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Juiz de Fora, Minas Gerais, Brazil
Apesar de ser mestre em Linguística e ter toda a minha vida acadêmica voltada para o ensino de línguas, sempre fui amante da literatura, devoradora de livros, filmes e séries. Sempre tive um sonho: escrever. Durante muito tempo, o medo de fracassar me impediu de realizar esse sonho, mas uma grande amiga me incentivou e me deu a coragem de enfrentar meus fantasmas e graças a ela eu hoje posso dizer que me sinto uma pessoa melhor, mais confiante e absolutamente ciente do meu potencial.

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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Capítulo XVI – Juntos




Narrado por Sofia

Pelo canto dos olhos eu pude ver meu pai se levantando do sofá e se preparando para vir em minha direção. No exato momento em que Seth disse aquilo todos na sala tinham ficado em silêncio. Fechei meus olhos tentando manter o controle, tentando não desabar de vez. A dor em meu peito aumentava assustadoramente enquanto aquela frase ecoava em meus ouvidos inúmeras vezes. Ele não queria mais me namorar. Eu sentia minhas mãos suadas, minha garganta seca, meus olhos se enchendo de lágrimas apesar do meu esforço. Eu não sabia onde buscar equilíbrio. Minhas pernas começavam a falhar e eu sentia que o chão era o meu destino.
_ Sofia, olha para mim? – ele pediu segurando o meu rosto com ambas as mãos.
_ Você não me quer mais. – minha voz era apenas um sussurro, não foi uma pergunta.
_ Como minha namorada, não! – ele disse com firmeza. – Olha para mim? – ele insistiu.
Abri os olhos. Seu rosto estava a poucos centímetros do meu. Eu podia sentir o seu hálito batendo em minha pele, me deixando tonta. Engoli em seco, esperando que ele dissesse o que tinha a dizer. Talvez, depois, ele me deixasse livre para correr para o meu quarto e me afundar em minha tristeza.
_ Eu quero você como minha companheira! Eu quero dormir e acordar ao seu lado para o resto das nossas vidas. Eu quero ser o seu porto seguro, o seu melhor amigo, o seu marido e amante, o pai dos seus filhos, o homem que vai envelhecer ao seu lado e que vai amar você todos os dias, para sempre. – ele tomou a minha mão direita em suas mãos e se ajoelhou diante de mim. – Casa comigo?
Meus ouvidos não acreditavam no que tinham acabado de ouvir. Meu coração batia tão forte e tão rápido em meu peito que eu quase podia ouvi-lo. O ar entrava e saía tão acelerado dos meus pulmões que eu começava a sentir vertigens. Minhas mãos, antes suadas de ansiedade, agora estavam também trêmulas de emoção. Eu tinha ouvido direito? Ele tinha me pedido em casamento? Não era um sonho, um delírio?
_ Casa comigo, Sofia? – ele repetiu diante do meu silêncio.
Eu não conseguia encontrar a minha voz. Minha mão esquerda estava sobre o meu peito em uma tentativa de acalmar o meu coração. As lágrimas já desciam soltas pelo meu rosto me impedindo de vê-lo, mas o sorriso estampado em meu rosto não deixava dúvidas de que aquelas lágrimas eram da mais pura e total felicidade.
_ Eu me caso com você! – consegui dizer em um sussurro.
       
Narrado por Seth
       
         Medo. Angústia. Ansiedade. Eu tinha passado toda a viagem com essas sensações massacrando o meu peito. Eu sabia que ela me amava. Ela sempre demonstrava isso, mas eu não tinha certeza de que ela aceitaria o meu pedido. Ela ainda era muito jovem e talvez quisesse esperar mais um pouco antes de assumir um compromisso tão sério e definitivo.  No momento em que decidi que a pediria em casamento ainda naquele dia, sentimentos perturbadores começaram a me assombrar. Medo de ela não aceitar. Angústia por pensar que ela poderia se assustar e desistir de nós. Ansiedade para fazer o pedido e receber um “sim” como resposta. Eu não conseguia nem imaginar a possibilidade de um “não”. Seria a morte para mim. O purgatório.
Ela tinha percebido que eu estava distante. Tinha tentado saber o que se passava comigo, mas eu não conseguia me expressar. Eu sabia que o meu silêncio a estava deixando angustiada, mas embora tentasse com todas as minhas forças sair daquele estado de letargia, permaneci calado, apenas acariciando seus cabelos enquanto a abraçava.
Ela se calou durante o resto da viagem. Seus olhos estavam tristes, quase sem brilho, sem vida. Odiei vê-la assim, mas eu precisava organizar as minhas idéias, pensar no que diria e em como diria a ela o que se passava em meu coração. Lembrei-me do nervosismo de Brian no dia em que pediu Mel em casamento. Agora eu entendia o seu estado de espírito, sua angústia em saber que Mel chorava no quarto ao lado por causa dele, sem que ele pudesse ir até ela e fazê-la sorrir de novo.
Sofia havia entrado em casa sem olhar para trás. Embora eu quisesse desesperadamente correr atrás dela, achei melhor deixá-la descansar. À noite, estaríamos juntos e eu me explicaria, faria o pedido e torceria para que ela me aceitasse.
Durante o jantar, ela permaneceu calada. Parecia triste ou, talvez, cansada, não sei. Mal tocou na comida e isso me preocupou. Eu sentia que ela evitava me olhar e isso só me deixava cada vez mais inseguro e angustiado. Na sala de estar, ela me levou para um canto e me pressionou para que eu dissesse o que estava acontecendo. Eu ainda não conseguia encontrar as palavras certas para fazer o pedido. Estava tão nervoso que as palavras simplesmente se apagavam da minha cabeça, deixando a minha mente vazia. Diante do meu silêncio, ela ficou ainda mais angustiada. Tentei dizer que não sabia como falar, mas ela insistiu:
_ Apenas diga! – falou impaciente. – Você não quer mais namorar comigo? É isso? – aquela pergunta me fez perder a linha do raciocínio.
_ É isso. Eu não quero mais namorar você! – eu disse sem notar que aquela frase poderia ser interpretada de outra forma.
Edward se levantou ao me ouvir e já se preparava para correr ao encontro da filha quando Bella o impediu. O silêncio na sala era sufocante. Sofia fechou os olhos e eu pude perceber a expressão de dor que se formou em seu rosto. Ela havia entendido tudo errado e parecia que iria desmoronar a qualquer momento. Sua mão suava sob a minha, seu peito subia e descia rapidamente como se ela não conseguisse respirar direito, mas o que me tirou o chão foi ver as lágrimas que escorriam de seus olhos.
_ Sofia, olha para mim? – pedi segurando o seu rosto com ambas as mãos.
_ Você não me quer mais. – ela realmente tinha entendido tudo errado.
_ Como minha namorada, não! – eu queria muito mais do que isso. – Olha para mim? –insisti.
Ela abriu os olhos. Meu rosto estava a poucos centímetros do seu. Engoli em seco, tentando recuperar um pouco de controle para dizer o que eu tinha a dizer.
_ Eu quero você como minha companheira! Eu quero dormir e acordar ao seu lado para o resto das nossas vidas. Eu quero ser o seu porto seguro, o seu melhor amigo, o seu marido e amante, o pai dos seus filhos, o homem que vai envelhecer ao seu lado e que vai amar você todos os dias, para sempre. – tomei a sua mão direita em minhas mãos e me ajoelhei diante dela. – Casa comigo?
Ela parecia não acreditar no que tinha ouvido. Olhava para mim com uma expressão incrédula, como se achasse que estava sonhando. Respirava com dificuldade e suas mãos tremiam tanto que eu tive medo que ela se sentisse mal. Ela não dizia nada. Apenas me olhava, chorava e tremia e minha ansiedade piorava a cada segundo que passava.
_ Casa comigo, Sofia? –repeti o pedido para que ela acreditasse em mim.
Eu via que ela tentava falar, mas não conseguia emitir nenhum som. Levou a mão livre ao peito, na altura do coração tentando segurar a emoção que a fazia chorar cada vez mais. Aquele sorriso que eu tanto amava estava finalmente de volta ao seu rosto e ela me deu a resposta que me faria o homem mais feliz de todo o mundo.
_ Eu me caso com você! – sua voz saiu fraquinha, ainda dominada pela emoção.
Levantei-me do chão abraçando seu corpo com toda a minha força. Todas aquelas horas em que eu mal a havia tocado de repente fizeram efeito em meu corpo. Como um viciado sem a dose diária de sua droga, eu estava em crise de abstinência do toque, do cheiro e do gosto daquela mulher. Minha mulher.
Sofia se agarrava a mim com o corpo sendo sacudido por soluços. De seu rosto enterrado em meu peito escorriam lágrimas que molhavam a minha camisa. Seus dedos emaranhados em meus cabelos me acariciavam intensamente.
_ Shhh ... calma, amor! Não chore! Eu amo você! – eu dizia tentando acalmá-la.
Ela ergueu o rosto e me encarou com os olhos brilhando pelas lágrimas. Era inacreditável como ela podia ficar ainda mais linda em uma situação em que a maioria dos mortais ficaria, no mínimo, nem um pouco apresentável. Nem mesmo os olhos inchados pelo choro, a ponta do nariz vermelha e a maquiagem levemente borrada pelas lágrimas conseguiam desfazer a perfeição daquele rosto.
_ Eu amo você! Eu amo muito você! – eu repeti para que ela tivesse a certeza de ter ouvido as minhas palavras. – Está me ouvindo?
Ela sorriu entre lágrimas e aproximou os lábios dos meus, a mão direita pousava sobre o meu peito, na altura do meu coração. Me perdi naquele beijo, me esqueci de quem eu era, de onde eu estava, de quem estava ao meu redor. Nada mais tinha importância para mim. Só me interessava sentir o gosto dos seus lábios, a maciez e o calor que emanava da sua pele, o perfume do seu corpo e dos seus cabelos. Só me interessava senti-la em meus braços, sentir o seu amor e sonhar com o nosso futuro juntos.

Narrado por Sofia

A adrenalina corria solta pelo meu corpo, me deixando trêmula ... tonta. A única coisa que me sustentava ainda de pé eram os braços fortes de Seth que me envolviam em um abraço apertado. Meus lábios colados aos dele eram a única parte do meu corpo que eu conseguia sentir. Minha mente ainda tentava acreditar nas palavras que ele acabara de me dizer. Os sonhos que eu achava que tinham sido destruídos estavam prestes a se tornar realidade. A realidade mais linda do mundo. Seth e eu casados. Era felicidade demais para um coração agüentar.
Seth me beijava com uma doçura viciante. Sua mão esquerda interrompeu o toque em meu corpo por um breve instante para, logo depois, subir por minhas costas em um carinho suave, passando para o meu braço direito, acompanhando toda a sua extensão até chegar em meu punho. Senti sua mão tocar a minha sobre o seu coração e algo deslizou pelo meu dedo. Ele envolveu a minha mão com a sua e a apertou suavemente, encerrando o beijo com vários selinhos demorados.
Fomos surpreendidos com o barulho de uma garrafa se abrindo. Meu pai havia acabado de estourar um champanhe e só então nos lembramos que tínhamos uma enorme platéia que nos observava sorridente e emocionada.
Seth abraçou a minha cintura, me levando de volta para o meio da sala onde fomos abraçados e felicitados por todos. Um brinde foi erguido ao nosso futuro juntos. Seth me olhava com os olhos brilhando de emoção. Ele estava feliz. Eu estava feliz. Nós estávamos juntos. Isso era tudo o que me importava naquele momento. O resto? Bem, o resto era o resto. E podia esperar.

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