Narrado por Brian
Seth e eu tínhamos ido a Port Angeles para buscar os nossos ternos para o casamento. Tínhamos passado boa parte do dia fora e voltávamos para Edmonds por volta das 15 horas. Eu já estava morto de saudades de Mel, mas resolvi parar em casa para tomar um banho antes de ir lhe dar um beijo. Ao entrarmos em casa, fomos surpreendidos pelo choro desconsolado de Linda que era abraçada por Jay no sofá da sala.
_ Lindinha, o que foi que aconteceu, meu anjo? – corri em sua direção assim que a vi naquele estado.
Linda se soltou de Jay e agarrou-se ao meu pescoço chorando ainda mais intensamente.
_ S-Sofia! – foi a única palavra que ela conseguiu dizer.
Meu coração disparou em meu peito. Um medo enorme do que poderia ter acontecido começou a tomar conta de mim. Eu estava congelado no meio da sala, esperando que Linda dissesse mais alguma coisa, sentindo o meu corpo todo bambo.
_ Aconteceu alguma coisa com a Sofia? – perguntei com medo da resposta.
Linda assentiu sem conseguir dizer nada, o choro intenso a impedindo de falar. Foi Jay quem nos explicou o que tinha acontecido.
_ Ela foi encontrada desacordada no estacionamento do shopping com um ferimento na cabeça! – Jay nos disse olhando diretamente nos olhos de Seth.
Levantei-me, de repente, como se tivesse levado um choque elétrico. Recuei dois passos com a respiração acelerada, sentindo o mais absoluto desespero.
_ Mel? – foi tudo o que consegui dizer.
_ Ainda não sabemos. – Jay disse com a expressão torturada.
Eu não precisava perguntar mais nada. Corri de volta para o carro com Seth em meu encalço. Ele mal havia tido tempo de entrar no carro e eu já arrancava em alta velocidade em direção ao hospital. Uma sensação horrível tomava conta do meu corpo. Eu dirigia como um louco pelas ruas, avançando todos os sinais vermelhos sem sequer pensar em frear. Parecia não enxergar nem mesmo a pista à minha frente. Seth parecia não estar muito diferente. Meus pensamentos estavam todos voltados para Sofia e Mel. Como elas estariam? O que teria acontecido exatamente?
Senti meu corpo ser sacudido com a freada forte do carro. Eu havia feito o percurso que levaria 15 minutos em apenas 5. Saímos correndo do carro e disparamos para dentro do hospital. Corríamos pelos corredores como se nossas vidas dependessem daquilo. Bem. De certa forma, elas dependiam mesmo. A recepcionista nos informou que Sofia estava sendo submetida a exames e nos indicou o quarto para onde ela seria levada quando tudo terminasse. Paramos em frente à porta, tentando acalmar a respiração. Meu peito queimava em busca de oxigênio quando entramos no quarto. Meus pais estavam sentados no sofá, esperando que minha irmã fosse trazida para o quarto. Meu pai abraçava minha mãe com força, a expressão torturada em seu rosto me deixando ainda mais apavorado.
_ Pai! – consegui dizer com a voz sufocada.
Ele apenas olhou para mim, os olhos cheios de lágrimas. Eu já não sabia até que ponto aguentaria aquilo tudo. Toda aquela espera angustiante por qualquer notícia estava me enlouquecendo.
_ Ela ainda está passando por exames, filho! Chegou aqui inconsciente e com um ferimento feio na cabeça! – ele disse com a voz embargada e minha mãe estremeceu em seus braços.
Eu não conseguia respirar. Embora quisesse saber como ela estava, morria de medo do que iria escutar.
_ Quem fez isso com ela, pai? – minha voz saiu sufocada - Conseguiram prender o desgraçado?
Ele apenas negou com a cabeça, mas seu olhar denunciava que tinha algo a mais por trás daquilo tudo. Seus olhos passaram rapidamente pelo rosto de minha mãe e ele voltou a nos encarar. Ele estava escondendo alguma coisa dela, estava tentando poupá-la de algo mais grave. Eu só não conseguia imaginar o que seria.
Seth nos ouvia calado, encostado à parede do quarto com os olhos marejados cravados no leito vazio. Seu silêncio denunciava todo o medo que ele sentia. O mesmo medo que se estendia a todos nós.
_ Está demorando tanto, Edward! – a voz chorosa e sussurrada de minha mãe quebrou o silêncio que perdurava já há alguns minutos.
_ Fique aqui, amor! Eu vou até lá ver o que está causando toda essa demora! – meu pai disse depositando um beijo na testa de minha mãe e se levantando. – Brian, vem comigo?
O olhar do meu pai mais uma vez me disse que havia algo por trás daquilo tudo. Minhas pernas estavam bambas, minhas mãos suavam e tremiam. Eu estava morto de medo do que ele tinha para me dizer. Algo me dizia que aquilo poderia acabar com a minha vida.
Seth havia se sentado ao lado de minha mãe e segurava sua mão quando saímos do quarto. Meu pai caminhava pelos corredores de cabeça baixa, seu silêncio estava me enlouquecendo. Eu estava a ponto de explodir.
_ Pai! – o chamei simplesmente. Ele sabia o que eu queria saber.
_ Mel estava com ela, Brian! Mark Sanders bateu na sua irmã e o golpe fez com que ela caísse e batesse a cabeça em uma pilastra do estacionamento. – ele disse com a voz sufocada – Mel, de alguma forma, conseguiu ligar para o celular do Emmett sem que Mark percebesse e nós ouvimos tudo.
Minha cabeça rodava com as possibilidades que se apresentavam diante dos meus olhos. Se Mel estava com Sofia, então, o que tinha acontecido com ela? Onde ela estava? De repente, a junção dos nomes de Mark Sanders e Mel na mesma frase fez meu corpo todo se arrepiar. Olhei apavorado para o rosto do meu pai sem coragem de perguntar. Meu pai pareceu ler os meus pensamentos.
_Nós ainda não tivemos notícias, filho! Emmett me ligou, quando eu estava voltando do shopping trazendo a sua irmã, dizendo que estava indo com a polícia atrás deles. Ele rastreou o celular da Mel pelo GPS e estava furioso ao telefone, mas depois disso ele não voltou a ligar.
Peguei o meu telefone já discando o número do celular do tio Emmett. Meu coração batia disparado no peito quando ele atendeu.
_ Tio? Onde ela está? Como ela está? Vocês conseguiram pegar aquele desgraçado? – minhas perguntas saíam atropeladas. Minha ansiedade não me permitia pensar direito.
_ Ela está bem, Brian! O bastardo conseguiu fugir, mas eu consegui chegar antes que o pior acontecesse. Ela está sedada agora porque chegou aqui muito abalada e não permitia que ninguém tocasse nela para cuidar dos ferimentos ... – ele dizia sem tomar fôlego, mas eu o interrompi apavorado.
_ Ferimentos? Tio, o que aquele cachorro fez com a Mel? – eu gritava descontrolado – Por favor, me diz onde vocês estão? Eu preciso ver como ela está.
Meu tio me passou o número do quarto do hospital onde Mel estava. Corri para lá enquanto meu pai buscava notícias de Sofia. Eu estava dividido. De um lado, minha irmã estava ferida e não sabíamos a gravidade dos seus ferimentos. De outro, a mulher que eu amo tinha acabado de passar por uma situação traumatizante e só Deus poderia saber como ela iria reagir a tudo aquilo. Se antes eu tinha raiva daquele moleque insolente por perseguir a minha Mel, agora eu sentia um ódio mortal por ele ter ferido a minha irmã e por ter tentado sequestrar a minha menina. Saber que ele estava solto por aí só me fazia sentir mais ódio ainda. Ele ainda representava uma ameaça. Ele ainda poderia tentar alguma coisa contra Mel. Por mais que eu não pudesse nem pensar nessa possibilidade, no fundo eu torcia para que ele fosse burro o suficiente para tentar. Da próxima vez, eu estaria preparado. Da próxima vez, ele não sairia vivo.
Narrado por Seth
Um ódio sobrenatural se apossava de mim toda vez que eu me lembrava das palavras de Jay. Pensar que aquele fedelho metido a homem tentou sequestrar Mel e bateu em Sofia me fazia querer levantar daquela poltrona e persegui-lo até o inferno. Eu nem conseguia imaginar o que faria com ele caso o encontrasse. As formas mais cruéis de tortura não me pareciam severas o bastante para ele. Ele merecia mais ... muito mais...
Cinco horas. Eu olhava o relógio à minha frente e seguia cada movimento do ponteiro dos segundos. Sofia estava desacordada havia cinco angustiantes horas. O rosto ainda pálido e frágil carregava a marca da bofetada que aquele sujeito lhe havia dado. Ela havia sido trazida para o quarto pouco depois que Edward e Brian saíram em busca de notícias. Jasper e tio Jake tinham feito todos os exames possíveis e necessários para saber a gravidade da pancada na cabeça. Sofia havia sofrido uma fratura da parte posterior do crânio e a tomografia acusou uma pequena lesão no lobo occipital. Jasper havia me explicado que a lesão não era permanente, em termos leigos, era semelhante a um hematoma sobre a pele, e desapareceria com o tempo. Só nos restava esperar que Sofia acordasse para que ele pudesse confirmar se a visão havia sido afetada pela lesão ou o quanto ela teria sido afetada.
Edward dormia no sofá no canto do quarto depois de ter obrigado Bella a ir para casa. Ela estava exausta e ele a convenceu a ir alegando que os filhos estariam assustados e que precisavam saber que a irmã estava bem. Eu tinha pensado em convencê-lo a ir com Bella, mas o olhar angustiado que ele direcionava para a filha me desencorajou.
Minha cabeça doía de forma enlouquecedora. A tensão provocada pelo medo e pelas horas de espera tinha transformado meus músculos em pedra. Todo o meu corpo estava rígido, eu precisava me esticar um pouco. Levantei-me cuidadosamente para não perturbar o sono de Edward e saí do quarto depois de depositar um beijo suave nos lábios de Sofia. Caminhei sem destino pelos corredores e quando dei por mim estava parado diante da porta do quarto de Mel. Abri lentamente a porta para checar se todos dormiam. A luz do corredor iluminou levemente o quarto escuro e pude ver o rosto cansado de Brian que estava sentado na poltrona ao lado da cama de Mel e segurava uma de suas mãos. Entrei e caminhei em sua direção, parando ao lado da cama. Mel dormia aparentemente serena, sob o efeito do sedativo que lhe haviam aplicado.
_ Como ela está, Brian? – sussurrei para não perturbar o sono de Mel.
_ Fisicamente, ela está bem! – ele sussurrou de volta sem desviar os olhos angustiados do rosto de Mel. – Minha irmã já acordou?
_ Ainda não! – respondi sentindo meu coração ainda mais espremido no peito – Eu não vejo a hora de vê-la acordada! Esta espera está me matando!
_ Eu sei! Eu sinto a mesma coisa! – ele respondeu, o olhar torturado cravado no rosto de Mel.
_ Onde estão os pais dela? – perguntei ao não ver Emmett e Rose ali.
_ Tio Emmett foi levar tia Rose para casa. Ela estava exausta, mas se recusava a ir e deixá-lo aqui. Acho que depois que ela estiver dormindo ele volta para cá! – ele me respondeu com um fio de voz.
Depois disso, não dissemos mais nada. Brian permanecia acariciando suavemente a mão de Mel sem deixar de olhá-la por um segundo que fosse. Ficamos ali, em silêncio, por incontáveis minutos até que resolvi voltar para o quarto de Sofia. Quando entrei, Edward estava de pé ao lado da cama da filha, acariciando o seu rosto com a ponta dos dedos. Aproximei-me dos dois. Edward não parecia estar consciente da minha presença ali. Ele olhava para o rosto da filha de uma forma tão intensa que chegava a dar a impressão de que ele estava lendo os seus pensamentos.
_ Hey, bonequinha! – ele sussurrou depois de algum tempo, uma lágrima sofrida rolando dos seus olhos – Acorda, filha! Olha para mim?
Sofia permanecia quieta, para o meu total desespero. Ergui a mão vacilante e toquei levemente o seu rosto. A pele suave e macia, normalmente rosada, agora estava pálida. Edward me encarou com os olhos cheios de lágrimas, fazendo meu coração bater sufocado em meu peito.
_ Fique um pouco aqui com ela, Seth! Eu preciso respirar um pouco de ar fresco! – ele disse saindo apressado do quarto.
Era visível o esforço que ele fazia para não chorar na minha frente. Eu sabia que assim que ele estivesse do lado de fora daquele quarto, as lágrimas viriam com força. A mesma força com que as minhas lágrimas tentavam romper a barreira que eu tinha me forçado a construir. Apesar de me sentir totalmente perdido e aflito sem saber o que estava acontecendo com Sofia, eu sabia que precisava me manter sob controle. Quando ela acordasse, eu estaria lá para dar todo o apoio e carinho que ela precisasse. E para isso, eu precisava estar inteiro, eu precisava ser forte. Por ela.
Eu ainda estava parado ao lado do leito, acariciando o rosto de Sofia quando a porta se abriu. Por ela passou uma enfermeira seguida por meu tio. Sua expressão estava carregada, eu não saberia dizer se de preocupação ou de cansaço. Com medo do que aquela expressão poderia significar, permaneci calado. A enfermeira passou por mim e pendurou, ao lado do soro, uma bolsa com um líquido vermelho e viscoso. Sangue. Olhei assustado para o rosto do meu tio em busca de uma explicação para aquilo tudo. O que estava acontecendo com Sofia, afinal?
_ Os exames de sangue acusaram uma leve anemia, Seth! Provavelmente devido à perda de grande quantidade de sangue. Vamos fazer uma transfusão para que o seu corpo se recupere mais rapidamente. Agora, mais do que nunca, ela deve estar forte. – ele esclareceu.
_ O que você quer dizer com isso, tio? Por que agora mais do que nunca? – perguntei estranhando a sua forma de se expressar.
Tio Jake olhou rapidamente para a enfermeira e de novo para mim. O que quer que ele tivesse para me dizer, não queria dizer diante dela. A enfermeira pareceu levar uma eternidade para conectar a bolsa de sangue em Sofia e sair do quarto, ou então a minha ansiedade já teria atingido níveis tão absurdos que um segundo pareceria durar séculos. Assim que ela saiu, tio Jake me puxou para um canto do quarto. Meu coração estava novamente disparado em meu peito, o medo do que ele teria a dizer quase me provocando um ataque cardíaco. Nos sentamos no sofá e tio Jake me encarou sério.
_ Você a ama muito, não ama? – ele perguntou de repente.
Que diabo de pergunta era aquela e, principalmente, em um momento como aquele? Franzi o cenho confuso com aquela pergunta. A resposta era tão óbvia que a pergunta me parecia absurda.
_ O senhor sabe que sim, tio! Mais do que qualquer coisa neste mundo! O que está acontecendo, afinal? – perguntei olhando aflito para o rosto de Sofia.
Tio Jake não disse nada. Apenas me entregou uma pasta com o logotipo do hospital. Exames. Deus do céu! O que tinha ali de tão sério? Minhas mãos tremiam ao abrir aquele documento. Meus olhos correram rapidamente pelo conteúdo. A maior parte do que estava escrito ali eu não era capaz de entender, mas o resultado do último exame fez com que o meu coração quase explodisse o meu peito, batendo forte e disparado. Minha cabeça começou a girar, meu olhos se encheram de lágrimas, minhas mãos trêmulas e suadas soltaram o papel e voaram para o meu rosto e o choro que eu tinha mantido sob controle até aquele momento explodiu com fúria.
_ O senhor tem certeza de que esse exame está certo, tio? – perguntei, tempos depois, com dificuldade, minha voz entrecortada pelos soluços intensos.
_ Está, filho! Agora, mais do que nunca, você precisa ser forte! Sofia vai precisar de você e você não vai poder mostrar fragilidade. Seja o homem que eu sei que você é e fique ao lado dela. – ele disse me abraçando.
Levantei-me do sofá e caminhei de volta para ela. Acariciei a sua pele ainda pálida com a ponta dos dedos. Embora minhas lágrimas me impedissem de vê-la com clareza, a mancha arroxeada que surgia em seu rosto, no local em que ela havia sido atingida, começava a se pronunciar. Medo. Ódio. Angústia. Felicidade. Um turbilhão de sentimentos tomava conta de mim, bagunçando ainda mais a minha cabeça. Se antes eu já tinha motivos para odiar Mark Sanders, agora, depois de ver aquele exame, eu queria matá-lo com as minhas próprias mãos. E eu não deixaria que ele tivesse a oportunidade de ferir mais ninguém. No que dependesse de mim, os seus dias estariam contados.

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