alguém, provavelmente para Seth ou a polícia. Ele agiu rapidamente dando um safanão na mão de Sofia derrubando o celular no cimento frio do estacionamento. O aparelho se partiu em vários pedaços, o som estridente do impacto se misturando à gargalhada vitoriosa de Mark.
_ Quero ver você pedir ajuda agora, Sofia! Vamos? Comece a gritar! Quem sabe o seu noivo não ouve e vem ajudar vocês? – ele debochava.
_ Me solta, Mark! Por favor, me solta! – eu pedi quase sem forças – Meu braço está doendo!
Sofia se aproximou de nós, tentando afrouxar o aperto da mão de Mark em meu braço enquanto eu me sacudia tentando, sem sucesso, fugir.
_ Solta o braço dela, Mark! Você não vê que a está machucando? – ela gritou enfurecida batendo as mãos fechadas em punho contra o seu braço.
Tudo aconteceu muito rápido. Com a mão livre, Mark deu-lhe uma forte bofetada no rosto. Com o golpe, Sofia se desequilibrou, caindo para trás. O som seco e agourento de sua cabeça se chocando contra uma pilastra e um gemido de dor foram as únicas coisas que ouvi antes de ver o seu corpo cair no chão. Sofia estava inconsciente e uma enorme mancha de sangue escorria na quina da pilastra. Eu olhava em choque o corpo caído em um ângulo distorcido. Mark também pareceu surpreso com o resultado de sua violência. Tirei proveito de sua distração momentânea e com um puxão consegui fazer com que ele me largasse. Corri em direção a Sofia, totalmente dominada pelo pânico.
_ Sofia? Fala comigo, por favor? Sofia? – eu a chamava sem obter uma resposta.
Ela estava tão mole, tão pálida que meu estômago revirou ao pensar que ela pudesse estar ... Não. Eu não conseguia nem pensar em uma coisa daquelas. Deus do céu! Não! Passei a mão por seus cabelos afastando-os do seu rosto. Paralisei ao ver a minha mão coberta de sangue. Um sangue escuro e abundante que só podia significar uma coisa: a ferida na cabeça era grande e se ela não fosse socorrida a tempo ...
Eu já procurava o meu celular em minha bolsa. Precisava chamar uma ambulância. Meu celular estava em minha mão quando senti minha cintura ser envolvida em um aperto forte e meu corpo ser erguido a força.
_ Você vem comigo agora, Melinda! Eu já estou ferrado mesmo, então pelo menos vou ter o que quero! – Mark disse me arrastando dali.
Eu chorava, gritava e esperneava tentando me livrar de seus braços, mas isso só fazia com que ele me apertasse ainda mais. Olhei para o meu celular em minha mão e tive uma idéia que talvez viesse a me ajudar. Acionei a discagem rápida e torci para que ele atendesse. Eu não poderia falar diretamente, mas se ele ouvisse o que estava acontecendo, poderia pelo menos socorrer Sofia.
Mark me jogou com violência dentro do seu carro e com o impulso a minha cabeça se chocou contra o volante. Fiquei tonta, mas lutei para me manter consciente. Joguei o celular debaixo do banco do carona enquanto ele dava a volta no carro e se posicionava na direção.
_ Mark, pelo amor de Deus, nós precisamos voltar! Sofia está ferida! Não podemos deixá-la caída no estacionamento do shopping! – eu implorava enquanto ele dirigia em alta velocidade para fora do shopping.
_ Não me importa! Eu não vou voltar lá e ser preso por agressão! Eu não sou nenhum estúpido, Melinda! – ele respondeu aos gritos.
_ Mas ela está mal, está sangrando muito! Nós precisamos levá-la a um hospital! – eu insistia aos prantos.
_ EU JÁ FALEI QUE NÃO IMPORTA, DROGA! – ele gritava a plenos pulmões, seu rosto desfigurado pela fúria. – AGORA CALA ESSA MALDITA BOCA ANTES QUE EU PERCA O CONTROLE DE NOVO E BATA EM VOCÊ TAMBÉM!
_ Por quê? Por que você me persegue desse jeito? – perguntei com um fio de voz – Você não gosta de mim, então por que você se dá esse trabalho?
Ele me olhou de lado, sem responder a minha pergunta. Seu rosto se contorceu em uma careta antes de reassumir a velha máscara cínica.
_ Mulher nenhuma diz não para mim, Melinda! Eu tenho uma reputação a zelar e não vou deixar que você seja a primeira a manchá-la. – ele disse sem desviar o olhar da pista.
_ O que ... o que você quer dizer com isso? – eu perguntei apavorada com a perspectiva que se anunciava em minha mente. – O que você vai fazer comigo, Mark?
Ele me olhou de forma sombria e assustadora sem responder. Eu já imaginava o que ele iria fazer e comecei a pensar em uma forma de escapar. O carro rasgava as ruas de Edmonds. Comecei a pensar na gravidade dos meus ferimentos caso eu me jogasse do carro em movimento. Não importava. Eu preferiria morrer a ser violentada por ele. Destravei a porta repentinamente e já me preparava para saltar quando ele me agarrou pelos cabelos me puxando de volta. Em um acesso de raiva ele empurrou a minha cabeça com força batendo-a contra o vidro da janela. Uma dor lancinante foi tudo o que consegui registrar antes de perder a consciência.
Não sei quanto tempo tinha se passado desde o momento em que fiquei inconsciente até o momento em que comecei a sentir o meu corpo novamente. Permaneci de olhos fechados, com medo do que veria caso os abrisse. Eu não sentia nenhuma dor no corpo exceto por minha cabeça que latejava enlouquecedoramente. Minha mente ficou em estado de alerta quando senti uma mão tocando o meu corpo seminu. Abri imediatamente os olhos, me encolhendo, tentando me proteger, mas algo me prendia pelos punhos mantendo os meus braços acima da minha cabeça. Uma corda. Entrei em pânico. Sentei-me encolhida na cabeceira da cama e olhei apavorada em volta. Um quarto. Mas, onde? Eu não sabia onde estava. Seria a casa dele? Ou seria alguma propriedade da família que era pouco usada? Olhei para o meu corpo e congelei. Encolhi as pernas na tentativa de ocultar os meus seios expostos. Desgraçado! Ele tinha tirado a minha roupa, me deixando somente de calcinha. E agora me olhava, me media, devorava o meu corpo com o olhar cobiçoso e nojento.
Comecei a chorar. Descontroladamente. Puxava o meu braço tentando soltar a corda que feria o meu punho. Mas eu não iria desistir. Ele teria que me matar antes de me tomar a força. Meus punhos começaram a sangrar feridos pelo atrito da corda grosseira e áspera contra a minha pele. Ardia insuportavelmente. Mark assistia, deliciado, a minha luta inútil contra a corda. Tinha se afastado quando comecei a me debater, talvez esperando que eu me cansasse a ponto de não oferecer mais resistência.
_ Você ainda quer saber o que eu vou fazer com você, Melinda? Sua voz sombria me fez congelar no lugar. – Eu vou lhe contar. Eu vou marcar você como minha. E vou fazer questão de que o seu namoradinho veja tudo nos mínimos detalhes! – ele disse apontando para uma câmera de vídeo ligada e direcionada para a cama.
_ Não faça isso, por favor? – implorei com um fio de voz.
Ele riu vitorioso. Tirou a camisa vagarosamente sem tirar os olhos de cima de mim. Lentamente, ele começou a se despir até ficar somente de cueca. Virei o rosto. Não queria ver aquilo.
_ Depois que o seu namoradinho assistir como você gemeu e gritou o meu nome na cama, ele nunca mais vai querer olhar na sua cara, não é verdade? Você vai ficar imunda aos olhos dele. – ele afirmou se aproximando da cama vagarosamente.
Eu não teria como escapar. Em pouco tempo a minha vida estaria acabada de um jeito ou de outro. Seria menos doloroso se ele me matasse logo depois de fazer o que queria fazer. O choro descontrolado explodiu sacudindo o meu corpo com fortes espasmos ao vê-lo avançar para cima de mim. Fechei os olhos com força e me preparei para o meu destino. Pensei no rosto de Brian e mantive a sua imagem viva em minha memória. Se eu tivesse que passar por aquilo, ela seria o meu único consolo. Em questão de segundos eu estaria morta, em vida ou não, pouco me importava.
_ Você gostaria de dizer as suas últimas palavras, Melinda? – a voz debochada de Mark soou bem perto dos meus ouvidos, seu hálito invadindo as minhas narinas. Pensei na sua pergunta, mantendo meus olhos fechados, sustentando a imagem de Brian diante dos meus olhos. Só havia uma coisa que eu poderia dizer. A única coisa boa que me restava naquele exato momento. Respirei fundo tentando me acalmar, mas sabendo que fracassaria. Minha voz saiu fraca e derrotada quando eu disse a única frase se repetia em minha mente:
_ Brian, eu te amo!



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