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Juiz de Fora, Minas Gerais, Brazil
Apesar de ser mestre em Linguística e ter toda a minha vida acadêmica voltada para o ensino de línguas, sempre fui amante da literatura, devoradora de livros, filmes e séries. Sempre tive um sonho: escrever. Durante muito tempo, o medo de fracassar me impediu de realizar esse sonho, mas uma grande amiga me incentivou e me deu a coragem de enfrentar meus fantasmas e graças a ela eu hoje posso dizer que me sinto uma pessoa melhor, mais confiante e absolutamente ciente do meu potencial.

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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Capítulo III - Tesouro




Narrado por Melinda

O telefone voltou a chamar e eu esperava que ele atendesse dessa vez. Meu coração estava aos pulos pela ansiedade e pelo medo de ser ignorada de novo.
_ Oi, docinho! – ele atendeu com a voz mais linda do mundo. Não consegui conter um suspiro de alívio antes de responder.
_ Oi, bebê! O que você está fazendo agora? – tentei controlar minha emoção por ouvi-lo, mas minha voz saiu trêmula.
Um silêncio estranho e angustiante se fez antes que ele respondesse:
_ Estou indo a uma pizzaria com uns amigos para comemorar o fim do semestre. E você? O que está fazendo agora? – ele perguntou.
Senti como se meu coração tivesse sido esmagado. Por mais que eu quisesse vê-lo sempre feliz, me senti traída em pensar que ele se divertia estando longe de mim enquanto eu só pensava nele o tempo todo e não achava graça no mundo se ele não estivesse comigo. Eu não deveria ter ligado. Minha angústia agora era muito maior do que antes.
_ Estou na casa da vovó Esme. – respondi sem me importar se a minha voz deixaria transparecer a tristeza que eu sentia, mas ainda assim me esforcei para não chorar ao telefone. – Ela vai fazer um jantar e a família toda está aqui. Só falta você. – minha voz saiu em um sussurro.
Ele ficou em silêncio novamente. Aquilo estava me matando. Parecia que ele estava medindo as palavras para falar comigo, como se me escondesse alguma coisa. Eu precisava desligar antes que o choro viesse descontrolado. Tinha me arrependido de ter ligado para ele. Se antes a minha angústia era grande, agora ela estava simplesmente insuportável.
_ Eu preciso ir agora, bebê. A vovó já está nos chamando para o jantar. – menti. Eu precisava de uma desculpa para desligar e disse a primeira coisa que me passou pela cabeça.
_ Docinho, eu ... – ele tentou dizer, mas eu não queria ouvir mais nada e o interrompi.
_ Eu tenho que desligar agora, Brian. Tchau! – disse com a voz embargada e desliguei sem esperar que ele respondesse.
Meu peito agora doía pela força com que meu coração batia e minha cabeça latejava de uma forma enlouquecedora. Eu precisava ficar sozinha por uns instantes para me recompor. Larguei o celular em qualquer lugar e me esgueirei pela sala até o banheiro social do primeiro andar. Encostei-me na porta trancada por dentro e deslizei até sentar-me no chão frio. Deixei que a emoção tomasse conta de vez. Talvez, se eu colocasse tudo para fora em forma de lágrimas, a pressão no meu peito pudesse ser aliviada e eu fosse capaz de voltar para a sala e enfrentar aquele jantar. Só mais algumas horas, Mel. – pensei – Depois você poderá se trancar em seu quarto e chorar até não ter mais fluidos em seu corpo.
Cinco minutos mais tarde, eu me levantei do chão, lavei o rosto e ajeitei minha roupa no corpo. A garota que eu via refletida no espelho estava destruída, mas vestia uma máscara de normalidade embora seus olhos estivessem vermelhos de tanto chorar.
_ Aguente só mais um pouco! – eu pedi ao reflexo no espelho que me encarava. – Só mais um pouco!
Respirei fundo algumas vezes e saí do banheiro de cabeça baixa. Ainda não estava certa de que a minha máscara ficaria intacta sob o olhar dos meus pais ou de Sofia. O silêncio na sala, antes preenchida pelas vozes da minha família, chamou a minha atenção e eu ergui meu olhar para ver o que havia acontecido.
Eu nunca acreditei que um coração pudesse bater tão acelerado e com tanta força como o meu batia agora. Se há quase três anos eu achei que morreria ao olhar para aquele rosto, agora eu tinha a certeza de que estava no paraíso ao me descobrir presa por aqueles olhos verdes que brilhavam intensamente ao me encarar. Levei a mão ao peito tentando acalmar as batidas do meu coração, mas minha respiração acelerada não me ajudava em nada. A imagem daquele rosto lindo começou a ficar embaçada e só então percebi que tinha voltado a chorar. Eu não podia mais esperar para senti-lo junto de mim. Atravessei a sala correndo e me atirei em seus braços aos prantos. Senti seus braços me envolvendo com firmeza enquanto ele inspirava profundamente em meu pescoço.
_ Oi, docinho! – ele sussurrou em meu ouvido me fazendo estremecer.
_ Oi, mentiroso! – respondi tentando controlar o tremor na minha voz. Senti-lo assim tão colado a mim me trouxe um alívio imenso. – Eu senti tanto a sua falta!
_ Eu também, docinho! Eu também! – ele respondeu enquanto acariciava meus cabelos para logo depois beijar delicadamente meu pescoço, minhas bochechas, meus olhos, minha testa, meu nariz, meu queixo e, finalmente, meus lábios.
Calor. Intensidade. Sabor. Era tudo o que eu conseguia perceber ao meu redor. O restante do mundo havia se evaporado e Brian era a única coisa que meus sentidos captavam. Eu me agarrava fortemente a ele tentando fundir-me ao seu corpo para que nunca mais ficássemos separados de novo. Doía só de pensar. Seus braços me envolviam com tanta força que eu tinha a sensação de que ele pensava a mesma coisa que eu. Aos poucos, nosso beijo foi se tornando mais calmo. A sede de beijos e a saudade tinham sido momentaneamente acalmadas.  A tristeza e a angústia completamente esquecidas e a dor, que antes me massacrava, tinha deixado de existir.
Lentamente, separamos nossos lábios com pequenos e suaves selinhos. Brian segurava meu rosto com as duas mãos enquanto me olhava nos olhos com intensidade, parecendo ler meus pensamentos, penetrar em minha alma.
_ Hey, casalzinho! Tem uma família ansiosa aqui para abraçar o garotão aí! Será que dá pra parar com o agarramento? – meu pai, como sempre, brincou nos fazendo rir sem desviar nossos olhos um do outro.
Brian fechou os olhos e me deu um último selinho mais demorado antes de se virar para a nossa família. Meus pais foram os primeiros a se aproximar para abraçá-lo. Ele os abraçou de volta, mas, ainda assim, seus braços não deixavam de envolver fortemente a minha cintura. Um a um, todos o cumprimentaram dando as boas vindas de volta à família e a cada minuto que eu o sentia perto de mim, eu tinha ainda mais certeza de que precisava dele para sobreviver. Sem ele, eu não era ninguém.

Narrado por Linda

        Quando vi Melinda passar sorrateiramente pela sala em direção ao banheiro, percebi que algo estava errado. Uma angústia sufocante tomou conta do meu peito e eu sabia que meu irmão não estava bem. Sentei-me calada em um canto da sala esperando que aquela sensação horrível passasse. Eu não gostava de me sentir assim. Sentia-me estranha, diferente, quase uma aberração. Como era possível que eu sentisse o que se passava com outra pessoa? Isso não era normal, era? O fato é que essas emoções tão fortes, às vezes, me assustavam muito.
Quando Seth passou pela porta da sala eu pensei que minha angústia teria fim, mas isso não aconteceu. Eu olhava ansiosa para ver Brian passar pela porta e ter a certeza de que ele estava bem e qual não foi a minha surpresa ao sentir uma angústia ainda maior do que antes. Os olhos de Brian esquadrinhavam toda a sala e eu sabia que ele procurava por ela. De repente, ele parou de respirar e só voltou a encher seus pulmões de ar quando Mel se atirou em seus braços. A cena era linda e comovente, mas eu só conseguia sentir aquela angústia ficar cada vez mais forte. Por que eu ainda sentia aquelas coisas se agora estava tudo bem? Eu via meu irmão feliz ao lado de Mel e ele sorria lindamente para todos, então, porque eu continuava daquele jeito? Por que o meu coração não voltava a bater em seu ritmo normal?
Minha avó nos chamou para a sala de jantar onde comemoraríamos a volta de Brian e ele faria outra surpresa para Mel. Ela estava um pouco pálida, talvez em conseqüência do susto que tinha levado ao ver meu irmão ali. Ela caminhava ao lado de Brian com os dedos das mãos entrelaçados aos dele, mas de repente ela parou e pousou a mão sobre a testa. Brian parou com ela, sua expressão era preocupada. Mel não estava bem, isso era evidente. Ela olhou em seus olhos sem parecer enxergá-lo direito e cambaleou. Meu irmão a amparou antes que ela caísse, mas ela se recompôs rapidamente dizendo que tinha sentido uma leve vertigem. Sofia se aproximou dos dois e pediu licença a todos levando Mel de volta ao banheiro. Todos as olhavam com os olhos assustados e os semblantes preocupados. Brian parecia que iria ter um filho. Andava de um lado para o outro no corredor esperando que a porta do banheiro voltasse a se abrir e ele pudesse vê-la de novo e confirmar se estava tudo bem. Ele não teria sossego até que a visse de novo.

Narrado por Sofia

        Quando Mel cambaleou sendo amparada por Brian eu tive a certeza de que ela não estava bem. Eu não podia mais ficar calada sem fazer nada e ver a minha prima, cunhada e melhor amiga adoecer diante dos meus olhos. Levei-a para o banheiro com a desculpa de lavar o rosto para espantar o mal estar passageiro e me tranquei com ela lá dentro. Agora eu iria dizer tudo o que eu estava pensando e ela teria que me ouvir. Eu sempre tinha respeitado o espaço dela, mas as coisas estavam se dirigindo para um caminho perigoso.
        _ Mel, não adianta mais me esconder o que está acontecendo com você. Eu posso ver que você não está bem e não vou mais ficar calada vendo você piorar sem tomar uma atitude. Ou você me fala o que você tem agora ou eu vou sair deste banheiro e contar para toda a família que você não tem se alimentado e nem se cuidado como deve. – eu sussurrava de forma severa para ela, pois eu sabia que Brian estava do lado de fora da porta. 
Ela me fitava de olhos arregalados, visivelmente assustada com a minha atitude. Eu a encarava de forma séria esperando uma resposta, mas sua única reação foi esconder o rosto com as mãos e chorar baixinho.
_ Eu realmente não sei o que está acontecendo comigo, Sofia! Eu juro! – ela disse apreensiva – Eu tenho me sentido cansada e sem apetite. Às vezes eu sinto dores pelo corpo e essa foi a primeira vez que fiquei tonta. Eu estava muito angustiada porque Brian não tinha voltado para casa e cheguei a pensar que ele tivesse conhecido outra pessoa e que não sabia como me contar. Eu tenho estado muito estressada por causa desses pensamentos e acho que foi isso que desencadeou todos esses sintomas.
Eu via a verdade de suas palavras estampada nos seus olhos. Também podia perceber que ela estava assustada com tudo aquilo assim como eu estava. Esperei que ela se acalmasse e lavasse o rosto para voltarmos à sala de jantar. A noite ainda lhe reservava outra surpresa.

Narrado por Melinda

A primeira coisa que vi assim que abri a porta do banheiro foi o olhar preocupado de Brian sobre mim. Ele correu para mim e me abraçou apertado assim que dei o primeiro passo em sua direção.
_ Hey, docinho! Como você está? – ele perguntou acariciando meus cabelos.
_ Eu estou bem, bebê. Foi só uma tontura leve. Eu fiquei emocionada ao ver você aqui. – brinquei, mas seus olhos agora demonstravam certa culpa.
_ Desculpa, docinho! Eu não queria que isso tivesse acontecido! – ele me olhava com uma expressão de dor.
_ Nunca mais diga isso, bebê. Se for para ter você sempre aqui juntinho de mim, eu quero passar o resto da minha vida sentindo tonturas. – eu tentava descontrair o ambiente.
Brian inspirou profundamente e soltou o ar com uma expressão aborrecida. Eu já estava me preparando para perguntar o que tinha acontecido, mas ele se adiantou:
_ Vamos jantar, docinho! Nossa família está nos esperando à mesa. – ele disse me puxando pela mão até a sala de jantar.
Embora eu estivesse confusa com a atitude dele, preferi não prolongar aquela conversa para não estragar o clima de felicidade. Todos estavam à mesa nos aguardando e assim que nos sentamos o jantar foi servido. O clima de festa dominava o ambiente e Brian voltou a sorrir. O incidente do corredor parecia ter ficado para trás. Eu também sorria me sentindo novamente completa estando ao lado de Brian que não deixava de acariciar minha mão sobre a mesa de jantar. Tínhamos passado tanto tempo longe um do outro que a possibilidade de ficarmos sem contato físico por um segundo sequer doía.
Embora eu estivesse imensamente feliz por estar ao seu lado de novo, ainda estava preocupada com a minha falta de apetite. Eu tinha pensado que isso estivesse acontecendo por causa das saudades que sentia de Brian, mas agora que ele estava comigo por que eu ainda não tinha vontade de comer? E o pior de tudo era esse cansaço que não me dava uma trégua.
O jantar tinha corrido tranquilamente embora eu mal tivesse tocado na comida. Felizmente, todos estavam tão distraídos com a volta de Brian que não perceberam a minha falta de apetite. A sobremesa tinha acabado de ser servida quando Brian se levantou e pediu a atenção de todos. Ele me encarou com um sorriso nervoso nos lábios antes de começar a falar:
_ Docinho, o que eu vou dizer agora para você, eu já disse para os seus pais e para os meus. – ele começou e meu coração disparou no peito – Quando eu voltei para as férias de final de ano há quase três anos, eu senti que a minha vida estava prestes a mudar de forma irreversível. No começo, eu senti muito medo do que eu estava sentindo por uma menina de apenas 15 anos e aquilo me assustou. A forma como você me enfeitiçou só de me olhar com esses olhos azuis tão brilhantes e sinceros me deixou desnorteado por algum tempo. Eu tentei fugir de você e do sentimento que crescia a cada dia dentro do meu peito, mas eu ainda não sabia que eu não tinha cura. Estava doente de amor por você...
Meus olhos já estavam marejados com as lembranças do início do nosso namoro. Fiquei de pé ao lado de Brian e ele entrelaçou nossas mãos. Suas mãos suadas de nervosismo seguravam gentilmente as minhas mãos trêmulas de emoção.
_  ... E essa doença é incurável. Não que eu tenha procurado a cura para ela, mas, na verdade, eu descobri que você é o meu remédio ... só você pode me manter vivo. – ele continuou – O nosso amor é uma prova disso. Foi maravilhoso sentir que eu tinha encontrado a minha alma gêmea em uma pessoa tão especial. Eu preciso de você para viver, docinho! Você é o ar que eu respiro, o sol que me aquece e me enche de luz, você é a água que mata a minha sede e me refresca e é a terra que me dá uma base sólida para construir o meu futuro, o nosso futuro. Você é o meu tesouro mais precioso e é por isso que eu quero passar o resto dos meus dias ao seu lado. Casa comigo, Melinda?
Brian pegou a minha mão direita levando-a até o seu peito onde eu pude sentir o seu coração batendo forte e acelerado. Eu me sentia nas nuvens, eu só podia estar sonhando e tinha muito medo de acordar sozinha em minha cama e me dar conta de que ele ainda estava longe de mim. Mas se aquilo tudo era um sonho, eu iria vivê-lo intensamente até o fim. Peguei sua mão direita e a levei até o meu peito. Ele sorriu emocionado ao sentir meu coração quase arrebentando meu peito com a força com que batia.
_ Me casar com você é tudo o que eu mais quero na minha vida, Brian! – eu disse com a voz embargada pela emoção – E eu quero que este noivado seja o começo de tudo, o começo de uma longa caminhada ao lado do homem que eu amo e quero bem, porque eu quero comemorar cada segundo ao seu lado e quero lhe dar o meu coração de forma plena. Ele é seu agora e sempre será seu. Eu te amo muito e peço a Deus que nos ilumine e abençoe a nossa união porque a minha vida não vale nada sem você.
Brian sorria e chorava junto comigo. Suas mãos trêmulas tiraram do bolso uma caixinha preta que continha duas alianças de ouro, cravejadas com pequenos e delicados diamantes, parecidas com as de seus pais. Ele retirou uma das alianças da caixinha e a colocou em minha mão direita beijando-a assim que ela se alojou em meu dedo. Imitei o seu gesto com as mãos trêmulas e, quando achei que tudo tinha acabado, Brian me entregou outra caixa preta maior do que a primeira.
_ Este presente é só uma pequena demonstração do quanto o nosso amor é raro e precioso, docinho! – ele disse ao me entregar a caixa.
Eu mal conseguia segurá-la sem deixá-la cair e quando a abri meus olhos não acreditaram no que viram: um delicado colar de brilhantes que ostentava em seu centro um diamante azul em forma de gota. O brilho daquela pedra azul era hipnotizante. Encarei Brian atordoada pela surpresa e ele me fitava com um sorriso doce e meigo nos lábios. Ele retirou o colar da caixa e o colocou em volta do meu pescoço sob o olhar emocionado de nossa família. Sofia sorria abertamente para mim e só agora eu entendia o motivo de ela não ter deixado que eu colocasse um colar para acompanhar o vestido azul. Ela sabia sobre o presente que eu iria ganhar e tratou de reservar o espaço para receber a jóia que agora brilhava em meu pescoço. Senti as mãos suaves e carinhosas do meu noivo, que tinha acabado de fechar o colar, descerem pelos meus ombros nus, acariciando meus braços para se fecharem em volta da minha cintura enquanto ele me abraçava por trás.
_ Gostou? – ele me perguntou, depois de me colocar de frente para o espelho da sala de jantar, dando um beijo em meu ombro esquerdo.
_ Amei! – respondi sentindo meu corpo estremecer ao contato com o seu corpo.
Encarei a garota refletida no espelho, totalmente diferente daquela que eu tinha visto mais cedo. Seus olhos brilhavam cheios de vida e seu sorriso estampava a felicidade que não cabia dentro de si. Minha mão direita acariciou suavemente o diamante do colar e eu pude apreciar o brilho da aliança que agora gritava para o mundo que eu pertenceria para sempre a Brian Cullen.


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